domingo, 7 de julho de 2013

Raridades Momentâneas



Raros momentos dentro do tempo
contado em segundos, minutos e eternidades;
vagantes e constantes em insanidades
que povoam diariamente meus grilos

que estridulam tranquilos na mente
e nas noites que regurgitam estrelas cadentes;
a alma grita, a alma complica e sente
esse zumbido estridente sobrenatural.

Raros momentos fora do efeito do tempo
contando os barulhos da noite e o açoite
estrala cruel nas longínquas recordações
por onde vago sem rumo, sem sensações;

e há vagos espaços preenchendo o vazio
sombrio que disforme amedronta o querer
que é escasso entretanto é o sobreviver
da um dia após outro, de uma vida após outra.

Raros momentos em ventos e versos
que de tão complexos refletem olhares
que vagam dispersos por mesas de bares
onde a agonia faz companhia a dose tardia;

e há estranhos observadores presentes
e, são os escrivães imortais dos pecados
já tão reais, já tão mortais, mas ainda leais
as madrugadas alienadas aos desejos fatais.

Raros momentos como esse agora
que gravarei e relerei talvez outrora
ou quem sabe mais tarde antes da morte
que ronda e tenta surpreender minha atenção.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 6 de julho de 2013

Ser



Sou como acorde que vaga no espaço
fazendo vibrar as notas do compasso
da música da vida, da música da morte;
eu vou além do azar e vou além da sorte.

Sou um poeta matutino acordando com as flores,
se misturando a essa seiva me tornando cores,
então me despeço e regresso aos jardins
tão acústicos e esdrúxulos, perto do fim.

Sou como a corda no pescoço do enforcado
que não escapa a vida, sofrimento continuado;
sou cão alado, latindo parábolas siderais
pelas desilusões e nada ou algo mais.

Agora eu sou somente a tinta da caneta
entremeio as caretas no espelho convexo
tentando encontrar nexo nessa caminhada
que não tem parada, vai da noite até a madrugada.

Sou como o acorde que vaga no espaço
de um segundo, de um minuto, de eternidade;
sou inascido, não tenho idade, fico a vontade
sem rédeas, sem nacionalidade... Racionalidade.

Sou como a estrofe final da poesia e o fim do dia
que agiganta os sentimentos gritados aos ventos
que bocejam na face cansada e pálida do mundo;
sou somente eu, nem mais raso, nem mais profundo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Memórias de um Poeta Noturno e Solitário



Lembro dos livros lidos na cadeira da varanda
que falavam de amor, que falavam de dor,
que me ensinavam palavras, também clamor;
lembro dos meus olhos vermelhos no espelho.

Lembro de infinitas madrugadas iluminadas
por estrelas, por sonhos, pelo fogo eterno,
que crepitava nas rodas de fogueira no inverno;
lembro dos velhos caminhos percorridos sozinho.

Lembro das memórias antigas já esquecidas
que torturam, que alegram, que perjuram,
todas as crenças longínquas da infância;
lembro da morte que rondava os pesadelos.

Lembro de eu mesmo correndo de mim
pelos cantos, pelos becos, pelas noites,
que intermináveis guardaram histórias;
lembro de algumas paixões não correspondidas.

Lembrarei um dia quem sabe, dessa poesia
que é cria, que é a promessa de uma insensatez
tão plena, tão serena, que da vida se desfez;
mas me esquecerei de todas as ofensas proferidas,

ou quem sabe um dia eu encontre o perdão
ou encontre um alguém com quem conversar
sobre como deve ser belo se fundir ao Cósmico
mas, lembro que não tenho ninguém e adormeço só.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Canto Silencioso das Flores



Escuto no silêncio das flores a perfeição
do som vazio do movimento da vida
que passa mas que fica eternidade;
que é como um arpejo de um violão solitário.

Eu vejo nas cores secas as flores do inverno
que observam imóveis as sombras do inferno
e não palpitam e nem julgam os alheios
somente vivem brevemente a felicidade;

quem dera fossem assim os malditos humanos
mas, somente uma utopia da canção jardineira
que entre claves de sol degustam fotossínteses
que entre as clavas da lua degustam orvalhos puros.

