quinta-feira, 31 de julho de 2014

Mercadores da Guerra



Minha religião é a paz no coração
mas, há sinais de guerra, iminente;
o homem padecerá por suas mãos,
por suas bombas, homens-destruição.

Prantearei sobre as cruzes dos inocentes
no descampado com comiseração;
serei eu mais um homem-inocente?
Talvez sim, talvez não.

Enquanto a morte paira no oriente
o ocidente assiste o sangue na televisão,
misseis explodem corpos e mentes,
atitudes dos governantes malsãos.

Enquanto investem na indústria bélica
visando poder, ganancia e destruição;
minha alma se retira do mundo em oração
mas, meus olhos sangram nessa condição.

Minha religião busca equilíbrio universal
mas, há sinais de guerra, pandemônio, mal;
e a sede se embebeda em barris de petróleo,
e as crianças vislumbrarão o inferno real.


Jonas R. Sanches
Imagem: Hatem Omar/AP

Transubstanciação da Inspiração



A borboleta voa sem compromisso
e a abelha voa a polinizar,
a cigarra canta sem ter juízo
enquanto a formiga vai trabalhar.

O poeta voa em seus auspícios
e a musa chega para lhe inspirar,
o poema canta ao que é bonito
enquanto a caneta vai trabalhar.

Poesia, poeta, abelha e cigarra,
lua, sol, loucura e formiga,
musa, borboleta, caneta e alegria,
minha insanidade é alienígena.

Poeta e poema em transmutação,
borboleta monarca em transubstanciação,
sou de metamorfoses nessa iniciação
meu casulo se desenvolve no coração.

Agora calo, observo o pássaro e a luz
que é candeia e dissipa minha treva
então pelas asas a alma se eleva
e vagueia entre nuvens de um sonho comum.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sensibilidade à Flor da Pele



Sensibilidade à flor da pele
e a pele eriçada de desejo
que se acalma após o beijo
entrelaçado ao amanhecer.

Sensibilidade à flor da rosa
e os espinhos eriçados da paixão
acalmam pela dor o coração
se aninhando no algoz da sensação.

Sensibilidade à flor do amor
e o teu corpo contornado em minhas mãos
que são carícias no teu seio, imensidão;
e no infinito ecoam nossos gemidos.

Sensibilidade entre os lençóis
e nossos corpos são o que restam de nós,
corpos tão quentes como o calor de mil sóis
que após o amor se abraçam em silêncio.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Versos Rebuscados e Rabiscados



Buscado em um pensamento
rebuscado em algum momento
rabiscado à luz ao relento
refinado com letras destras

ou cantado com a voz das pedras
que rolaram abaixo em desfiladeiro
e desfilaram em linhas às letras
nas linhas tortas de algum planeta.

Buscado em um subconsciente
rebuscado num momento inteligente
rabiscado aos olhos da minha gente
refinado e doce açúcar dos versos meus

declamados pelo vento roçando árvores
que frutificaram frutos dóceis de verão
e abrigaram sabiás e do barro João
que nos galhos dos versos cantou inspiração.

Buscado dentro do olhar do meu cachorro
rebuscado esse amor sem interesses
rabiscado em versos mudos de um latido
refinado como o abraço de um velho amigo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 27 de julho de 2014

Poesia em Vozes de Silêncio



Eu me calo e engulo o desejo
de um beijo e da poesia,
eu me calo e contemplo o fim do dia
mesmo que seja um instante lúcido.

Em silêncio eu escuto o silêncio,
almas caladas despidas do ócio,
mentes que voam céus alienígenas
enquanto na folha o suave farfalhar.

Em silêncio contemplo a morte
e caladas as vidas sem pressa se vão,
algumas deixam histórias reais
outras somente a saudade e uma alucinação.

Eu me calo e vislumbro o crepúsculo
de um dia gélido como a flor do mar
e é um horizonte de nova aquarela;
aquarela singela com as cores de amar.

