quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ruínas de uma Memória Envelhecida

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Minhas velas acesas em becos sombrios
distorcendo os vultos entre os flagelos
de um homem-pássaro em sua gaiola,
e o sol noturno foi sepultado em Tebas
enquanto as esposas do sultão sorriam
ao mercador de almas e aos dragões de Komodo.

Meu archote guiando escaravelhos pelos corredores
e iluminando os olhos da princesa das terras baixas
que solitária nos campos de flores e borboletas
cantava aos moinhos e caçava as lebres malhadas da lua,
e o período de descanso foi de uma medida interminável
e sua vontade foi pesada e vendida pelo último nômade.

Meu calabouço escuro bebe corações
e se embebe de seiva de samambaias
que crescem nas paredes úmidas das ruínas
esquecidas entre duas montanhas nos Andes,
e os velhos ossos e joias da civilização Muti
encantam nas praias frias do pacífico sul.

Meu caminho, meus cabelos alvoroçados
ventando solitário nas trilhas de Machu Pichu
em busca de uma escadaria para o céu
alimentando lhamas com moitas de estrelas
alimentando todos os algozes responsáveis
pelos sacrifícios no topo das pirâmides maias.

E do outro lado da moeda César sorriu
mas o que é meu não é de César nem de Orfeu,
mas meus fósforos foram vendidos a Nero
e a fogueira foi imensa e brilhante em Roma
enquanto eu lia pergaminhos envelhecidos
na biblioteca inigualável de Alexandria.

E no frontispício do templo de Apolo em Delfos
eu li a inscrição que ecoará por todas as eras;
nosce te ipsum...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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