Eu vejo nas pupilas dilatadas cogumelos azuis
que pestanejam enquanto passeia um transeunte
compondo sinfonias anestésicas e siderais
cantando o viravolteio de uma borboleta transparente.

Eu vejo nas meninas dos seus olhos outras meninas
então te trago flores em ramalhetes matutinos
e declaro ao seu ouvido alguns sonhos de menino
que dizem palavras de amor, que contam nossos destinos.

Escuto no silêncio das flores a perfeição
do acorde derradeiro antes que eu volte a mim,
antes que eu volte ao limbo do meu jardim
para semear algumas plantas raras de poder.

 Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Um Olhar Pela Fresta do Tempo



Me achego no parapeito da varanda
e debruço na janela da beira do mundo
perante magnânimas estrelas vermelhas
e azuis como os olhos que me fitam serenos.

Agora sou vazio mas, há plurissignificação
nos pensamentos que vagam vadios
e, no sorriso do seu rosto uma esperança
e, no peito em nostalgia uma lembrança;

de um outro tempo, de um beijo e a despedida
da vida e da morte, mas o que fica é consciente
e, o onisciente habita a alma e o coração
e nos faz imagens e semelhanças dessa paixão.

Me achego na beira do abismo do espaço
e daqui me entrelaço a essa luz cósmica
que é o gérmen das coisas formidáveis
que é a semente do corpo e da mente.

Agora já não há mais temeridades
somente eu e você tal qual centelhas
voando pelas veredas tão verdadeiras
de uma existência de eternidade e integração;

a um outro tempo, a um outro momento,
onde fundimo-nos como o aço dos imortais
e fomos empunhados pelas mãos divinas
na batalha derradeira entre o bem e o mal.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cachoeira



Nas águas cansadas mistérios e mitos
e vozes nas matas cantando feitiços
que quebram mandingas e trazem a luz
aqueles que saúdam os povos antigos;

e elevam nas preces respeito e pedidos
que fluem nas chamas sagradas das velas
que queimam serenas junto as oferendas
entregues perfeitas aos seus Orixás.

Nas asas cansadas um corvo faminto
ou a mão dos Exús trabalhando o afinco
àqueles seus filhos de sangue e de alma
fazendo a ressalva às causas perdidas;

lançadas no tempo além do espaço,
além de Aruanda ou do velho regato
que carregou histórias de vidas de outrora
que marcou na carne o gosto da vitória.

Na terra cansada uma mancha de sangue
entremeio um liame de lágrimas antigas;
pranteadas dos olhos de um Preto-Velho
que com sábio olhar contempla a vida

que é sempre aguerrida, dia após dia;
mas o espírito resiste com perseverança
e, se eleva entre a bruma do incenso que acalma
e, estreita meus eternos laços com a espiritualidade.


Jonas Rogerio Sanches

Da Reclusão da Alma na Carne e no Pecado



Recluso entre letras incandescentes;
crepitando na chama resplandecente
de uma poesia iridescente como o sol
que queima no peito sob a luz translúcida do arrebol,

que é a pura mistura das cores e inspirações
convalescentes de um mal nesses corações
que apaixonados adoeceram em nostalgia,
que já não pulsam com a vivacidade de outros dias.

Recluso às linhas de um caderno farpado e velho;
revigorando em versos as trilhas de um ancião
que ressurge em alma entre uma e outra vida
e, compreende as lutas nessa sublime resignação,

que é sofrimento e de tão ávido já é contento
nessa penumbra que vem do olhar tão resiliente
que comumente as lidas tão vãs e arbitrárias e vividas
e, de toda a superação o aprendizado faz-se real.

Recluso a alcova sem que me mova de algum lugar;
buscando em si mesmo os paradigmas desse luar
que tão prateado inspira até o mais algoz momento
que pela madrugada liberta o espírito do corpo denso

que é tão grosseiro e tão ligado a essa enfermidade
que prende os sonhos, que finca os pés na irrealidade
de todas as buscas pelos caminhos de uma verdade;
que se ocultou a tempos nos pergaminhos dos onze sábios.