Eu me calo e as mãos correm vocábulos
que descrevem minúcias de um vendaval
que varreu para longe as trevas e o mal;
eu me calo e fica a sensação de uma paixão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 26 de julho de 2014

Amores Expostos



Me oculto no tempo de sonhos abissais
e no emaranhado de teus cabelos fico
a pensar sobre as cordilheiras do teu corpo

torneado sob um sol de luz primaveril
enquanto as flores são sertões e pastoril
e os amores mergulhados em cálices bebi

e nos teus beijos todos os gostos da paixão
se enveredando pelas entranhas dos cupidos
que espalham cinzas sobre campos de jasmim

e no cerrado do teu colo eu adormeço
e o teu ventre tão eriçado em minha libido
me acolhe em um abraço arvorecido

e eu te acolho tão linda em meu coração
e eu te anseio entrelaçada em meu lençol
fazendo amor com a mágica de um arrebol

seguindo os passos a caminho do umbigo
em depressões de barrigas contornadas

pelas minhas mãos em tua tez molhada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Lavras de Palavras



Vejo o carro
tiro o sarro
moldo o barro
um cigarro
e o escarro
logo varro
bebo o jarro
sou bizarro
quando esbarro
solto urros
dons casmurros
pai dos burros
subo o morro
com cachorro
vejo cirros
negros forros
como churros
pulo muros
exageros
em perjuros
nascituros
cobro juros
de anteparos
nem reparo
sifonóforos
meu amparo
comprar livro
mensageiro
taverneiro
malogreiro
catingueiro
brasileiro
tão impuro
dando murros
tanta marra
beijo e farra
tantos erros
descalabros
entravados
nessas lavras
de palavras.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Escritor por Ofício



Escritor de ofício e de nascimento
que deixa a mente aristotelizar
as observações e vislumbres do mar,
as flores circundantes à mesa do bar;

e basta apenas olhar para o guardanapo
que na mente afloram mil discernimentos
então corre à caneta sobre o pensamento,
então deixa su’alma contemporizar.

Escritor é vivo em seu renascimento
e também é morte trágica e imaginação
quando em um romance às mãos do sertão
que desvanecido enleva à inspiração

que é a ferramenta sutil para criação
quando entrelaçada a uma transpiração
então os dedos magros falam sobre magos,
falam sobre às vozes em reverberação.

Sou escritor de ofício desde o nascimento
capturando sibilos ao passar do vento,
capturando as horas ao passar do tempo,
capturando a alegria dentro do coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: A Book Village, France por Blue Pueblo

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Soneto ao Sol de um Céu Secreto



Sensações sobressalentes sobrepostas
sobre os sentidos caóticos do coração
que cadavérico busca suas respostas
sobre as perguntas envolventes da paixão.

Sensações rebatem em contrapropostas
sobre os sentidos idos pela imensidão
e, antes de tudo minhas mãos antepostas
e, a mente pulsante mergulha em oração.

Sensações harmônicas qual nota em bemol
sucinta e estrambótica tal qual arrebol
que invade em beleza o céu de concupiscência

que derrama na terra temporal de ciência,
que se espalha na folha feito um soneto
enquanto o sol se recolhe a um céu secreto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ventos que Ventam Antes de Agosto Ventar



Os ventos chegaram bem antes de agosto
e o céu imaculado mostrou contragosto
à efígie do tempo já contemporizada
e, os dias que passam, passam sem parar.

Os ventos chegaram e agosto não veio
e o céu dos meus sonhos jaz plúmbeo no ar
suspenso em um tempo do tempo passado
ou de um tempo que espero você chegar.

Oh ventos do leste me tragam agosto
trazendo aos meus braços o amor real
que insiste em meu peito sobrenatural
e afaga tranquilo dentro do pensamento

que voa e revoa ao léu junto ao vento
traçando caminhos já não mais tortuosos
entre brumas que chegam junto ao mês de agosto;
entre os verso que escrevi te esperando chegar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 22 de julho de 2014

Versos Derramados de um Cálice de Vinho



Tento o verso no vinho
que escorre na garganta
relembrando noites e dores
que assolam minha vida.

Tento o verso solitário
que escorre entre os dedos
e a caneta vai anotando
em um caderno de rascunho.

Tento não me apaixonar
mas isso é impossível
pois, do nada você apareceu
e fundiu meu coração ao teu.

Tento vencer essa distância
mas fico de longe a contemplar
seus passos caminhando,
trazendo-te até meu beijo.

Tento o verso no vinho
que escorre entre nossos corpos
colados nesse roçar de peles
quentes, devastando meu ser.

Tento o verso em você
e você é doce como o vinho
com um toque almiscarado,
você é como a bebida proibida.

Tento o verso de amor
e logo à mente vem sua imagem,
meu olhar sucumbe em você
pois, suas palavras são carícias.

Tento o verso à você
mas, nada te descreve;
busco em todos os dicionários
e não consigo definir tua beleza.

