sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Depois do Depois





Então dos portões da morte à vastidão
Anúbis sensato com a pena de Maat
pesou o meu e o seu coração
e foi céu, inferno, vivificação
calabouços alegres de fustigação
e já não havia nem céu nem chão
somente um amanhã longínquo
por onde a alma cascuda percorreu
os próprios pecados, os seus e os meus
e mesmo nessa condição Dantesca
o capeta sopra uma brisa fresca
e do céu um chapéu ou auréola,
mas, a consciência do sofrimento é pessoal...


Jonas R. Sanches
Imagem: Grazie di Bergamo - Lectura Dantis Bergomensis

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O Porvir




O porvir há de ser infinito
beijando a morte certa
ou incerta
quem sabe a alma sobreviva
a essa dança cósmica
que rege o ontem, o hoje e o amanhã...


Jonas R. Sanches

domingo, 6 de janeiro de 2019

O Ritmo da Tempestade




O entardecer arrastou-se plúmbeo
bebendo o crepúsculo e a chuva
adentrou pela noite tempestuosa
e o beijo da flor noturna foi molhado

raios coriscaram a madrugada
e a canção era o ribombar dos trovões
o silêncio era do cricrilar dos grilos
a poesia era uma simples oração

que ressoava no templo do peito
seguindo o ritmo do coração
então o amanhecer veio tardio
trazendo as cores róseas no horizonte...

Jonas R. Sanches

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Pelas Vidas e Sobrevidas




A vida complexa
a noite perplexa
repleta de estrelas
ou um temporal
anímico
sentimento poético
solidão feliz
que me condiz
no verso cru
de corpo nu
na palavra escassa
desviando a desgraça
dormindo na praça
ou achando graça
na dor que inferniza
aqui ou em Ibiza
ou em qualquer lugar
no céu o no mar
na vida no lar
ou só pelo povo
que é sofrimento
esquecido ao vento
pela sua dor
ou por um novo amor...

Jonas R. Sanches
Imagem: Vidas Secas

Sobre o Canto dos Pássaros no meu Recanto




Eu não me canso de cantar com os pássaros
minhas manhãs coloridas em alvoroço
tem bem-te-vi, tem melro, papa-capim,
tem beija-flor apaixonado por um jasmim;

eu não me canso desse canto mavioso
do sabiá a passear na goiabeira
maritacas algazarreando na jabuticabeira
e a cambacica fazendo birra pro colibri;

eu não me canso da poesia da natureza
são tantas cores, tantas flores, tanta beleza
no meu recanto existe encanto, existe o canto
que canta o tempo nesse momento que gosto tanto...

Jonas R. Sanches
Imagem: Gazeta do Povo

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Importante é Aquilo ou Aquele que Amamos




Já não importa mais o fim
já não importa qualquer raiva ou rancor
já não importa o seu ou o meu
já não importa essa mentira que a verdade conforta
importa sim, eu, você, você também...
Importa NÓS todos pela PAZ!

Jonas R. Sanches
Imagem: Meu Anjo e Sobrinho Murilo

À Verdade




Num profundo calabouço
a igreja escravizou a humanidade
ocultando primordiais verdades
querendo pra si todo o poder
mas, existem poetas loucos
que escalam as muralhas do calabouço
e tentam com o livre-arbítrio, libertação;
pois, igreja e perdão é no coração
e, não na palavra podre do padre ou rabino
pastor, castor, antílope ou peregrino;
Cristo deixou a paz mas também a discórdia
pregando sem explicar os seus alicerces;
agora, meu bom rapaz dê sua cara então pra bater
e cale-se diante essa pútrida mediocridade...
Não sou contra Deus, nem Cristo, mas sou
bem contra toda essa religião
independente de seus credos, dogmas e nações
que impõem poderes sem dar satisfação
pois, se à VERDADE vier à tona
acabará todo esse falso poder
que só se alimenta de guerras em nome de Deus...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 24 de novembro de 2018

Roda da Vida II




Será além da estrela fotografada
há uma estrela fulgurando o âmago
na roda cósmica o sempre incessante
e depois do agora o depois que já foi
na luz da estrela morta estudada
ou no pensamento à velocidade da luz
o sempre tolhido pela insensatez
da verdade não ser aquilo no depois
da memória se subtrair na própria história
do agora ser bem antes do após...

Jonas R. Sanches
Imagem: A Roda da Vida - Arcanjo Metatron

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Sem Escrúpulos e Sem Perdão




O tempo quase tranquilo
o vendaval prenúncio à tempestade
um assovio sinistro em sobreaviso
um coração estilhaçado à verdade
e a morte vem e à morte vai
somente um flash em furacão
um vórtice dentro da eternidade
e a natureza é a mãe sobrevivente
contundente ou comumente à vida
vivida sem escrúpulos e sem perdão...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 18 de novembro de 2018

Três Vezes Grande




Do seio da terra
o leite da vida
a seiva da rocha
a lágrima diamante
o cabelo de grama
a magia constante
entre os elementais.

Do seio da terra
o leite da virgem
a transmutação da rocha
em cadinho de diamante
em seus sete estágios
de alquimia constante
e a alma tornar-se-á ouro.

Do seio da terra
o gérmen da vida
o orvalho colhido
na manhã estrelada
e à última noite
o pergaminho perdido
dá a semente do azoth.