Recluso à mística tão intrínseca da eternidade
recordo as parábolas que então repletas de inverdades
encobrem ao vulgo toda pureza dentro as metáforas
que entrelinhas revelam algo entre a transcendência e a mácula;

e na metonímia da magia viva por entre todas as estrofes
o sábio cala e intercala os anseios e os devaneios
e, sua vontade sobrepõem-se a idade de todas as eras
e, a sua lenda pessoal é como um retrato do caos das guerras.

Recluso ao corpo segue absorto esse raciocínio
e, o inconsciente já está ciente dos seus pecados
inenarráveis e tão palpáveis nessas visões
que povoam meus dias, que incitam minhas contemplações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: The Soul by Mrs Graves

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Guerra das Flores



Eram conspirações de magnólias
que sussurravam sobre lírios
e do lado de lá da vida flores da morte
em estratagemas e funerais.

Era o início da guerra das flores
e os girassóis corrompiam cravos
e as helicônias cavalgavam nuvens
enquanto as orquídeas adormeciam.

E os jardins crepitavam flores de fogo
e fulminantes as bromélias sorriam
às auspiciosas rosas do deserto
que secavam seivas involuntariamente.

E as mensagens eram carregadas pelo pólen
levado ao vento pelo dente de leão
e nas campas multidões de crisântemos
oravam pelos inóspitos mandacarus.

No entrave da batalha o sangue de angélicas
e o pranto de astroméias e antúrios
que lamentavam pelos brotos mortos
mas, havia esperança na estrelícia.

E foram arrasados canteiros de couves-flores
que alimentaram exércitos de plantas carnívoras;
mas então a dor cessou, e cantaram as gardênias
partituras às gloriosas e houve simbioses

e, houve fotossínteses, e a semente germinou
e, agora as planícies eram de lisiantos
e nos espelhos d’água reflexos de narcisos
que se admiravam e desejavam as rosas.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Palavras de um Silêncio Eterno



Nas tardes de chuva eu calarei
e nem que as flores dialoguem, eu calarei
e nem que os pássaros cantem, eu calarei
e mergulharei meus sentimentos no silêncio.

Nas tardes infinitas da terra dos arlequins eu calarei
e nem que a lua recite trovas pelas noites, eu calarei
e chorarei pelas estrelas mortas e pelos velhos
que foram abandonados nos desertos da solidão.

Nas tardes que se forem junto ao crepúsculo eu calarei
mesmo que todas as cores preencham meu ser, calarei
e não haverá sussurros, nem haverá misericórdia
somente um som que traz no vento a minha morte.

Nas noites de chuva eu calarei, e olharei as almas
vagantes que  povoam minha lúgubres alucinações;
e naqueles momentos onde reina a doce insensatez
eu beberei um cálice de sangue e um cálice de amor;

então minha sede cessará todas as palavras vãs
e, eu calarei, eu calarei pelo resto dos meus dias
e haja o que houver, serão somente letras e poesias
silenciosas, misteriosas, que falarão do cravo e da rosa.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Hideraldo Montenegro

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Limbos e Purgatórios e Catarses no meu Jardim



As vezes uma catarse e um distúrbio
e vejo vultos que rodeiam lâmpadas
então vago pelo limbo a observar
todas as memórias que contém rosas

e há espinhos cravados na carne e na alma
e, é sombrio o caminho entre o pranto
e, não há refúgio nem há acalanto
mas, eu continuo a caminhar sem esmorecer.

As vezes uma catarse e um purgatório
e vejo vultos pranteando pelos cantos
então eu estico as asas de penas cintilantes
e sobrevoo esse desolo a refletir.

As vezes uma catarse, então vago pelos jardins
do Éden, da Babilônia, do inferno enfim
e colho heliotrópios e gerânios e espíritos
e revelo palavras que não deviam serem ditas;

mas, há toda uma misericórdia pungente
pulsando em corações petrificados, sofridos,
por onde houveram amores e decepções,
por onde ouviram gritos abafados de socorro.

