domingo, 31 de agosto de 2014

Soneto Para Espantar Marasmo



Vou de poesia para espantar marasmo
e na fantasia criar meus fantasmas,
viajar no verso com entusiasmo,
voar borboletas com as asas pasmas.

Vou de poesia pegar o trem das sete
e seguir os trilhos da imaginação,
fica na estação apenas um bilhete
com algum verbete em forma de oração.

Vou de poesia em forma de soneto
seguir pela vida a via do esqueleto,
o fim dessa lida e o final do beco;

seguir em poesia até o fim de tudo
pela via que leva em um rio já seco,
o final do mundo em um grito mudo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Alex Uchôa

Pelos Caminhos das Letras



Vou por florestas e bucolismos
carregando o Arcadismo de Pã
em um alforje transbordando letras
douradas de um tempo dos Deuses.

Vou por caminhos transversais
carregando o Realismo de Quental
em algibeiras transbordando críticas
sobre um mundo prestes a se partir.

Vou por adornos e rebuscamentos
carregando poesias de Gângora y Argote
em cadinhos burilados de prata
por mãos de artistas do Barroco.

Vou por caminhos doces da paixão
carregando o Romantismo de Garrett
em ramalhetes de rosas para você,
para enternecer nossos carinhos matinais.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 30 de agosto de 2014

Pensamentos que Trazem-me Você



Pego-me pensando em você,
pensamentos distantes de amor
mas, tão perto em meus sentidos
que traze-te aos meus braços.

Nas últimas cores do crepúsculo
todos os dias revolta a saudade
que reviravolteia minha mente
mas, minha lucidez vê-te linda

nas recordações dos nossos abraços
que traz-me à tona seu perfume
guardado na blusa do seu pijama
na gaveta do meu guarda-roupas.


Jonas R. Sanches

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mindim do Sol e a Lua



Vai sol
Refaz
Reluz

Vem lua
Sorrir
Nua

Solar
O olhar
Ao mar

Lunar
O amor
E a cor

Vai céu
Azul
Lilás

Vai luz
Transluz
A flor

Vai flor
Olor
Fatal

Vai bem
Desfaz
O mal

Vai mal
Se vá
Pra lá

Deixa
A mente
Pensar

Deixa
A mente
Luzir

Deixa
Brotar
O mindim


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Psicodelias Poéticas Intrépidas



Psicodelias incabíveis viravolteiam
em um caos viril rocambolesco
de cores diáfanas e paradoxos
entrelaçando-se ao momento pitoresco;

que é momento de pura translucidez
imensurável como a minha embriaguez,
incognoscível como o devaneio ausente,
inexplicável como o amor afável da gente.

Psicodelias inexoráveis redemoinham
em um movimento perfeito de criação
durante o tempo de anos incalculáveis
em terra estrangeira de imaginação;

que é repleta de mitos transcritos à mão
irredutíveis como o singelo da sensação,
inverossímeis como as cavernas de Platão,
intrépidos como os laços da nossa paixão.

Psicodelias prognosticadas pelo poeta
que murmura sobre a flor da iluminação
que cega os olhos e liberta o coração
dos grilhões colossais dos seus auspícios;

que são sucintamente a voz da revelação,
intumescível do crível e à transmutação,
indubitavelmente voando com os pés no chão,
harmoniosamente regendo a minha canção.

Jonas R. Sanches
Imagem: Alex Grey

Soneto dos Pensamentos Oriundos de um Asceta



A vida endurecida em sofrimento
inspirou-me a compor esse soneto,
desviou-me das pedras do meu caminho
presenteou-me com teu doce carinho.

A água segue contornando seus obstáculos
e eu vou guardando letras em tabernáculos
pra quem sabe um dia compor minhas poesias
que derramam seus verbos e alegorias.

Segue o soneto... Também segue a vida,
seguem as vias silenciosas do poeta
que adormece com a sua voz polida;

que amanhece a própria luz a despontar
em pensamentos oriundos de asceta
que segue sua lida somente a poetar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Seth

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Poema-Profético-Apocalíptico



Eu vi leões nas cordilheiras dos meus sonhos,
eram leões de ouro e fogo e mil rugidos
que estremeciam até as almas distantes,
que se enveredavam pelas encostas do Megido.

Eu vi arcanjos no firmamento dos meus sonhos,
anjos armados com suas espadas e trombetas
que ressoavam nos quatro cantos do planeta,
que anunciavam tempo de sangue e de dor.

