quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Novas Sequelas de Primavera



Pétalas insurgentes cálidas
de rubros tons inválidos
em jardins nascedouros sãos
onde a sequela é de primavera.

Revejo todos os tons ao sol
que escaldante ilumina a terra
e já me esqueço da dor da guerra
e revoo junto aos beija-flores.

Caules verdejantes ríspidos
em espinhos cravejados na rosa
e é hora de festa na natureza
onde a sequela é de primavera.

Dálias, orquídeas, lisiantos,
miosótis, papoulas, quaresmeiras,
malmequeres, trevos, begônias,
benjoins enfeitando meu jardim.

Tantas flores, tantas cores,
tantas impressões na cor,
mas na açucena que é serena
é onde repousa o meu amor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Poeta Vil



Apesar da dor corrosiva que não ameniza
reencosto minha hérnia de disco na poltrona
e na vitrola um disco de vinil do Hendrix
extrapolando à minha mente insana
que convexa reflete verdades indecentes
que vão de encontro ao conflito alheio
e os tiram dessa zona de conforto inalterada
mas, nos rifes as revoltas verdadeiras
estremecentes da alvorada ao arrebol
permeável às mentes estratosféricas
que perambulam pelos elãs dos poetas
mortos e vivos e ressuscitados
em túmulos lacrados desse meu vil pensamento.


Jonas R. Sanches
Imagem: sirkka

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pouca Fé... Muito Preconceito



Perguntaram-me que sou,
prolongaram se sou cristão,
eu disse não;
minha religião é o coração.

Veio então o preconceito
já não sou homem direito
pois, minha religião
não condiz a fé alheia.

Já cansei de ser julgado
então eu grito em poesia
que vivemos nesses dias
onde a fé é de cada um

mas, se na fé de outro sou nenhum
o fato é a problemática
que condiz com a enfática
que sou como qualquer um;

mas, vai além, não sou nenhum;
então não me venha com esse papo pobre
que no me ver é quase nazista,
não que eu tenha nada contra

mas, coloque-se no seu lugar
pra não entrar na minha lista,
lista simples e justa
onde tu terá lugar do meu nojo.

Sou assim cheio de entojo,
admiro a vida em seus aspectos,
seja de um negro feito escravo,
seja de um branco indigente;

então, por favor abra a sua mente
pois, não sou preconceituoso;
agora, se teu Deus é diferente do meu
e vê cor, raça, voz e crença...

Por favor, em meu louvor;
cresça e abra a sua cabeça
pois, de ignorância e preconceito
já estou farto e o mundo está cheio.


Jonas R. Sanches

sábado, 12 de setembro de 2015

Borboletas de Lava



Metamorfoseando-se em vulcões
nas lágrimas do sangue das rochas
casulos dispersos pelos aspectos
transgredidos pela alucinação do elã
que vem servido em bandejas
com cabeças decepadas e marfim
junto às asas de fogo em transmutação
e as crisálidas agora são diamantes
rebrilhando nos espelhos das estrelas
d’onde roubaram os brilhos fumegantes
para renascerem como pitonisas virgens
e viverem os vinte e cinco dias eternos
em coágulos de suor e sede dos desertos
para morrerem como borboletas de lava.


Jonas R. Sanches
Imagem: Edgard Garrido

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Podridão Exposta



Eu como poeta sensível
não devia regurgitar tristeza
mas, cuspo nessa corrupção
imposta pelo alto escalão
e, ainda assim parece tudo bem
mesmo, quando ninguém tem
dinheiro à altura dos impostos
e a alma alheia é a alma do negócio
e a “globo”  e o “sbt”,gritam às costas do cidadão
mascarando a fome dessa rebelião
de criminosos livres furtando a nação;
e além de tudo, tudo é bem pior
quando colocamos a culpa no menor
que é o fruto da árvore dessa balbúrdia
e assim o pobre em plena luz do dia
em um assalto vai pra outro mundo
enquanto o riso é o rico vagabundo
que inda governa esse pobre país
bem tão debaixo do nosso nariz
que indecente rejeita o perfume
e sorridente engole esse estrume
que é imposto pela podridão
dessa nojeira do alto escalão;
estou de luto pela poesia
que ressaltava a nobre alegoria
mas, desse adiante só a inlucidez
que vangloria essa embriagues
do muito pouco para a lucidez
de um país que se afundou de vez.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

sábado, 5 de setembro de 2015

Eu e os Lobos e os Navajos e os Comanches



Corremos pelas planícies das estrelas,
eu e os lobos e os navajos e os comanches,
cantamos os cânticos alienígenas
de mil anos e dançamos todos os rituais;

foram mostrados a nós as revelações
de um futuro já escasso nos tempos
cataclísmicos de um porvir inóspito
mas, corremos pelas planícies das estrelas.

Uivamos e ecoamos os espelhos profundos
das magias esquecidas que ressuscitamos
nos pactos entre a natureza e as almas límpidas
que reencarnavam em flores multicores;

corremos pelos jardins das cordilheiras,
eu e os lobos e os navajos e os comanches,
colhemos flores alucinógenas pela manhã
e as espargimos junto as gotas do orvalho;

colhemos o orvalho e uivamos a lua,
eu e os lobos e os navajos e os comanches
em um deserto de estrelas antigas e mortas
que reacenderam nos olhares entrecruzados
das águias que sobrepujavam nosso ritual.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Iron Maiden



A Donzela de Ferro ressurgiu
trazendo em suas mãos flamejantes
o lendário livro das almas
e no dedilhado das três guitarras
o cerne nascedouro do metal
que é eterno em seus rifes ímpares
que fazem cantigas aos tímpanos
e as vozes reverberam os tempos
que são eternos como as almas
que habitam os sonhos da Donzela
e reescrevem a música cósmica
que adormece fúnebre em meu espírito.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre os Sons e as Cores Mudas da Guerra



Explico a sensação do olor da cor
que escorre pelas pétalas inertes
e o som do olhar parassintético
é o gosto complexo do entendimento;

tal qual o olor do som do vento
que é música infinita e colorida
pintando a tela de toda a vida
que subitamente torna-se morte;

e o olor agora é a cor da sorte
que se esvaiu co’a primavera
e a cor do som é a flor da guerra
tão necessária à plena paz;

e a paz tem o som do meu silêncio
que canta mudo a impressão d’outrora
e o tempo foi sem perceber as horas
mas, deixou um elã oblíquo à poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Poeta e a Jangada



Meu pensamento foi se embora co’a jangada
que mansamente no riacho navegava
na madrugada co’a fluidez de um coração
a mirar novas paragens estendidas à imensidão.

Vai junto dela o lusco-fusco do alvorecer
bem logo o sol vai despertar
e a passarada em revoada
vai cantarolar com vividez até o entardecer.

E o poeta observando do margeado
deixa a beleza vivificar nova poesia
que surge do elã dessa grande alegria
e morre pelas linhas eternas da vida.

E o poeta amanheceu ser pescador
então lançando a sua tralha
nessa extensão como navalha
rasgou do verbo uma centelha de inspiração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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