quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Debruçado Sobre a Saudade



Debrucei-me à varanda a contemplar a saudade
o céu noturno fez-se companheiro enegrecido
enquanto o tom da cor da flor fazia-se opaco
pois, sem meu amor por perto era só o vazio
que invadia-me o corpo, a mente e o espírito;
a lua longínqua lembrava-me teu olhar
naqueles dias que éramos nós ali sentados
a contemplar o céu a inventar histórias de planetas
que se apresentavam a nós nas estrelas
e, fazíamos tantos planos sobre nossos sonhos
mas, hoje aqui sentado é só a poesia de saudade
que me aflige o peito e afoga minha sensação,
aqui sentado pensando no seu abraço distante
enquanto essa poesia se derrama junto às minhas lágrimas.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Tu Foste



Tu foste, e aqui é a saudade
que permeia o meu universo
qu’é elaborado como um verso
daqueles que já não tem idade.

Tu foste, e ficou o meu desejo
de te amar, de te fazer feliz,
pois quando eu pude eu não fiz
agora foi-se o tempo e eu perdi.

Tu foste, e aqui é só tristeza
a circundar o meu pobre entorno,
o coração foi quente agora é morno
e a vida que era graça agora é lágrima.

Tu foste, e eu aqui com a poesia
que é o que resta inda de bom em mim,
o que se foi não era pra ter fim,
o que se foi levou embora minha alegria.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Crepúsculo de um Coração Fragmentado



O sol deitou-se mais tarde,
ficou a iluminar os fragmentos do meu coração
que estavam esparramados pelo chão,
esperando alguma poesia por ali passar.

Veio então à primeira estrela
junto à lágrima derradeira
e escorreram pelo firmamento
que inda era crepuscular.

Fiquei ali extático... Incompreendido...
Os pássaros nos beirais miravam-me atônitos
enquanto a noite beijava o dia
roubando as luzes dos roseirais.

A lua veio minguante, tímida e tolhida;
mirou solitária a minha vida
e, enquanto meus sonhos passavam depressa
deitou seu brilho prateado no meu olhar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Rildo Cunha

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pétalas Secas



Queria minh’alma ensolarada
com pássaros em revoada
mas, meu sol deixou de brilhar
e meus sonhos desvaneceram.

Restou-me apenas algum poema
rabiscado n’alguma gaveta
num papel velho amarelado
com resquícios de um coração.

Queria um sorriso em meu rosto
mas, enquanto o dia estiver nevoento
não haverá... Não haverá o sorriso,
somente um punhado de folhas secas;

somente um punhado de pétalas secas
espalhadas pelo meu caminho
tão árduo e tão cheio de curvas
que vou trilhar a passos vagarosos.

Queria minh’alma ensolarada
mas, são tão plúmbeos os dias
que não sei se terá novamente luz
para renovar meu antigo jardim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 25 de setembro de 2016

Arrebol sem Cores



No horizonte mais um arrebol
mas, sem cores se foi o meu sol
e a noite se achega tristonha
madrugada gelada e medonha
assolando o meu coração
que é inverno em plena primavera
e minhas flores se espalham ao chão
as estrelas brilhantes em guerra
no cometa dessa geração
mas, ainda semeio a esperança
pois minh’alma que grita é criança
fervorosa nesse poema-oração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Noites Escuras



Às vezes a noite é tão escura
que o poeta não vê o amanhã,
já não há estrelas no céu,
seu firmamento é negro e pesado
e as nuvens pairam plúmbeas
e carregam todas as chuvas
que vem para umedecer
os olhos distantes que observam
um amanhã longínquo e vazio
como as florações de inverno
recolhidas no tronco ressecado
de uma árvore tão comum.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Da Poesia Ausente à Poesia Presente



A poesia quase deslembrada
que há tempos se fez faltante
mas, houve um relapso no tempo
e a inspiração fez seu descanso.

A poesia então relembrada
desde o poente à madrugada
mas, houve o elã proveniente
sobre as estrelas inertes aladas.

Ao poeta não há descanso
pois, as imagens não faz descaso;
são de vislumbres tão deslumbrantes
que a poesia surge no ocaso.

