segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Eu e Hermes Trismegisto e Poimandres



Eu, Trismegisto e Poimandres
debatendo sobre as três partes
da filosofia universal;
e o Grande Thelemeu surgiu
no cálice do vinho de estrelas
servido pelos Deuses Astronautas
que vieram de outros tempos,
de tempos desconhecidos
que os relógios não podem medir,
pois, nossa herança é cósmica
e do ventre do primeiro Gênesis
nasceram os primeiros alquimistas
e forjaram cadinho no fogo do sol
na medida que foi lhes dada por Noús
então, foram os vislumbradores da lua
que foi a primeira lua depois do sol
que foi o primeiro sol depois das trevas
mas, então foi o primeiro homem
que recebeu toda a sabedoria crua
e transmitiu-a para Poimandres
que transmitiu para Hermes
que grafou-a em uma tábua de esmeralda
que os primeiros homens profanados não compreenderam;
mas, eu, Trismegisto e Poimandres rimos
depois daquela que pensaram ser a última
alegoria da incansável e imensurável criação.

Jonas R. Sanches
Imagem: Tábua de Esmeralda


domingo, 24 de janeiro de 2016

Jardim dos Deuses Antigos



O sol amanheceu em Rá
e o dia anoiteceu em Khonshu,
estrelas nos ventres de Geb e Nuit
e, Ísis gerou a flor da terra
e, Ápis o jardim fertilizou
com as água do Nilo, Sobek as aguou
e Hórus de lá roubou sementes
mas Thoth com sua sabedoria
roubou de Shu o calor da luz do dia
e as flores do jardim de Seth
em almas chegaram até Anúbis
que pesou suas pétalas na balança de Osíris,
as comparou com a pena de Maat
e as liberou para enfrentar Ammit
pois não pisaram o solo do Amenti
mas, Ast invocou misericórdia e magia
então Asar o jardim ressuscitou
e Hator pela a eternidade das flores cuidou.


Jonas R. Sanches
Imagem: Papiro de Wespatrashouty

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Rios Voadores



Rios pairando entre nuvens
carregam barcos de sonhos
sobrenaturais entre sóis
que em janeiro derretem almas
nos desfiladeiros do purgatório
e desaguam luas nos umbrais
de planetas inóspitos siderais
em vias penumbrentas do além;
do além do inimaginável
que é incognoscível aos elãs
dos poetas pescadores de ecos
das flautas inebriantes de Pã
que oscula Baco nos alicerces
de um templo que o tempo ruiu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Verdade Inóspita da Incompreensão



A compreensão de tudo
é busca interminável e intermitente
seja ela do animal, da planta ou da gente;
mas, a busca do poeta é inexpressível
pois, o poeta vivencia a dor que não é sua,
o poeta veste a sujeira alheia;
o poeta adormece os sonos passageiros
sempre desconfiado, dos ladrões de ideias
que surrupiam vontades e pensamentos
e despem os alienígenas das letras;
roubam-lhe o lápis e as divagações
também furtam o amor aos corações
que anseiam pelo próximo verso ou prosa,
que aguardam a anestesia dolorosa
às almas vagantes do mundo real
que padecem sem experimentarem o bem ou o  mal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sintomas de Poesia



A poesia nasce,
a poesia cresce,
a poesia floresce,
a poesia emociona,
a poesia apaixona,
a poesia entristece,
a poesia floreia,
a poesia resplandece,
a poesia comove,
a poesia enternece,
a poesia inebria,
a poesia iridesce,
a poesia embriaga,
a poesia rejuvenesce,
a poesia cintila,
a poesia amanhece,
a poesia fulgura,
a poesia anoitece,
a poesia alumia,
a poesia compadece,
a poesia lampeja,
a poesia apetece,
a poesia imortaliza,
a poesia eterniza
a poesia nunca padece.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Poeta Observador



O poeta sentou-se àquela marquise
mirou o horizonte longínquo
as nuvens pairando eram plúmbeas
e marcavam a chuva vindoura.

O poeta observou àquela cena
onde os pássaros recolhiam-se aos ninhos;
eram garças, pardais e andorinhas
buscando o recôndito ideal ao descanso.

