quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Coruja e o Poeta



A coruja e o poeta anoiteceram sorrateiros
seus olhos misturaram-se às estrelas
o piado e o versejado entrelaçaram-se
então a noite fez-se um poético canto
que ecoou pela varanda brusca do universo
que rebateu no infinito aqueles versos
que reverberavam no infinito do longínquo
e retornavam refinados aos meus tímpanos...
A coruja e o poeta anoiteceram sorrateiros
suas asas sobrevoaram céus e sonhos
o poema e o piado foram ao vento lançados
então a noite fez-se um lúgubre encanto
que enfeitiçou a floresta dos pássaros noturnos
que revoaram e carregaram o ritmo cadente
que ressoava a música umbrálica do tempo
e retornava para adormecer na ampulheta.


Jonas R. Sanches
Imagem: Krachtdier Sjamanisme

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Semente de Gente



Bradou-se o grito
ecoou no infinito
morreu o mito
sorriu o mico
eu não acredito
no dia do fico
no ano do acrônico
minha fé é o sônico
por eu estar atônito
bebendo meu tônico
nos dias afásicos
dos gritos melódicos
dos poemas módicos
das poesias psiquiátricas
das prosas vaidosas
das trovas às rosas
dos versos transversos
dos meus eus inversos
dos meus paradoxos
tão quão analógicos
mas falta-me lógica
na apologética
na força cinética
na voz astronáutica
na vela da náutica
mas eu me recolho
contando aos piolhos
visíveis aos olhos
todos meus abrolhos
e à data presente
ficou o somente
daquela semente
plantada na mente
de toda minha gente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quando o Poema Acontece o Poeta Transparece



O poeta amanhece
e o dia anoitece
e a noite arrefece
e o verso acontece
e a estrela resplandece
mas não é o que parece
é o poema na prece
do olhar que entristece
do abraço que aquece
da dor que fortalece
da alma que perece
mas o espírito enobrece
na poesia que insurrece
no grito que ensurdece
no eco que emudece
no cântico que prevalece
e então o poeta adormece.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Em Busca Daquela Flor Eterna



À flor que sobreviveu ao outono
fiz uma poesia dos dias resilientes
mas, percorri caules e sendas
até poder em uma estrela adormecer.

Quando despertei já era primavera
e nas pétalas da açucena recolhi-me ao frio
então, nasceu o grande amor d’uma vida
que permaneceu até minh’alma partir.

Parti para um céu paradisíaco
mas, no caminho houve purgatórios
que dilaceraram no âmago da carne
e desmembraram-me mil vezes.

Mas, no caminho houve umbrais
que purgaram o veneno do espírito
que cambaleante insistiu em retornar
para novamente adormecer no veludo da açucena.

Mas, no caminho houve infernos
que congelaram até a lágrima salgada
que escorreu pela beirada daquela página
onde os demônios libertaram o amanhã.

Renasci naquele jardim entre flores
e a que amei estava entre outras
mas, reconheci-a pelo olhar velutíneo
então entrecruzamos nossos seres eternamente.


Jonas R. Sanches

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Cheguei Antes do Luar



Cheguei antes do luar
trazendo minha poesia
transbordando luz e dia
nas veredas do amanhã;

trouxe chuva ao deserto
sem saber se era certo
mas no pensamento incerto
semeei mais um jardim;

nem me lembro se era agosto
se era Terra ou era Marte
mas que sei era consorte
pendurado no estandarte;

cheguei antes das estrelas
carregando minha bandeira
transponíveis horizontes
bem longe dos holofotes;

trouxe vento ao moinho
friorento o meu verão
espalhei sem mais sementes
numa tela de ilusão;

nem me lembro se brotaram
se eram flores ou eram pássaros
mas sei que germinou vida
pra morrer em outro espaço;

cheguei antes do luar
cheguei antes das estrelas
vim na estrada sideral
carregando mil bandeiras.


Jonas R. Sanches
Imagem: Suzana Dolce

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Brindando um Drink no Inferno com Quentin Tarantino e seus Capangas em um Tempo de Violência



Quentin Tarantino sentou-se comigo
à sua companhia dois demônios
e um anjo caído desfalecido
então chegaram Os Oito Odiados
e foram jogar com os irmãos Gecko
em um cassino escondido no Grande Hotel
bebendo Um Drink no Inferno
mas, era Tempo de Violência em Sin City
e Kill Bill caçava alvoroçadamente
a alma insana daqueles Bastardos Inglórios
ou talvez apenas um Django Livre
mas, era meia-noite e uma noite assassina
Cães de Aluguel farejavam pelos becos
Jackie Brown dançando À Prova da Morte
mas, todos chegamos bem  ao amanhecer
pois, éramos Assassinos por Natureza.


Jonas R. Sanches
Imagem: Quentin Tarantino

Fui...



Nasci do ventre opaco da sereia
voei no vento insano da razão
dormi no leito estreito das estrelas
morri nas profundezas de um vulcão.

Fui folha revoante dos outonos
fui morte incessante pelas guerras
fui olhares tristonhos e distantes
olhando a desolação da terra.

Fui seca que aflige o sertão
fui rio, regato, fui inundação
fui a flecha certeira do cupido
que flagelou de gelo o coração.

Fui Hórus, fui Anúbis, fui Apolo
fui anjo e arcanjo na contramão
fui a maçã que geme seus pecados
fui a misericórdia falsa da oração.

Fui leite, fui veneno, fui o vinho
que embriagou de papas até reis
fui monstro, fui herói, fui passarinho
depois fui uma nota de mil réis.

Fui letra analfabeta do mendigo
fui cântico na voz de Salomão
fui tudo que quis ser, mas hoje em dia
sou poesia que ecoa à imensidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Navios de Nuvens



Navios piratas sobrevoaram nuvens
tão plúmbeas que foi viável navegá-las
de lábaro ostentante em alto mastro
e mil gaivotas em asas fulgurantes.

Navios de nuvens piratas de algodão
tão raras e lancinantes como o sol
que oculto reverbera ante a chuva
que molha e remolha o arrebol.

Navios de sonhos lúcidos das poesias
navegantes entre as letras d’um coração
que lavra e deságua na semente
que brota e em terra fértil desse chão.

Navios fantasmas e sonhos voadores
semblante anônimo a desanuviar
à foz da luz trovão relampejante
a ressoar no âmago do mar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Ruddi Saad

domingo, 1 de novembro de 2015

Idade que Chega



A idade vai chegando
o poeta envelhecendo
sua barba esbranquiçando
e experiência adquirindo.

A idade vai chegando
o poeta escrevendo
seus escritos lapidando
e livros colecionando.

A idade vai chegando
o poeta caminhando
sua história vai deixando
escrita pelo universo.

A idade vai chegando
o poeta versejando
seus poemas ilustrando
a jornada dessa senda.

A idade vai chegando
o poeta envelhecendo
sua barba esbranquiçando
e experiência adquirindo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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