Ao poeta não há tempo, não há morada
pois, seus alheios são semelhantes
àquelas vigílias não mais celebradas;
então a poesia faz-se novamente presente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Rein Blank

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Cada Tempo ao seu Tempo



Cada tempo ao seu tempo
mas, tem de haver discernimento
como no tempo perfeito das estrelas
dependuradas e brilhantes no firmamento.

Cada tempo ao seu tempo
mas, tem de haver entendimento
sobre o tempo certo das sementes
que os pássaros replantam com o vento.

Cada tempo ao seu tempo
mas, tem de haver sentimento
como no tempo tic-taqueado no relógio
que os ponteiros viravolteiam com o momento.

Cada tempo ao seu tempo
mas, tem de haver envelhecimento
da vida que passa e repassa pela história
que o poeta contempla com seu inspiramento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Max Mitenkov Vimark

sábado, 20 de agosto de 2016

Abóbada Cinérea e um Sabiá Sabático



O sábado amanheceu cinzento
coriscos relampejantes no céu
trovões a ribombarem incessantes
mas o sabiá está lá a cantar
o seu canto maviosamente harmonioso
duetando ao barulho da chuva
que derrama-se do firmamento plúmbeo
e o horizonte é escuro sem o sol
e o poema se refaz nevoento e obscuro
como esse sábado de abóbada cinérea
como esse canto deleitável do sabiá
como essas letras que escorrem com a chuva
para serem carregadas pelas águas do ribeirão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Eric Mendez

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Ampulheta


Lampejo Esmerado



Tento a poesia inventiva
estranhamente desusada
com palavras insólitas
que recontam átimos
vistos com olhar minudente
e pormenorizados atilados
com asserções líricas
oriundas dos adágios aforísticos
concatenados no rosicler
de um dia comezinho impreciso
com bátega de luzeiros cadentes
na boca da chona enluarada
encantatória ao olhar do poeta
que lobriga acocorado no solário
em busca do esmerado lampejo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Dave Dugdale

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Há Dois Anos



Há dois anos pela primeira vez beijei-te
e o amor invadiu inteiro o coração
foi o momento esperado de uma vida
e até hoje ainda sinto a sensação
quando eu sinto os teus lábios nos meus
parece ainda o doce primeiro beijo
que despertou o meu amor, minha paixão;
que ainda perdura nesse meu grande desejo
de te amar, de te poder fazer feliz,
minha menina, minha flor, minha açucena,
a minha vida quero sempre junto a ti
pois eu te amo, meu amor, minha pequena.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Utsuri-Goshi



Dança certeira da pesca
no movimento perfeito
o voo da isca matreira
e a pegada leve e pesada
executada com kampeki
na pegada no judogui
e no giro arqueado no ar
o pensamento no lugar
e os músculos enrijecidos
para completar o undô
mais perfeito do Judô
num Ippon de Utsuri-Goshi.


Jonas R. Sanches
Imagem: Utsuri-Goshi de Zantaria

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Homenagem a São Domingos de Gusmão – Padroeiro de Catanduva



Hoje rendo homenagens
ao nosso Santo Padroeiro,
São Domingos de Gusmão
protetor da minha terra...
Pra Santo foi homem bom
ajudando os miseráveis
se desfez de todos seus bens
para alimentar os famintos,
seu alimento era a oração
sua alegria era a penitência,
oh! São Domingos de Gusmão
proteja e abençoe nossa população.


Jonas R. Sanches
Imagem: Matriz de São Domingos

domingo, 7 de agosto de 2016

Poesia Hiperbólica



Nos esfíngicos segredos tão herméticos
a poesia extremamente hiperbólica
com curva natural de letras
rebuscando livre verbo
Noús vasto eterno
criando no elã
um mundo
hodierno
de paz
e luz
tangível
aos corações
dos caminhantes
e dos sãos buscadores
da verdade incognoscível
que paira entre os paradoxos
e nas antíteses respostas veladas
de uma poesia desenhada hiperbólica
no obscuro segredo eternamente hermético.


