terça-feira, 31 de março de 2015

Sons e Silêncios



Ouço um silencioso som brutal
que ecoa no profundo do vazio,
é o som da fala de um animal,
é o som da semente que eclodiu.

Ouço um silencioso som de poesia
que ecoa na intramente do poeta,
é o som da estrofe e da alegoria,
é o som da órbita d’algum planeta.

Ouço o grito mudo do silêncio
sua voz é maviosa e veludínea,
é o som reverberando à inconsciência,
é o som do estribilhar da melodia.

Ouço o grito colorido do entardecer
que ecoa e adentra à noite ribombante,
é o som de um trovão no alvorecer,
é o som de um sorriso dissonante.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Das Coisas Boas do Amor



Como é bom o poema sincero,
aquele poema que fala de amor;
como é bom eu e você no domingo
trocando versos, trocando calor.

Como é bom eu contigo à varanda
contando estrelas, renomeando constelações;
como é bom o teu abraço apertado
amassando minhas costelas, apertando o coração.

Nós dois juntos e nossas carícias,
somos tal qual unha e carne, sem malícias
e, a lua surge no céu do nosso amor
e, a lua prateia nossos sonhos infinitos.

Nós dois adormecendo junto ao sol do arrebol,
somos adolescentes, almas juvenis felizes;
nossos devaneios são poéticos como a alma
que vive e revive todas suas alucinações no verso.

Como é bom poetizar sobre nós,
nós dois no âmago do amor real;
como é bom o poema que escrevo são
pois, é o poema nascedouro do coração.


Jonas R. Sanches

quinta-feira, 26 de março de 2015

Onde Mora a Poesia...



Há uma poesia em cada momento,
no sol a poesia flamejante grita
pela poesia da chuva que precipita
em versos orvalhados junto à terra;

terra molhada e germina a letra-semente
que no caule viçoso vai poetar à lua
que clareia os passos do poeta à noite nua
e nas estrelas metáforas burilam a mente.

Há a poesia no olhar do cão amigo
e no fundo do lago que oculta em segredo
um poema molhado com peixes azuis
e no anzol a minhoca é um poeta de luz;

e a poesia continua em ponta de pena e nanquim
vertendo em rebento o verbo do eterno ninguém
que é o verso transverso que morre no verso
e infinito é o poeta que cirze letras no universo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Van Gogh

Pássaros na Varanda



Alpiste aos pássaros,
adubo às flores,
veneno aos ácaros,
remédio às dores;

pássaros multicores
coloridos como as flores,
invisíveis como os ácaros
os seus cantos maviosos.

Cultivo pássaros livres
iguais aos sonhos matinais,
iguais os versos dos poemas
que cantam como os pássaros.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 25 de março de 2015

Dos Sonhos às Cores aos Encantos dos Versos



Os sonhos e as livres formas
nas formas livres dos sonhos
e há encanto na forma do encanto
e há canto no entoar da forma.

Os montes e os livres campos
nos campos e o versejar das flores
e há pólen no zumbizar do encanto
e a pétalas de toda e qualquer forma.

Os santos e as livres campas
nas formas fúnebres do pranto
e há lágrima a escorrer das dores
e há dores a ensinar o santo.

Os totens e as livres crenças
nas vastas comunhões das tribos
e há sábios cantando suas curas
e há curas no canto do estribilho.

Os versos e as livres rimas
nas formas lindas da poesia
e há verbos conjugando às cores
e há cores pintando a elegia.

No entanto o tilintar do sino
avisa que é hora da oração
e há canto cantado à procissão
e há o vento cantando essa canção.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 24 de março de 2015

A Poesia da Poesia



A poesia que fala da poesia
subdividida, poema, estrofe, verso;
ambiguidade, sintaxe, simetria
entre as linhas complexas, minhas.

A poesia que explica a poesia
inexplicável, inefável, incompreensível;
verbo inconcreto, pensamento irascível
entre as linhas discretas, poéticas.

A poesia que se derrama em poesia
escorrendo às frestas, entre a noite e o dia;
oposição, metáfora, analogia
entre as linhas introspectas, vivas.

A poesia que verseja a poesia
assimétrica, verso livre, rebeldia;
adjetivando substantivos, alegoria
entre as linhas infinitas, utopia.

