quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fui...

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Nasci do ventre opaco da sereia
voei no vento insano da razão
dormi no leito estreito das estrelas
morri nas profundezas de um vulcão.

Fui folha revoante dos outonos
fui morte incessante pelas guerras
fui olhares tristonhos e distantes
olhando a desolação da terra.

Fui seca que aflige o sertão
fui rio, regato, fui inundação
fui a flecha certeira do cupido
que flagelou de gelo o coração.

Fui Hórus, fui Anúbis, fui Apolo
fui anjo e arcanjo na contramão
fui a maçã que geme seus pecados
fui a misericórdia falsa da oração.

Fui leite, fui veneno, fui o vinho
que embriagou de papas até reis
fui monstro, fui herói, fui passarinho
depois fui uma nota de mil réis.

Fui letra analfabeta do mendigo
fui cântico na voz de Salomão
fui tudo que quis ser, mas hoje em dia
sou poesia que ecoa à imensidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

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