quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Soneto da Transitoriedade do Tempo e da Poesia



Vivo a transitoriedade do tempo
que escorre alhures pela ampulheta
que divaga algures no meu planeta
espalhando o todo em um só momento.

Vivo a exatidão metamorfoseada
borboleta alquímica kafkiana
em voo rasante em superfície plana
em busca da flor desorvalhada.

Vivências e morrências paradoxais
ontologicamente ultrarracionais,
elãs vagos vagando pela mente

poeticamente, consequentemente;
mas inda resta a alma sã do soneto
composto na linhagem de um poemeto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Por Detrás da Morte o Segredo da Vida...



Por detrás das plúmbeas nuvens
que escureciam inda mais a noite
eu sei que ainda haviam estrelas
e anjos bailando com demônios

e o beijo da morte na face da lua
secou o céu de negro firmamento
e o poeta desaguou em rebento
cobrindo o rosto com o chão de chuva

para beber do cálice do vento
que fustigava o moinho do tempo
que era incessante ante o infinito
que ecoava num estridente grito

as mil palavras velhas proibidas
que ocultavam o elixir da vida
e escreviam a luz de toda sorte
que desespera e livra-nos da morte.

Por detrás da estrofe o poeta em guarida...
Por detrás da noite o segredo da estrela...
Por detrás do verso o segredo da lida...
Por detrás da morte o segredo da vida...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Cristo Renascido nos Corações



Cristo renasce nos corações
que são tais quais manjedouras
que o recebe com gratidão
e a luz vindoura é regozijo;
e então novamente é Natal
e a poesia é sobre a Paz
que almejo e desejo ao mundo
que necessita de amor e união;
e Cristo renasce nos corações
que são recipientes divinos
de vida, de alegria e retidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Mezcal



Ácido bórico e palavras
pelas esquinas das baratas
voadoras & escorpiões
em garrafas de Mezcal
nos desertos de Sonora
com cartéis alucinógenos
e Carlos Castañeda
com sua datura stramoniun
e sangue pelas sarjetas
sujas e úmidas de verão
com sóis negros e liquidos
onde o poeta debruçou o olhar
e navegou pelos rios secos
em barcos de papel e imaginação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Jon Estrada

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Absinto



Dois dedos em um copo de cristal
dois copos na avenida sideral
eu e Bukowski num papo reto
sobre lápides de mármore frio
entre goles do sangue da fada verde
e cabeças rolaram na ladeira
entre automóveis e poluição
mental, subconscientes sórdidos
encravados na poesia antiga
e nas ressacas lúgubres do amanhã
que passou sem deixar vestígios
e falamos sobre o Pessoa;
e falamos sobre Castro Alves;
e falamos sobre deuses impiedosos
que decapitavam demônios e homens
com foices flamejantes e asco
mas, deixe a garrafa na mesa
pois, poetaremos até o infinito.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Whisky




Dois copos de whisky e a noite,
eu e Augusto dos Anjos no botequim
contando miríades de estrelas
incrustadas e aprisionadas
em cubos de gelo dentro dos copos
onde bebericam almas poéticas
contempladoras das inusitadas verdades
que se derramam, mas não são percebidas
aos olhos cegos que veem matéria
e não enxergam que a única realidade
é a de que a morte espreita em cada esquina
somente esperando um deslize
para arrebatar as almas para dentro de uma poesia.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google


Vodka


Vodka

Vodka em copos de marfim
numa mesa com Rimbaud e Baudelaire
cantando sepultamentos antigos
dos poemas fúnebres de Poe
em uma noite sem sol nem estrelas
e corvos pululantes no meio fio
de sonhos cadavéricos antigos
em cemitérios ritualísticos e um café
para manter as pálpebras acesas
junto aos faróis coloridos assustadores
d’alguma nave alienígena sideral
que carregava salmos apócrifos do além
do tempo em que o conhecimento inda era real.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 6 de dezembro de 2015

