terça-feira, 6 de agosto de 2013

Soneto da Última Via



Sigo poeta, passos desajustados,
triste o caminho, pedras pontiagudas;
imaginações cruas, sonhos alados,
e todas as poesias são perpetradas.

sigo poeta, de ilusões imbricadas,
rimo o caminho, trechos obstinados;
indagações puras, falas premidas,
e todos os versos são renovados.

Sigo asceta, concatenações fatais
deliberando imagéticas nuas surreais
transcritas e prescritas no caderno

da fábula acometida no inverno;
mas ainda existem estórias incompletas
e a última via do soneto é discreta.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Do Poeta aos Poetas



Dos poetas as letras doces
ou as vezes tão amargas que adoecem
corações que esqueceram o amor
ou somente o verso que relembra.

Dos poetas olhares singulares
ou as vezes um contemplar diáfano
mirando além de todas as realidades
ou somente o verso amargurado.

Dos poetas histórias sensacionais
ou as vezes estórias tristes
nascidas das nostalgias reais
ou somente um verso translúcido da noite.

Dos poetas lembranças da morte
ou as vezes a vida esquecida
em alguma lacuna de tempo-espaço
ou somente a areia da ampulheta.

Dos poetas a poesia mais singela
ou as vezes o extraordinário em prosas
em algum caderno velho e escondido
ou somente uma trova grafada na areia.

Dos poetas o sangue da inspiração
regando os jardins do Cósmico
e semeando flores e sensações exóticas
antes de se associar aos que já se foram.

Do poeta uma vertigem aos poetas
que caminham o mesmo caminho por amor.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 3 de agosto de 2013

Lágrima Partida



Do homem a lágrima partida
e como o fogo uma dilaceração
mas, flores nascem e partem
sem dizer adeus, sem dizer olá.

O sangue da terra na pedra
da montanha com olhar a observar
toda ganância pútrida a ilustrar
sem dizer amém, sem dizer amar.

Sóis e sons em conjunção
e um eclipse no céu de Saturno
por onde um transeunte taciturno
morreu, sem nem apenas se queixar.

Do homem o sangue e a pedra
e, pelos jardins pálidos; lírios
sem motivos para festejar
mas no céu a estrela ainda brilha.

Do poeta uma coerência discreta
ilustrando e singrando mundos
tão pessoais que a porta se fecha
sem me entender, sem me explicar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Soneto de um Ranger do Tempo



Rangeu a porta aberta do destino
que assim já foi grafado nas estrelas,
escrito onde o mirar não pode vê-las
traçando as vias longas de um menino.

Rangeu a dobradiça do infinito
tão longe que o soar foi estridente
tal qual alma rangendo os dentes;
e o novo passo foi circunscrito.

E o tempo é um vento metamórfico
ecoando no vazio seu estribilho
em nódoas de um caráter horrífico

que olha a vida ambígua sem titubear;
e o entendimento é o poder de amar
que traz de volta ao verso o seu brilho.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Guilherme de Faria

Despertando em Leitos Metafóricos



Acordo e o sonho é mais que um encanto
e os olhos marejados além de um pranto
brilhante às pupilas e um girassol
na beira do horizonte, justo jus ao arrebol.

Acordo e as lembranças são mais que feitiços
e os cantos sustenidos são de notas eloquentes
que sopradas em flautas de vento transparentes
contém todos os tons do verso opaco cristalino.

Acordo e a poesia é o que ronda meus anseios
em rimas e emblemas, quase metáforas
bebidas infinitas, nascidas as ânforas
que carrego no lombo em meu cavalo.

Galopo céus e infernos à luz do archote
então do leste a peste vem estridente
garbosa com seu beijo delinquente
ceifar ingratidões de rubras rosas.

Acordo e o sonho ao certo inda continua;
sonhado às pressas em serestas de analogias
comparativas de alguns amores, surtos platônicos
na poesia que raia o dia em sol atômico.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Soneto ao Canto Triste lá na Gaiola



D’um sopro fresco o olor da natureza
regando a flor na leve dor, suspiro
e um arfar tão doce qu’eu respiro
relembrando o ensejo de uma tristeza.

Tão longe o olhar desse meu pensamento
que vaga a estrada batida da vida
deixando marcas sulcadas na lida
e um rastro espesso desse movimento.

São noites, são dias, dentro dos espelhos;
mergulhos profundos no lago de mim
reflexos convexos de olhos vermelhos

e um canto mestiço de um mandarim
atravancado e surrado à sua gaiola
pois sua liberdade o homem degola.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Da Noite um Verso do Esquecimento



Da noite o verso que vaza cristalino
frente ao inverso, parlenda de menino
e nos ouvidos histórias e folclores
se redimindo nas barbas de um lobisomem.

Da noite escassa um tom de solidão
presa entre os dentes do mundo ou de um cão
rosnando vítreo o olhar parnasiano
enquanto a vida resguarda os seus anos.