Eu vi demônios em bacanais fazendo amor,
eram suplícios, milhões de vícios, escravidão,
que devastavam seres impuros de coração,
que anunciavam o tempo do Apocalipse.

Eu vi uma fenda que abriu-se no céu,
dela surgiram cavaleiros vestindo a morte
de suas espadas saiam imensas labaredas,
 portavam nas mãos as chaves das novas veredas.

Eu vi um homem que surgiu em vestes de luz,
na sua barba fulgiam signos cabalísticos,
nas suas mãos um cetro e uma foice de ouro
a separar seletamente o trigo do joio.

Eu vi no tempo o final dos tempos acontecer
e houve trevas, e houve guerra no anoitecer,
e eu ouvi gritos, vozes de suplícios a perecer
antes do tempo da boa nova alvorecer.


Jonas R. Sanches
Imagem: Dustin Panzino

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Versos Periódicos



Periodicamente os versos
no tempo de cada pensamento,
cada pensamento ao seu tempo;
tempo de versos atemporais.

Instintivamente os versos
e de repente nasce a poesia,
cada poesia nasce ao seu tempo;
tempo (di)versificar o tempo.

Geologicamente os versos
nascidos em eras mesozoicas,
poeticamente paleozoico;
e, vestígios de letras cambrianas.

Geralmente minha poesia é amanhecida,
vem junto ao sol que vem fotossintetizar
as pétalas dos sentimentos mais sutis
que guardo dentro das flores do meu jardim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Devaneio Filosófico de Amor



Como é bom Amar Alguém, de verdade, com o âmago da alma e com as fibras da carne, e; reciprocamente ser amado, na mesma medida, como houvéssemos nascido um para o outro... Então eu penso, reflito, e faço perguntas, não quero respostas, quero intensamente sentir todas as sensações possíveis e tentar transformá-las em uma prosa ou em uma poesia, poesia pitoresca que chega perto de ser singela, singelezas e maravilhamentos reviravolteando dentro às entranhas, sensações que fincam navalhas na carne; mas, reconversando o que foi dito e reescrito, desde o amor real nasceu o veredicto, foi do amor candura que nasceram os mitos, mitos de Eros, Anteros, mitos quase já esquecidos... Como é bom Amar Alguém... Ah, como é bom; quando esse Amor desperta em nós a vontade em verdade que é a luz da força motriz.


Jonas R. Sanches
Imagem: Shanti Prema

Em Busca das Perguntas



Gostaria eu de saber
fazer a pergunta exata
mas, inda não há nada;

elaborações inexatas
e, não há verdade
nas respostas dadas;
quero impreterivelmente

aprender a perguntar
e pensar pra responder
o que inda não pode ser
esclarecido à mente
hipoteticamente

pensamento, esdruxulamente;
quânticos pesares
e a estrela ainda nem nasceu

mas, inda busco as perguntas
pois sei que todas juntas
o mundo podem mover
pois, as respostam estão inertes

e a verve é aprender
a se manter, querer saber;
querer conhecer
e, aprender que tudo isso
vai além do meu juízo

pois, a pergunta que eu preciso
terei quando padecer;
e, todo tempo é aprender

que mesmo o que eu não sei
vai passando junto ao tempo
e, a pergunta do contento
causa o maravilhamento.

Eu vou seguir a sina
em busca das perguntas
pois, as curiosidades
movem os sonhos;
e, não as respostas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Meu Cavalo Meteoro



Fui cavalgar entre as estrelas
em meu cavalo meteoro,
galopes rápidos e mil planetas
em vias limpas sem semáforos.

Fui cavalgando universos
em minha sela de ilusão,
eu fui no ritmo dos versos
que trotavam no coração.

Fui cavalgando poesias
por sendas de noites e dias,
fui entre luas e cometas
espalhando minha alegria.

Fui cavalgando alienígena
por trilhas bruscas do espaço,
meu puro sangue é indígena
com asas de estardalhaço.

Fui cavalgar entre as estrelas
com rédeas livres e alvoroço,
não me espere com as panelas
pois vou chegar depois do almoço.


Jonas R. Sanches
Imagem: Nebulosa Cabeça de Cavalo

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Palavras Amanhecidas



Amanhece o dia e eu sei
que ainda há a poesia
ovulando no ventre da terra,
buscando novos vocábulos;

e eu bebo cálices de dicionários,
palavras tem gostos exóticos,
palavras tem cores transcendentais
e a minha sede é a dos girassóis.