Nós



Meu olhar tão distante no infinito
contempla-nos tão velhinhos
caminhando pelos vãos dos trilhos
mas, não é somente isso
pois, a cada passo ficam nossos resquícios
e também, todas as flores florindo
pelas beiradas do nosso caminho...
Meu olhar tão distante no infinito
contempla-nos sorrindo;
relembrando todos os percalços
superados dentro da nossa senda
mas, não é somente isso
pois, a cada dia de mãos entrelaçadas
nossas almas se completam
e regozijam-se quando olham o que ficou.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Livro Perdido... Inocência Banida...



Meus solilóquios tão profundos
indagantes, intrigantes, inacessíveis;
e os dias passam como as poesias
que são inerentes aos meus anseios

ao dia e a noite eterna de Noús
com seus paradigmas da criação,
com seus paradoxos da sabedoria
que percorrem micros e macrocosmos

pelas páginas daquele livro de magia
lido e escrito por Trismegisto,
herdado e recopilado por Cagliostro,
relido e modificado por Abramelin,

perdido e reencontrado por Apolônio,
roubado e extraviado pelo Demônio
que roubou a inocência à iniquidade
e deixou a humanidade nua dessa verdade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Fragmento do Corpus Hermeticum

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Coruja e o Poeta



A coruja e o poeta anoiteceram sorrateiros
seus olhos misturaram-se às estrelas
o piado e o versejado entrelaçaram-se
então a noite fez-se um poético canto
que ecoou pela varanda brusca do universo
que rebateu no infinito aqueles versos
que reverberavam no infinito do longínquo
e retornavam refinados aos meus tímpanos...
A coruja e o poeta anoiteceram sorrateiros
suas asas sobrevoaram céus e sonhos
o poema e o piado foram ao vento lançados
então a noite fez-se um lúgubre encanto
que enfeitiçou a floresta dos pássaros noturnos
que revoaram e carregaram o ritmo cadente
que ressoava a música umbrálica do tempo
e retornava para adormecer na ampulheta.


Jonas R. Sanches
Imagem: Krachtdier Sjamanisme

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Semente de Gente



Bradou-se o grito
ecoou no infinito
morreu o mito
sorriu o mico
eu não acredito
no dia do fico
no ano do acrônico
minha fé é o sônico
por eu estar atônito
bebendo meu tônico
nos dias afásicos
dos gritos melódicos
dos poemas módicos
das poesias psiquiátricas
das prosas vaidosas
das trovas às rosas
dos versos transversos
dos meus eus inversos
dos meus paradoxos
tão quão analógicos
mas falta-me lógica
na apologética
na força cinética
na voz astronáutica
na vela da náutica
mas eu me recolho
contando aos piolhos
visíveis aos olhos
todos meus abrolhos
e à data presente
ficou o somente
daquela semente
plantada na mente
de toda minha gente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quando o Poema Acontece o Poeta Transparece



O poeta amanhece
e o dia anoitece
e a noite arrefece
e o verso acontece
e a estrela resplandece
mas não é o que parece
é o poema na prece
do olhar que entristece
do abraço que aquece
da dor que fortalece
da alma que perece
mas o espírito enobrece
na poesia que insurrece
no grito que ensurdece
no eco que emudece
no cântico que prevalece
e então o poeta adormece.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Em Busca Daquela Flor Eterna



À flor que sobreviveu ao outono
fiz uma poesia dos dias resilientes
mas, percorri caules e sendas
até poder em uma estrela adormecer.

Quando despertei já era primavera
e nas pétalas da açucena recolhi-me ao frio
então, nasceu o grande amor d’uma vida
que permaneceu até minh’alma partir.

Parti para um céu paradisíaco
mas, no caminho houve purgatórios
que dilaceraram no âmago da carne
e desmembraram-me mil vezes.