Jonas R. Sanches
Imagem: Tábua Alquímica de Hermes Trismegistos

De um Átomo Poético a um Momento Atômico




Um átomo poético
em instante periódico
algures insano espasmódico
num lúgubre cadavérico
em nuances do lusco-fusco
onde o sol se deita brusco
em âmbito velutíneo
e as estrelas em escrutínio
decidem o próximo extermínio
da supernova
que destrói e renova
desde o nadir até o zênite
e o poeta é olhar atônito
desse momento atômico.

Jonas R. Sanches
Supernova de Tycho (SN 1572). Foto: NASA

Depressa Demais



Há muito sofrimento na vida
mas, tudo passa depressa
a vida passa muito depressa
então viva com prazer
se dê o direito de cometer erros
se de o direito de ser feliz
sinta preguiça e cante com os pássaros,
tudo passa muito depressa
e a morte chega sem avisar
então viva a própria vida
não olhe para trás
siga sempre em frente
tire lições das situações difíceis
sorria das situações engraçadas
não culpe os outros pelos seus erros
mas também saiba perdoar
tudo passa depressa demais
a vida vem e a vida vai
como a escuma das ondas
que beija a praia e volta ao mar...

Jonas R. Sanches

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O Diáfano do Olhar




O sol e o céu azul perfeito
transcendem a luz da melodia
vislumbre do amor à natureza
perfeito o dom da alquimia

transmuta-se toda semente em planta
e as cores ditam os tons do dia
as pétalas são meu cadinho insano
metamorfoseando-se em nuances de poesia

e o verso é só detalhe e encanto
e o canto é duma cotovia
o voo é tal qual curiango
e a mente o coração sacia...

E depois de todas as horas
a morte é grão em ampulheta
girando a vida do planeta
transfigurando o diáfano do olhar...

Jonas R. Sanches
Imagem: Thomas Baccaro - O Diáfano de Alexitimia

sábado, 10 de novembro de 2018

Mansidão




Há a mansidão no coração
e há a simplicidade no momento
uma leve brisa tal qual lamento
carrega a lua à solidão
e a sensação é um rebento
enquanto o dia em desalento
se esvai deixando cor e paixão
e a noite traz contentamento
tal qual águas mansas o pensamento
se desfaz numa explosão de ilusão...

Jonas R. Sanches
Imagem: ID’ Photography

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

De Encontro ao Âmago de Mim




Entrecortando o âmago de mim
naveguei por águas tempestuosas
mares inóspitos de paradoxos
em um barco sem porto seguro
sem cercas, sem céus e sem muros;

entrecortando a vida diante à morte
e tudo fica vazio e sem sentido
imagens diáfanas entrelaçam cores
e seus sons são gritos que acalmam
minhas asas, então pouso em mim...

Enviesado, entrecortado, todos os ados
sem lados... Na noite um sinistro piado
arrepiando os cabelos de um bardo
mas, nada é tão tangível assim
algumas figuras são somente sentimentos

que emaranhados florescem em mim...
Entrecortando a poesia cósmica
sobrevoei abismos profundos
a imaginação se aliou aos sonhos secretos
agora somente flores permeiam o luar...

Entrecortando os finais, pirilampos pousaram em mim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Medium

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Poema Filosofal




A chuva permaneceu
os olhos do céu marejados
tons plúmbeos no firmamento
pássaros tolhidos no quintal
relâmpagos coriscam vermelhos
iluminando o pensamento
que é tal qual vendaval
de ideias ziguezagueantes
pululantes sem igual
transubstanciando a letra
metamorfoseando o verso
para chegar consequentemente
no poema filosofal
que traduz o verbo em ouro
e dá a poesia vida eterna...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Canção que o Sol Compôs




Hoje meu sol partiu mais cedo
o meu enredo é de solidão
o querer é uma flor distante
que me relembra olor de perdição,

hoje meu sol caiu das nuvens
o meu pesar é mera ilusão
o meu querer é longe passarinho
querendo um ninho pro seu coração,

hoje meu sol foi beijo sem luar
se afogou nas ondas de outro mar
foi desalento enquanto eu dormia
e à letargia invade o meu sonhar...

Hoje meu sol partiu mais cedo
deixou em trevas toda emoção
somente agora ao longe burburinhos
enquanto a pena escreve essa canção...

Jonas R. Sanches
Imagem: Image Bank

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Momentos de Poeta




Soberano o momento em inspiração
vislumbre de um poeta à natureza
que o cerca e o alimenta da beleza
que ao certo alimenta o seu poema

que inda cru contorna a aura da flor
que inda é feto e de fato vai crescendo
de acordo com o que o coração vai percebendo
melindres circunscritos em evolução

e flor murchou no sol, mas, revelou
a pétala na lágrima de um beija-flor
e o beija-flor voou em desalento
registros do poeta em seu momento...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Guerra Abstrata




A abstração da morte ilude a vida
mas, consequentemente a vida é eterna
mesmo tão subalterna aos desgostos
e o amanhã pode ser quase agosto
sem inverno, sem inferno e apocalipse
só o limite do que escraviza o mundo
e, assim, tanto em busca de poder
e, assim, os poderosos não tem misericórdia
só alimentam a morte e a discórdia
nessa guerra que mata sem sentido...

Jonas R. Sanches
Imagem: Desconheço

Tumba dos Vaga-Lumes




A vidraça aberta deixando entrar o tempo
como um vão lamento entre os mil pedintes
no vão da cortina velha um rasgo envelhecido
refletindo no espelho um copo esquecido
na beirada do abismo bebendo o mundo
bebendo coca cola nas vitrines coloridas
dentro de uma tumba enfeitada com vaga-lumes...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google