sexta-feira, 12 de julho de 2013

Espasmos Esdrúxulos



Vacas mortas em pastos assustados
de capins antigos, de matos doirados
entre outros assuntos desconexos
entre um e outro poeta complexo
de guitarra e pena em punho
de cabelos ralos despenteados
sublimes no mês de outubro
entre nuvens em cavalo alado;
e asas de fuligens siderais
com alucinações reais e nada mais
ou nada menos que um poema esdrúxulo
sem lemas, dilemas, refluxo;
espasmos doentes dos músculos,
espasmos letais cerebrais,
em versos nocivos do crepúsculo
entre auroras sonoras de paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto da Imortalidade da Poesia



Dançantes sentimentos nus lineares
viravolteando por entre nuas poesias
que nascem e crescem na voz dos ares
e vivenciam toda embriagues dos meus dias

que seguem ríspidos, passos sem lares;
e aos anciãos boas novas e suas alegrias
ou apenas presságios subliminares
reveladores de  portas dessas vias.

Há continuação dentro do coração
alienado a sensibilidade
e um grito velho de uma recordação;

devastando toda realidade
guardada dentro de uma alucinação;
estágios dessa imortalidade.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Das Águas Turvas de um Rio de Sonhos



Como rios que descem nas ladeiras
lá do céu vejo as estrelas choverem
e os pedidos deixo nas cachoeiras
formidáveis como as águas sangrentas;

morro abaixo tal qual sem parada,
céu acima de uma vida inteira
ou capim doce de erva cidreira
formidável para a mente acalmar.

Como um pássaro a voar migratório
voo livre em sonhos-fantasias
e os relances deixo às poesias
formidáveis como a lua em São Jorge;

lança a dentro o ventre do dragão,
lança fora o coração a multidão
ou o senso em devaneios e desejos
formidáveis como essa canção.

Como um beijo doce apaixonado
sinto o gosto do amor insensato
que da a alma um breve salto alado
formidável como os céus de setembro;

mês a dentro como um vento aloprado,
mês a fora em breve tempo do agora
ou apenas gritos pelas constelações
formidáveis como a luz das criações.

E da última estrofe alguma recordação
de quando compus o meu primeiro poema
de analogias sem condecorações,
de paradoxos, axiomas e dilemas.

 Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Vastos e Nostálgicos



Vastidões interiores suburbanas
refletidas pelos lagos espelhados
enquanto a dor dissolve-me na cama
enquanto o espírito é dilacerado

por mil e um pecados e uma noite
eterna, que transborda alguns ruídos
ouvidos pelo homem carcomido
em elos alquebrados destemidos.

Corações fragilizados em poesias
que tão tardias, desconhecem o alvorecer
enquanto o amor deturpa meu querer
enquanto o espírito retira-se do ser;

versifico enfim, toda essa amargura
que aos sentimentos é pura clausura,
uma prisão sem grades no interior
dessa lonjura real de um esplendor.

Vastidões exteriores da insanidade
entre os olhares da imagem caricatura
enquanto a solidão é carne nua
enquanto o corpo morto se decompõe

na fria casa cavada da catacumba
por onde os gritos vãos silenciosos
ecoam pelos pilares já lacrimosos
do templo do meu contento que já se foi.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 9 de julho de 2013

Soneto da Voz Muda do Bosque



Da voz do farfalhar cantigas novas
e o vento adentra o bosque dos sentidos
fazendo reviver o olor das rosas
que desfaz-se a paz dos sonhos partidos.

E na noite meu uivo então invade em prosas
rubras qual os corações iludidos
e nas pétalas uma tez nua e viçosa;
luares apaixonados refletidos.

Sutil feitiço assim descrito em verso,
que resplandeceu, luziu distinto,
sentido bem pra lá de controverso;

mas no meu espelho, eu pra mim não minto
encaro  meu olhar do lado do inverso
transbordando amor e dor qu’eu sinto.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

A Flor do Pensamento



Queria a flor do pensamento
a desabrochar pelo jardim
durante a análise do vento
que voa livre sem ter fim.

Queria a dor o tal alívio
a desvencilhar-se de mim
durante a noite do livros
que leio a fio sem mais ter fim.

Queria a luz do seu sorriso
a iluminar pelas veredas
enquanto caminha comigo;
junto as estrelas a vigiar.