Mas, no caminho houve umbrais
que purgaram o veneno do espírito
que cambaleante insistiu em retornar
para novamente adormecer no veludo da açucena.

Mas, no caminho houve infernos
que congelaram até a lágrima salgada
que escorreu pela beirada daquela página
onde os demônios libertaram o amanhã.

Renasci naquele jardim entre flores
e a que amei estava entre outras
mas, reconheci-a pelo olhar velutíneo
então entrecruzamos nossos seres eternamente.


Jonas R. Sanches

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Cheguei Antes do Luar



Cheguei antes do luar
trazendo minha poesia
transbordando luz e dia
nas veredas do amanhã;

trouxe chuva ao deserto
sem saber se era certo
mas no pensamento incerto
semeei mais um jardim;

nem me lembro se era agosto
se era Terra ou era Marte
mas que sei era consorte
pendurado no estandarte;

cheguei antes das estrelas
carregando minha bandeira
transponíveis horizontes
bem longe dos holofotes;

trouxe vento ao moinho
friorento o meu verão
espalhei sem mais sementes
numa tela de ilusão;

nem me lembro se brotaram
se eram flores ou eram pássaros
mas sei que germinou vida
pra morrer em outro espaço;

cheguei antes do luar
cheguei antes das estrelas
vim na estrada sideral
carregando mil bandeiras.


Jonas R. Sanches
Imagem: Suzana Dolce

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Brindando um Drink no Inferno com Quentin Tarantino e seus Capangas em um Tempo de Violência



Quentin Tarantino sentou-se comigo
à sua companhia dois demônios
e um anjo caído desfalecido
então chegaram Os Oito Odiados
e foram jogar com os irmãos Gecko
em um cassino escondido no Grande Hotel
bebendo Um Drink no Inferno
mas, era Tempo de Violência em Sin City
e Kill Bill caçava alvoroçadamente
a alma insana daqueles Bastardos Inglórios
ou talvez apenas um Django Livre
mas, era meia-noite e uma noite assassina
Cães de Aluguel farejavam pelos becos
Jackie Brown dançando À Prova da Morte
mas, todos chegamos bem  ao amanhecer
pois, éramos Assassinos por Natureza.


Jonas R. Sanches
Imagem: Quentin Tarantino

Fui...



Nasci do ventre opaco da sereia
voei no vento insano da razão
dormi no leito estreito das estrelas
morri nas profundezas de um vulcão.

Fui folha revoante dos outonos
fui morte incessante pelas guerras
fui olhares tristonhos e distantes
olhando a desolação da terra.

Fui seca que aflige o sertão
fui rio, regato, fui inundação
fui a flecha certeira do cupido
que flagelou de gelo o coração.

Fui Hórus, fui Anúbis, fui Apolo
fui anjo e arcanjo na contramão
fui a maçã que geme seus pecados
fui a misericórdia falsa da oração.

Fui leite, fui veneno, fui o vinho
que embriagou de papas até reis
fui monstro, fui herói, fui passarinho
depois fui uma nota de mil réis.

Fui letra analfabeta do mendigo
fui cântico na voz de Salomão
fui tudo que quis ser, mas hoje em dia
sou poesia que ecoa à imensidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Navios de Nuvens



Navios piratas sobrevoaram nuvens
tão plúmbeas que foi viável navegá-las
de lábaro ostentante em alto mastro
e mil gaivotas em asas fulgurantes.

Navios de nuvens piratas de algodão
tão raras e lancinantes como o sol
que oculto reverbera ante a chuva
que molha e remolha o arrebol.

Navios de sonhos lúcidos das poesias
navegantes entre as letras d’um coração
que lavra e deságua na semente
que brota e em terra fértil desse chão.

Navios fantasmas e sonhos voadores
semblante anônimo a desanuviar
à foz da luz trovão relampejante
a ressoar no âmago do mar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Ruddi Saad

domingo, 1 de novembro de 2015

Idade que Chega



A idade vai chegando
o poeta envelhecendo
sua barba esbranquiçando
e experiência adquirindo.