Amanhece o dia e no horizonte
é a aurora lúgubre e inexata
que alvorece como verso novo
daqueles que tocam almas e corações;

e eu bebo do sangue de poetas mortos,
palavras tem gostos esdrúxulos,
palavras tem cores de auroras boreais
e a minha sede do novo é incessante.

Amanhece o dia e nascem poemas
vindos de sonhos diuturnos
guardados em alforjes soturnos
que carregam mistérios noturnos;

e eu bebo do elixir dos alquimistas,
palavras tem gostos herméticos,
palavras tem cores de todos os estágios
e minha elisão é com o universo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 24 de agosto de 2014

Soneto de um Entardecer Merencório e Nostálgico



Novamente o entardecer emociona
e o algoz desse momento é merencório,
as vozes dos pensamentos são uníssonas
cantando a canção com olhar peremptório.

O sol que aquece esvai-se no seu partir
deixando as cores cruas no horizonte,
sensação tira a vontade de sorrir
e a morte mostra-se vil e simbionte.

Em um soneto essa dor crepuscular
e no devaneio minha nua nostalgia
que não alivia a vontade de te amar,

dor incessante que priva-me à alegria
então, deixo no verso a letra alada;
letras do amor que tenho pela amada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Alexander Matev

De Quando o Sol se Vai Deixando Saudade



Na cadeira da varanda
sozinho; e o pôr do sol lindo
descerrando os véus da escuridão;
da janela corre um som do Uriah Heep
e a árvore enraizada na calçada
me olha, trocamos olhares,
ouço um farfalhar de uma pomba-rola
se ajeitando no ninho, com o marido;
enquanto ainda há um resquício de luz
natural, mas na luz da lâmpada
mariposas se achegam alucinadas
perfiladas em um bailado de morte
que vem sorrateira fulminando iluminada.

Na cadeira da varanda o crepúsculo
comigo; e o pôr do sol de foi
deixando uma angústia nas plantas
do jardim... Jardim de flores e letras
enterradas, enraizadas, nas profundezas
de um pensamento que é o silêncio
da música que cessou um instante,
cessaram os pássaros, acordaram os grilos
e no campanário das almas treze sinos
soam um som oco, que preenche o momento
que é perfeito, imperfeito; desnorteia
quando lembra da saudade que se demora
e adormece no brilho da primeira estrela.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Da Poesia Amanhecida Pátria-Índia



Deixe o dia amanhecer
mas, transpire os sonhos
e os românticos inspirados
tomam a aurora às letras.

Deixe a poesia amanhecer,
alvorecer com a nação criança
que inda não sabe como caminhar;
deixe cantar os pássaros da nossa voz.

Deixe a inspiração amanhecer
mas, não deixe morrer a Pátria-Mãe
que é Pátria-Índia de riquezas;
corpos e faces de todas as formas.

Deixe a vontade amanhecer
mas, deixe morrer a avareza
e deixe o jardim florescer
com flores e obras da nossa terra.

Deixe... Deixe-se levar pela brisa
que ameniza no abafo da floresta
e no abraço crasso nacionalista
deixe a sensação de um poema que se vai.


Jonas R. Sanches

O verso curto de sexta-feira depois que eles acabaram de almoçar...



O verso curto
espiralado e atemporal
passa depressa e vai
seguindo os pássaros.

Bocejos ardentes
e uma poesia letárgica
que adormece peixes
quando inda a maré é larga.

Tempo de tempestade
e a calmaria é lucidez
pungente que logo chega
e deixa marcas profundas.

Olhar e sensação de morte
e a vida passa depressa e para
na profundeza da terra
mas por enquanto é só a guerra.

Os candeeiros já cansaram de sofrer
é tão escuro quando você vai embora
então fique com a próxima canção
e tome um gole de um hálito comum.

O verso curto acaba
sem tempo de retornar
e a impressão que fica
é que não acabará jamais.


Jonas R. Sanches
Imagem: tucoo.com

Signos Metamórficos



O poema enclausurado
metamorfoseado em seu casulo,
poesia híbrida à natureza zodiacal
e o verso é o signo da borboleta

astrológica, algo além da lógica
e, a vida e a morte são cores entrelaçadas,
nuances vívidas, tons féretros,
e a alquimia da existência em transmutação.