Do sonho um sol fritante em boemia
já conturbado se é noite ou se é dia
pois, sem estrelas no olhar triste e confuso
é derradeira a voz em tom escuso.

Do sonho a lua frisando o prateado
e nos escombros do corpo um ser alado
rangendo os dentes fulgentes do pecado,
anjo caído preso na encruzilhada.

Da noite o verso confuso interiorado
pelos espelhos da fronte tão confusa
que em poesia descrita e tão difusa
naquela verve que esperando então morria.

Da noite a estrela cadente e solitária
esperando aquelas quadras ordinárias
que a mão poeta reescreve com destreza
surtindo um sopro no ventre da natureza.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Minha Santidade já Faleceu nas Poesias



Minha santidade é longe de sua fé
pois, ouço os gritos desesperados de mim
em um corpo, carapaça dos distúrbios
longe das equações mais complexas.

Minha santidade é a voz carrancuda do pecado
gritando o esmero dos versos contidos
e perto da morte eu rio na cara do inferno
e perto da vida eu sofro caótico no inverno.

Sou dores de maquiavélicos feitiços,
sou o vício da noite esquálida, sandices
dos medos, dos desejos mais profundos
e nas coisas simples eu adormeço.

Sou quase o derradeiro sentimento
mas, eu ainda rego as flores do mal
no jardins escassos e babilônicos,
nos gritos que clamam catatônicos.

Minha santidade ao dizer já é pecado
e as custas do inverso os meus retalhos
costurados nas linhas negras do capeta
enquanto eu choro pelas muralhas do planeta.

Minha santidade é só resquício de mim
pois, morro e vivo dilacerado e enfim;
e as misérias de Deus correm na surdina
enquanto as cordas enforcam os inocentes.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Amor sem Plenitude



Do beijo um amor inexistente
vivido de ilusão e plenitude
guardando os rastros dentro do ataúde
no ás um tanto quanto complacente.

Do beijo o gosto seu é permanente
e a alcova tão perfumada é amiúde,
olhares vivos de concretude
que embalam sonhos na minha mente.

Do beijo um gosto assim de solidão
e a voz certeira é foz de nostalgia
arrebatando a luz dessa alegria

e o sentimento faz-se rarefeito
na gesticulação parca ao leito;
que fere a ferro e fogo o coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Amor Fatal



Do galho o ar da graça arvorecido
no dia em que ventava sustenido
e os céus róseos. assim tão mágico
prenunciavam amor tão trágico.

Do olhar vestígios amanhecidos
e meus sussurros já entorpecidos
pedem socorro em versos e poesias
riscando a folha do livro dos dias.

Se é fatal amarei subitamente
despedaçando os limites algozes,
calando assim essas nocivas vozes

que viravolteiam pela minha mente;
e nas linhas do soneto o emblema
de uma paixão que é quase dilema.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 30 de julho de 2013

Rastro de Cometa



O querer encerrar a noite
mas,
ainda haverá chuva de estrelas
e meus cotovelos estão coçando,
não posso coçá-los
mas,
ainda assim deixarei esses últimos versos
polidos na estante
em molduras ou partituras,
mas ainda assim
olharei a última gota de céu
represada nas pupilas de um mamute.

O querer encerrar a noite
mas,
ainda haverá chuva de estrelas
e quem sabe em um rastro de cometa
eu rasgue o último horizonte.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: NASA

Distúrbios de uma Tarde Envelhecida



Entardecendo o sol do meu crepúsculo
desse ponto de fuga a tela viva
pintada com pincéis de margaridas
nas cores que procedem da penumbra.

Anoitecendo a lua em seus gemidos
entre estrelas, luzes e alaridos,
gritos do arrebol morrendo colorido
deixando sua promessa ao outro dia

que então ressurgirá pleno de auroras
beijando o chão do leste e seus feitiços
e os guardiões celestes não eram mitos,
guardaram seus fetiches em uma rosa.

Entardecendo o sol às primaveras
que mata a noite ao beijo do inverno
que é tão gelado, assassinado no inferno,
onde outonos nascem cadavéricos.

Anoitecendo a alma em seu sussurro
entre outras almas livres d’outro mundo,
como cena campeira um bucolismo
rangendo a porta aberta de lirismo;

que é eu transcrito em verso às mariposas,
talvez deixado escrito a luz de vela,
esboço rabiscado em aquarela
de onde a tarde fez-se inspiração.

Entardecendo em letras ou solitário
sentado a contemplar minha velhice
a se esvair nos bosques centenários
ventando um farfalhar de vidas tristes.

E a noite entardecida é o que resta
quase descrita em pena sem arestas
que escolhe a alcova fria aos seus excessos,
acolhendo nos sonhos tempos inversos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto do Beijo da Vida na Morte



És vida plena, sorriso e primazia,
daquele acorde o beijo sustenido
e no espelho um gesto, um alarido;
e na pupila o amor então luzia.