A poesia escondida dentro da poesia
misteriosa, hermeticamente erudita;
ceticismo, misticismo, radicalismo
entre as linhas soberbas, ideologias.

A poesia fugidia oculta na poesia
escapista, volátil, solúvel, pragmática;
e é a palavra mágica dentro da rima
entre as linhas obtusas, tão minhas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 23 de março de 2015

Dos Pecados ao Sacrossanto



Sinestésicos sentidos de prantos anestésicos
deambulantes às dores nuas harmoniosas
recolhidas em meus cálices profundos e éticos
que despetalam-se no andar profano das rosas.

Abruptas rupturas nos véus mortíferos
que lânguidos descerram terror noturno
e a alma d’uma promessa foi tom promíscuo
nos passos trágicos do peregrino soturno.

Venenos... Doces venenos das valerianas
que acodem o peito sombrio do embriagado
e o grito límpido sucumbe nas rimas
da lágrima do olhar ebúrneo desesperado.

Incensos... Olores de incensos comuns aos turíbulos,
alvadios e doces como o arrebol das máculas
e a tépida luz do ocaso bruxuleante
foi precursora da vida sagrada, amor sacrossanto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Johann Heinrich Füssli

quinta-feira, 19 de março de 2015

Soneto do Jardineiro Sonhador



Vastos são meus devaneios noturnos
enveredando os píncaros e sonhos
mas, os passos leves são soturnos;
diuturnos e os medos são tão estranhos.

Vastos são meus sentimentos por ti
apaixonantes momentos tão nossos
e, na noite nossos eus, sucumbi;
teus encantos são doces, travessos.

Vastos são os nossos devaneios sutis,
somos de sonhos luzentes juvenis
e, nos jardins tu é a rainha açucena

e eu, jardineiro do universo sem fim
regando teus botões de flor menina
para desabrochar no âmago de mim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Beth Ferraz

quarta-feira, 18 de março de 2015

Chuva no Terreiro



Chove mansamente no terreiro,
coágulos de gotas no olhar,
pupilas registram os momentos
e o sol tímido tinge o anuviar

que vagueia vigilante em arrebol;
chove mansamente no terreiro,
pássaros banham-se nos galhos
e há trinares espalhados pelos ares

vespertinos, e na capela o sino
anuncia o prosseguir do andarejo
que se mistura aos trovões no vilarejo
e há orações com o ardor de penitência.

Chove mansamente no terreiro
e na varanda um colibri é alegria
vislumbrando a cor que se esvai do dia,
e a canção a gotejar é melodia

que ricocheteia às paredes do universo
onde há um verso a cantar o infinito,
onde há estrelas e há sonhos nos recônditos
d’alguma alma que caiu na deslembrança.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 17 de março de 2015

Amanhecente



No gorjeado dos pardais
o compasso da natureza
é entoado com destreza,
são encantos matinais.

No revoar d’um beija-flor
há cores entrecruzadas
no afanar da madrugada,
são exuberâncias de primor.

No redobrar do sabiá
um chilreado mavioso,
um garganteado garboso
e o som a furrubiár.

No estribilho um bem-te-vi
a estrilar no amanhecente
o seu aiar de corpo presente,
é o rememoramento do porvir.

Nas entrelinhas um poeta
a reverdecer versificado
em céu azul alaranjado
a despontar na alvorada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de março de 2015

Renascimento Cotidiano



Do leste o astro rei estica os braços
irradiando em toda força a sua luz,
renascimento a cada dia em mim reluz
e o recomeço é a esperança que me conduz.

O dia é novo, a vida é velha e a eternidade
é o caminho onde me alinho, não tenho idade;
tenho a certeza que a alma mora em um sorriso
e no abraço que envolve o laço do paraíso.

Na minha labuta não há lamúrias cotidianas
mas, há o intento de crescimento a cada dia
mas, há a vontade inquebrantável que me guia,
são passos vastos onde a metáfora é alegoria.

