quinta-feira, 17 de maio de 2018

Senda de um Coração Poético




O pensamento entorpecido pela vida
o sentimento embriagado pela dor
o sofrimento amenizado em codeína
o jardineiro apaixonado pela flor...

A poesia inanimada em seu casulo
a metamorfose transmutando a inspiração
o velho poeta não fica em cima do muro
a sua senda é reverência ao coração...

Jonas R. Sanches
Imagem: Igor Morski

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Lar dos Pensamentos



O adverso encravado no verso
a melodia em partitura/poesia
são dois tercetos cessando o soneto
são menestréis compondo cordéis;

a sombra então da luz é inverso
é noite escura anteposta ao dia
tomando a lua como seu amuleto
cantando surdo todos os decibéis...

Poeta e verso em sua apostasia
só a letra é verbo dessa religião
escrita em puro sangue no coração

onde a sensação fez sua moradia,
lá nesse recanto é lar meu doce lar
em cima da montanha no meio do mar...

Jonas R. Sanches
Imagem: Universo Incrível/Caio Azeredo

terça-feira, 8 de maio de 2018

Cogito, ergo sum




A sobriedade é tão insana quanto a loucura, cada uma dentro de seus parâmetros, mas prefiro viver cada dia em seu termo, pois não é importante aquilo que é visível aos olhos alheios, mas sim aquilo que só é visto aos próprios olhos sobre o que realmente somos... Bem e mal, tristeza e alegria, frio e calor, vida e morte, prosa ou poesia, são somente aspectos diferentes da mesma essência...


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Bailado das Cores da Vida




As cores bailam no céu pitoresco
retorcendo as nuances do entardecer
são as mãos de Deus, pincel em rebusco
pincelando a vida que está a florescer

em um ninho escondido no abacateiro
no girino que nada na mina da mata
no hospital onde nasce mais um brasileiro
na andorinha chocando na velha fragata...

As cores brotam aos olhos transversos
nos versos envelhecidos do trovador
com um amor pela rima transcrita na letra
pela letra escrita co’a pena do amor...

Jonas R. Sanches
Imagem: Vladimir Kush

domingo, 29 de abril de 2018

Semente de Poema




A semente, a planta e a flor
o dia, a noite e o crepúsculo
o ninho, o pássaro e o canto
a rosa, a beleza e o espinho...

A semente, o agricultor e o alimento
as estações, sol, frio, chuva e vento
o passado, o futuro e o momento
vida, morte, desprendimento...

A letra, a palavra e o verso
o avesso, o anverso e o inverso
o cordel, a sextilha e o soneto
o elã, o poema e o poeta...

Jonas R. Sanches
Imagem: Gustavo Fernandes

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Gritos Coloridos & Borboletas Imaginárias




Cores em gritos espasmódicos
de grilos grilados com as fadas
que pitorescas revoam na enseada
de um mundo obscuro obtuso

e há peixes voando em sussurros
ouvidos nas nuvens do mar
entremeio ao extremo fugaz
de um princípio sem meio, sem fim...

Flores raras de um jardim caótico
exalando um aroma sem par
tão inóspitas tal qual o perfume
de um cadáver a se desintegrar

adubando o sertão das galáxias
entrelaçando-se ao vazio sem lugar
escondido no olhar de soslaio
que me olhava sempre a me assustar...

E nas esquinas da última loucura
um bate papo com minhas borboletas imaginárias...

Jonas R. Sanches
Imagem: Joan Miró

Luar Translúcido Obtuso




Luar que prateia o enluarado olhar
que se perde e se acha na estrela
que já morreu há milhões de anos
mas, lançou seu brilho no infinito

como o eco do eterno grito; da vida,
que ilumina a noite e escurece o dia
que passa deixando calendários gastos
e memórias inacessíveis escasseando

nessa prole de espasmos neurais... Mas,
a lua continua enluarada em seu luar
e a alma poética continua a admirar
esse translúcido e diáfano olhar

que vislumbra a vida passar,
que contempla a morte chegar
deixando apenas uma página vazia
e um verso incompleto no fim do livro...