O poema libertado
esvoaçando para fora de seu casulo,
simbioses poéticas esotéricas
e o verso é o signo da borboleta

monarca, e há cores além das cores
e, o dia e a noite são horas entrelaçadas,
luas e estrelas pairando firmamentos
enquanto o sol aquece os corações.

O poema transubstanciado,
hermeticamente homogeneizado
pelas casas astrológicas dos astros
que adormecem no signo da borboleta.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Soturnamente Saudade



O coração soturno é saudade
e a poesia é o meio de desabafo
escrita em verso e sinceridade,
vontade de estar em teus braços

mas, a distância impede o gesto
e o afago guardado de agosto
recordado em devaneio solitário
trás no pensamento teu rosto

que é tão belo e traz-me um sorriso,
traz-me o verso de amor que preciso
escrever pra lembrar do teu beijo
que é tão doce como o mel do Alentejo.

O coração bate forte ao relembrar
nossos olhares que entrecruzados
entregam-se de alma ao amor
e sem palavras olham-se apaixonados.


Jonas R. Sanches 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Poesia do Folclore Brasileiro




Em poesia de Folclore
tem que ter um Bicho-Papão
bem grande, peludo e feio,
com fama de comilão.

Em poesia de Folclore
também tem que ter Saci
roubando o cachimbo da velha
e saltando daqui pra ali.

Em poesia de Folclore
tem também coisas esquisitas
como as lendas do Boitatá
fogo que correu atrás dos Jesuítas;

também tem o Curupira
protegendo nossas florestas,
confrontando com caçadores
que fazem mal à vida silvestre.

Em poesia de Folclore
também tem que ter Lobisomem,
contos horrendo sobre terrores
que morreram por balas de prata;

e se falarmos então de medo,
tem um que até perdeu as rédeas
e, da mulher que amou o padre
surgiu a Mula-Sem-Cabeça.

São tantas as lendas e parlendas
espalhadas por nosso país,
tem Boto encantando mulheres
depois às amando à beira-rio.

São tantas as lendas e culturas,
Negrinho do Pastoreio e outras figuras
às quais devemos conservar
carregando-as no coração

passando de geração pra geração
essa joia da nossa história
que enfeita e pinta na memória,
que perfuma a imaginação

com os olores raros da sensação;
Saci, Curupira e Assombração,
Comadre Florzinha, Bicho-Papão,
Lobisomem, Boto e Boitatá.

Minha poesia de Folclore
vai então chegando ao fim
mas, por favor lembrem de mim
e não esqueçam do nosso Folclore.

Jonas R. Sanches

Versos Ternurentos em Rimas do Meu Coração



Me perdi e me encontrei em você
e na profundeza de um olhar, um sonho
desabrochou como uma flor rara
e encheu com seu perfume a vida.

Encontrei em você parte do meu coração
e aboli a dor da escravidão
que torturava os meus sentimentos;
sentimentos são agora de ternura por você.

Nos perdemos entre as cores da aurora
quando fundimo-nos ao amanhecer
e fomos então as luzes do alvorecer
despontando cândidas e apaixonadas.

Nos encontramos pela madrugada
e juntos então vimos o sol nascer
e vimos morrer a estrela vespertina
mas, antes de partir curou nossas feridas.

Me perdi nos versos desse amor gostoso
e te encontrei nas rimas da minha paixão
e, encontrei a rima do meu coração
como uma poesia alva de contemplação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Carla Cela

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quando Você Partiu



Você partiu ao amanhecer
mas, deixou seu perfume no meu coração,
deixou saudade e deixou satisfação
e aquela vontade de te abraçar novamente
e sentir o calor do seu beijo quente
e sentir seu afago tão carinhoso
mas, o tempo é nosso amigo e tão logo
estaremos bem juntos de novo...
Eu te Amo Ely Monteiro!


Jonas R. Sanches

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um poema que escrevi olhando a rua



Um poema escrito olhando a rua
que passa e olhando os transeuntes
que passam pela rua e também

olhando as estrelas do céu de agosto
que emprestam seus brilhos aos teus olhos
e nos mesmos olhos teus vejo outro brilho

e é um brilho que só tem os olhos apaixonados
como aqueles olhos que vi dentro do espelho
do quarto quando ainda eram prematuros

os sentimentos, mas, amadureceram
e transformaram-se em um grande amor
que afinal de contas, fez-nos bem,

fez-me escrever esse poema, olhando além
da rua, dos transeuntes, das estrelas...
Um poema olhando a beleza do nosso querer;

um querer que é desejo um do outro
mesmo que tenhamos que atravessar os céus
para nos encontrarmos em noites de lua cheia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Aquarela de Amor



No amanhecer o sol ao meu lado
e no seu calor o beijo apaixonado
entrelaçando nossas almas rubras
como as rosas em um céu estrelado.