Tento o verso no vinho
e deleito em minha embriaguez
que me enleva aos sonhos
onde estamos nus e entrelaçados.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Eureka



...minhas ideias
e, suas ideias

colidindo, compreendendo-se
e, há evolução nas ideias
mas, inda assim, não há verdade,

...nossas ideias
fluindo entrelaçadas

em algum momento
e, em outro momento
fluindo cada qual por si só;

...ideias coletivas
compatibilizando sensações
e, talvez uma boa dose

de bom senso,
de bondade,
deliberadamente

construindo benesses
e, ...ideias evolutivas
construtivas e destrutivas

em busca de uma verdade sólida
tal qual pilares
que equilibram e suspendem
o abraço entre o bem e o mal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

Poema Matinal



Me persegues
e eu não sei se és
a dúvida, que segue
no ritmo incessante
dos passos da humanidade
e não vou cantar na ravina,
o frio na manhã tem gosto
de sangue fresco, derramado
pelos santos e mártires de outrora
pelas mãos dos carrascos da ignorância
ou nas fogueiras insanas da inquisição.

Me persegues
e eu não sei se és
o caminho, que segue
por entre as montanhas
onde a letra repousa a solidão
e a saudade às vezes é algo mais
que a dor física, fisicamente tísico,
e o corpo que vive agora é a candeia
que alumia a verdade que inda não sei
e desconheço-me diante do espelho raso
que acolhe a insanidade da vil explicação.

Me persegues e o sonho agora animalizou-se
nos sentidos aguçados que afloram pela pele
descascada e enrugada que engole minha alma,
solidificando e materializando o poema matinal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Vultos



Plurissignificação de pensamento
e a mente alcança os píncaros
incalculáveis e imensuráveis da criação
que é nada mais que transformação

e as coisas seguem o efeito destino
e os homens seguem a causa e o efeito
e a humanidade expõe seus defeitos
escancaradamente em seus segredos

que indubitavelmente causam medos
terríveis e avassaladores e quiméricos
e poéticos talvez em um dia ensolarado
como outro qualquer, como uma noite

repleta de onirismos arquitetônicos
e uma paixão fugidia que transcorre o tempo
e já não há mais tempo algum
e as ruas estão desertas para o rei passar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Amanhecer Inóspito



Sinto a sensação do dia inóspito
e dos veios da terra um pensamento,
sinto o frescor alegre da rajada de vento
e do âmago do universo o novo verso.

Dia nascente de águas tão torturadas
pelos abrolhos incandescentes de natal
à maré baixa dos meus sonhos tem estrelas
presas na areia da ampulheta dos arrebóis.

Dia nascente incandescente calamitoso
buscando as flores de sete velas em ritual
que segue à risca todos os encantamentos
e adormece em sua prece nos braços do sol.

Sinto a sensação do dia inóspito
e das entranhas das almas um pensamento,
sinto o olor doce da boa nova que vem viçosa
e da ponta da pena nascem jardins de rosas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Giuliana Capello

domingo, 20 de julho de 2014

Poema a um Grande que Ficou no Coração



Àquela alma simples de bondade
que cativava as letras e os pássaros
que voavam em liberdade pelos ipês
tão amarelos de um caminho de verdades;

e no infinito ficaram seus versos
e até aqueles dispersos nos pensamentos
que falavam do que é a felicidade
de modo simples, sofrido e sem vaidade.

Àquela alma que partiu, deixou saudade;
foi vislumbrar um outro céu, novas paragens,
foi fazer versos para Deus na eternidade,
deixo um adeus e os sentimentos a Rubem Alves.


Jonas R. Sanches

E se pela manhã eu não chegar...



E se pela manhã eu não chegar
é que inda estou dentro do sonho
fazendo juras em um poetar
um tanto quanto bem estranho.

Mas se eu chegar trazendo flores,
trago-as todas para você,
flores astrais e tão singelas
que colhi antes do amanhecer.

Mas se eu chegar trazendo um beijo
será um beijo apaixonado
em tua boca doce e macia;
um beijo teu do meu roubado.

E se pela manhã eu não chegar
é que inda estou colhendo estrelas
que caíram na orla do mar
nessa cósmica brincadeira.

Mas se eu chegar trazendo a lua
vou pendurá-la na sua rua
então será como um poema
que canta a musa toda nua.

Mas se eu chegar trazendo o sol
farei pra ti meu arrebol
entremeio às cores e ao seu abraço;
entremeio a paixão onde me desfaço.


