domingo, 18 de novembro de 2018

Três Vezes Grande




Do seio da terra
o leite da vida
a seiva da rocha
a lágrima diamante
o cabelo de grama
a magia constante
entre os elementais.

Do seio da terra
o leite da virgem
a transmutação da rocha
em cadinho de diamante
em seus sete estágios
de alquimia constante
e a alma tornar-se-á ouro.

Do seio da terra
o gérmen da vida
o orvalho colhido
na manhã estrelada
e à última noite
o pergaminho perdido
dá a semente do azoth.

Jonas R. Sanches
Imagem: Tábua Alquímica de Hermes Trismegistos

De um Átomo Poético a um Momento Atômico




Um átomo poético
em instante periódico
algures insano espasmódico
num lúgubre cadavérico
em nuances do lusco-fusco
onde o sol se deita brusco
em âmbito velutíneo
e as estrelas em escrutínio
decidem o próximo extermínio
da supernova
que destrói e renova
desde o nadir até o zênite
e o poeta é olhar atônito
desse momento atômico.

Jonas R. Sanches
Supernova de Tycho (SN 1572). Foto: NASA

Depressa Demais



Há muito sofrimento na vida
mas, tudo passa depressa
a vida passa muito depressa
então viva com prazer
se dê o direito de cometer erros
se de o direito de ser feliz
sinta preguiça e cante com os pássaros,
tudo passa muito depressa
e a morte chega sem avisar
então viva a própria vida
não olhe para trás
siga sempre em frente
tire lições das situações difíceis
sorria das situações engraçadas
não culpe os outros pelos seus erros
mas também saiba perdoar
tudo passa depressa demais
a vida vem e a vida vai
como a escuma das ondas
que beija a praia e volta ao mar...

Jonas R. Sanches

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O Diáfano do Olhar




O sol e o céu azul perfeito
transcendem a luz da melodia
vislumbre do amor à natureza
perfeito o dom da alquimia

transmuta-se toda semente em planta
e as cores ditam os tons do dia
as pétalas são meu cadinho insano
metamorfoseando-se em nuances de poesia

e o verso é só detalhe e encanto
e o canto é duma cotovia
o voo é tal qual curiango
e a mente o coração sacia...

E depois de todas as horas
a morte é grão em ampulheta
girando a vida do planeta
transfigurando o diáfano do olhar...

Jonas R. Sanches
Imagem: Thomas Baccaro - O Diáfano de Alexitimia

sábado, 10 de novembro de 2018

Mansidão




Há a mansidão no coração
e há a simplicidade no momento
uma leve brisa tal qual lamento
carrega a lua à solidão
e a sensação é um rebento
enquanto o dia em desalento
se esvai deixando cor e paixão
e a noite traz contentamento
tal qual águas mansas o pensamento
se desfaz numa explosão de ilusão...

Jonas R. Sanches
Imagem: ID’ Photography

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

De Encontro ao Âmago de Mim




Entrecortando o âmago de mim
naveguei por águas tempestuosas
mares inóspitos de paradoxos
em um barco sem porto seguro
sem cercas, sem céus e sem muros;

entrecortando a vida diante à morte
e tudo fica vazio e sem sentido
imagens diáfanas entrelaçam cores
e seus sons são gritos que acalmam
minhas asas, então pouso em mim...

Enviesado, entrecortado, todos os ados
sem lados... Na noite um sinistro piado
arrepiando os cabelos de um bardo
mas, nada é tão tangível assim
algumas figuras são somente sentimentos

que emaranhados florescem em mim...
Entrecortando a poesia cósmica
sobrevoei abismos profundos
a imaginação se aliou aos sonhos secretos
agora somente flores permeiam o luar...

Entrecortando os finais, pirilampos pousaram em mim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Medium

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Poema Filosofal




A chuva permaneceu
os olhos do céu marejados
tons plúmbeos no firmamento
pássaros tolhidos no quintal
relâmpagos coriscam vermelhos
iluminando o pensamento
que é tal qual vendaval
de ideias ziguezagueantes
pululantes sem igual
transubstanciando a letra
metamorfoseando o verso
para chegar consequentemente
no poema filosofal
que traduz o verbo em ouro
e dá a poesia vida eterna...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Canção que o Sol Compôs




Hoje meu sol partiu mais cedo
o meu enredo é de solidão
o querer é uma flor distante
que me relembra olor de perdição,

hoje meu sol caiu das nuvens
o meu pesar é mera ilusão
o meu querer é longe passarinho
querendo um ninho pro seu coração,

hoje meu sol foi beijo sem luar
se afogou nas ondas de outro mar
foi desalento enquanto eu dormia
e à letargia invade o meu sonhar...

Hoje meu sol partiu mais cedo
deixou em trevas toda emoção
somente agora ao longe burburinhos
enquanto a pena escreve essa canção...

Jonas R. Sanches
Imagem: Image Bank

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Momentos de Poeta




Soberano o momento em inspiração
vislumbre de um poeta à natureza
que o cerca e o alimenta da beleza
que ao certo alimenta o seu poema

que inda cru contorna a aura da flor
que inda é feto e de fato vai crescendo
de acordo com o que o coração vai percebendo
melindres circunscritos em evolução

e flor murchou no sol, mas, revelou
a pétala na lágrima de um beija-flor
e o beija-flor voou em desalento
registros do poeta em seu momento...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Guerra Abstrata




A abstração da morte ilude a vida
mas, consequentemente a vida é eterna
mesmo tão subalterna aos desgostos
e o amanhã pode ser quase agosto
sem inverno, sem inferno e apocalipse
só o limite do que escraviza o mundo
e, assim, tanto em busca de poder
e, assim, os poderosos não tem misericórdia
só alimentam a morte e a discórdia
nessa guerra que mata sem sentido...