No amanhecer o seu perfume
espalhou-se pela minha alcova
entrecortando lembrança e sensação;
seu nome burilou-se em meu coração.

No amanhecer pássaros na janela
e suas melodias eram para ela,
e suas algazarras eram a minha alegria
de tê-la ao meu lado ao nascer do dia.

No amanhecer um pedaço de inspiração
e nascem então versos pitorescos de paixão,
e a aurora radiante foi uma nova cor,
foi a cor translúcida de uma aquarela de amor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Leonid Afremov

domingo, 17 de agosto de 2014

O Poeta e o Seu Amor



O poeta se encontra com a alegria
num vislumbre olhos nos olhos com a amada,
o poeta vê um futuro de melodias
cantadas todas para sua musa e namorada.

O poeta registra em versos o seu momento
e o seu encontro trouxe-lhe real felicidade,
o poeta divaga ao amor que é seu alento
e expressa a ela como a ama, ama de verdade.

O poeta deixou para trás sua solidão
então seus versos brotaram ternos do coração,
então sua vida transbordou nessa paixão
e navegou por entre os mares da sinceridade.

Oh minha amada no seu abraço o meu aconchego
e nas suas palavras na madrugada perco meus medos
então me entrego, então me apego a esse desejo
de tê-la perto, sempre tão juntos, de ter seus beijos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 16 de agosto de 2014

Um Devaneio de Importância que Quase me Esqueci



Havia na beira do caminho uma flor rosa,
não daquele rosa clarinho das rosas de jardim
e, nem daquele rosa escurecido sinistro
da rosa da campa em um túmulo de soldado;

soldado de guerra enfurecido, entorpecido...
Do ópio fácil do Afeganistão;
soldado que mais um, morreu em vão
como aquele esquecido no Vietnã...

E quem sabe Eu seja um soldado do amanhã,
defendendo ideais fúteis de guerras
sendo quê, deveríamos como hóspedes
protegermos e amarmos a nossa Terra;

mas, sou quem sabe um louco utópico
que vendeu o relógio da vida na partida
que causou na história uma ferida
daquelas como a lepra ou um tiro de canhão.

Sou quem sabe ou já fui a peste negra
como as bombas que mantém a realeza
dos governos em acordos de peleja
de um povo que já tá fatigado de sofrer e não morrer.

Mas sei que sou parte de tudo mesmo não querendo
e o veneno da ganância fabricado no sereno
de noites torpes esquecidas dentro da ferida do tempo
cicatriza e ameniza as lembranças de outros tempos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Wally-e

Alquimista



Ventos que sopram do noroeste
e as pitonisas nas imaculadas vestes
e, há um elemento em cada quadrante
e o caminho místico é esclarecedor;

caminho rico de percalços e dor
mas, há todo um hermetismo entrelinhas,
entretanto há de haver pureza de coração
àqueles que realmente buscam dissolução

das intempéries e a matéria prima é a terra
inda infectada pelas imundícies do homem
mas, no cadinho em fogo brando cozerá
e então serão adicionados sal e mercúrio

e a alma mergulhará em um negrume necessário
e, antes da luz incandescer será o sol vermelho
e explosões metamorfosearão os espíritos
e, será colhido o gérmen da vida em orvalhos

então eis que a terra se purificará,
então metais grosseiros se transmutarão,
então estará cozendo o sétimo estágio,
então haverá um silêncio descomunal

e, a consciência se recolhera à si mesma
e, repousará pelos treze dias de verão
e, a bebida revigorante será o puro elixir,
eis que então as almas luzirão como o ouro.


Jonas R. Sanches
Imagem: A Árvore da Vida  

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pensamentos que Voam pelos Tempos



O pensamento voa de carona com o tempo
e o tempo passa devastando o pensamento,
penso que o tempo tem seu tempo de passar
e o tempo que passa, passa logo que eu pensar.

