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sábado, 28 de julho de 2012

Homem sem Identidade




Somente a fome
E os olhos carnais
Degustando vitrines
Em ruas sombrias

Somente o homem
Alienado em desvarios
A bebida no casaco
E uma gaita ao luar

Somente a fome
E os medos noturnos
O frio dilacerante
Entre papelões e viadutos

Somente mais um
Ali jogado e esquecido
Deflagrado ali sentado
Como um simples vaso de vida

É o homem faminto
Deixado de lado
E a vida de uma esmola
Num olhar que se demora

Calado homem do mundo
Que é só mais um fulano
Ou beltrano... Tanto faz
Se ele morrer eu nem vou saber

É só mais um sistema falho
Desregrado pelo mundo
Sou só mais um vagabundo
Que desnudo passa fome

Somente mais um homem
Que passou e a vida não notou
Somente a fome nos olhos
E a noite fria entre papelões e viadutos

Enquanto lá no alto, manjares caros e sorrisos...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Antony Gormley