Mas, estupefato pelos fatos
que chegam a ser lisérgicos
e, eis que surge um archote
a clarear as sensações;

enquanto olhares se cruzam
durante uma vida inteira
e rompem todos os quereres
por desejos além querer.

Queria alguma explicação
mas, na mesa o jarro se partiu
então toda verdade se esvaiu
e o que restou foi um mundo de ilusões.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Daniel B. Holeman

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Vislumbres Inacabados



Não vejo mais o olhar dos anjos
pois se ocultaram entre as luzes
e declamaram poesias radiantes
sobre os homens que foram antes.

Não vejo mais o olhar no espelho
pois do reflexo um lapso de um portal
tão mágico que predomina sobre o mal
que na minha utopia extinguiu-se.

Não vejo mais o medo no seu olhar
pois assim tingiu-se seus mirares
bem mais singelo que o amor dos mares
que encantaram navegantes por vidas.

Agora é tarde e a escuridão furtou olhares
e o que restou foi algum vulto bruxuleante
rondando a lamparina tal qual mariposa
assustando sentimentos pela madrugada;

e o que se vê e além do nada, alma versificada,
consciência alada por sobre nuvens, firmamentos
predominantes, e do sopro o contento
de um feitiço antigo invocando a proteção.

Não vejo mais o olhar das letras espalhadas
vagando pelos anseios entremeio aos devaneios
buscando a coerência por entre as quadras
almejando o poema perfeito, à paixão escancarada.

E no amanhecer os olhos renascem e veem
todos os astros entre alabastros estremecerem
diante a fresta atemporal nesse horizonte
que de tão perto, torna-se incerto, torna-se distante.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Sobremaneira Sobressalente



Sobressalente os passos
dirigidos pelas dores reais
que fazem sentir-me vivo
que fazem-me lutar comigo;

e já não há escolha fácil
pois, tudo é um remoente nó
que não desata, só destrata
a besta digna de dó.

Sobremaneira a liberdade
onde já nem é tempo nem idade,
onde já não é velhice nem puberdade,
somente a gana dos auspícios;

e o desgarramento dos vícios
que desarmam a mente na noite
que é eterna em um momento
tão escuro que o vulto reprime.

Subitamente o dialeto e o verso
e, já não mais converso
e, já é um pouco ameno o vento
que não conta as horas, apenas sopra;

no rosto do incesto do mundo
oriundo dos filhos perdidos do espaço
de onde houve todo o embasamento
desse presente que é vivente e coerente.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 7 de julho de 2013

Dos Invernos Infernos Presentes



Dos invernos infernos tão quentes
mas a última rosa ainda caliente
aquece meus sonhos a sós pela alcova
me prende aos anseios antes que me mova.

Dos infernos invernos tão frios
que congelam alguns sentimentos
e o que enfrenta a face é o vento
cortante, obstante pela manhã;

nascente e matutina com pássaros
na minha janela entreaberta
e meus olhares entre as cobertas
são visões de ti em nostalgia.

De um inverno o inferno solitário
e os sinos lá na torre do campanário
anunciam uma nova procissão
anunciam a aurora que vem concisa;

pois é tão áspero esse devaneio
de ter-te aqui, mas é insanidade
pois, em verdade a distância consome
no peito as paixões dos homens.

Do inferno um inverno no coração
e há dores reais entre alucinações
e há outros acordes entre as canções
e eu acordo e me despeço da noite;

e me despeço da última estrela
e me despeço dos meus desejos;
agora romperei os vizires dos versos
que se opõem a minha inspiração.

E lá bem longínquo uma esperança
e ela vem com flores e primaveras
e ela aquecerá meus jardins escassos
que cobrem as tumbas de algum amanhã.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Raridades Momentâneas



Raros momentos dentro do tempo
contado em segundos, minutos e eternidades;
vagantes e constantes em insanidades
que povoam diariamente meus grilos

que estridulam tranquilos na mente
e nas noites que regurgitam estrelas cadentes;
a alma grita, a alma complica e sente
esse zumbido estridente sobrenatural.

Raros momentos fora do efeito do tempo
contando os barulhos da noite e o açoite
estrala cruel nas longínquas recordações
por onde vago sem rumo, sem sensações;

e há vagos espaços preenchendo o vazio
sombrio que disforme amedronta o querer
que é escasso entretanto é o sobreviver
da um dia após outro, de uma vida após outra.