Jonas R. Sanches
Imagem: Leonid Tishkov

sábado, 19 de julho de 2014

Soneto de um Pensamento Inexplorado



Estou aqui a espreitar meu pensamento,
estou em busca de algo inda inexplorado,
estou com minh’alma em recolhimento,
estou tão vivo que estou inanimado.

Estou aqui a refletir a luz do dia,
estou aqui a contemplar a eternidade,
estou em busca de uma nova poesia,
estou imerso em um verso de verdade.

Estou correndo no algoz da sensação,
estou sem pressa e pódio de chegada,
estou colhendo os frutos da plantação,

estou colhendo flor à minha amada;
estou aqui nesse soneto espalhado,
estou partindo junto a um ser alado.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Arquitetando um Soneto Prematuro



Correndo entre as brumas do espaço
um arquiteto, o esquadro e o compasso
criando em meados do desembaraço
a poesia primeva e um contrapasso

que faz renascer o perfeito do escasso
e é quando o equilíbrio causa o regaço
que foge ao longe do falso fracasso
e a supernova causa estardalhaço.

Correndo entre as brumas do verso inverso
o poema é agora um soneto reverso
que nasceu destroçado e prematuro

e foi-se na linha o fruto maduro
que na árvore da vida é suculento
desfazendo o pecado do tempo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Quando Eu Avistei o Amor Chegando



Te avistei chegando em meu coração
toda apaixonada fazendo alvoroço
resolvi então compor essa canção
do meu sentimento todo em rebuliço.

Te acolhi profundo em minhas entranhas
então nossas almas fizeram barganha,
então nossas vidas se entrelaçaram
e pelo infinito eterno se amaram.

Te abracei gostoso em meu pensamento
sentindo seu perfume, presente do vento
que te trouxe linda bem perto de mim
então ficamos juntos olhando o jardim.

Te beijei molhado dentro do meu sonho
sentindo seu gosto tão açucarado
então meu semblante não foi mais tristonho
pois tive a certeza que eu era amado.

Te enlacei e com você fiz essa poesia
junto com o sol que aquece meu dia
então trilhei caminhos em tua companhia,
então fomos felizes pelo resto da alegria.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Na Busca do Soneto Formidável Infindável



Nessa busca do soneto formidável
ouço um estrondo surdo inenarrável
de um verso inóspito tão eloquente,
de um grito meu, instantâneo e fremente.

E são todas as novas descobertas
que libertam das sendas incertas
guiando com luz e verso o caminho
que cada um tem que trilhar sozinho.

Nessa busca do soneto infindável
corações constantemente colidem
com outros corações que se iludem

com vislumbres cegos do inenarrável
que faz brotar no âmago verso e paixão,
que faz modificar o coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

O Amor dos Meus Sonhos



E quando amanhece e você desaparece, nos meus sonhos desvanece deixando-me em solidão; eu fico amuado e escrevo o tanto que eu te desejo dentro do meu coração, eu fico então contando os dias, eu vou transpondo as vias dessa inspiração; eu falo em forma de prosa e te espero com a rosa dessa nossa união, que é perfeita e aquece minha vida, vai curando a ferida que nasceu da ilusão; então eu despacho no verso o amor com a letra da minha sensação, e é um verso àquela menina que causou alvoroço beijando meu pescoço, pegando a minha mão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Juras de um Amor Distante



Dentro de cada verso uma estrela
vigiando seus passos apressados
na calada de uma noite insana
enquanto o amor beija à luz da lua

e, se ouvem passos pela rua
que passa bem em frente ao jardim
de sonhos e de madrugadas
inertes e bem longes do tempo.

Dentro de cada verso o beijo apaixonado
devastando corações e sentimentos
tão novos que assustam os pássaros
que repousam na torre da igreja

e, se ouvem gemidos quentes nos ouvidos
e, são juras de amor que serão eternidade
e, enquanto o sol não brilha no horizonte
ficaremos abraçados embaixo d’algum edredom.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 15 de julho de 2014

Anjos de Marfim



Escrevo às gretas
escondido de eu mesmo
e, escrevo para eu mesmo

na noite entre trombetas
de anjos de marfim
que cantam inaudivelmente

enquanto beijam dragões
de labaredas prateadas
e asas de silício envelhecido

na borda de vulcões
transbordantes de sangue
da terra que borbulha

exatidões e dúvidas
de um pensamento onírico
que nasce em uma poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Das Revelações Solares em um Eclipse das Almas



Olho o sol que vela as estrelas
e a noite densa oculta o sol,
vejo na estrela o segredo da vida
e vejo a magia cobrindo o arrebol.

