sexta-feira, 19 de julho de 2013

Das Gotas Daquela Menina uma Chuva de Amor

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Gotejando na minha janela
vem ela sorrateira
apagando a poeira
dos dias áridos em terra estrangeira.

Vem doce, vem calma e serena
beijar o jardim da açucena,
respingar um luar poesia
que invade e engole o dia.

Chuvisco arisco julhino
trazendo recordações de menino
levado e sapeca com as letras
deixando pra trás o amor à caneta.

Vestígios úmidos alquebrados
no vaso ao fugaz parapeito
que são flores no leito;
ciprestes do meu caminhar.

E as gotas martelando o ritmo
que é cadenciado, é alado
como minh’alma tão plena e liberta
entrecortando o azul firmamento;

e o sopro do tempo é tão lento
e o vento silvando é canção
remetida aos auspícios do coração
que bate e rebate o algoz da paixão.

Gotejando na minha janela vem ela
de saia rodada e passos tranquilos,
menina da chuva de pele macia
que rasga o inverno e a melancolia

e frisa um olhar delinquente
que é quente e arrebata o querer
dos braços, dos beijos e abraços
na porta do quarto do amanhecer.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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