Jonas R. Sanches
Imagem: Sarolta Bán

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Luzes Escuras




Olhos vagantes
entre vultos brilhantes
e, transeuntes indo
pra sei lá pra lá de onde
e, uma corneta toca
uma boiada de gente
num vai e vem sei lá de quem
e, um cometa partindo
corações espaciais
entrelaçando devaneios
em um não sei mais quando e onde foi...

Jonas R. Sanches
Imagem: Félix Labisse

Camas Vazias





A estrela se foi
com o sol
outra estrela
e a cama vazia
deu nó nos ossos
a carcaça violenta
na torpe escrivaninha
hilariante insanidade
desgastando o formidável
momento esquecível
que plurificou o eu...

Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

De um Amanhecido Elã Desorvalhado


A imagem pode conter: planta, árvore, atividades ao ar livre, natureza e água

No pensamento um vento urge
um translúcido elã então surge
a pensar na flor já despetalada
sequelas do outono na madrugada;

há gotículas na folha inda orvalhada
são as lágrimas da estrela que se foi
e aquele beijo solar que vem depois
seca a sede de luz fotossintetizada;

há o pássaro de um mavioso trinar
lá do velho ipê a me acompanhar
entres as folhas o vejo, creio ser tico-tico
entres as letras contemplo esse dia bonito...

Jonas R. Sanches

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Vidas




Vida tão complexa e delicada
terrestre, marinha, alada,
microscópica e macroscópica,
paradoxo, antítese, retórica;

vida tão curta em longevidade
espírito imerso em eternidade
vida inascida quase insaciada
alma, candura inda imaculada;

vida de gente, de sol, de planeta,
vida animal, floral e inteligente,
vida bandida, querida, complicada,
vida de dia, de noite, de madrugada;

Vida morrida na parede emoldurada,
vida escrita nas páginas amareladas,
vidas que vão e que vem, estagnadas,
vida que sigo deixando algumas pegadas...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 14 de abril de 2018

Morte Doce e Escarlate


A morte compõe a sinfonia da vida
em seu tapete carmim e macabro
o homem teme o seu beijo escarlate
mas, é inevitável fugir a essa paixão...

A morte compõe os passos da dança
em partitura ilegível e inebriante
o trem vai partir, não se atrase por favor
a metamorfose espiritual é ininterrupta...

A morte sorri no espelho do amanhã
seu reflexo tem a beleza cândida angelical
seu bafo gelado arrepia meus sonhos
mas, seu abraço é doce e aconchegante...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 29 de março de 2018

Depois do Tempo há à Alquimia e depois da Alquimia Há o que há fora do tempo...




Eu calei-me no momento surdo
eu morri e revivi para escrever
essa passagem desse conto vero
que não morri pra te fazer sorrir...

Eu cantei encantamentos mágicos
só pra fazer chover no teu jardim
eu declarei-me ao grão-susto cósmico
só pra você não ter que partir...

E foram dias em ampulhetas planas
e grãos de areia sem ter onde ir
e foram mortes ditas vidas livres
depois de um tempo que inda não foi...

Eu calei-me e não morri
o tempo teve pena de mim
deixou o Poeta encontrar sua Alquimia
e morrer diariamente uma vida sem fim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Gilberto Aranha Andrade

sábado, 24 de março de 2018

Ilha


A imagem pode conter: nuvem, céu, atividades ao ar livre e natureza

Aportado em ilha desconhecida
cercado pelo místico da mente
sobreposto à nua e crua poesia
como luz da noite e treva do dia

e, a metamorfose anímica dá asas
à mente e ao corpo do espírito inerte
inda desconhecedor do leste
reconhecedor d’outras metamorfoses...

