Queria a flor para você e a poesia
mas só me resta vislumbres de solidão
e uma dor tão lancinante ao coração
quando contemplo a penumbra do fim do dia.
Queria a flor e um abraço confortante
mas só me resta a nostalgia e o horizonte
vazado em cores que trazem recordações
daquele afago que já não tenho mais.
Queria a flor e aquele verso esquecido
que fiz as pressas, que compus apaixonado
mas só me resta o peito nu tão rechaçado
pelas lembranças que remoem pela cabeça.
Queria a flor mergulhada em fino vinho
tal qual remédio feito a mãos de curandeiro
para curar o sofrimento derradeiro
que me persegue pelas noites solitárias.
Queria a flor que foi ceifada na batalha
entre o poeta e a algoz insensatez,
queria tatear novamente a sua tez
e adormecer o sono eterno da navalha.
Jonas
R. Sanches
Imagem: Google
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