Penso no tempo, tempo de pensamento
e o tempo igual ao vento nunca para de passar
e o poeta em seu tempo nunca para de pensar,
pensa em tempo, pensa em vento que carrega o pensamento.

Poeta e tempo e pensamento todos juntos a passar,
passam junto com o vento que não para de ventar,
venta o tempo e o pensamento e o poeta a passar
pelo verso a muito tempo, no tempo de poetar.

Tempo e poeta e poesia todos juntos a ventar
formando uma ventania com seu tempo de voar
e o poeta em seu tempo passa o tempo a pensar
e dentro do seu pensamento vê o tempo a poetar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

De Carona na Alma Alquímica de um Cometa



O poeta então se afronta ao espelho
e busca em cada célula alguma explicação,
eis que então, no brilho profundo do olhar

ele mergulha solitário em um rastro de cometa
e vai sem rumo, vai em busca de respostas,
batendo de porta em porta,

de planeta em planeta,
sem saber que sua carona, que faz rastro pelo céu
tem a mão do menestrel, tem a resposta exata,

e em voz universal, compreendida ao bem e ao mal
a voz narra desditosa: - Sou o pólen das rosas,
sou a estrela da manhã, a espada de Dartanham,

sou grito de supernova que nova matéria jorra
devido ao meu papel, meu rastro de luz no céu
que é apenas e simplesmente, a redoma da semente

que germina universos e, o poeta em seus versos
semeia com alma pura, a verdade que perdura
na alquimia das respostas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Gerald Rhemann -Cometa Encke 

No Abraço do Amor Distante



Um frio distante e o abraço do amor
tão hediondo transpondo barreiras
e a vida segue resignando a sua maneira
e, dentro do coração razões se desfazem.

E então... Então é o poeta e a poesia
elucidativamente em plena expressão
que comove e que distorce a realidade;
realidade translúcida de algum coração.

Um amor distante que se aproxima
tão carinhoso confluindo à minha vida,
tão caloroso afluindo à nova rima,
então são as vozes inexpressáveis da sensação.

E então... Então é o poeta e a poesia
transcendentalmente em empírico momento
que transcorre o tempo rumo ao incerto infinito;
infinito amor que se aninhou no coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Das Profundezas de um Lago de Lágrimas



Nos lagos profundos da minha história
visões insurgentes dessa situação
que brota da sensação merencória
que emerge solitária dentro do coração.

Lagos de águas límpidas lacrimosas,
visões proféticas do novo apocalipse,
no jardim faleceram todas as minhas rosas
quando beberam da luz escura do eclipse.

Lagos translúcidos da minha reflexão,
visões atordoantes dentro à imaginação
que percorre caminhos inescrupulosos
recriando mundos destros e airosos.

Nos lagos tão profundos dessa imensidão
tenho visões utópicas de alguma insensatez
que brota na poesia de cunho e rendição
reescrevendo o velho cálice da nova embriaguez.

Lagos inóspitos de superfícies flácidas
deturpadoras das imagens outrora reais,
agora só o reflexo opaco e convexo
das cores diáfanas de um pouco de paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: Nas Profundezas do Oceano de Arcturos, Acervo Arma dei Carabinieri, Itália.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Poeta que Encontrou o Amor



O poeta achou que um dia morreria
em tristeza, angústia e dor de solidão
mas, eis que um dia surgiu a alegria
trazendo o amor profundo no coração.

A tristeza então foi dissipada,
a angústia então fez-se paixão
e, toda àquela dor da solitude
em gesto amiúde, deixou o coração.

O poeta agora acorda apaixonado
e transparece luz de sol amanhecido
com semblante calmo, olhar iluminado,
com o cenho alvo e o peito enternecido.

O poeta então faz juras em poesias
que são tão eternas como o fim dos dias
e, o poeta insano encontra a inspiração
esquadrinhando os auspícios da paixão.

O poeta então faz versos eloquentes
que são brotados tenros em seus desejos,
o poeta entrega os versos à sua amada
e depois sente o deleite dos seus beijos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Dos Plúmbeos Olhares Lúgubres ás Simbioses dos Corações



Nos plúmbeos olhos comiserados
do tempo ao relento às retinas
de onde a lágrima nua desatina
como de uma nuvem de precipitação.

Lúgubres sensações estereotipadas
e outras sensações de libertação;
simbioses entre o amor e o coração
que fazem despertar os cumes da emoção.

