sábado, 20 de agosto de 2016

Abóbada Cinérea e um Sabiá Sabático



O sábado amanheceu cinzento
coriscos relampejantes no céu
trovões a ribombarem incessantes
mas o sabiá está lá a cantar
o seu canto maviosamente harmonioso
duetando ao barulho da chuva
que derrama-se do firmamento plúmbeo
e o horizonte é escuro sem o sol
e o poema se refaz nevoento e obscuro
como esse sábado de abóbada cinérea
como esse canto deleitável do sabiá
como essas letras que escorrem com a chuva
para serem carregadas pelas águas do ribeirão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Eric Mendez

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Ampulheta


Lampejo Esmerado



Tento a poesia inventiva
estranhamente desusada
com palavras insólitas
que recontam átimos
vistos com olhar minudente
e pormenorizados atilados
com asserções líricas
oriundas dos adágios aforísticos
concatenados no rosicler
de um dia comezinho impreciso
com bátega de luzeiros cadentes
na boca da chona enluarada
encantatória ao olhar do poeta
que lobriga acocorado no solário
em busca do esmerado lampejo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Dave Dugdale

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Há Dois Anos



Há dois anos pela primeira vez beijei-te
e o amor invadiu inteiro o coração
foi o momento esperado de uma vida
e até hoje ainda sinto a sensação
quando eu sinto os teus lábios nos meus
parece ainda o doce primeiro beijo
que despertou o meu amor, minha paixão;
que ainda perdura nesse meu grande desejo
de te amar, de te poder fazer feliz,
minha menina, minha flor, minha açucena,
a minha vida quero sempre junto a ti
pois eu te amo, meu amor, minha pequena.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Utsuri-Goshi



Dança certeira da pesca
no movimento perfeito
o voo da isca matreira
e a pegada leve e pesada
executada com kampeki
na pegada no judogui
e no giro arqueado no ar
o pensamento no lugar
e os músculos enrijecidos
para completar o undô
mais perfeito do Judô
num Ippon de Utsuri-Goshi.


Jonas R. Sanches
Imagem: Utsuri-Goshi de Zantaria

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Homenagem a São Domingos de Gusmão – Padroeiro de Catanduva



Hoje rendo homenagens
ao nosso Santo Padroeiro,
São Domingos de Gusmão
protetor da minha terra...
Pra Santo foi homem bom
ajudando os miseráveis
se desfez de todos seus bens
para alimentar os famintos,
seu alimento era a oração
sua alegria era a penitência,
oh! São Domingos de Gusmão
proteja e abençoe nossa população.


Jonas R. Sanches
Imagem: Matriz de São Domingos

domingo, 7 de agosto de 2016

Poesia Hiperbólica



Nos esfíngicos segredos tão herméticos
a poesia extremamente hiperbólica
com curva natural de letras
rebuscando livre verbo
Noús vasto eterno
criando no elã
um mundo
hodierno
de paz
e luz
tangível
aos corações
dos caminhantes
e dos sãos buscadores
da verdade incognoscível
que paira entre os paradoxos
e nas antíteses respostas veladas
de uma poesia desenhada hiperbólica
no obscuro segredo eternamente hermético.


Jonas R. Sanches
Imagem: Vladimir Kush

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Eloquência Transversal e um Paradoxo



Na eloquência transversal
de uma tarde intermitente
o poeta rouba o arrebol
para um verso intransigente
para conter seu paradoxo
de renovar o catastrófico
em uma chuva meteórica
num vil reflexo da retórica
ou duma poesia histórica
para lembrar depois da morte
se talvez for essa minha sorte
ou um grito mudo em consorte
estremecente de tão forte
para acordar os cemitérios
e ressuscitar um novo ministério
com as palavras de mistério
que vou calar até a última noite
mas vou cantar antes do açoite
que a vida vai despedaçar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Robert Gonsalves

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ruídos



Ruídos do mundo amanhecendo,
carros transitando, martelos batendo,
gatos miando, cachorros latindo,
pessoas conversando e o copo caindo.