Prelúdio, preâmbulos e prefácios
inacessíveis à glândulas e ideias
tão mórbidas quanto vivificante
coisa de antes de nascer a inspiração...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Navegante


A imagem pode conter: noite


Vocábulos inóspitos simbióticos,
composições velutíneas insanas,
poesias dentro de metapoemas,
esquecimento e lembrança no elã;

antíteses e paradoxos subversivos
nesse rebento de concatenações
d'onde o verso deságua abundante
transbordando esse rio infinito de luar;

navego em águas turbulentas sem remos
meu caminho sem rumo é a aventura
minha vida sem morte guardada na moldura
minha morte sobrevivente descansando em paz...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 16 de março de 2018

Sobre as Dores e os Sonhos Perdidos em uma Viela Sideral


A imagem pode conter: céu, noite e atividades ao ar livre

A dor do sonho irreal
a flor colorida em branco e preto
o amor reto transversal
no verso do meu dialeto

então amanheceu e o céu voou
estrelas apagadas e presentes
entre uma revoada de borboletas
nascidas do verso-casulo imperfeito...

Eu já não quero mais partir
eu já não quero mais sonhar
eu já não quero flores inóspitas
só quero um livro velho de magia

d'onde eu possa renascer
e cantar cânticos numa língua esquecida
quem sabe um poema-encantamento
que esconda o sol num céu de março...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Vestígios Decadentes de uma Ascensão Nua sob Flagelos Exorbitantes na Ampulheta do Esquecimento do Próprio Eu



E a noite infinita devastadora
anseia por um colo feminino
e, acolhedor aos meu devaneios
e, sensível às minhas carícias...

Poeta insano acolhedor de dores
orador de orações a Exús e mandingueiro
inóspitos conhecimentos inadequados
que alicerçam meu estremecido eu...

Amores amados e idos e meteóricos
inspiradores nos verso de sofreguidão
estilhaços resolutos de uma canção
cantada muda ao solitário envelhecimento

e, a brisa, o sopro, o vendaval, e o furação
enfeitam meus fogos de lágrimas e artifícios
e, mesmo sabendo que a vivência ta difícil
deposito uma moeda na fonte e faço um pedido...

E olha só que concupiscência(*&*)
o Papai Noel Imortal fumou no meu quintal...
um (Base&piiiiiiiiiiiiiii, censurou a velha rena)

Meus cactos alucinógenos são eficientes
nessa tenda árida naufragada nessa ilha de inexatidão...

Jonas R. Sanches

Versos a um Amor Antigo e Imortal



Há muito tempo eu conheci
o amor; trouxe-me algo além da dor,
foi exuberante e inesquecível
mas, o tempo me roubou o beijo...

Hoje feliz inda me lembro
foi em meados de novembro
quando avistei-a a primeira vez;
foi real felicidade mas, hoje é a saudade

que me judia a insensatez...
Nunca me esqueço aquele olhar
nem mesmo quando olhei o mar
tentando amar outra pessoa...

Entendo o amor não é à toa
é coisa simples complicada
que faz a vida ser sofrida
quando distante é a alma amada...

Hoje recordo e compreendo
pois, já morri e não esqueci
o peso dos meus sentimentos
que escondi pra não sofrer

mas, já cansado de sofrer
perto da morte eu desabafo
mesmo que o verso seja escaço
que eu somente amei você...

Jonas R. Sanches

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Quase Agora



Era arrebol
quase crepúsculo
o corpo era pobre
a alma era rica
a barba era grande
o cabelo comprido
o céu colorido
a chuva cessava
o vento um zumbido
a mente era insana
o pensamento era abrigo
a poesia era o portão
o mundo era proibido...

Jonas R. Sanches

Almas e Formigas e Infernos e Purgatórios e Umbrais e Feridas

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Espírito fustigado
lambendo as próprias feridas
poeta alucinado
morrendo além da vida
purgatório recriminado
escola da sobrevida
tão morte e extasiado
insano seguindo a lida
num limbo desmesurado
sacrário de igrejas idas
a alma sofre pecados
a alegria era outra vida
a morte agora é o cenário
do corpo entregue às formigas...


Jonas R. Sanches
Imagem: Egon Schiele, Die Tod und die Mädchen (1915/16)
óleo sobre tela, Oesterreichische Galerie, Wien
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