Raros momentos em ventos e versos
que de tão complexos refletem olhares
que vagam dispersos por mesas de bares
onde a agonia faz companhia a dose tardia;

e há estranhos observadores presentes
e, são os escrivães imortais dos pecados
já tão reais, já tão mortais, mas ainda leais
as madrugadas alienadas aos desejos fatais.

Raros momentos como esse agora
que gravarei e relerei talvez outrora
ou quem sabe mais tarde antes da morte
que ronda e tenta surpreender minha atenção.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 6 de julho de 2013

Ser



Sou como acorde que vaga no espaço
fazendo vibrar as notas do compasso
da música da vida, da música da morte;
eu vou além do azar e vou além da sorte.

Sou um poeta matutino acordando com as flores,
se misturando a essa seiva me tornando cores,
então me despeço e regresso aos jardins
tão acústicos e esdrúxulos, perto do fim.

Sou como a corda no pescoço do enforcado
que não escapa a vida, sofrimento continuado;
sou cão alado, latindo parábolas siderais
pelas desilusões e nada ou algo mais.

Agora eu sou somente a tinta da caneta
entremeio as caretas no espelho convexo
tentando encontrar nexo nessa caminhada
que não tem parada, vai da noite até a madrugada.

Sou como o acorde que vaga no espaço
de um segundo, de um minuto, de eternidade;
sou inascido, não tenho idade, fico a vontade
sem rédeas, sem nacionalidade... Racionalidade.

Sou como a estrofe final da poesia e o fim do dia
que agiganta os sentimentos gritados aos ventos
que bocejam na face cansada e pálida do mundo;
sou somente eu, nem mais raso, nem mais profundo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Memórias de um Poeta Noturno e Solitário



Lembro dos livros lidos na cadeira da varanda
que falavam de amor, que falavam de dor,
que me ensinavam palavras, também clamor;
lembro dos meus olhos vermelhos no espelho.

Lembro de infinitas madrugadas iluminadas
por estrelas, por sonhos, pelo fogo eterno,
que crepitava nas rodas de fogueira no inverno;
lembro dos velhos caminhos percorridos sozinho.

Lembro das memórias antigas já esquecidas
que torturam, que alegram, que perjuram,
todas as crenças longínquas da infância;
lembro da morte que rondava os pesadelos.

Lembro de eu mesmo correndo de mim
pelos cantos, pelos becos, pelas noites,
que intermináveis guardaram histórias;
lembro de algumas paixões não correspondidas.

Lembrarei um dia quem sabe, dessa poesia
que é cria, que é a promessa de uma insensatez
tão plena, tão serena, que da vida se desfez;
mas me esquecerei de todas as ofensas proferidas,

ou quem sabe um dia eu encontre o perdão
ou encontre um alguém com quem conversar
sobre como deve ser belo se fundir ao Cósmico
mas, lembro que não tenho ninguém e adormeço só.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Canto Silencioso das Flores



Escuto no silêncio das flores a perfeição
do som vazio do movimento da vida
que passa mas que fica eternidade;
que é como um arpejo de um violão solitário.

Eu vejo nas cores secas as flores do inverno
que observam imóveis as sombras do inferno
e não palpitam e nem julgam os alheios
somente vivem brevemente a felicidade;

quem dera fossem assim os malditos humanos
mas, somente uma utopia da canção jardineira
que entre claves de sol degustam fotossínteses
que entre as clavas da lua degustam orvalhos puros.

Eu vejo nas pupilas dilatadas cogumelos azuis
que pestanejam enquanto passeia um transeunte
compondo sinfonias anestésicas e siderais
cantando o viravolteio de uma borboleta transparente.

Eu vejo nas meninas dos seus olhos outras meninas
então te trago flores em ramalhetes matutinos
e declaro ao seu ouvido alguns sonhos de menino
que dizem palavras de amor, que contam nossos destinos.

Escuto no silêncio das flores a perfeição
do acorde derradeiro antes que eu volte a mim,
antes que eu volte ao limbo do meu jardim
para semear algumas plantas raras de poder.

 Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Um Olhar Pela Fresta do Tempo



Me achego no parapeito da varanda
e debruço na janela da beira do mundo
perante magnânimas estrelas vermelhas
e azuis como os olhos que me fitam serenos.