Jonas R. Sanches
Imagem: Desconheço

Tumba dos Vaga-Lumes




A vidraça aberta deixando entrar o tempo
como um vão lamento entre os mil pedintes
no vão da cortina velha um rasgo envelhecido
refletindo no espelho um copo esquecido
na beirada do abismo bebendo o mundo
bebendo coca cola nas vitrines coloridas
dentro de uma tumba enfeitada com vaga-lumes...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Inóspito




Eu creio numa força inexplicável
escuto de uma inspiração inaudível
e a voz que fala é loucura
e a voz que fala é discernimento
é a voz da luz
é a voz das trevas
é o grito da calmaria
é o sussurro do vento
e é além do tempo
desfazendo infernos
foz de incontentamento
e a alma paira sem destino
destinos em envelhecimento
e o sol amanhã renascerá...

Jonas R. Sanches
Imagem: Santiago Caruso

Lembrei



Lembrei a tarde de ontem
mas era a tarde de hoje
um jardim quase florido
na empreitada um grande amigo
que escuta e critica sincero
faz seu papel com esmero
mas, me faz ver coisas bonitas
me faz querer recomeçar
e voltar a ser somente o sino
que badala estridente
anunciando a poesia...

Jonas R. Sanches
Imagem: http://estudiopa.net/site/2012/06/grupo-formosura-seloarteesmeroce/

Versos das Catacumbas das Areias Escorridas pelo Vão da Última Ampulheta Depois que o Sol Sofreu




Eu gritei um grito mudo
ecoou pelo som do quieto
reverberou no olhar cego
que vislumbrou cores invisíveis

fez-se arco-íris em partitura
aquarela em penas de quimera
tela exposta no museu sem muros
desenhos de sentimentos e sussurros

extravagância enviesada e sem clichê
devastadoras palavras hieroglíficas
escritas em tumbas herméticas desérticas
enterradas e esquecidas na última ampulheta...

E depois que foi-se o tempo os relógios eram ineficazes...

Jonas R. Sanches
Imagem: Grim Reaper

Às Vezes Poeta




O poeta às vezes ama um amor desmedido
o poeta às vezes sofre uma dor que dilacera
o poeta às vezes pranteia junto com um sorriso
em suas palavras às vezes perde e retoma o juízo;

o poeta às vezes é a morte em palavras bonitas
o poeta às vezes é a vida cantada e maldita
o poeta às vezes acorda na noite pra ver o sol
em seus vocábulos talvez aurora talvez arrebol...

Jonas R. Sanches
Imagem: Rolan Gonzalez

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Senda de um Coração Poético




O pensamento entorpecido pela vida
o sentimento embriagado pela dor
o sofrimento amenizado em codeína
o jardineiro apaixonado pela flor...

A poesia inanimada em seu casulo
a metamorfose transmutando a inspiração
o velho poeta não fica em cima do muro
a sua senda é reverência ao coração...

Jonas R. Sanches
Imagem: Igor Morski

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Lar dos Pensamentos



O adverso encravado no verso
a melodia em partitura/poesia
são dois tercetos cessando o soneto
são menestréis compondo cordéis;

a sombra então da luz é inverso
é noite escura anteposta ao dia
tomando a lua como seu amuleto
cantando surdo todos os decibéis...

Poeta e verso em sua apostasia
só a letra é verbo dessa religião
escrita em puro sangue no coração

onde a sensação fez sua moradia,
lá nesse recanto é lar meu doce lar
em cima da montanha no meio do mar...

Jonas R. Sanches
Imagem: Universo Incrível/Caio Azeredo

terça-feira, 8 de maio de 2018

Cogito, ergo sum




A sobriedade é tão insana quanto a loucura, cada uma dentro de seus parâmetros, mas prefiro viver cada dia em seu termo, pois não é importante aquilo que é visível aos olhos alheios, mas sim aquilo que só é visto aos próprios olhos sobre o que realmente somos... Bem e mal, tristeza e alegria, frio e calor, vida e morte, prosa ou poesia, são somente aspectos diferentes da mesma essência...


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Bailado das Cores da Vida




As cores bailam no céu pitoresco
retorcendo as nuances do entardecer
são as mãos de Deus, pincel em rebusco
pincelando a vida que está a florescer

em um ninho escondido no abacateiro
no girino que nada na mina da mata
no hospital onde nasce mais um brasileiro
na andorinha chocando na velha fragata...

As cores brotam aos olhos transversos
nos versos envelhecidos do trovador
com um amor pela rima transcrita na letra
pela letra escrita co’a pena do amor...

Jonas R. Sanches
Imagem: Vladimir Kush

domingo, 29 de abril de 2018

Semente de Poema




A semente, a planta e a flor
o dia, a noite e o crepúsculo
o ninho, o pássaro e o canto
a rosa, a beleza e o espinho...

A semente, o agricultor e o alimento
as estações, sol, frio, chuva e vento
o passado, o futuro e o momento
vida, morte, desprendimento...

A letra, a palavra e o verso
o avesso, o anverso e o inverso
o cordel, a sextilha e o soneto
o elã, o poema e o poeta...

Jonas R. Sanches
Imagem: Gustavo Fernandes