Jonas R. Sanches
Imagem: Vladimir Kush

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Eloquência Transversal e um Paradoxo



Na eloquência transversal
de uma tarde intermitente
o poeta rouba o arrebol
para um verso intransigente
para conter seu paradoxo
de renovar o catastrófico
em uma chuva meteórica
num vil reflexo da retórica
ou duma poesia histórica
para lembrar depois da morte
se talvez for essa minha sorte
ou um grito mudo em consorte
estremecente de tão forte
para acordar os cemitérios
e ressuscitar um novo ministério
com as palavras de mistério
que vou calar até a última noite
mas vou cantar antes do açoite
que a vida vai despedaçar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Robert Gonsalves

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ruídos



Ruídos do mundo amanhecendo,
carros transitando, martelos batendo,
gatos miando, cachorros latindo,
pessoas conversando e o copo caindo.

Tantos sons o e poeta à surdina
caminha taciturno pelos pensamentos
observando atentamente o vento
que movimentas as pás do moinho;

moinho de tempo moendo os minutos
e pelo vão da ampulheta ele olha mudo
o grão de areia em seu poder resoluto
ponteiro invisível do relógio do mundo.

Ruídos do mundo esvanecendo,
tic-tacs incessantes nos corações
que batem, batem, batem e rebatem
todas as verdades que passam com o tempo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Marcel Caran

domingo, 17 de julho de 2016

O Poeta e o Passarinho em uma Manhã Álgida de Domingo



O domingo amanheceu álgido
mas o céu era de azul índigo
sarapintado de nuvens albugíneas
que refulgiam aos raios solares
que ainda surgiam canhestros
a desorvalharem as flores multifárias
com suas cores variegadas e olores
que invadiam a atmosfera matinal
e, nas folhagens algumas gotas de aljôfar
para embeber a sede do passarinho
que bateu asas para poder cantar,
que bateu asas e abandonou seu ninho
e, nesse canto uma harmonia maviosa
fez o poeta despertar e admirar
e, com seus versos papalvos e incautos
fez-se também passarinho para duetar
com o bichinho de facetas multicores;
foram os dois pela manhã a versejar,
foram os dois pela manhã a revoar
todos os cimos e todos os sonhos
até poderem tornarem-se um só.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

sábado, 16 de julho de 2016

Soneto que Atravessa a Noite para Olhar o Dia Nascente



Vi da noite o vento que soprava
de uma nuvem caminhando a esmo
a lua acima pujante flutuava
e a poesia era de outro eu mesmo

que derramava o sangue na página
bebendo a pena de um outro verso
na mente extensa como luz halógena
a refletir o ambíguo transverso.

Vi da noite a fumegante estrela
na madrugada a névoa derradeira
e o lusco-fusco a rejuvenescer

trazendo a aurora do amanhecer
e a inspiração então foi o feitiço
que retratou novo literatiço.


Jonas R. Sanches
Imagem: Erik Johansson

terça-feira, 12 de julho de 2016

Elã



O poema nasce de repente
como se fosse a extensão da gente,
extensão do olhar minucioso
que vê com os olhos da alma
e consegue transcrever no verso
a sensação da contemplação;
seja do canto ou do voo do pássaro,
seja da cor ou do olor da flor,
seja da aflição ou do desespero da dor,
seja da paixão ou da graça do amor,
seja do negrume ou da liberdade da morte,
seja do revés ou da sorte,
seja da juventude ou da velhice,
o poeta transcreve sem mesmice
tudo que transcorre em seu elã,
seja do ontem, do hoje ou do amanhã...


Jonas R. Sanches
Imagem: Portrait of Juan de Pareja, the Assistant to Velázquez, Salvador Dali

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Aurora Brumaceira



Aurora brumaceira
de céu pardacento
no rosto um bom vento
na árvore o inverno
roubando-lhe as folhas
e os galhos finórios
estalam num canto
que é música lôbrega
mas há um trinado
de tom mavioso
que o pássaro entoa
ao vasto longínquo
alvacento horizonte
que vela o arcano
num algoz dilúculo
infausto crepúsculo
que faz-se na alma
perenal do poeta
que contempla embatucado.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sonhos e Poesias dos Madrigais