Agora sou vazio mas, há plurissignificação
nos pensamentos que vagam vadios
e, no sorriso do seu rosto uma esperança
e, no peito em nostalgia uma lembrança;

de um outro tempo, de um beijo e a despedida
da vida e da morte, mas o que fica é consciente
e, o onisciente habita a alma e o coração
e nos faz imagens e semelhanças dessa paixão.

Me achego na beira do abismo do espaço
e daqui me entrelaço a essa luz cósmica
que é o gérmen das coisas formidáveis
que é a semente do corpo e da mente.

Agora já não há mais temeridades
somente eu e você tal qual centelhas
voando pelas veredas tão verdadeiras
de uma existência de eternidade e integração;

a um outro tempo, a um outro momento,
onde fundimo-nos como o aço dos imortais
e fomos empunhados pelas mãos divinas
na batalha derradeira entre o bem e o mal.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cachoeira



Nas águas cansadas mistérios e mitos
e vozes nas matas cantando feitiços
que quebram mandingas e trazem a luz
aqueles que saúdam os povos antigos;

e elevam nas preces respeito e pedidos
que fluem nas chamas sagradas das velas
que queimam serenas junto as oferendas
entregues perfeitas aos seus Orixás.

Nas asas cansadas um corvo faminto
ou a mão dos Exús trabalhando o afinco
àqueles seus filhos de sangue e de alma
fazendo a ressalva às causas perdidas;

lançadas no tempo além do espaço,
além de Aruanda ou do velho regato
que carregou histórias de vidas de outrora
que marcou na carne o gosto da vitória.

Na terra cansada uma mancha de sangue
entremeio um liame de lágrimas antigas;
pranteadas dos olhos de um Preto-Velho
que com sábio olhar contempla a vida

que é sempre aguerrida, dia após dia;
mas o espírito resiste com perseverança
e, se eleva entre a bruma do incenso que acalma
e, estreita meus eternos laços com a espiritualidade.


Jonas Rogerio Sanches

Da Reclusão da Alma na Carne e no Pecado



Recluso entre letras incandescentes;
crepitando na chama resplandecente
de uma poesia iridescente como o sol
que queima no peito sob a luz translúcida do arrebol,

que é a pura mistura das cores e inspirações
convalescentes de um mal nesses corações
que apaixonados adoeceram em nostalgia,
que já não pulsam com a vivacidade de outros dias.

Recluso às linhas de um caderno farpado e velho;
revigorando em versos as trilhas de um ancião
que ressurge em alma entre uma e outra vida
e, compreende as lutas nessa sublime resignação,

que é sofrimento e de tão ávido já é contento
nessa penumbra que vem do olhar tão resiliente
que comumente as lidas tão vãs e arbitrárias e vividas
e, de toda a superação o aprendizado faz-se real.

Recluso a alcova sem que me mova de algum lugar;
buscando em si mesmo os paradigmas desse luar
que tão prateado inspira até o mais algoz momento
que pela madrugada liberta o espírito do corpo denso

que é tão grosseiro e tão ligado a essa enfermidade
que prende os sonhos, que finca os pés na irrealidade
de todas as buscas pelos caminhos de uma verdade;
que se ocultou a tempos nos pergaminhos dos onze sábios.

Recluso à mística tão intrínseca da eternidade
recordo as parábolas que então repletas de inverdades
encobrem ao vulgo toda pureza dentro as metáforas
que entrelinhas revelam algo entre a transcendência e a mácula;

e na metonímia da magia viva por entre todas as estrofes
o sábio cala e intercala os anseios e os devaneios
e, sua vontade sobrepõem-se a idade de todas as eras
e, a sua lenda pessoal é como um retrato do caos das guerras.

Recluso ao corpo segue absorto esse raciocínio
e, o inconsciente já está ciente dos seus pecados
inenarráveis e tão palpáveis nessas visões
que povoam meus dias, que incitam minhas contemplações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: The Soul by Mrs Graves

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Guerra das Flores



Eram conspirações de magnólias
que sussurravam sobre lírios
e do lado de lá da vida flores da morte
em estratagemas e funerais.

Era o início da guerra das flores
e os girassóis corrompiam cravos
e as helicônias cavalgavam nuvens
enquanto as orquídeas adormeciam.

E os jardins crepitavam flores de fogo
e fulminantes as bromélias sorriam
às auspiciosas rosas do deserto
que secavam seivas involuntariamente.