Tantos sons o e poeta à surdina
caminha taciturno pelos pensamentos
observando atentamente o vento
que movimentas as pás do moinho;

moinho de tempo moendo os minutos
e pelo vão da ampulheta ele olha mudo
o grão de areia em seu poder resoluto
ponteiro invisível do relógio do mundo.

Ruídos do mundo esvanecendo,
tic-tacs incessantes nos corações
que batem, batem, batem e rebatem
todas as verdades que passam com o tempo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Marcel Caran

domingo, 17 de julho de 2016

O Poeta e o Passarinho em uma Manhã Álgida de Domingo



O domingo amanheceu álgido
mas o céu era de azul índigo
sarapintado de nuvens albugíneas
que refulgiam aos raios solares
que ainda surgiam canhestros
a desorvalharem as flores multifárias
com suas cores variegadas e olores
que invadiam a atmosfera matinal
e, nas folhagens algumas gotas de aljôfar
para embeber a sede do passarinho
que bateu asas para poder cantar,
que bateu asas e abandonou seu ninho
e, nesse canto uma harmonia maviosa
fez o poeta despertar e admirar
e, com seus versos papalvos e incautos
fez-se também passarinho para duetar
com o bichinho de facetas multicores;
foram os dois pela manhã a versejar,
foram os dois pela manhã a revoar
todos os cimos e todos os sonhos
até poderem tornarem-se um só.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

sábado, 16 de julho de 2016

Soneto que Atravessa a Noite para Olhar o Dia Nascente



Vi da noite o vento que soprava
de uma nuvem caminhando a esmo
a lua acima pujante flutuava
e a poesia era de outro eu mesmo

que derramava o sangue na página
bebendo a pena de um outro verso
na mente extensa como luz halógena
a refletir o ambíguo transverso.

Vi da noite a fumegante estrela
na madrugada a névoa derradeira
e o lusco-fusco a rejuvenescer

trazendo a aurora do amanhecer
e a inspiração então foi o feitiço
que retratou novo literatiço.


Jonas R. Sanches
Imagem: Erik Johansson

terça-feira, 12 de julho de 2016

Elã



O poema nasce de repente
como se fosse a extensão da gente,
extensão do olhar minucioso
que vê com os olhos da alma
e consegue transcrever no verso
a sensação da contemplação;
seja do canto ou do voo do pássaro,
seja da cor ou do olor da flor,
seja da aflição ou do desespero da dor,
seja da paixão ou da graça do amor,
seja do negrume ou da liberdade da morte,
seja do revés ou da sorte,
seja da juventude ou da velhice,
o poeta transcreve sem mesmice
tudo que transcorre em seu elã,
seja do ontem, do hoje ou do amanhã...


Jonas R. Sanches
Imagem: Portrait of Juan de Pareja, the Assistant to Velázquez, Salvador Dali

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Aurora Brumaceira



Aurora brumaceira
de céu pardacento
no rosto um bom vento
na árvore o inverno
roubando-lhe as folhas
e os galhos finórios
estalam num canto
que é música lôbrega
mas há um trinado
de tom mavioso
que o pássaro entoa
ao vasto longínquo
alvacento horizonte
que vela o arcano
num algoz dilúculo
infausto crepúsculo
que faz-se na alma
perenal do poeta
que contempla embatucado.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sonhos e Poesias dos Madrigais



Sol e noite entrelaçados
no beijo do entardecer
que respinga no horizonte
a estrela do amanhecer
que brilha no olhar da coruja
e rebrilha no voo do curiango
que sinistro olha soturnamente
o voo incerto da mariposa
mas, na vitrola um sentimento
reflete todo esse momento
que é eficaz ao eu poético
diversificamente eclético
esperando à luz da aurora
que tão logo se demora
à espera d’um sonhador
que a cada dia, a cada noite;
sonha... Sonha... Até adormecer...
Ao canto profano dos madrigais.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Império Apocalíptico



