segunda-feira, 25 de março de 2019

Esquina das Ampulhetas Solitárias




Meus devaneios são de brisas matinais
rodopiando tal qual peão em Via-Láctea
ou zumbizando esse zumbido a zumbizar
imaginando o vaivém das ondas do mar

que molha os pés e entorpece os sentidos
e o que fica é um grunhido e um estalido
coisas da mente intermitentes a tramitar
o paradoxo do eu complexo a decifrar...

E na esquina do tempo uma solitária ampulheta...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 22 de março de 2019

Canto Noturno



Canto o canto da noite
a solidão é a partitura da poesia
curiangos e pensamentos entrelaçados
o luar de esmola aos pecados
o poeta fúnebre esmiuçado
pelo momento silencioso
e a noite é uma brisa fresca
e o momento é a sensação...

Jonas R. Sanches

Sobre as Flores e as Dores e as Borboletas




As minhas flores desleais
inventam cores irreais
e as borboletas sem iguais
com suas danças abissais
bebem nuances e matagais.

As minhas dores infernais
são só horrores, nada mais
e os analgésicos são iguais
eles já não funcionam, mas
eu tenho as flores e as borboletas...

Jonas R. Sanches
Imagem: Rahul Sharma

Não Sei se é Sobre Saudade ou Alegria




A lida dura entristecida
o ser caído no esquecimento
pra sede a água ele precisa
pra fome o pão como alimento
e, no espírito desdobramento
e, no pensamento o compromisso

pássaros cantam em sigilo
grilos cricrilam sobre meus grilos
e, a estrada reta é tortuosa
a voz calada inventa a prosa
no roseiral escassas as rosas
no vendaval um besourinho

no coração a saudade do ninho
na nostalgia o bucolismo do amor
na realidade o flagelo da dor
e a ansiedade d’alguma cura
e a imensidade d’algum poema
à luz de archote, nanquim e pena.

Jonas R. Sanches
Imagem Leah Lewis

segunda-feira, 4 de março de 2019

Evolução




Os dias vão passando,
as noites vão-se indo,
a vida que é tão curta
se estende à eternidade
e a alma não tem idade
e o fardo que é pesado
é algures aprendizado
pra evoluir a humanidade.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Domingo de Março




Domingo cedinho
café quentinho
bolo de fubá
canto de passarinho
cachorro latindo
água da moringa
engenho de pinga
paiero em brasa
jardim de casa
flor e borboleta
seresta e poeta
caneta e caderneta.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Canarinho




Canarinho amarelinho
refletindo a natureza
seu trinado mavioso
reflete sua beleza
alegrando essa manhã
que já é segunda-feira.

Jonas R. Sanches

sexta-feira, 1 de março de 2019

Terra de Poeta e Passarinhos




Na jabuticabeira
tem sanhaço e cambacica,
maritaca e periquito,
bem-te-vi e sabiá;
tem o canto do fim-fim
tem a pêga maviosa
um trinar que não tem fim...

Na goiabeira
tem irré e tem suíra,
tiê-sangue e tico-tico,
coleirinha e bigodinho;
tem o canto do ferreirinho
que parece um reloginho
sem parar de despertar...

A minha terra
tem a cor do passarinho
tem piado e burburinho
juriti aqui faz ninho
fogo-apagou é desalinho
tem canto de canarinho
e carcará a espreitar...

A minha terra
guarda o meu coração
me fornece inspiração
faz a mente até voar,
então eu voo
com as asas de poeta
deixando o pensamento divagar...

Jonas R. Sanches
Imagem: Aralcal

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Natureza Desapercebida




Das plúmbeas nuvens, chuva
amanhecendo no jardim
revigorando a terra ressequida
reavivando a alva margarida
e o colibri banha-se esvoaçante
colorindo o olhar do transeunte
que passa balançando um guarda-chuva
e a rua barulhenta divide o mundo
e o coração se cala tal qual observador
já não há dor, já não há o amor
somente um silêncio esbravejador
que retumba junto ao ressoar do trovão;
há pétalas espalhadas pelo chão
há cores entre os passos apressados
que não se apercebem da beleza real...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Por um Triz




Quem é você que passou e me olhou
com um tal de olhar desregrado
me deixou pasmo, tonto, abobalhado
enquanto eu pedia licença pra solidão
inadequada, quadrada, que me faz sofrer
nessa terra de escassez que estou a viver
nessa terra que cultivo sementes de esperança
e bailo nu aos luares de equinócio
mas, de espada ereta e foice mortal,
aqui na encruzilhada não tem violão
só o ritmo aterrorizado do meu coração
que retumba e cala à morte num talvez
quem sabe chegou minha vez, mas acabrunhado
antes que a morte me passe por um triz...

Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

É Hora de Acordar e Cuidar do Planeta




Tenho visto, graças às redes sociais, que são as pessoas que são os animais, maltratam a vida, judiam da vida, descolorem o mundo, tornam a alegria em tristeza absurda, eaí? Esses são gente? Sei que tem gente de bem, mas, então vamos nos juntar pra defender o que realmente tem que ser defendido, vamos proteger a natureza, proteger os bons modos, proteger a mulher e o homem também, desde que sejam pessoas de bem... A coisa tá feia e tá bem preta, a natureza vai acabar exterminando o ser humano do planeta...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Ranhuras Metafóricas




Sonhos guardados pelas noites
pesadelos vívidos na madrugada
e a mente aglutina a sensação
enquanto o despertar é nostalgia.

Apoteóticos momentos proféticos
e é complexo o sentir momentâneo
emaranhados de imagens dialéticas
metamorfoses e simbioses do próprio ser.

A poesia inda repousa no leito
mas a simbologia é real e metafórica
há ranhuras na carne escassa
e o que prevalece ao amanhecer é dor.

Jonas R. Sanches
Imagem: Alexander Janson

Sangue Vivo




À noite silenciosa
sem o cricrilar do grilo
meus grilos calados
contemplando o coração
que deságua com a chuva
nesse chão de imensidão
e o pecado deste lado
é o além da profusão
é o gole deste vinho
envelhecido em retidão
é a gota deste sangue
que bebi em solidão...

Jonas R. Sanches
Imagem: Marta Orlowska

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Autoexílio




Exilado no próprio ser
sinto a alma esmorecer
acho até que vai chover
lágrimas de solidão;

indo a esmo na contramão
sem palpite o coração
estilhaços pelo chão
tentando sobreviver;

fortuito o desamor
plenitude dessa dor
cultivando alguma flor
às mazelas da paixão...

Exilado no próprio ser
vejo o dia alvorecer
já não quero mais chover,
quero voar à imensidão.

Jonas R. Sanches
Imagem: Gladis Vivani

Amor Partido ao Pôr do Sol




O verso injucundo ensarilhado
de um aforismo algoz labiríntico
num azo algures intrincado
olhando o pôr do sol pintalgado

e a brisa farfalhou a voz da árvore
que vociferou calada suas ramagens
onustos seus galhos aninhavam pássaros
enquanto à noite adentrava o olhar

que ameno e alquebrado afidalgava
todo esse momento raro vivificador
entrecortado pelas escabrosidades do amor
que fez-se vivo, partiu, e deixou dor.

Jonas R. Sanches

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Sábado de Chuva




Manhã nevoenta
periquitos no varal
canarinho no quintal
pétalas goticuladas
pena em riste
sábado triste
poesia paradoxo
saudade de ninguém
solidão companheira
sabiá na goiabeira
chuvisqueiro chuvarada
sol de soslaio
roupa no balaio
terra molhada
olhos marejados
começo sem fim
fim sem começo
amanheço enfim
eu sem você
você sem mim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Frederico Sehn

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Refrescanteranderinho


Refrescanteranderinho
Após dias de calor infernosférico
plumbeou-se o firmamento
gotículas acumularam nuvens
o bocejar do vento aglutinou-as
e, então ameaçou chuvisqueramingar...


Jonas R. Sanches

Verbo




O verbo é poderoso
use o seu com coerência
evite machucar os que ama
e os que te amam
faça da sua palavra seu retrato
mas, pense antes de falar
muitas vezes a falta de pensar
é o motivo de magoar...

Jonas R. Sanches

Achados & Perdidos




Achei o caminho
perdi o rumo
achei a reta
perdi o prumo
achei a morte
perdi o túmulo
achei o amor
perdi o coração
achei o céu
perdi o chão
achei o arroz
perdi o feijão
achei a noite
perdi o dia
achei a flor
perdi a borboleta
achei a poesia
perdi a caneta...

Jonas R. Sanches

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Domingo de Fevereiro




Deixo a poesia decidir meu rumo
deixo a calmaria invadir meu mundo
e a melancolia fica no submundo
e a cantoria é a reta do meu prumo
e o passarinho é cor de fevereiro
e o manacá perfume de verão
e o meu domingo é luz e alegria
e o meu poema é resumo do dia...

Jonas R. Sanches