As vezes uma catarse e uma alucinação
que se faz real entre os vultos que adormeceram
pelas vielas e pelos becos e palas catacumbas
então, eu continuo a caminhar pelo limbo

então, eu planto flores místicas no purgatório
então, eu morro todas as vezes que for necessário
para poder encontrar novamente aquela alma
que um dia longínquo d’outra vida roubou a minha paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Dos Encantos Psicodélicos de um Entardecer Bucólico



De um céu de cores psicodélicas
um vislumbre da divina perfeição
que em poesia dispensa descrição
somente sentimentos ao coração.

De um céu entardecido em pigmentos
uma viagem aos cumes dos pensamentos
que se confrontam e questionam os porquês
dessas nuances que observo ao alvorecer.

E na lacuna do olhar um bucolismo
entrecortado em frestas lúcidas de lirismos
nascidos nos recônditos siderais
onde me pego vagando, nada mais.

E agora todos os tons se misturando
com os azuis tão magníficos dos seus olhos
que de soslaio acaricia o meu espírito
e inspira versos que me fazem sucumbir.

De um céu psicodélico resta a magia
que encanta os olhos no final do dia
quando de um pássaro o trinar é um prelúdio
daquela luz que quando em treva é o meu refúgio.

E nos campos de girassóis a trovoada
e um resto de fogo pinta a cena que já é plúmbea
mas, dos ventos sudoeste olores de vida
que vem preencher em perfumes mágicos meus versos.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Tara Miller

domingo, 30 de junho de 2013

Consequentemente



Da noite me despeço
com gosto de recesso
da estrela que se foi
e partiu meu coração.

Ao dia eu me apresento
com gosto renovado
do sol insuperável
que crepitou na minh’alma.

Do mundo um grito mudo
pedindo incoerências
e há nuvens abstratas
a vagarem na minha mente.

Da flor a sede infinita
com gosto de amanita
que mistura minhas cores
que eleva os sabores;

do beijo e do desejo
que dilui a moça nua
da face oculta da lua
e ainda há alguns ruídos.

Do pássaro um trinar
que acorda todo o porto
onde ancorei meu corpo
em olhar quase morto

ou, um vislumbre torto
nos passos da menina
que inflama e desatina
milhões de corações.

Da mente a poesia
trilhada em avarias
da minha insensatez;
do amor que a gente fez.

E o que resta é a aresta
do tempo carcomido
engolindo minhas memórias
e carregando todos os versos ao léu.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Park Harrison

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Poesia Fulminante



Fulminante como um raio é a palavra
as vezes tão bendita, outrora tão maldita
mas, é como um trovão no pensamento
quando ouço somente um grito de lamento;
e o olhar, consentimento, é o intento.

Seja o algoz dessa agonia a luz do dia
que desfaz-se a noite amada em alegria
onde encontro estrelas em paz no infinito
que refletem o amor que nesse mundo é mito
pois, a avareza consome a carne desgraçada.

Fulminante a paz que invade e irradia
a luz serena que dissolve toda tristeza
que transpassa o homem, pois, essa é sua natureza
de querer queixar-se, de destruir-se, de apiedar-se;
mas nesse momento entendo que a dó é a maior fraqueza.

Seja o algoz dessa agonia a luz do dia
que na aurora estremece em cores híbridas
que resplandecem toda perfeição divinal
e irradiam suas energias no infinito
pois, é aonde que o existir está escrito.

Fulminante a voz que sussurra amena a poesia
e que é a entrega de uma alma aos sentimentos
mesmo que seja passageiro esse momento
por onde posso desaguar nos rios da vida;
pois assim encontro os remédios para as feridas.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

Versos Enternecidos de um Amor Eterno



Nas vestes alvas desse dia
concreto o meu olhar ao seu
e a paz que assim resplandecia
em ambos então enterneceu.

E o sol assistiu tudo sorrindo
e os pássaros em cantorias
no céu um arco-íris lindo
nas letras mil alegorias.

Repleto é o amor sem iras
tão belo quanto o rio que corre
e as chamas a crepitarem nas piras
onde os corações puros se consomem.