Plúmbeos amores e lúgubres lágrimas
destituídos de semântica e explicações;
morfologias espalhadas à luz do dia
que libertam os vocábulos da escuridão.

O coração é flor quando à poesia
e a sensação é carinho quando há uma flor
que brota e cresce junto ao jardineiro
que se entrega aos auspícios augustos do amor.

O coração é flor quando planta o poeta
sua semente imensa de uma inspiração
e as letras são pétalas em germinação,
e o poeta é jardineiro das almas perfumadas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 10 de agosto de 2014

Saudade do meu Pai



Saudade é sensação crescente
quando busco na mente
os momentos onde inda estava aqui,
meu pai... Teve que partir,
foi morar longe, bem longe
daqui, foi morar em outras paragens
junto aos anjos... Deixou saudade.


Jonas R. Sanches

sábado, 9 de agosto de 2014

Flores Amarelas nas Janelas Siderais



Flores amarelas em caminhos de cetim
e estrelas em céus de plena solidão
mas, quando os olhos miram o firmamento
é uma nostalgia de um bucolismo sideral.

Flores amarelas em cadinhos de marfim
e estranhas luzes nos céus de Urano
mas, quando os olhos miram todas as luas
são todos os anéis nos dedos de Saturno.

Flores amarelas em naves espaciais
e esplendidos colibris de olhos de luz
mas, quando os olhos vomitam galáxias
são anos-luz à deriva em um mar de eternidades.

Flores amarelas em ramalhetes alienígenas
e extintos os dias onde houveram dois sóis
mas, são almas que transitam entre olhares
que vislumbram novos paradoxos universais.

Flores amarelas e ramagens escorrem poesias
por entre as frestas festivas do tempo infinito
mas, os olhares se fecharam aos velhos mitos
que envelheceram solitários na cadeira de balanço.


Jonas R. Sanches
Imagem: Hubble

Prosopopeia e Devaneios – Nove Cantos de uma Alucinação



I

Devaneios e prosopopeias
destituem valores e vontades
e, libertam reais criatividades
de onde vislumbramos paus e pedras.

II

Palavras tão antigas que inovam
o linguajar poético em rebuscamento
e, nessa busca o graal do pensamento
que ressuscitou de hermético sepultamento.

III

Precipitaram-se vozes a esmo
então houveram poetas racionalistas
e, colheram flores lúdicas incolores
dentro de vasos neurais transmissores.

IV

Arrebatamentos nulos irascíveis
e, foram levados os novos trovadores
e, foram tomadas de nós; as poesias,
tão inconcreta como:
meus devaneios e prosopopeias.

V

Devaneios sobre estrelas;
prosopopeias de homens-universais;
alienígenas povoam planetas
tão distantes que fogem a imaginação.

VI

Meu canto ressoou pelo eco das eras
e, foi canto de poeta-asceta-trovador;
houveram cantos de dor e de amor
e, houve um silêncio após as reflexões.

VII

Devaneios sobre máquinas do tempo;
prosopopeias de eternos deuses;
literaturas antigas e novas entrelaçadas
e, poetas mortos ressuscitam com o sol.

VIII

Cantos de querubins entoam os céus
e, harpejados entretêm olhos atentos
que olham as vidas dentro das partituras
dispostas aos olhares do maestro-universal.

IX

Devaneios cantados ao amanhecer;
prosopopeias e auroras e arrebóis
fazem da lúgubre sensação um vil torpor
e, incognoscivelmente tudo ao seu lugar...
Cada letra adormeceu em supra-solidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

...era um pequeno caminho



...era um pequeno caminho
entre minha casa e o mercadinho
mas, no meio do caminho, haviam histórias
grafadas em um pergaminho.

...era um pequeno caminho
entre minha vontade e o vinho
mas, no meio do caminho, haviam árvores
onde pássaros faziam ninhos.

...era um pequeno caminho
entre a realidade e o desalinho
mas, no meio do caminho, havia um cadinho
onde estava encarcerada a transmutação.

...era um pequeno e complexo caminho
entre a vulgaridade e o iniciático caminho
mas, houve a carne, o corpo e o vinho
onde foram diluídas as partículas de Deus.

...era um pequeno caminho de escolhas
entre às vontades insanas e a coerência
mas, houve àquela luz incognoscível
onde refletiu a destruição e reconstrução de tudo.


Jonas R. Sanches
Imagem: O Pequeno Príncipe - Antoine Saint Exupeéry
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