quarta-feira, 26 de agosto de 2015

De um Repontar de um Sol Eterno



O amanhecer trouxe-me o sol
em um céu azul desanuviado
mas a lua ainda era visível
causando no peito o paradoxo
e na reminiscência da noite a antítese
que é a poética reversa da luz
mas, é a residência de mil estrelas
mas, é o lar dos filhos dos cometas
mas, é o berço onde dormem planetas;
o amanhecer me trouxe o blues do dia
em rifes mansos de uma guitarra cósmica
que concebe a criação em um jardim do Éden
ou em mil Babilônias com vozes do inferno
queimando as almas nuas no ressoar do inverno;
o amanhecer trouxe-me a poesia
vestida em um elã de cores matutinas
a pintalgar o espírito que é pureza e canícula
a adormecer de novo para uma nova vida.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 25 de agosto de 2015

De um Céu de Estrelas Impudicas



Estrelas pálidas refletidas
nos olhares esquálidos e vazios
de vagantes vaga-lumes
que insistem em revoar campos
desertos entre flores anônimas
d’onde surgem abelhas beatas
ziguezagueantes entre lírios
alucinógenos em caixas de pandora
que revelam mistérios apocalípticos
em páginas herméticas do sol de outono
nas pradarias inóspitas dos sonhos
de um urso antigo em hibernação
que aguarda a primavera e as trutas
em montanhas inexploradas de marfim
onde se derramaram todos os mamutes
para ressurgirem em algum blues
composto d’alguma embriagues
em um pub de cidadezinha de filme de terror
perto de uma encruzilhada
onde crianças brincam inocentes
com o esqueleto do diabo dos pactos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Ventos e Pássaros e Borboletas que Revoam no Céu do Poeta



Vento que revoa e voa pensamentos
bem além do tempo dos tempos
onde o som da ventania era a poesia
que reverberava a música da noite e do dia.

Pássaro que acolhe o trinar amanhecido
de um tordo na pedra do cemitério,
de um corvo sobre o defunto apodrecido
cantando à música eterna da morte e do verso.

Borboleta que metamorfoseia-se no casulo
em um cedro branco centenário no bosque
onde gnomos e duendes fazem encantos
para a lua que se desnuda cheia nos campos.

Poeta que poetisa sobre a luz de toda a vida
e a vida do poeta passa tão depressa e eterniza
todo verso que é complexo e ameniza a ferida
de toda a alma que peregrina pela senda infinita.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 23 de agosto de 2015

Pássaro-Poeta



A poesia amanheceu com pássaros
em uma janela de frente ao universo
que engolia estrelas na garganta do verso
que reverberava em um espelho convexo
fragmentos de pensamentos desconexos
que fluíam ambíguos num mundo de amplexos
e o poeta então tornou-se pássaro
e junto aos pássaros da manhã revoou
e cantou uma canção itinerante
de trinados alados emplumados ecoantes
e nada que já foi, foi igual o que foi antes;
foi um sonho de um pássaro que queria poetar
mas faltaram-lhe palavras restando-lhe voar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Soneto do Renascer do Verso



Minha poesia ausentou-se pelos dias
mas renasceu crua continuadamente
em soneto pelos guetos da mente
extravasando o algoz dessa alegria.

Minha poesia foi escassa pelos dias
mas foi alívio evocado plenamente
nessa senda de luz do eternamente
onde intuo metáforas e alegorias.

Dias transversos que adormeceram versos,
dias tranquilos renascentes de rima
difusa em anátemas de universos

ou no lume a alumiar um paradoxo
dessa senda, ou o óbice de lágrima
de uma lástima em um poema ortodoxo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 9 de agosto de 2015

O meu pai foi-se embora



O meu pai foi-se embora
foi viver noutras paragens,
foi morar entre as nuvens
me deixando a saudade.

O meu pai foi-se embora
mas, deixou-me ensinamentos,
um abraço apertado
e a saudade em meu peito.

O meu pai foi-se embora
foi viver noutro mundo,
foi morar entre os anjos
me deixando seu sussurro.

O meu pai foi-se embora
mas, deixou-me um jardim
com mil rosas carmim
e um pé de jasmim

que eu cuido com esmero
que eu colho meus sonhos,
obrigado meu pai
por todos nossos anos.

Jonas R. Sanches


Poesia dedicada a todos os pais que partiram deste mundo e deixaram saudade.
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