A idade vai chegando
o poeta escrevendo
seus escritos lapidando
e livros colecionando.

A idade vai chegando
o poeta caminhando
sua história vai deixando
escrita pelo universo.

A idade vai chegando
o poeta versejando
seus poemas ilustrando
a jornada dessa senda.

A idade vai chegando
o poeta envelhecendo
sua barba esbranquiçando
e experiência adquirindo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Nas Tuas Páginas



Nas tuas páginas
sentimentos transbordando,
leões sutis alados,
corações aprisionados...

Nas tuas páginas
sanguinários inocentes,
criminosos indecentes,
homens revolucionários...

Nas tuas páginas
cinderelas amiúdes,
faraós em ataúdes,
deuses virgens decepados...

Nas tuas páginas
assassínios condecorados,
reis insanos alterados,
santos recorrendo às lágrimas...

Nas tuas páginas
o real e a fantasia,
ficção e alegoria,
metáfora e paradoxo...

Nas tuas páginas
o fútil e o conhecimento,
regozijar e sofrimento,
inferno, céu e sentimento...

Nas tuas páginas
sangram céus e arrebóis,
choram luas e sorriem sóis,
cadentes estrelas e mil cometas...

Nas tuas páginas
dou um mergulho no escafandro
e no oceano vou navegando
em busca da nova inspiração.

Nas tuas páginas
o meu elã é a sangria
que se derrama noite e dia
e renasce como poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sanguessugas Catatônicas



Bigodes desalinhados e anzóis
pescando no rastro das estrelas
fugidias aos olhares alienados
e as televisões andam de cócoras
em uma avenida imaginária do além
onde sóis poentes e subsequentes
coagulam em suores tórridos
de testas em campos férteis de concentração
desconcentrando o homem da biblioteca
que aponta lápis e corrói os tímpanos
de um grito sônico de silêncio
ecoando pelos corredores vazios da catedral
de areia que se desfaz como a fé
quando chegam as dores do temporal.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Olga Bater

Blues Caótico Paradoxal



Meu blues caótico paradoxal
em cadência de escalas múltiplas
entre uivos de cães das ruas
e discos de Stevie Ray Vaughan
nas ladeiras intermináveis dos cometas
sobressalentes como os rifes de Buddy Guy
em pubs esotéricos com Muddy Waters
bebendo whisky Jack Daniels e cigarros
insaciáveis e mentolados e saxofones
adentrando como os timbres de Stan Getz
que da Filadélfia veio duetar com  Tom Jobim
em algum bar ou botequim da Rua Augusta
pena que eles esqueceram-se de mim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Manhã Transcendental



Derramaram-se do céu gotas cristalinas
de uma chuva mansa e sutil
que entrelaçava-se aos raios solares
tão tímidos surgindo detrás das nuvens;

o poeta empoleirou-se junto aos pássaros
e cantaram seus versos àquela manhã
enquanto flores desabrochavam e ouviam
emocionadas em seu jardim de encantos.

Derramaram-se letras como aquela chuva
e na emoção do pranto tornou-se temporal
e na comoção do tempo o alento atemporal
daquela cena como um emblema transcendental;

daquela verve de algum poema universal
que sob encanto calou-se o pranto da natureza
e contemplou a alma translúcida que com destreza
se desprendeu de tudo e nesse mundo se dissolveu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lembranças das Sequelas Esquecidas nas Sarjetas Silenciosas de uma Rua Muda e sem Calçada



