sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Flor Mais Bela do Meu Amor



No meu jardim eis que brotou a flor,
a flor mais bela, a flor de minha vida;
aquela flor então meu coração tomou
então eu vivo a regar minha Açucena;

é flor menina que me abraça carinhoso
me envolvendo em sua tez velutínea
e seu olhar deixa-me pasmo apaixonado
então me amarro e escrevo poesias...

No meu jardim eis que brotou a Açucena
e trouxe paz, e trouxe amor e fez guarida,
em seu olor, na sua cor eu me desmancho,
ao seu amor eu entreguei a minha vida.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Chuva dos Velhos Sertões



Toda aquela chuva escorreu
pelas calhas dos sentimentos
enquanto meu jardim floresceu
espalhando olores aos ventos

que beijaram nus cata-ventos
espalhados pelo meu sertão,
sertão velho do velho coração
que só se anima com poesias

que recortam as core dos dias
e as levam pelas noites vivas
colorindo estrelas às mil maravilhas
desse meu planeta meio alienígena

que carrega o vinho e a elucides
dessas vinhas férteis da embriaguez
de todos fantasmas dormitantes, enfim
que guardaram verbos para a lucidez.


Jonas R. Sanches
Imagem: http://movimentonovospoetas.blogspot.com.br/

Quaresma



Quaresma de flores mortas
de lobisomens nas esquinas
de procissões nos cemitérios
de sinos a badalar
nos currais com mulas-sem-cabeça
sacis trançando crinas
castiçais de velas coloridas
curupiras nos matagais
de ventos, de ventanias
de noites sobrepondo os dias
de luas vampirescas vermelhas
nos olhares impróprios de súcubos
e fantasmas sem um lençol
para assustar pelas sextas-feiras
os pirilampos do meu quintal.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Entre Todos os Tons



Tons plúmbeos
nuances de chuva
matizes de temporal
coriscos de relâmpagos
trovejada no matagal;
estrelas ocultas
luar demoníaco
firmamento sem lua
e o sol em meu peito
é o trejeito luzente
dessa luz transparente
refletida no espelho
em um olhar  certeiro
de poeta altaneiro
derramado das letras
cascata de planetas
ilusão sideral
galáxia transversal
rebuscando algum verso
no caderno imerso
entalhado nas linhas
das sensações minhas
que eu eternizei.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Velhos Dias & Novas Noites



O velho dia esvaiu-se em arrebol
de novas cores matizadas pelo sol
lá bem longínquo pássaros no céu-chão
d’um horizonte que luziu distante.

O velho dia despediu-se, mas deixou
a nova noite pintalgada de estrelas
e a bela lua roubou o lugar do sol
e lá no céu ressoou Ave Maria.

Um vendaval refrescou a madrugada
então sentei à varanda e vislumbrei
o tom vazio daquele profundo negrume
onde meus olhos encontraram vaga-lumes.

Fiquei ali rebuscando minha poesia
que então nasceu de minha mente-crisálida
e enterneceu junto a mariposa cálida
que esmoreceu junto à luz do lampião.

Jonas R. Sanches
Imagem: Fábio Cariolano - Arrebol do Ocaso - Igreja Matriz de São José em Timon - MA

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Trejeitos do Pensamento



Pensa que sou brasileiro
mas sou mundo inteiro
sou aliteração
por vezes eu sou Regina
ou sou Elis, sou inspiração.

Pensa que sou mendigo
mas sou oriundo à lamentação
por vezes eu sou um sonho
onde sou Jobim
e às vezes sou Tom.

Pensa que o meu pensamento
se esvai com o vento
ou com a conturbação
mas sei com o meu elã
que sigo fremente na embarcação.

Pensa que sou um Caetano
ou um Gilberto Gil
isso não sou não
penso em Jorge Benjor
como adequação.

Pensa que sou um poeta
mas sou um asceta na contramão
queria ser Marisa Monte
no vale inspirante
que engole a paixão.

Penso e sou o que quero
na poesia é o esmero
da satisfação
que se derrama no peito
insinuando o trejeito do meu coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Poesia das Mãos Trêmulas



Meus demônios adormeceram no temporal
enquanto anjos ouviam Led Zeppelin
derramando lágrimas das plúmbeas nuvens
que pairavam inertes sob o céu do quintal;

quintal de flores umedecidas em um jardim,
flores astrais tão anormais de arlequim
dependuradas pelos varais do além do mais
e nada mais era normal além de mim.

Meus demônios riscaram mil poesias
sobre fantasmas inadimplentes com o além
enquanto o tempo foi carregado pelo vento
para paragens inconclusivas, foram de trem...

Minhas mãos trêmulas riscaram essa poesia
sobre esse dia, sobre essa chuva, sobre o jardim
que eu plantei, que eu reguei na minha cabeça
que eu mereça com minhas letras, de mais ninguém.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Fábulas Inadequadas



Suco de almas
em bandejas suculentas
com cabeças de Stalin
repetidas no xerox
da rua vinte e três
onde Hitler perdeu a virgindade
com as putas doentes
que enganavam mendigos
antes de ler Alice
no país das desmesmices
onde coelhos fúnebres
comiam cenouras alucinógenas
dos jardins do Éden
nas noites de solstícios
onde as bruxas dançavam insanas
rodeando fogueiras acesas
onde os olhares eram apagados
como aqueles livros antigos
ocultados aos viventes cotidianos...
Mas, minha biblioteca é estéril
aos contadores de estórias
tão antigos, que;
engoliram as damas do baile
da Cinderela e procriaram
com todos os bodes ritualísticos
e com a vovozinha da fábula falsa
da Chapeuzinho Vermelho.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Lobo Mal
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