Sol e noite entrelaçados
no beijo do entardecer
que respinga no horizonte
a estrela do amanhecer
que brilha no olhar da coruja
e rebrilha no voo do curiango
que sinistro olha soturnamente
o voo incerto da mariposa
mas, na vitrola um sentimento
reflete todo esse momento
que é eficaz ao eu poético
diversificamente eclético
esperando à luz da aurora
que tão logo se demora
à espera d’um sonhador
que a cada dia, a cada noite;
sonha... Sonha... Até adormecer...
Ao canto profano dos madrigais.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Império Apocalíptico



Caiu o Império Otomano;
caiu a Macedônia Antiga;
caiu o Império Mongol;
caiu o Califado Omíada;
caiu o Império Aquemênida;
caiu a Dinastia Tang;
caiu a Horda de Ouro Canato;
caiu o Império Maurya;
caiu o Göktürk Khaganate;
caiu a Alemanha Nazista;
caiu a Dinastia Han;
caiu o Império Romano;
caiu a Dinastia Ming;
caiu o Império Sassânida;
caiu o Império Japonês;
caiu o Império do Brasil;
caiu o Rashidun Califado;
caiu o Império Português;
caiu o Califado Abássida;
caiu o Império Francês Colonial;
caiu a Dinastia Yuan;
caiu a Dinastia Qing;
caiu o Império Espanhol;
caiu o Império Russo;
caiu o Império Britânico;
impérios caem,
nações caem,
reinados caem,
todo poder sucumbe ao tempo,
todo poder apodrece impérios,
o poder traz querência de mais poder
e, esse egoísmo destrói...
Vejo poderes caindo,
vejo um mundo cataclísmico,
vislumbre do Apocalipse
que fez-se real nesse tempo
que vivo a escrever sobre o fim...

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 19 de junho de 2016

Trabalhando no Lar



No meu trabalho escasso
deixo a mente fluir,
vou no meu quebra-cabeça
antes que eu me esqueça
monto-o por mim,
monto com minha mão direita
pois a esquerda é coxa
mas, isso não me arrouxa
faço com todo prazer,
pois, só de poder fazer
me sinto adequado
por isso arranco os quadros
que já são antigos
nessa velha parede,
mas depois de pronto
alinho meus pontos
com o balançar da rede
e abro uma cerveja
pra contemplar o trampo
que então é pronto,
já vejo meu sorriso
trabalho em meu abrigo,
trabalho ficou no ponto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Hi Soares Marcenaria

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Morte... Morte & Vida...



Poética à noite
e o camafeu bebe borboletas
diluídas em cálices dourados
de escamas de extintos dragões
derretidas nas minas douradas
dos duendes fálicos irreversíveis
e as almas atormentadas lapidavam
as pedras oníricas do faraó
morto e mumificado no amanhã
depois do pôr do sol anímico
antes da embarcação  do Nilo
que carrega as almas falecidas
ao banquete poético da paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: O Bá e a Múmia

Hey Joe



Hey Joe
vamos beber dos cálices sangrentos
do corpo da seiva inerte
e suores de luas derretidas
em fornalhas de espadas
que barbeiam os sete samurais
e os quarenta e sete ronins
adormecidos na pedra do vulcão
adormecido quase morrendo
sob a pele de mil cordeiros
lobos enrustidos à carnificina/
hey Joe
vamos beber um cálice de tequila
nos desertos inóspitos de Sonora
e esperar o sol nascer
nas pupilas de um velho xamã
que degusta invernos extintos
na beirada das pirâmides do céu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Jimi Hendrix in Gainsbourg

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Outono Silencioso



Daquele som silencioso
veio a poesia calada
mas, foi um momento barulhento
naquela esquina
onde embaralhavam-se sons
dos dias e dias trespassando
à realidade que não é real
mas, substituí as agonias
vivenciadas naquelas agruras
vertentes daqueles momentos
que perdemos a fé
naquilo que realmente acreditamos
por um simples conselho alheio
dum porra loka desvirtuado
que pelo menos, da vida, ,
segurou o patuá sem denegrir
àquelas noites obscuras
onde somente se buscava
o sentimento prazeroso da paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Poesia de Final de Outono



