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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Meia-Noite




Embriago-me com o sangue da terra
Nessa meia-noite com as armas em riste
Projetando sombras fantasmagóricas
Pelos vãos da cortina velha e rasgada

Todos os gritos vãos me cansaram
Calo-me então e gargalho pelos cantos
Sem temer os olhos que me vigiam
Sem colher os narcisos murchos na varanda

Resta-me um derradeiro suspiro ainda
Nessa meia-noite ressonante e aguda
De bizarros murmúrios do lado de fora
Então me afogo em mais um gole

Mas a garrafa me diz ao pé do ouvido
Somos apenas nós nessa meia-noite
Nem as estrelas vieram compartilhar
Dessa penumbra que nos envolve

De pitoresco somente o olhar no espelho
Em meio à barba desfeita e mal aparada
Onde sei que ainda existe uma criança
Que caminha solitária em direção ao infinito


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google