E o mar viu todo o encantamento
e bruniu suas ondas tão tranquilo
dançando a música do vento
e os grãos da areia engolindo.

Paixões que enfeitam poesias
por tempos que são incontáveis
nos versos da penas precisas
que contam vidas tão inenarráveis.

Tudo diante o olhar da natureza
que em cores, flores e elementais
misturava-se com sua beleza
que incomparável e divina se faz.

Nas vestes alvas desse dia
a noite surgiu em penumbra
trazendo luzes dançarinas
de estrelas em distâncias profundas.

E o nosso amor continuou
por vidas entre outras vidas
e o Cósmico abençoou
nossas almas nuas purpurinas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quando Faço de Você Minha Poesia



Quando o sol amanhece em poesia
lembro do seu olhar radiante
a fitar despreocupada o horizonte,
então eu me apaixono novamente.

Quando a flor amanhece em poesia
lembro do seu olor refrescante
a perfumar por onde passa em maresia,
então eu me embriago em alegria.

Quando os pássaros amanhecem em poesia
lembro das suas doces palavras cantadas
a sussurrar o seu amor ao meu ouvido,
então a saudade ao peito faz abrigo.

Quando a ventania amanhece em poesia
lembro dos seus cabelos esvoaçados
a espalharem-se pelos céus da minha vida,
então meu sentimento se ilumina.

Quando a lua anoitece em poesia
lembro da sua misteriosa magia
a conjurar feitiços de paz e de refúgios,
então entre as estrelas me extasio.

Quando as constelações anoitecem em poesia
lembro do brilho alvo de sua tez
a se espalhar pelos lençóis feito cetim,
então te amo loucamente, como se fosse a primeira vez.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Enlevos Obtusos de um Verso



Me entrego singelo ao mundo profundo
além da ficção, e enlevo obtuso esse verso
que é quase o incerto oculto à luz da coesão;
então me desfaço, e às estrelas em observação.

Me entrego de corpo e de alma e de letras
além do pensamento, e enlevo obtuso esse verso
que é quase reverso e disperso e é proliferação
da lágrima surda escorrida de um vão no coração.

Me entrego ao caminho e sozinho busco solução
além da sensação, e enlevo obtuso esse verso
que é em forma o regresso à humildade;
então peço arrego a mão da sociedade.

Me entrego por inteiro ao certeiro amor
além do dissabor, e enlevo obtuso esse verso
que é paixão ao olhar azulado do mar;
então é a bruma confusa que me faz divagar.

Me entrego aos anseios tremendos de um beijo
além dos desejos, e enlevo obtuso esse verso
que é quase o gosto do mel nos seus lábios;
então me retiro ao asilo esquecido dos sábios.

Me entrego aos mistérios herméticos e místicos
além da mente do vulgo, e enlevo obtuso esse verso
que é translúcido ante o fogo mortífero do sol;
então o final é poético e desfaz-se à luz do arrebol.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Salvador Dali

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No Frio do Inverno o Calor do Amor



No inverno do coração acenderei a chama
que inflama à quem ama a poesia
e mesmo que minha luz seja tão fria
deixarei aceso um candelabro na esquina

de tempo, e quando passarem as horas
ficará um brilho dentro de cada minuto
onde reconhecerá o olhar do absoluto
que é o que move as ondas desse mar.

No inverno do coração acenderei uma paixão
que é pelas letras conduzidas à menina
que me fortalece com seu límpido carinho
e, mesmo que eu continue sozinho contemplarei

os seus gestos que afeiçoam os meus versos
quando da pena escapam as inspirações,
mas cá comigo, não perdurarei em aflições
quando faltar no amanhecer um beijo seu.

No inverno eterno dessa prosa universal
escancararei toda aversão que tenho ao mal
e ao bem que existe aos amigos que resistem
farei marchinhas natas sobre o vendaval

que é sempre a festa conduzida pela pureza,
que é quando a paz liberta a alma e a natureza
que inda existe e insiste em embelezar
todas as obras de um artista a divagar.