Sequelas distorcidas adormecidas
nos vãos das sarjetas silenciosas
daquelas ruas rachadas pelo tempo
e das calçadas sem pegadas novas
somente a dor de antigamente
grafada nos pesadelos da noite
que escorreram na enxurrada
que foi deixada pelo temporal
naqueles tempos antes d’eu nascer
mas, inda era tempo de boa poesia
dos velhos imortais poetas mortos
e, eu do ventre rememorava
tudo aquilo que eu pariria das letras
e deixaria escrito bem antes d’eu nascer
para algum leitor da posteridade
com óculos de fundo de garrafa ler
e se assustar com tudo aquilo
que inda não foi, mas, nem será;
foi alucinação, contração e ficção
do meu quase prematuro pensamento
que sobreviveu a mais uma poesia
e adormeceu naquela mesma sarjeta
cheia de sequelas sujas e silêncio.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Poema X



Borboletas catatônicas
em crisálidas inofensivas
sorvendo o pólen virgem
das papoulas alienígenas
em noites de mil mariposas
com cantigas infinitas
e, lamparinas e lampiões
das pradarias e dos sertões
dessa seca inóspita do além
onde alguém tornou-se ninguém
mas, deixou grafado no quartzito
histórias dos deuses tornados mitos
e d’algum disco voador
que sobrevoou línguas extintas
e, deixou marcas indecifráveis
nos vãos incorruptíveis do tempo.


Jonas R. Sanches
Imagem: The X Files

Catálogo de Discos Antigos de Vinil nas Trincheiras de um Beco da Zona Sul



Sons catalogados na mente
das estrelas cadentes
carregadoras de pedidos inválidos
nos refrãos de Syd Barrett
em um vinil antigo empoeirado
entre as lacunas de um poema sórdido
que desmembra cadáveres
na rua escura de um funeral
que sorri às flores (SIDERAIS)
e pranteia lúgubres lágrimas
em rios caudalosos de sangue
e fogos-fátuos procrastinados
em lâminas ebúrneas de um livro
de dois gumes... De cem páginas
amareladas pelo tempo que foi
distante de um passado lívido
mas, ficou ainda na vitrola a faixa
final daquele vinil que não ouvi.


Jonas R. Sanches
Imagem: Sara Roizen

domingo, 11 de outubro de 2015

Poesia de Domingo de Manhã



O sol ainda nem nasceu
mas, o poeta despertou versos
inda sonolentos e bocejantes
aguardando o primeiro trinar
de um pássaro de penas de fogo
de timbres flamejantes
como os de Nina Simone.

O sol bocejou no horizonte
e, agora nascem as primeiras cores
iluminando o rumo leste
mas, o poeta colheu orvalho
e deu de beber ao primeiro pássaro
que gorjeou estridentemente
como o canto de Janis Joplin.

Agora já são as primeiras luzes
redecorando as flores do jardim
que desorvalham violentamente
ao toque do olhar do basilisco
mas, o poeta é o maestro observador
e os pássaros agora são algazarra
como o maracatu de Chico Science.

A orquestra está passando pela rua central
e os moleques descalços festejam o domingo
ziguezagueando como pássaros metódicos
singrando o céu azul  pintalgado de nuvens
mas, o poeta se recolhe ao leito... De estrelas
guardadas em seu ataúde no canto do quarto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Céu Carmim



Foi céu carmim no limiar da madrugada
e o sol no céu beijou a nuvem do horizonte
e despontou com o mesmo teor de ontem
com sua luz a crepitar tão fulgurante.

Foi céu carmim no amanhecer da passarada
e o bem-te-vi gritou em voz estridulante
o canarinho saiu do ninho e foi avante
junto ao sabiá numa sonata revigorante.

Foi céu carmim no recostar do meu jardim
e o beija-flor foi multicor no coração
beijou a rosa, beijou o cravo dessa estação
e revoou levando amor e uma canção.

