domingo, 1 de abril de 2012

Moribundo

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Era um velho homem com seus botões
E eram muitos botões... E casacos sem botões
Ou quem sabe eram camisas de força
Onde ele repousava sua sanidade

Era o mesmo homem... Cansado mas vivo
Vivo aos auspícios da morte... Solitário
Ouvindo o ranger das molas da cadeira de balanço
Contando os passos do relógio... Chegando ao fim

Era um homem... Velho jovem homem
O mesmo homem de respeito... Agora triste
Desperdiçado tempo vivido... Agora morto
Vivo-morto... Implorando à vida misericórdia

E o homem da funerária sorrindo... Vivo
Dinheiro vivo... Do finado compadecido
Pagando seu jazigo... Tão morto quanto vivo
Pagando a hipoteca... E os pecados mais secretos

Agora descansado... Corpo despedaçado
Mais morto do que vivo... Gelado ao pé do ouvido
As vozes do outro lado... Olhar apavorado
Tão vivo agora morto... Deitado endurecido

E termina o funeral... Uma salva de tiros
Agora vou indo embora para continuar morrendo lentamente


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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