terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Sobre Relâmpagos, Ampulhetas e Curupiras




Grãos de vida escorrendo ampulhetas
desgastadas nos sóis d’outras galáxias
e um colibri de asas siderais voa domingos
pelas plúmbeas nuvens e trovoadas
no seio vermelho de um relampejar
que corisca nas páginas de um velho livro
contando histórias e parlendas de matagais
onde vivia outrora um casal de curupiras
onde o vento se tornava vendaval
e o bem apaixonado pelo mal
brincava de ciranda com cabeças de reis
que governaram n’outros tempos, outros ais...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Meus Santíssimos Devaneios




Meus devaneios esdrúxulos
são orações aos Orixás
que guardam-me e curam
todas as mazelas de existir
e levam sob suas ondas
as impurezas para o mar
então eu saúdo a Grande Mãe
minha Sagrada Iemanjá
e das justiças da minha vida
eu clamo o amor de Pai Xangô
que com seu machado e sabedoria
quebra as demandas que alguém mandou;
sou eu aqui inda menino
engatinhando a minha fé
sou eu poeta em aprendizado
homenageando com carinho
os guardiões do meu caminho
Pai Oxóssi e Oxumaré
e quando à noite é lua cheia
vem Pai Ogum em seu Ginete
abençoar a minha lida
trazendo a vida sem permuta
tomando à frente em minha luta
e às vezes do céu vem tempestade
Mãe Iansã em tenra idade
clareia o céu relampejando
e eu aqui com minha pena
faço das letras meu emblema
durante o resto dos meus anos.

Jonas R. Sanches
Imagem: Superinteressante

Sobre as Benesses do Ano




Hoje é domingo derradeiro
e agradeço pelo ano inteiro
pois, o Senhor me abençoou
me trouxe paz e trouxe o amor

e desse amor veio a alegria
que há muito eu já não sentia,
agora de felicidade são meus dias
quando eu te vejo amanhecer

pois, tal qual sol você ilumina
minha labuta, a minha sina,
então eu sigo em poesia
então eu seguro em sua mão

e nossos caminhos que eram distantes
agora entrecruzados e enlaçados
nos versos serão eternizados
pois, o que eram dois agora é um...

Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dalí

Eu Sou Eu Fui Eu Sou




Eu sou poeta
mas já fui escravo
da borboleta que bebeu o sol
eu sou caipira
mas já fui lamento
dos pirilampos loucos do arrebol
sou meio chucro
mas já fui o cravo
que em sua ira despedaçou a rosa
eu sou poema
mas já fui a tinta
que algum escriba escreveu na roda
eu sou melindre
mas já fui mendigo
naquela rua cheia de ladrilhos
eu sou insano
mas já fui profeta
apedrejado em sua bicicleta
já fui eu mesmo
mas ainda sou
e minhas letras são de puro amor
então eu mesmo sempre eu serei
não sou plebeu e muito menos rei.

Jonas R. Sanches
Imagem: David Lynch

domingo, 15 de setembro de 2019

Esperando Meu Amor Chegar




Domingo cedinho
e o sol nem raiou
vou passar um café
para o meu amor

que inda é distante
mas, os dias seguem
e o trará depressa
para eu lhe beijar

para eu lhe cuidar
então juntos trilharemos
nossa senda iluminada
olhando estrelas à madrugada

e eu tomarei a lua
para lhe presentear
e eu a tomarei em meus braços
para lhe afagar

e nossos gostos se misturarão
no cálice de vinho tinto
sentados à varanda
junto aos nossos cães

junto aos nossos guias
então sorrindo brindaremos
nossos laços e desejos
e adormeceremos um no outro.

Jonas R. Sanches
Imagem: Pixabay

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Canto aos Orixás




As minhas flores eu lancei ao mar
as minhas preces foram a Iemanjá
o meu barquinho a Santa Mãe levou
e eu lhe saudei... Odoya Iemanjá...

Pela justiça eu chamei por Xangô
o seu machado o feitiço quebrou
minha oração o seu coração levou
e eu lhe saudei... Kaô Kabiessillê...