E as mensagens eram carregadas pelo pólen
levado ao vento pelo dente de leão
e nas campas multidões de crisântemos
oravam pelos inóspitos mandacarus.

No entrave da batalha o sangue de angélicas
e o pranto de astroméias e antúrios
que lamentavam pelos brotos mortos
mas, havia esperança na estrelícia.

E foram arrasados canteiros de couves-flores
que alimentaram exércitos de plantas carnívoras;
mas então a dor cessou, e cantaram as gardênias
partituras às gloriosas e houve simbioses

e, houve fotossínteses, e a semente germinou
e, agora as planícies eram de lisiantos
e nos espelhos d’água reflexos de narcisos
que se admiravam e desejavam as rosas.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Palavras de um Silêncio Eterno



Nas tardes de chuva eu calarei
e nem que as flores dialoguem, eu calarei
e nem que os pássaros cantem, eu calarei
e mergulharei meus sentimentos no silêncio.

Nas tardes infinitas da terra dos arlequins eu calarei
e nem que a lua recite trovas pelas noites, eu calarei
e chorarei pelas estrelas mortas e pelos velhos
que foram abandonados nos desertos da solidão.

Nas tardes que se forem junto ao crepúsculo eu calarei
mesmo que todas as cores preencham meu ser, calarei
e não haverá sussurros, nem haverá misericórdia
somente um som que traz no vento a minha morte.

Nas noites de chuva eu calarei, e olharei as almas
vagantes que  povoam minha lúgubres alucinações;
e naqueles momentos onde reina a doce insensatez
eu beberei um cálice de sangue e um cálice de amor;

então minha sede cessará todas as palavras vãs
e, eu calarei, eu calarei pelo resto dos meus dias
e haja o que houver, serão somente letras e poesias
silenciosas, misteriosas, que falarão do cravo e da rosa.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Hideraldo Montenegro

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Limbos e Purgatórios e Catarses no meu Jardim



As vezes uma catarse e um distúrbio
e vejo vultos que rodeiam lâmpadas
então vago pelo limbo a observar
todas as memórias que contém rosas

e há espinhos cravados na carne e na alma
e, é sombrio o caminho entre o pranto
e, não há refúgio nem há acalanto
mas, eu continuo a caminhar sem esmorecer.

As vezes uma catarse e um purgatório
e vejo vultos pranteando pelos cantos
então eu estico as asas de penas cintilantes
e sobrevoo esse desolo a refletir.

As vezes uma catarse, então vago pelos jardins
do Éden, da Babilônia, do inferno enfim
e colho heliotrópios e gerânios e espíritos
e revelo palavras que não deviam serem ditas;

mas, há toda uma misericórdia pungente
pulsando em corações petrificados, sofridos,
por onde houveram amores e decepções,
por onde ouviram gritos abafados de socorro.

As vezes uma catarse e uma alucinação
que se faz real entre os vultos que adormeceram
pelas vielas e pelos becos e palas catacumbas
então, eu continuo a caminhar pelo limbo

então, eu planto flores místicas no purgatório
então, eu morro todas as vezes que for necessário
para poder encontrar novamente aquela alma
que um dia longínquo d’outra vida roubou a minha paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Dos Encantos Psicodélicos de um Entardecer Bucólico



De um céu de cores psicodélicas
um vislumbre da divina perfeição
que em poesia dispensa descrição
somente sentimentos ao coração.

De um céu entardecido em pigmentos
uma viagem aos cumes dos pensamentos
que se confrontam e questionam os porquês
dessas nuances que observo ao alvorecer.

E na lacuna do olhar um bucolismo
entrecortado em frestas lúcidas de lirismos
nascidos nos recônditos siderais
onde me pego vagando, nada mais.

E agora todos os tons se misturando
com os azuis tão magníficos dos seus olhos
que de soslaio acaricia o meu espírito
e inspira versos que me fazem sucumbir.

De um céu psicodélico resta a magia
que encanta os olhos no final do dia
quando de um pássaro o trinar é um prelúdio
daquela luz que quando em treva é o meu refúgio.

E nos campos de girassóis a trovoada
e um resto de fogo pinta a cena que já é plúmbea
mas, dos ventos sudoeste olores de vida
que vem preencher em perfumes mágicos meus versos.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Tara Miller