Foi céu carmim no rebrotar da inspiração
e a poesia nasceu com o dia como oração
e o poeta foi o asceta, foi comoção
deitando às linhas as maravilhas da sensação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 3 de outubro de 2015

O Poeta e a Cigarra Dividindo o Crepúsculo



O poeta recostou-se ao portão
era crepúsculo, mas não era
pois, realmente sua visão tapou-se

entrecruzada as casas do horizonte;
ele pensou em um céu fantástico
imbuído pelo canto das cigarras

que alternavam entre suas notas
o valor das cores ocultadas, enfim;
o poeta mergulhou nos sons

que enlevaram sua alma ao além,
além de tudo, foi além do que é além
e mergulhou nas cores incolores daquele canto

de um inseto que foi objeto do pranto

da emoção de contemplar a natureza...


Jonas R. Sanches
Imagem: Wikipédia

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Poesia Redespertada



A poesia que por dias adormeceu,
iridesceu, despertou extravagante,
osculou o sol na calmaria da manhã,
cantou com o pássaro de penas cintilantes.

O poeta que por dias refletiu,
voltou à luz, esclareceu a inspiração,
escorreu límpido na tinta da caneta
e retumbou as letras do seu coração.

Poeta vasto e poesia alegoria
e sua metáfora é transubstanciação,
o seu olhar é um vislumbre de alegria
que pinta em tela a aquarela da ilusão.

Poeta cauto e poesia adjacente
e o paradoxo é o profundo da mente,
o seu elã é a flor, é a cor, é o momento,
o seu amor é a açucena ao relento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Novas Sequelas de Primavera



Pétalas insurgentes cálidas
de rubros tons inválidos
em jardins nascedouros sãos
onde a sequela é de primavera.

Revejo todos os tons ao sol
que escaldante ilumina a terra
e já me esqueço da dor da guerra
e revoo junto aos beija-flores.

Caules verdejantes ríspidos
em espinhos cravejados na rosa
e é hora de festa na natureza
onde a sequela é de primavera.

Dálias, orquídeas, lisiantos,
miosótis, papoulas, quaresmeiras,
malmequeres, trevos, begônias,
benjoins enfeitando meu jardim.

Tantas flores, tantas cores,
tantas impressões na cor,
mas na açucena que é serena
é onde repousa o meu amor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Poeta Vil



Apesar da dor corrosiva que não ameniza
reencosto minha hérnia de disco na poltrona
e na vitrola um disco de vinil do Hendrix
extrapolando à minha mente insana
que convexa reflete verdades indecentes
que vão de encontro ao conflito alheio
e os tiram dessa zona de conforto inalterada
mas, nos rifes as revoltas verdadeiras
estremecentes da alvorada ao arrebol
permeável às mentes estratosféricas
que perambulam pelos elãs dos poetas
mortos e vivos e ressuscitados
em túmulos lacrados desse meu vil pensamento.


Jonas R. Sanches
Imagem: sirkka

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pouca Fé... Muito Preconceito



Perguntaram-me que sou,
prolongaram se sou cristão,
eu disse não;
minha religião é o coração.

Veio então o preconceito
já não sou homem direito
pois, minha religião
não condiz a fé alheia.

Já cansei de ser julgado
então eu grito em poesia
que vivemos nesses dias
onde a fé é de cada um

mas, se na fé de outro sou nenhum
o fato é a problemática
que condiz com a enfática
que sou como qualquer um;

mas, vai além, não sou nenhum;
então não me venha com esse papo pobre
que no me ver é quase nazista,
não que eu tenha nada contra

mas, coloque-se no seu lugar
pra não entrar na minha lista,
lista simples e justa
onde tu terá lugar do meu nojo.

Sou assim cheio de entojo,
admiro a vida em seus aspectos,
seja de um negro feito escravo,
seja de um branco indigente;

então, por favor abra a sua mente
pois, não sou preconceituoso;
agora, se teu Deus é diferente do meu
e vê cor, raça, voz e crença...

Por favor, em meu louvor;
cresça e abra a sua cabeça
pois, de ignorância e preconceito
já estou farto e o mundo está cheio.