Ah! A poesia é flor sem jardim
nas terras desconhecidas de mim
quando insurrecto meu elã
sem admoestações do amanhã;
pois, tem cerveja esperando a boca,
a mesma boca que grita louca

seus pensamentos às vezes pueris
mas, às vezes um poema louco
noutras o desvelo treslouco
de uma inspiração tresloucada
pelas vassouras das bruxas
que sobrevoaram os arlequins

daqueles circos de terrores falsos...
Ah... O beija-flor inebrie sobrevoou
as tumbas das rosas desfalecidas
numa manhã de final de outono;
enquanto o poeta e a poetisa
se aqueciam entre os lençóis...


Jonas R. Sanches
Imagem: Paul Bronsom

terça-feira, 7 de junho de 2016

Quase Inverno



Amanheci e o sol era escasso
queria a quentura desorvalhante
para poder secar as pétalas
mas, num rádio longínquo
tocava uma estação da AM
que falava sobre as belezas do frio
então, resolvi compor alguma coisa
e bebericar um chá quentinho
observando os pássaros nos ninhos
embrulhados em suas penas
tão coloridas que pareciam primavera
mas, no céu retumbou um trovão
e o chuvisqueiro respingou o chão
que o poeta pisava atento aos arredores
buscando a santidade da inspiração.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Breu Após as Seis



Crocodilos famintos orbitando
um planeta pantanoso inanimado
procurando sua presa suculenta
em um morto com os ossos destroçados;

abutres revoando sobre a presa
que inerte está aos vermes do deserto
seu futuro que era a vida foi incerto
agora é apenas a carcaça à carniça.

Vejo vermes corroendo a carne crua
desgastada e atropelada pela rua
que transpassa a fronte do cemitério
que resguarda a morte em deletério;

todos morrem, todos vivem à algum tempo
suas cinzas são carregadas pelos ventos
adubando algum jardim já esquecido
assombrando as flores com alaridos.

Vida e morte e amor e ódio,
os sentimentos são delinquentes
cada qual têm seus fantasmas
mas, depois das seis tudo escurece.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Poesia à Chegada do Sol em uma Manhã de Maio



Venha sol, escaldar mais um dia,
leve embora a algidez da manhã,
substitua-a por calidez e alegria
para que meu ânimo seja amiúde.

Venha sol, desorvalhar a vegetação,
venha engelhar as pétalas aljofradas
para que suas cores e olências pululem
e atraiam abelhas, borboletas e olhares.

Venha sol, desadormecer os pássaros,
para que seus chilreios acometam o todo
e seus adejos aderecem o céu matutino
em uma azáfama de cores infinitas.

Venha sol, insuflar de amor meu elã,
venha aguçar em meu espírito a poesia
para que eu possa entoar à natureza
em versos maviosos e azougados.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Recanto do Jardim da Açucena



Eu despertei para saudar a natureza
pois eu dormi junto da flor de açucena
entrelaçado em seu caule, suas pétalas,
em seu olor o amor então desabrochou.

Partimos juntos buscando raios solares
caminhamos pelos jardins do nosso lar
entre outras flores nós dois desorvalhamos
para as abelhas poderem nos oscular.

Pelos canteiros nós observamos pássaros,
observamos os insetos multicoloridos
que degustavam-se gulosos nossas folhas
que verdejantes eram de viço imarcescível.

Ali cantamos mil odes às outras coisas
que circundavam os arredores da nossa casa,
cantamos às nuvens que sombreavam
nosso recanto debaixo do pé de jabuticaba.

Mas como sempre o dia foi-se esvaindo
e já dos pássaros eram apenas murmurinhos
e, já do sol restou apenas um arrebol
então nos recolhemos ao nosso leito e dormimos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Equilíbrios e Desequilíbrios



Os invernos antecedem os verões
ou os verões antecedem os invernos?
Inverdades antecedem ilusões
e as bonanças sucedem as tempestades.

Luz e sombra, trevas e luz, Deus e Diabo,
dias e noites, luas e sóis, terrestre e alado,
oposições de um equilíbrio inabalável
ou de um abalado desequilíbrio alienado.