Nos meus cadernos há pensamentos e a rotina
que se derrama incessantemente em poesia,
nos meus cadernos eu grafo verbos dourados,
verbos sucintos d’onde o grito é libertado.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

domingo, 15 de março de 2015

Palavras Simbólicas



O som da palavra
fragmentada, ecoando
no diáfano do éter
que é o véu do significado

oculto, nadir e zênite
em paralelos; édens e infernos
em um contexto vetusto
mas, inda há o jovial

que transcende o concreto,
que extrapola o real,
que jorra à flor do irreal;
flores do bem, flores do mal,

flores de plástico, flores no astral;
jardins platônicos, todos iguais
aos olhos daltônicos, e a cor se esvai.
O som da palavra

realizada pela poesia,
despertada à incompreensão
que move a ação simbolista
e a estilística d’algum coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: ex libris oil - Michael Parkes

quinta-feira, 12 de março de 2015

Rastros Noturnos e Poéticos



Riscou o céu como fosse de poesia
mas, era um véu corrompido de estrelas
mas, era um breu da madrugada sertaneja
entre corujas, curiangos e pirilampos.

Cortou o céu como fosse um relâmpago
mas, era o brilho da cadência meteórica
mas, era o lume d’um poeta em retórica
cantando um verso bem além da vastidão.

Subiu ao céu como fosse uma oração
mas, era festa dedicada a São João
mas, era o rastro colorido d’um balão
voando livre em rumo à imensidão.

Caiu do céu como fosse um paraquedas
mas, era a chuva tão ruidosa de verão
mas, eram flores derramadas d’um avião
em homenagem às paragens do coração.

Riscou o céu como fosse um caderno
mas, era um risco escorrido da caneta
mas, era um risco derivado d’um devaneio
que nascedouro foi a vertigem do poeta.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Vislumbre dos Véus da Vida



O dia renascendo e houve procela
na madrugada, rugir de trovoada;
floriu a estrela tão molhada e bela
enquanto a cantilena era entoada.

Vastidão de sonhos velados pluviais
enquanto a aranha vai tecendo sua teia,
é a seara prosaica dos matagais,
é o deleite esperando fragosa  ceia.

O dia renascendo e há outro soneto
que conta sílabas, conta horas nuas
e o caminhante diuturno dessas ruas

carrega histórias, distorce o vento,
carrega os sete véus dos elementos
onde o mistério é a fuga dos tormentos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 11 de março de 2015

Soneto da Ária do Eterno



Enquanto acordo desperta em mim poesia,
no horizonte a luz solar irradia
desorvalhando em tom fulgurante
o meu jardim e a paz do hierofante.

É magistral o nascedouro do dia
e vai além da letra que é cosmogonia,
é o divino espasmódico da criação
vivificando seu eu como sua extensão.

Desabam anjos e o homem floresce
em um soneto d’onde a alma adolesce
e se explana a desaguar no infinito

eterno véu é desvelado no mito
então as vozes em harmonia e clamor
entoam o cântico, a ária do clangor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 10 de março de 2015

Soneto do Vento que Corrói as Ondas do Mar do Tempo



O pensamento do tempo é vetusto
e se emaranha na flor da ampulheta
que trás a areia da luz de um cometa
que cruza o céu rubro do holocausto.

A morte ronda com seu olhar onusto
esfomeada pela alma do planeta
e colhe a vida onde inda é repleta
e a carrega em seu abraço robusto.

O pensamento às vezes moribundo
da prole inerte no cais do submundo
e embarcar em passos n’uma barcaça

p’ra navegar em ondas co’a carcaça
que se desfaz nessa toada do tempo
onde o desgaste é a corrosão do vento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 9 de março de 2015

No Âmago do Devaneio



Na palavra o gosto azul do cálice
que se derrama no âmago do devaneio
e já não é fixo a significância
pois, a realidade transpõe a realidade.

Na palavra a candura que transcende
toda luz e toda treva inatingível
e já não é, é o além do que é tangível
pois, pressupõe o que será e inda não foi.

Na palavra a transgressão do que é talvez
mas, não é mais concreto, é fluidez
a se moldar em pensamento oriundo
pois, já se foi e então voltou do fim do mundo.

Nas palavras cores tem cheiro, o riso é dor;
então o vento rouba o momento d’uma flor
que desabrocha dentro d’alma do trovador
que canta inerte o que converte em seu labor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 7 de março de 2015

Amor Imortal



Chove enquanto a tarde esvai-se
mas, nesse gotejar escorrem versos
pelos meus dedos, compondo o poema
que carregará nosso amor à eternidade;

e mesmo que a chuva não cesse nunca mais,
nosso amor será de céu ensolarado,
com nuances de arrebol cinza-avermelhado
refletindo sob as nuvens nosso olhar entrecruzado.