Na aurora dos tempos o vento
que compõem-se da criação,
ventando estrelas e cometas,
ventando no fundo do meu coração.

Olho a nuvem passageira como o tempo
que escapou dos relógios da revelação
e a revelação se predispõe às verdades
que outrora eram veladas pela iniciação.

Olho os símbolos, pantáculos e corpos
se misturarem como uma civilização;
olhos nos olhos em amor verdadeiro
que chega explicando minha solução.

Olho o sol a velar a galáxia
e a galáxia oculta minha revelação
pois, tem o tempo certo a cada coisa
e o antes nunca chega depois que o depois.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Apego



Me apego cada dia mais
pois eu amo e vai além
de te querer junto de mim,
quero estar junto de ti.

Me apego a essa saudade
pois eu amo e vai além
de sonhar você junto de mim,
sonhos reais que se realizam.

Me apego a esse abraço
que é quente e apertado
e a esse beijo doce e molhado
que tem gosto de amor.

Me apego a essa voz suave
que canta canções para mim,
que dulcifica minha sensação,
que sussurra amor no meu coração.

Me apego e espero a noite
te trazer nos meus delírios
e então, vislumbro a lua
que clareia teus passos até mim.

Me apego ao teu chamego
e junto a ti não sinto medo,
e junto a ti não sinto dor,
somente sinto o calor do teu amor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sequelas de Outono



As sensações passam com o tempo
e o tempo passa contando o homem
e o homem passa contando o tempo
e as estações passam com o tempo;

e houve o tempo ensolarado de verão,
tempo onde eu corria com os amigos
sem camisa e com os pés no chão
em busca de um banho de ribeirão;

e houve o tempo onde correu o vento,
vento que cortou em seu frio infernal
em meses sem flores, de sol invernal
onde a alma é propensa a um chimarrão;

e houve o tempo de colorir os campos,
tempo de amor bem longe da guerra,
tempo de borboletas bailando na serra
indicando a nova estação primavera;

e houve um tempo onde as cores partiram
e levaram pra bem longe o meu coração
que partido espalhou-se em pó de carbono
refletindo no espelho as sequelas de outono.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dia Esvaindo



Então o dia vai-se lindo
e o horizonte se partindo
o arrebol vai explodindo
luzes a se fragmentarem

entardecer de passarinho
quando a andorinha sai do ninho
para revoar em desafio
em nuvens vivas a bailar.

Então o dia vai-se velho
e o crepúsculo em pretérito
algoz d’algum escaravelho
que já não pode zumbizar

e lá na lâmpada a borboleta
ou será uma mariposa
nascida no pé de rosa
livre a metamorfosear.

E vai-se o dia e agora é noite
enquanto a pena beija o papel
rasgando o verbo de um açoite
a poetar em menestrel.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Estudos Sobre o Amor



Estou a estudar o amor,
meu amor matemático;
tão prático em poesias
escritas pelos velhos dias.

Estou a esquadrinhar o amor,
meu amor sem medidas,
sem pudor, sem feridas;
versos e beijos da vida.

Estou a te esperar amor,
meu amor doce altaneiro
que fez no peito alvoroço;
abraços do mês de agosto.

Estou a vislumbrar o amor,
amor que veio duradouro,
mais precioso que o ouro;
veio com as ondas do mar

na minha vida navegar,
me carregar bem pra longe
lá onde a noite se esconde,
lá onde vamos se amar.

Estou a versejar ao amor,
amor que é dor dos poetas
nessa via torta e incerta
que é a via do se apaixonar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Quando a Noite Adentra os Sonhos



Deixo a noite adentrar pela janela
de minh’alma; trazendo sonhos
e, as estrelas que carrego na lapela
são de versos livres e estranhos.

Deixo as flores adentrarem o jardim
de minh’alma; trazendo calma
e, os olores patriarcas da alegria
são aromas das notas da melodia.

Deixo a noite adentrar a melodia
de meus sonhos; versos estranhos
que colhi entre os olores dessas flores
que brotaram pelos meus jardins de estrelas.

Deixo a poesia esvair-se de minh’alma
e, do verso renascente a luz que acalma
e, da letra transcendente a voz da alma
e, da flor da minha vida um novo amor;

que na noite estranhamente me aceita
e, ao meu lado em minha cama ela deita
sem saber se é real ou apenas sonho;
sem saber desse poema tão estranho.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 7 de julho de 2014

De Todas as Entranhas da Alma



Desentranhando um verso anímico
eu sigo o poema no meu ritmo,
no ritmo alucinado do meu coração
que espasma caótico nessa vil missão.