Os outonos antecedem as primaveras
ou as primaveras antecedem os outonos?
Folhas que caem, flores que nascem obstinadas
gerando cores, às vezes frias, às vezes quentes.

Sombras e luzes, yin e yang, sorriso e lágrimas,
amor e ódio, terror e paz, ser ou não ser,
um ciclo eterno inconclusivo exacerbado
onde o caminho sempre me leva onde não sei.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sobre os Jardins Enigmáticos da Alma



Noturnamente diuturno
como o pássaro estrelar
em seu voo cósmico
revolvendo galáxias
em busca da letra perfeita
em tom rubro escarlate
no jardim da flor do lácio.

Diuturnamente noturno
como o pássaro do sol
em seu voo flamejante
revolvendo as chamas
em busca do verso perfeito
em tom dourado crepitante
no jardim da velha papoula.

Soturnamente emblemático
como o pássaro errático
em seu voo enigmático
revolvendo as almas
em busca do poema perfeito
em tom etéreo diáfano
no jardim da flor do infinito.

Hermeticamente eclético
como o pássaro esotérico
em seu voo cadavérico
revolvendo as tumbas
em busca da morte perfeita
em tom fúnebre plúmbeo
no jardim da flor de plástico.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Depois da Grande Tempestade



Depois da grande tempestade
eis que no horizonte surge
uma pequena luz vindoura
para esse povo que batalha
que tem o brado retumbante
e que também não foge à luta;

depois da grande tempestade
eis que haverá bonança
mas, há trabalho a ser feito
para o povo reaver o seu direito,
para reaver a sua dignidade
que foi burlada com inverdades;

depois da grande tempestade
eis que serão contados os prejuízos
que infelizmente são reais
no alicerce desse país
de estremecidas estruturas,
de paredes quase às ruínas;

Depois da grande tempestade
eis que eu sonho com um porvir
iluminado com novo sol
para eu deitar em berço esplêndido
e enumerar o meu compêndio
sobre o amor pelo Brasil.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 8 de maio de 2016

Daqui Observações... Dali e Acolá Críticas



Fiquei ali, observador o arrebol,
mesmo sabendo que haveria trevas
encobrindo todo o embasamento azul;
resquícios do dia , lasca da luminosidade
deixada às migalhas às estrelas
que são os olhos de Deus vigiando a noite
que às vezes é macabramente silenciosa
quando pensamos sobre a vida e a morte
que são as consequências de sermos nós
independentemente das vozes alheias
que nos confundem em meio à multidão
nos julgando sem olhar para si mesmos
e esquecendo que crescemos com os erros,


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Mães são Anjos



Mães são anjos,
mães de sangue,
mães de leite,
mães de criação,
mães tem coração
de ouro,
mães são o tesouro
da vida,
mães que se desdobram
de lida à lida
para suprir a vida
de sua criação...
Oh minha mãe
tu está todos os dias
dentro do meu coração.


Jonas R. Sanches

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Da Poesia Dentro das Poesias



Há momentos que é só a poesia
que amaina o ânimo sublevado
pois, nas palavras há a propensão
de linimentar a alma azougada;

a poesia é como o dilúculo
que trás a renovante luz ao dia
e renova na antemanhã a vida
que segue em passos durativos;

pois sim, por isso bem-quero a poesia
que me dá guarida e sustentáculo
nas minhas noites, nos meus dias
que passam meticulosamente sãos;

mas a insânia também é companheira
nas linhas, nos versos, na subsistência
que da arrego na hora do canto do pássaro
que visita-me diariamente ao entardecer.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 30 de abril de 2016

Foto 3X4



Fui registrar a minha foto 3X4
lá na vendinha do Sr. Damião,
foi registrado o âmago do retrato
do abstrato do meu coração.

Foi essa foto registrada pela vida
e fez guarida na minha identidade,
com essa foto eu fiquei conhecido
lá pelos umbigos da minha cidade.

Foto 3X4 de infância à mocidade,
foi essa foto a mais bonita da cidade;
causou um causo com vintém de raparigas
mas meu amor é o amor da minha vida.

E esse amor está comigo sorridente
mesmo naquele dia que perdi o dente,
mesmo naquela febre quase amarela
que me provou o quanto eu gosto dela.


