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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sob o Olhar Encantado do Basilisco




A poesia jorrada do vórtice alienígena
petrificada pelo olhar sinistro do basilisco
que encantou o poeta e as florestas dos sibilos
e bebeu todos os odres de vinho sagrado do rei.

Versos cegos como a justiça terrena
que faz da caneta seu emblema
e, entre todos os brasões... Os signos do sol
flamejantes entre os velhos monges entorpecidos.

É mais um grito abafado por entre as frestas,
por entre os portais incógnitos da consciência
que separam as dimensões dos meus sentidos,
todos afiados e eloquentes na aurora das galáxias.

É a poesia que gira e pleiteia meus direitos de nascença
espalhados no leito pelo suntuoso e flébil vento
que varre as tristezas e leva meus secretos sussurros
até os ouvidos de lápis-lazúli do pássaro hercúleo do tempo.

São meus versos estridentes que carrego entre os dentes
junto a faca de dois gumes e um virgem punhal de diamante...
São meus versos embebidos no cálice dos mágicos antigos
que consagraram com incensos o frontispício do templo.

E o último arcano foi passado de boca em boca
nos corredores sombrios das profundezas de Gizé;
deixando o fardo do discípulo puro de coração
com o sufocante peso de todos os mundos e estrelas.

Agora seus olhos e sua pena lhe foram roubados
e seu coração trancafiado com a chave dos grandes mistérios...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: El regio basilisco by Verreaux