O poeta sentiu a brisa refrescante,
era prenúncio de chuva; bom agouro...
Janeiro será novamente verão
e o poeta verá a transmutação das estações.

O poeta bebericou de um malte puro,
seus olhos brilhavam como a vida
que passa e deixa mil vestígios
dentro de qualquer coração simples.

O poeta agora se recolheu ao sol
que oculto deixou cores místicas
naquele arrebol cósmico e cataclísmico
que pintou as cores de uma poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Ultradownloads

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Cerveja



Em rituais sumerianos
bebi-a em cálices entalhados
com escritas místicas
e receitas alucinógenas;
então morri e ressuscitei
num berço egípcio d’ouro
e bebi no seio farto materno
daquele leite maltado sagrado
até engasgar-me e padecer outra vez
então, renasci entre reis mesopotâmios
e degustei de virgens embebidas
naqueles barris eróticos insanos
mas, em regozijo eu paguei
o preço das mamárias fartas da rainha
que traiu-me na noite sórdida
então retornei ao profundo purgatório
mas, o sofrimento tornou-se riso
e o capeta pediu-me a receita;
deixou-me partir perante o trato
então era a Alemanha em guerra de fato
mas, então surgiu metamorfoseada
a pura bebida santificada
que tanto minha promessa enseja;
batizei-a como cerveja.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Obliteração de um Dilúculo Lusco-Fusco



O sol despontou esfuziante
no âmbito de um dia álacre,
os pássaros chilrearam ledos
e as flores perfilharam no jardim;

o poeta apreciou meticuloso
e transmudou em letras aquele azo,
foi um átimo de elã inaudito
recontado em verso portentoso.

O sol auferiu até o zênite
e rebrilhou com fulgor capitoso,
os pássaros coligiram-se nos ramos
daquelas flores de colorido aparatoso;

o poeta enterneceu-se  tácito
em uma alomorfia insólita,
então num rito são inusitado
arrepanhou-se ao todo e obliterou-se.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Tequila



Cactos sangrentos e solitários
nos desertos chuvosos do Caribe
e um mundo transpassando um gole
de tequila com limão e sal dos deuses
que sorriem lendo Nezahualcóyotl
numa caverna nos confins de Texcoco
onde borboletas são de cores raras
e nas paredes poesias eternizadas
de um tempo emprestado pelo tempo
onde as areias são o âmago do vento
e carregam ferrugem e flechas kamikazes
em copos e mais copos de tristeza
afogadas em uma mesa do Kinky Bar
as nove horas dos horrores pela noite
ali sentado esperando o trem passar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Conhaque



Terças-feiras comuns & poesia
nas mesas semiquadradas de madrepérola
com conhaque e um caderno velho
sentado junto ao Lord Byron
comentando a Peregrinação de Childe Harold
e gargalhando sobre as conquistas de Don Juan
entre cabides com ternos velhos roídos
por ratos antigos das novas catacumbas
onde enterraram Giacomo Leopardi
em mil oitocentos e trinta e sete
e depois correram maratonas no Coliseu
antes do último eclipse assustar ateus
ressuscitados do desastre de Pompéia
em vinte e quatro de agosto de setenta e nove
depois de Cristo que morreu na cruz
impiedosa dos ignorante, mas fez jus
àquelas palavras que deixaram cicatrizes
nos livros não lidos de Agátias e de Dante Alighieri
mas, Auspício de Toul adormeceu em sua tumba
e engoliu todas as expectativas da lua
que sangrou até depois do apocalipse.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Soneto da Renovação dos Sonhos



Sonhos lúcidos de renovação
jorram dos rios de minha existência
e são planejados com coerência
dentro do templo do meu coração

que bate e rebate em som de trovão
em luta constante sem pedir clemência
fraqueza é o julgo da inexistência
pois sigo embrenhado na minha oração.

Poeta que escreve àquilo que planta
em versos matreiros saídos da mente
que a alma acolhe no veio que encanta

que a alma semeia de ouro a semente
da lida da vida em metamorfose
como um pássaro em antropomorfose.


Jonas R. Sanches
Imagem: A Árvore Azul de Alma Welt
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