Pra nossa cura clamei por Omolú
com seu remédio ele nos medicou
o meu pedido pra ele, ele levou
e eu lhe saudei... Atotoô...

Por tempestade eu ventei com Iansã
ela me trouxe seus raios e trovões
a minha alma na chuva se banhou
e eu lhe saudei... Epahey Oyá...

Depois da chuva veio Oxumaré
com arco-íris o céu iluminou
toda ordem cósmica então se restaurou
e eu lhe saudei... Arroboboi Oxumaré...

Então pra mata eu fui buscar Oxóssi
por sua flecha minh’alma procurou
meus inimigos então ele derrubou
e eu lhe saudei... Okê Arô...

Foi pela noite então que eu caminhei
olhando a lua Ogum eu encontrei
com sua lança ele me protegeu
e eu lhe saudei... Ogún Ieé...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

De um Soneto que Passa com os Dias



Os dias vão passando tão devagar
e minha mente te procura à divagar
pelos horizontes distantes e infinitos
pelas parlendas antigas e seus mitos;

agora os dias vão passando depressa
e a minha mente à poesia regressa
voando alto, tal qual raro passarinho
e a inspiração outrora rara é como vinho

que embriaga a alma ruborizada
alma liberta adentrando a madrugada
buscando a luz interditada do cometa

buscando a flor extasiante d’outro planeta
mas, encontrando tão somente a saudade
da voz silenciosa que ecoa à eternidade.

Jonas R. Sanches
Imagem: Marcel Caram

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Minh’Alma e Tu’Alma



Minh’alma buscando a tua
iluminadas pelo clarão da lua
nossos olhares e a pele nua
ansiando pelo nosso amor
apertados no nosso abraço
fortalecendo nossos laços

e num beijo nossa união
tirando nossos pés do chão
e a poesia tal qual oração
canta o intenso da nossa paixão
canta a canção dos nossos sentimentos
e o teu olor trazido pelo vento

é de lavanda misto com jasmim
e nos meus sonhos você está em mim
e pra minha vida é meu grande desejo
de te sentir sem pudor e sem medos
sentados debaixo daquele arvoredo
onde confidenciamos nossos segredos.

Jonas R. Sanches
Imagem: Freepik

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Cantiga de Amor




Enquanto eu dormia você sonhava
enquanto você cantava eu amava
toda doçura contida na tua voz
e a canção era a que falava de nós,

enquanto você dormia eu sonhava
passava a fio te imaginando à madrugada
então eu cantava-lhe cantigas de ninar
e minha alma deslumbrava-se em te amar,

enquanto dormíamos anjos cantavam
uma cantiga bem antiga de amor
era a canção que falava das nossas vidas
e o refrão gritava à nossa paixão.

Jonas R. Sanches
Imagem: Remédios Varo Uranga

domingo, 18 de agosto de 2019

Nós Dois

Nós Dois




Já era noite e a distância era um açoite
pois, no abraço de desejo éramos nós
nos entregando um ao outro sem pudores
e as nossas dores já não existiam mais.

Já era noite e uma estrela em oração
riscou o céu só para nossos pedidos
nós dois feridos pela insana ansiedade
nós dois pedindo um ao outro à eternidade;

amanhecerá e o tempo sorrirá pra nós
e todo pranto transmutar-se-á em alegria
e, nossos dias serão nossos de verdade
enquanto num beijo adormeceremos a sós.

Jonas R. Sanches
Imagem: The Sacrament of the Last Supper - Salvador Dali

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Devaneios de uma Estrela Cadente




O coração em brasas
a poesia em frases
a alegoria em fases
aquele à com crase

aquela flor tardia
aquela cor vazia
e o voo do passarinho
poema em desalinho

um cálice de vinho
a árvore em burburinho
e a canção do tempo
cantada pelo vento

e à luz da encruzilhada
fazendo encantamentos
e talvez a luz do dia
um pouco de magia

conjurando os elementos
e às vezes o poeta
é o mistério do asceta
andando de bicicleta

nos ladrilhos da rua
esperando pela lua
prateada e toda nua
ou somente uma estrela cadente.

