terça-feira, 21 de abril de 2015

Fingidor

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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa




O poeta finge que dorme
Para poder adentrar o onírico,
Vislumbres do irreal, seu elã,
Então é o verso apoteótico são.


O poeta finge o alienigenismo
E percorre galáxias e seus confins,
Supernovas explodem em versos;
Ser sideral renasce em poeticidade.


O poeta finge sua morte
Para adentrar o Tártaro,
Versejar à barca de Caronte;
O inferno é rima à inspiração.


O poeta finge ser Deus
Para gritar versos no Olimpo,
Zeus e Netuno calados ouvindo;
A canção do Cósmico é incessante.


O poeta finge o âmago da poesia,
Rouba o arrebol a si mesmo, egoisticamente;
A lua é sua cúmplice, e as estrelas
Esperam martirizarem-se ao último sol.


Jonas R. Sanches

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