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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vigiando o Tempo




Infiltrando-me nos planos do amanhã
Caminho o meu hoje pleno de ontem
Nessa jornada sinuosa e cheia de dentes
Numa boca entreaberta por detrás da porta

E em gaivotas matinais esvaem-se os recadinhos
No bocejo do pelicano adormece a cavalinha
E o mergulhão afinado submerge em maestria
Marcando o espreguiçar matinal de um novo dia

E eu, somente espio as frestas dos tempos;
desconfiado de todos os caranguejos e siris,
na maré baixa, olho os brilhos em cascatas...
E o tempo urge em lampejos insaciáveis

Como se engolisse todos os mundos,
todas as cerejas e estrelas cadentes;
todos os vivos e todos os mortos,
num banquete de cabeças atemporais...

E o velho, já cansado, lê sempre o mesmo livro...
O livro das amareladas páginas de uma vida breve...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Kuzmanovic/Reuters