És morte plena, prantos e sussurros
e o harpejo agora soa em mi menor,
no leito entrelaçados nesse suor;
sonhando viscerais versos esturros.

És morte, és vida, instantes siderais;
jardins tolhidos, luzes universais,
e o passo é árduo no longo caminho

que entende as vias trilhadas sozinho
além de tudo que concerne a razão;
somente deixar viver essa paixão.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto das Juras Inexistentes



Retesado como o arco esse verso
e a flecha que perfura o coração
fere tal qual estrofe sem coesão
então tudo provém do meu anverso.

E a linha que averíguo é retilínea
qual horizonte distante e opaco
desse soneto de um dia tão parco
onde o olhar percorre a tez velutínea.

Se fosse noite e eu entre seus braços
a minha face nua se iluminaria
ao me entregar aos seus abraços,

nosso amor feito torpor então seria;
rabiscos velhos cheios de rasuras
e, minha poesia seria suas juras.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Manhã sem Poesia



Hoje eu acordei sem poesia,
sem sol, sem lua, sem noite, sem dia,
somente algum vestígio de sonho
com seu olhar ainda tão distante.

E as calêndulas do jardim
estavam sorrindo p’ra mim,
mas meu sentimento é saudade
dos ventos gelados do norte.

Hoje eu acordei bem cedo
e a recordação de um beijo
não houve, somente o desejo
de poder te olhar passar pela calçada.

E as quaresmeiras sem flores
eram toda tristeza de outrora
e meu sentimento é nostalgia
dos ventos, dos olores da maresia.

Amanhã que sabe acordarei de verdade
e do sol algum sussurro seu
que ecoando pela noite adormeceu
nos meu braços entre o abraço que alvoreceu.

E os jasmins ainda tão augustos
são o que me restam de pureza
e fazem-me lembrar sua beleza
quando o luar de agosto prateia sua face.

Hoje acordei sem poesia
mas, no alforje alguma alegria
e nas recordações suas palavras doces
enquanto os ventos frios racham meus lábios.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Soneto de um Vislumbre no Espelho



Laborioso esse penar, escasso;
e o cerne vivo não padece
ao grito mudo que estremece
no eco surdo desse mundo crasso.

Voluptuoso o seu olhar, desfaço;
e fujo os becos dessa encenação
rasgando flores no meu coração
e a inspiração constante eu caço.

Agora muda-se rima em destreza,
muda-se o passo, amor e fortaleza;
então o riso agora uma ribalta

e a voz é grito em uma nota alta
quando no espelho senti sua falta;
deixei assim partir minha natureza.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: lost in the world by vhm alex

Soneto Espasmódico de um Jardim de Estrelas



Nas grutas correções subterrâneas,
nas carcaças injeções subcutâneas,
nas paredes do museu um introspecto
no livro raro, ilegível dialeto.

Nesse soneto um reflexo do mundo
já carcomido, usuras do submundo
versificadas em rima atemporal
subjugadas pelas penumbras do mal.

Ventos tão pobres espalhando poesia,
chuvas torrentes carregando as letras
e nas planícies vestígios de mim;

e a lembrança é dança limpa, maresia,
como no céu um rabisco de cometas
germinando estrelas no meu jardim.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto das Linhas Tortas do Meu Universo



No tom das cores dissimulação
desse arco-íris dos meus pensamentos
e pelos ventos do meu coração
são palpitantes os consentimentos.

No voo os pássaros e a libertação
planando alados pelos firmamentos
em nuvens soltas pela imensidão
e o canto é a nota dos meus sentimentos.

Paradisíaco forjado a ferro e fogo
fortalecido para a ilusão do jogo
que é vida e morte em sua encenação

que é morte e vida em sua encarnação;
e ainda os versos espalham-se dispersos
pelas linhas tortas do meu universo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 27 de julho de 2013

Soneto Vespertino



Sublime o sol que então se vai,
deixa a cor do arrebol e se esvai
lá pelas bandas por detrás do morro,
por onde a noite já grita socorro.

Sublime a estrela no céu a despontar
seus raios fulgentes no espelho do mar;
e o olhar vai por detrás da cordilheira
onde a morte se oculta derradeira.

E o corpo celeste é dançarino
na corda que vai sobre o precipício
que desde o início já não tem idade

mas, guarda profundo a vivacidade
pois dela emana todo meu indício;
e a lembrança é um soneto vespertino.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Fort Vimieux - Joseph Mallord

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Soneto do Renascimento



E quando a vida se faz sombria
e a noite se deita plena na alma
o espírito aguarda o novo dia
e a mente prudente se desalma.

São passos rasos feito cova nova
e o corpo morto guarda-se no leito
enquanto o olhar o pensamento inova,
enquanto o coração geme no peito.

O renascer será sem sofrimento,
sem dor de amor, sem mais nenhum lamento;
e a flor da vida brota sem discórdia

no chão cansado da misericórdia;
então não haverá  pecado
e o espírito tornar-se-á alado.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google