Mesmo que a vida esvaia-se com a velhice
tu ainda viverás nos meus escritos,
por centenas, por milhares, por infinitos
anos, inda que seja até viver o literato.

Mesmo que o vento carregue nossas cinzas,
viveremos esse amor na poesia
que imortaliza nossos seres, nossa alegria
que vibrante perscrutamos em nossos dias.

Chove muito nessa hora vespertina
mas, nosso amor é sol e lua, é estrelado
que na alma do poema é sentido conservado
pelos tempos, pelas eras, esse é nosso legado.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 6 de março de 2015

Silêncio



Olhei e falei... Gritei!
Ouviram o olhar do meu silêncio...
Leram-me na alegoria do susto,
foi lépido meu esmorecer...

Silêncio! Grito em silêncio
a minha dor sonora
que manifesta o gemido
mas, se esconde dentro do sorriso.

Olhei e calei... Meu grito
ecoou em almas, almas observantes;
por um instante fui Cervantes,
por outro fui surdo-mudo.

Silêncio! Manifestou-se em tudo;
a árvore não farfalhou,
o pássaro não cantou,
a flor não morreu tão só;

mas, no âmago, o reflexo
do entendimento, do intento
de compreensão, daquilo que foi,
daquilo que vai, daquilo que sou.


Jonas R. Sanches
Imagem: mural.pt

segunda-feira, 2 de março de 2015

Baladas de Março



Poema de março que chega
e os passos seguindo a vereda
perenal que carrega a história
da alma de luz merencória

em um candeeiro bruxuleante
que ilumina a treva obstante
e a reverte no verbo do tirocínio
que se explana no meu raciocínio.

Poema de março que apropinqua
junto ao sol da manhã do infinito
que revela o novo e o contínuo,
que resplende e reboa no mito

do poeta erudito de voz arguta
que cantou sobre a guerra e a luta
de humanos e deuses no Olimpo
à luz ziguezagueante de um pirilampo

que resplandeceu em seu voo campeiro
e foi testemunha do eclipse lunar
que reviravolteou as brumas do mar
e outrossim foi a luz da estrela

que brilhou na noite campineira
e cadente mudou-se em cometa
e foi desaguar em fogo azul-silhueta
no caderno poético d’algum trovador.

No poema preambular de março
um alento na vagueação da mente
que dispara em devaneio incomum
como fosse um todo ou fosse nenhum.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 1 de março de 2015

Sobre a Estrela de Cada Um



Cada homem e cada mulher é uma estrela
como disse Aleister Crowley  no Livro da Lei,
então sou de centelha, sou de poeira estelar
caminhando pela senda que leva de volta ao lar;

lar de maravilhas, éden que é foz da evolução
onde Anúbis  mede as faltas, pesa o nosso coração
com a Pena de Maat equilibra com exatidão
entre os erros e pecados, uma justificação.

Sou poeta que vela à luz da iniciação,
com Éliphas, com Blavatsky, Clavículas de Salomão;
sou a mão que se estende com a comiseração,
sou a espada da batalha que luta pela união

dos homens de fé, de toda religião
que se engasgam na muralha do ego, da perdição;
mas, quem sabe um dia desses olhem à imensidão
e então tornem-se a estrela que em verdade são.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Feliz Aniversário Meu Amor



Feliz aniversário meu amor,
Eu te digo de todo coração,
Leia com atenção
Isso que escrevo com dedicação;
Zumbaiando a poesia a você.

Açucena como te amo,
Nada pra mim tem mais valor,
Isso eu digo sobre teu amor,
Verossímil grande amor,
Eterno como a flor
Rara de um ritual de alegria,
Soberana da felicidade
Ária composta pelos anjos
Ricocheteando o alento
Imenso que flui de mim
Onisciente até você.

Meu amor, meu grande amor
Eu sou para ti tudo que sou;
Um poeta amado e apaixonado.

Amo-te de alma, corpo e coração;
Meu amor, meu grande amor,
Oásis do meu existir
Receba este poema que é a ti.


Jonas R. Sanches
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