Jonas R. Sanches 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Poetando com os Pássaros



Na friorenta manhã a poesia
fez-se tremulada no raiar do dia
o céu tão plúmbeo inspirava melodia
então com o melro fiz uma parceria;

entre trinados estridentes nasceu o verso
e a canção ecoou pelo universo
foi um dueto de homem e passarinho
que se aninharam num poema em desalinho;

então chegou voando um sabiá
veio trazendo novas notas à cantoria
e lá no alto bailavam as andorinhas
num espetáculo sutil e matinal;

juntou-se a roda um curió sensacional
trazendo um timbre novo ao musical
em suas asas imaginei mil partituras
nessa manhã friorenta de cores cruas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Marcelo Martins Belarmino

terça-feira, 26 de abril de 2016

Frente Fria



Fui dar bom dia ao sol
mas o céu estava plúmbeo
novas cores no arrebol
novo acorde em si bemol.

Hoje os pássaros se aninharam
no sinal do vendaval
andorinhas se alinharam
lá pousadas no varal.

Eu senti o olor da chuva
no quintal a leve bruma
o frio deve estar chegando
e o café está coando.

Saúdo o dia em poesia
amanheço em alegria
dou adeus a madrugada
que partiu enluarada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google 

domingo, 24 de abril de 2016

Poeta Voador



Empunhou a caneta e bateu asas
foi pintar no céu todas as estrelas
foi riscar na lua uma poesia
e depois pintou o sol para ser dia,
poeta alado que não vê limites
quando alça voo rumo ao infinito
viaja distante procurando mitos
numa odisseia que não tem final
buscando os segredos do arrebol,
voa observando mais uma alvorada
que vem delirante após a madrugada
voa junto aos pássaros, vai até o zênite
depois volta ao mundo e senta na varanda
pra compor sonetos, pra compor cirandas
então adormece e acorda do sonho.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Do Soturno ao Diuturno ao Noturno ao Infinito



A lua raiou como um sol noturno
floresceram rosas em Saturno
o poeta caminhou de elã soturno
e o espírito desfigurou-se diuturno
numa cratera d’algum outro planeta

que transfigurou-o em um asceta
que caminhou avoado por universos
buscando a perfeição nos versos
que narrem o todo em reverso
alumiando os olhares transversos

de duas estrelas quase se apagando
enquanto a existência vai caminhando
por vias extintas e intermináveis
por becos incertos e inenarráveis
por sendas nocivas e incognoscíveis

que guardam histórias terríveis
que guardam rumores incertos
que se desfazem na beira do inferno
que ilude os supostos insanos pecadores
remoendo nas almas suas dores

que são flechas do arco da consciência
em busca de perdão e clemência
em busca da luz que é renovadora
em busca de um sol irrelevante
que faz-te ver que viver é o bastante.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sons



Sons ecoando,
sons do piado da coruja,
do cacarejar da galinha,
do cricrilar do grilo,
do zumbir da abelha,
do bramir do urso,
do mugir do boi,
do roncar do tigre,
do zurrar do burro,
do coaxar do sapo,
do berrar da cabra,
do grunhir do porco,
do ladrar do cão,
do arrulhar do pombo,
do relinchar do cavalo,
do grugulejar do peru,
do sibilar da cobra,
do grasnar do pato,
do balir do cordeiro,
do chilrear do pássaro,
do crocitar do corvo,
eco disso, eco daquilo,
ecos, ecos,
ecos na minha cabeça,
mesmo que eu não mereça,
ecos, ecos, ecos,
sons de animais,
sons ecoando,
do palrar do papagaio,
do cucar do cuco,
do piar do mocho,
do cantarolar do galo,
do guinchar do macaco,
do miar do gato,
do uivar do lobo,
do ulular da hiena,
do rugir do leão,
mas o mais constante,
o zumbir dos insetos
picando minhas pernas
enquanto escrevo
essa poesia bem estranha
enquanto escuto ecos
vindos da vitrola
que roda tocando
um vinil antigo guardado
do Led Zeppelin.

Jonas R. Sanches
Imagem: Robert Plant
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