Caiu o Império Otomano;
caiu a Macedônia Antiga;
caiu o Império Mongol;
caiu o Califado Omíada;
caiu o Império Aquemênida;
caiu a Dinastia Tang;
caiu a Horda de Ouro Canato;
caiu o Império Maurya;
caiu o Göktürk Khaganate;
caiu a Alemanha Nazista;
caiu a Dinastia Han;
caiu o Império Romano;
caiu a Dinastia Ming;
caiu o Império Sassânida;
caiu o Império Japonês;
caiu o Império do Brasil;
caiu o Rashidun Califado;
caiu o Império Português;
caiu o Califado Abássida;
caiu o Império Francês Colonial;
caiu a Dinastia Yuan;
caiu a Dinastia Qing;
caiu o Império Espanhol;
caiu o Império Russo;
caiu o Império Britânico;
impérios caem,
nações caem,
reinados caem,
todo poder sucumbe ao tempo,
todo poder apodrece impérios,
o poder traz querência de mais poder
e, esse egoísmo destrói...
Vejo poderes caindo,
vejo um mundo cataclísmico,
vislumbre do Apocalipse
que fez-se real nesse tempo
que vivo a escrever sobre o fim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 19 de junho de 2016

Trabalhando no Lar



No meu trabalho escasso
deixo a mente fluir,
vou no meu quebra-cabeça
antes que eu me esqueça
monto-o por mim,
monto com minha mão direita
pois a esquerda é coxa
mas, isso não me arrouxa
faço com todo prazer,
pois, só de poder fazer
me sinto adequado
por isso arranco os quadros
que já são antigos
nessa velha parede,
mas depois de pronto
alinho meus pontos
com o balançar da rede
e abro uma cerveja
pra contemplar o trampo
que então é pronto,
já vejo meu sorriso
trabalho em meu abrigo,
trabalho ficou no ponto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Hi Soares Marcenaria

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Morte... Morte & Vida...



Poética à noite
e o camafeu bebe borboletas
diluídas em cálices dourados
de escamas de extintos dragões
derretidas nas minas douradas
dos duendes fálicos irreversíveis
e as almas atormentadas lapidavam
as pedras oníricas do faraó
morto e mumificado no amanhã
depois do pôr do sol anímico
antes da embarcação  do Nilo
que carrega as almas falecidas
ao banquete poético da paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: O Bá e a Múmia

Hey Joe



Hey Joe
vamos beber dos cálices sangrentos
do corpo da seiva inerte
e suores de luas derretidas
em fornalhas de espadas
que barbeiam os sete samurais
e os quarenta e sete ronins
adormecidos na pedra do vulcão
adormecido quase morrendo
sob a pele de mil cordeiros
lobos enrustidos à carnificina/
hey Joe
vamos beber um cálice de tequila
nos desertos inóspitos de Sonora
e esperar o sol nascer
nas pupilas de um velho xamã
que degusta invernos extintos
na beirada das pirâmides do céu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Jimi Hendrix in Gainsbourg

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Outono Silencioso



Daquele som silencioso
veio a poesia calada
mas, foi um momento barulhento
naquela esquina
onde embaralhavam-se sons
dos dias e dias trespassando
à realidade que não é real
mas, substituí as agonias
vivenciadas naquelas agruras
vertentes daqueles momentos
que perdemos a fé
naquilo que realmente acreditamos
por um simples conselho alheio
dum porra loka desvirtuado
que pelo menos, da vida, ,
segurou o patuá sem denegrir
àquelas noites obscuras
onde somente se buscava
o sentimento prazeroso da paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Poesia de Final de Outono



Ah! A poesia é flor sem jardim
nas terras desconhecidas de mim
quando insurrecto meu elã
sem admoestações do amanhã;
pois, tem cerveja esperando a boca,
a mesma boca que grita louca

seus pensamentos às vezes pueris
mas, às vezes um poema louco
noutras o desvelo treslouco
de uma inspiração tresloucada
pelas vassouras das bruxas
que sobrevoaram os arlequins

daqueles circos de terrores falsos...
Ah... O beija-flor inebrie sobrevoou
as tumbas das rosas desfalecidas
numa manhã de final de outono;
enquanto o poeta e a poetisa
se aqueciam entre os lençóis...


Jonas R. Sanches
Imagem: Paul Bronsom
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