Jonas R. Sanches
Imagem: Christian Schloe

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Dos Quereres Perdidos


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Queria um poema de alegria
mas o sol não raiou meu dia
a noite fez-se no âmago da alma
e internei-me à alcova fria

a sensação era a pura saudade
o coração de intensa tristeza
as dores eram as companheiras
o amor era o píncaro da distância

minha estação era o inverno
num trem que só eu era passageiro
os trilhos levavam ao final
incompreensível da recordação

mas, soprou um vento de esperança
e num instante tornei-me criança
e num instante tornei-me iniciado
caminhando pelas veredas cósmicas...

Jonas R. Sanches
Imagem: Marcel Caram

domingo, 23 de junho de 2019

Homem-Planta


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Quando fui planta
bebi o orvalho da manhã
e o sol desorvalhou minhas folhas

antes de pousar a borboleta
que foi casulo, foi crisálida
em meu caule foi transmutação

vida simples complicada
em plena transubstanciação
e o colibri apaixonado

deitou sua sede em meu pólen
voou suas cores no céu
que num ribombo trovoou;

caiu a chuva
gotículas celeste do firmamento
germinou as sementes espalhadas pelo vento

e eu, alma de natureza
e eu, coadjuvante da calmaria
que invadiu o coração

que despetalou o coração
da flor tolhida que foi colhida
e oferecida n’alguma oração...

Jonas R. Sanches
Imagem: Luther Burbank

sábado, 22 de junho de 2019

Corações Distantes


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Meu amor tão triste
derrama pranto e apaga o sol
nuvens escuras de um arrebol
que espera a cor do teu sorriso,

e no amanhecer o abrigo
em tua voz velutínea
que acalma minh’alma
que renova o destino,

eu tão velho e menino
conhecendo o amor
entre as farpas da dor
que eu sigo sentindo,

meu clamor peregrino
que te busca distante
que te quer em meus braços
entrelaçados no abraço,

entrelaçando-se às almas
e num beijo de carinho
como um sonho entalhado
dentro dos nossos corações.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Feliz Aniversário Ju


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F eito o sol é o seu olhar
E ntão me olhou e iluminou
L embrou-me do olor de mar
I merso eu no teu amor
Z anzando só pra te encontrar.

A ndei até você surgir
N aquela noite solitária
I nebriante a tua voz
V ociferando à minha alma
E ntão por ti me apaixonei
R aiou a luz no coração
S enti-me então perto de ti
A té poder compor-te à mão
R eal tal qual sua doçura
I ntencionei à alma tua
O meu presente tão singelo.

J uro que fiz com a intenção
U m poema pra alegrar teu coração...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Amor que Conduz


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O amor conduz a vida
por vias misteriosas
descritas em verso e prosa
feridas no espinho da rosa

e, o coração apaixonado
torna o espírito alado
e não importa a distância
importa o se apaixonar...

O amor conduz os dias
pelas misteriosas vias
descritas na prosa e no verso
pela imensidão do universo

e, o apaixonado coração
tira os pés do chão
faz do medo a pura razão
de que amar é a solução...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Meus Erros


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Em minha vida
eu vejo a morte
minha consorte
e o pensamento
só é lamento
dos meus pecados
e minha lágrima
é o pranto seco
pois eu mereço
pois, sempre erro;
não sou perfeito
sou só defeitos
perdendo a eira
mas, minha beira
é um cometa
para o inferno
e, o meu perdão
nem eu perdoou
engulo o choro
e se eu morro
é que mereço
pois, eu desfaleço
nas minhas promessas
mas, mesmo assim
eu vou seguindo
tão quase morto
e, absorto
naquilo que fiz errado...

Jonas R. Sanches

Quem Sabe o Último Poema


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Tentei amar, não consegui
tentei morrer e renasci
num universo bem complicado
mas sou de verso apaixonado
verso pra alguém que não me quer
poema insano pra uma mulher
que realmente eu me importo
mas, sou um menino em crescimento
e, meu lamento não tem valor
pois é nascido da minha dor
naqueles dias que não tem cor...
Mas, eu continuarei apaixonado
terei a morte andando ao lado
e partirei sem ninguém perceber...

Jonas R. Sanches
Imagem: Chema Madoz