E quando chegar a noite cintilando de estrelas
olhe o infinito e reconheça minhas serestas
e, olvide os sons que harpejei a minha amada
que reverberaram pelos confins da madrugada.

No inverno que chega, eu te peço por favor,
que venha se aquecer nos meus braços
e venha sentir como um poema o meu abraço
e se aninhar junto de mim à eternidade.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 25 de junho de 2013

Por Detrás das Sombras



Da noite que esvai toda escura
enquanto no amor uma jura
e no espaço a estrela tão nua;
algum passo apressado entre a inspiração

que bate e rebate o anseio
e na mente entremeio um suspiro
e o olhar alquebrado, aturdido;
enquanto eu caminho sozinho, luz na escuridão.

Da noite o retrato calado
de um vulto alado e aliado da sombra
fazendo sua ronda em busca de alma qualquer;
e o passo depressa e o que resta qual ao medo

do enredo da vida sofrida no copo do pecador,
mas, se houver o calor do abraço
e do amor no entrelace das almas;
enquanto caminho sozinho, selado na dor.

Da noite o que espero amanhece
e arrefece sorrindo qual raio de sol
do olhar pela brisa do leve farfalhar;
e agora dois passos caminham tranquilos

contemplando o vazio e aquilo
que no decorrer da estrada nasce à madrugada
que esvai e carrega as mazelas das guerras;
batalhas, combates, de espíritos intelectuais.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: lift me up by machiavellicro

Quando a Alegria Partiu o que Restou foi a Tristeza



Por que invades o meu peito oh tristeza?
Nessa manhã que o sol não brilha radiante
e que no céu a cor pastel e a cor do chumbo
deixam a mente enevoada e quase plúmbea.

Vá-se embora com seus sentimentos por favor
e não aumente com seus melindres a minha dor
que é corrosiva e despedaça o meu querer,
que subitamente esquarteja o meu viver.

Queria ao menos conhecer o que é o amor
e revelá-lo em uma simplória poesia
que traga de volta a minha vida a alegria
que um dia foi-se sem ao menos despedir-se.

Queria ao menos reviver aquelas eras
onde corríamos eu e você sulcando a terra
com nossos pés fortes e descalços, nossas sementes;
queria ao menos relembrar o gosto do seu beijo.

Mas minhas memórias já envelhecidas, entristecidas,
ficaram gastas e translúcidas e transparentes,
e aquela gana daquele abraço que enternecia
morreu só, junto a minh’alma indiferente.

Por que invades a minha vida oh tristeza?
Será porque eu abandonei todos os sonhos
que povoavam meu eu menino inda risonho
naquelas rodas de cantiga às madrugadas.

Agora é o nada que encobre tudo que já vivi
e nos poemas melancólicos então renasci
tão marejado pelos prantos inofensivos
tentando a vida e entre seus braços buscando abrigo.

Por onde andas por esses dias oh alegria?
Será que me abandonou eternamente?
Tomara Deus que você retorne um dia
e traga de volta o velho sorriso a minha mente.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Procurando uma Poesia entre as Linhas da Vida



Deixe as letras todas adormecidas
para que a poesia desperte iluminada
e as paginas guardadas sejam do ventre
de um dicionário e seus significados.

Deixe todas as palavras dormirem
para que a paciência seja o fruto
da inspiração calculada, almejada;
deixe seus pés carregarem seus sonhos.

Deixe germinar a flor dos versos
em jardins d’onde brotam a vida
e se for preciso mergulhe na noite
e observe como as estrelas são perfeitas.

Deixe todos os dias amanhecerem
e beba desse orvalho que é pureza
enquanto as linhas são forjadas ao sol;
enquanto a aurora aguarda o beijo do arrebol.

Deixe fluir agora as vozes das cantigas
e ouça o som da música divinal da criação
recolha então junto aos olhares das meninas
os sentimentos que surgem no coração.

Então disponha da luz tristonha e enfadonha
do candelabro que luziu bruxuleante
a clarear na escrivaninha os pensamentos,
a clarear esse poema, que liberta dos tormentos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google