quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Manhãs de Idiossincrasias

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Todas as manhãs desidratadas
e flores ornamentais alienígenas
dobrando esquinas e esquifes
e os versos são uma casa de fantasias.

Todas as manhãs os passarinhos
e as borboletas abissais e purpurinas
pegaram o ônibus espacial da Carolina
e foram ter uma tour sem mais voltar.

Ah, como eu queria ser o mar
e elevar-me nas marés tão regulares
lavar as proas desse mundo embrionário
içar as velas dessa arca velha de Noé.

Mas sou tão cego e áspero às terças-feiras
que deixarei meu calendário no guarda-roupas
resignando seus pecados todos os dias
ou somente irei até a padaria para observar.

Tantas bobagens que suas arestas são cartilagens
e a poesia segue sem sentido e é comigo
que vai ter que se acertar, no céu ou no bar
pois, todas as manhãs são semelhantes.

Ah, como eu queria ter a barba de Matusalém
e as asas de uma libélula sem compromissos
mas, não é só isso... São delírios e assassínios
refletidos constantemente pelas televisões.

Todas as manhãs eu vejo isso e escrevo só
ao acordar, as vezes sonhos e devaneios
uns incompletos e outros inteiros e sãos
mas, a sanidade é uma falta de verdade.

Todas as manhãs é o meu retorno
e o seu transtorno, pura idiossincrasia
degustada aos nacos com molhos tártaros
em um restaurante hippie em Tehuacán.

Todas as manhãs é somente o sol em seu bocejo...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Jolande Gerritsen

2 comentários:

  1. Todas as manhãs, eu me preparo para o novo!! Adorei a imagem também! Suas palavras são música para os meus ouvidos, poeta!!

    Lindo dia pra você!!
    Beijinhos!!♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo seu apreço Mari... Lindo dia para você também!

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