Jonas R. Sanches

sábado, 12 de setembro de 2015

Borboletas de Lava



Metamorfoseando-se em vulcões
nas lágrimas do sangue das rochas
casulos dispersos pelos aspectos
transgredidos pela alucinação do elã
que vem servido em bandejas
com cabeças decepadas e marfim
junto às asas de fogo em transmutação
e as crisálidas agora são diamantes
rebrilhando nos espelhos das estrelas
d’onde roubaram os brilhos fumegantes
para renascerem como pitonisas virgens
e viverem os vinte e cinco dias eternos
em coágulos de suor e sede dos desertos
para morrerem como borboletas de lava.


Jonas R. Sanches
Imagem: Edgard Garrido

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Podridão Exposta



Eu como poeta sensível
não devia regurgitar tristeza
mas, cuspo nessa corrupção
imposta pelo alto escalão
e, ainda assim parece tudo bem
mesmo, quando ninguém tem
dinheiro à altura dos impostos
e a alma alheia é a alma do negócio
e a “globo”  e o “sbt”,gritam às costas do cidadão
mascarando a fome dessa rebelião
de criminosos livres furtando a nação;
e além de tudo, tudo é bem pior
quando colocamos a culpa no menor
que é o fruto da árvore dessa balbúrdia
e assim o pobre em plena luz do dia
em um assalto vai pra outro mundo
enquanto o riso é o rico vagabundo
que inda governa esse pobre país
bem tão debaixo do nosso nariz
que indecente rejeita o perfume
e sorridente engole esse estrume
que é imposto pela podridão
dessa nojeira do alto escalão;
estou de luto pela poesia
que ressaltava a nobre alegoria
mas, desse adiante só a inlucidez
que vangloria essa embriagues
do muito pouco para a lucidez
de um país que se afundou de vez.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

sábado, 5 de setembro de 2015

Eu e os Lobos e os Navajos e os Comanches



Corremos pelas planícies das estrelas,
eu e os lobos e os navajos e os comanches,
cantamos os cânticos alienígenas
de mil anos e dançamos todos os rituais;

foram mostrados a nós as revelações
de um futuro já escasso nos tempos
cataclísmicos de um porvir inóspito
mas, corremos pelas planícies das estrelas.

Uivamos e ecoamos os espelhos profundos
das magias esquecidas que ressuscitamos
nos pactos entre a natureza e as almas límpidas
que reencarnavam em flores multicores;

corremos pelos jardins das cordilheiras,
eu e os lobos e os navajos e os comanches,
colhemos flores alucinógenas pela manhã
e as espargimos junto as gotas do orvalho;

colhemos o orvalho e uivamos a lua,
eu e os lobos e os navajos e os comanches
em um deserto de estrelas antigas e mortas
que reacenderam nos olhares entrecruzados
das águias que sobrepujavam nosso ritual.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Iron Maiden



A Donzela de Ferro ressurgiu
trazendo em suas mãos flamejantes
o lendário livro das almas
e no dedilhado das três guitarras
o cerne nascedouro do metal
que é eterno em seus rifes ímpares
que fazem cantigas aos tímpanos
e as vozes reverberam os tempos
que são eternos como as almas
que habitam os sonhos da Donzela
e reescrevem a música cósmica
que adormece fúnebre em meu espírito.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre os Sons e as Cores Mudas da Guerra



Explico a sensação do olor da cor
que escorre pelas pétalas inertes
e o som do olhar parassintético
é o gosto complexo do entendimento;

tal qual o olor do som do vento
que é música infinita e colorida
pintando a tela de toda a vida
que subitamente torna-se morte;

e o olor agora é a cor da sorte
que se esvaiu co’a primavera
e a cor do som é a flor da guerra
tão necessária à plena paz;

e a paz tem o som do meu silêncio
que canta mudo a impressão d’outrora
e o tempo foi sem perceber as horas
mas, deixou um elã oblíquo à poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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