Desencadeando um verso arrítmico
eu sigo o poema de tez fictícia,
e na tua tez eu mergulho em carícias
que te arrepiam e fazem-te alucinar.

Desembainhando um punhal mágico
eu sigo o poema nu e emblemático,
e nas complicações sou um tanto prático
pois, no livro da vida sou o verbo trágico.

Descontinuando alguma continuação
eu passo a vista dentro de um alfarrábio,
onde estão descritas minhas soluções;
intercalações de algum momento dúbio.

Desfibrilando a morte em sua sina
eu faço o verso onde a linha termina,
eu faço amor no planeta platônico
e os telespectadores olham-me atônitos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 6 de julho de 2014

Das Poesias Silenciosas que Gritam ao Luar



E agora a poesia silenciosa
que ao pôr do sol se choca
em uma explosão ditosa
das cores que invadem ociosas.

E ainda é o silêncio desditoso
a se entranhar às linhas do horizonte
que enlevam a mente ao infinito
de encontro ao ser incógnito.

Há ainda uma sensação sobressalente
que é além do silêncio, introspecto;
e o pressuposto é entre o nadir e o zênite
a imaginar todas as formas da criação.

E agora a poesia enegrece tal qual noite
que chega com um ósculo crepuscular
e o manto azul arrefece em estrelas
que mesmo mortas continuam a brilhar.

E ainda é a lua lírica e bucólica
que afaga âmagos, amores e perdições;
entremeio ao grito dos corações
que silenciaram ao final de um poema.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 5 de julho de 2014

Corpo Casa da Alma



Meu corpo, casa de minha alma;
onde o sacro se torna sutil
e as sutileza levam-me à poesia
que me acompanham pelos dias.

Meu corpo, sagrado templo do espírito;
que olha o sol e agradece o novo dia
que chega trazendo as boas do porvir
e, traz-me uma nova inspiração.

Meu corpo, recipiendário do infinito;
que sente a natureza plena que circunda
tudo aquilo que os sentidos percebem,
tudo aquilo que tem a mão de Deus.

Meu corpo, âmago profundo de versos;
que cantam às almas, às flores e ao amor
que é o que preenche tudo de alegrias,
que é toda a razão plena de um existir.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Soneto Incasto de um Tempo de Ignomínias



Hoje o vento sopra mais depressa
e o tempo vai em si com pressa
em um tempo guardado nos relógios
de mil homens rangendo em opróbios;

e as flores foram todas destituídas
de suas cores imersas em feridas
em jardins caóticos onde penso
em um tempo vigente e propenso.

Hoje o vento passou e uma ignomínia
ficou entre as pilastras da misoginia
em um tempo gasto e já tão nefasto

que passa depressa e um tanto incasto
carregando a vida para mais além
enquanto passam anjos dizendo amém.


Jonas R. Sanches

Novos Sonhos



Queria eu sonhar novos sonhos
onde os protagonistas fossemos nós
caminhando entre campos de flores
a colher um milhão de arrebóis.

Queria eu sonhar novos sonhos
entre luas, estrelas e cometas;
te levar entre os braços comigo
e te amar até além do infinito.

Queria eu sonhar novos sonhos
onde eu pudesse ser só a poesia
que arranca do peito suspiros
entre versos feitos ao fim do dia.

Queria eu sonhar novos sonhos
e viver a história de uma melodia
que cantaram outrora risonhos
em partituras de alegorias.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Degraus



Que a luz que irradia do coração do Cósmico
seja o archote que alumia cada letra e pronúncia
de uma sílaba sagrada em uma unidade
que antecede o binário que é inda equilíbrio
inda intacto que antecede o ternário sagrado
que é o Ente manifestado e perfeito e é o sujeito
nascido das cinzas das sombras de um mundo esquecido
que é o mito escondido entre os três
que antecedem a viuvez de outro verso quadrado
e o halo que agora é regência é a clemência
dos seres que são a motriz do quadrilátero
e torna-se um hábito de as vezes viver poesia
que esconde o mistério velado de um Iniciado
em caminho àquele pergaminho onde a vida
e a morte se entranham em segredos de Templo
que somente o tempo sensato pode desvendar.


Jonas R. Sanches

terça-feira, 1 de julho de 2014

Navegando Pelos Mares Revoltosos do Tempo



Já naveguei por entre as nuvens,
eu já fui a ostra a perolar,
já fui estados de vertigens,
já fui o sol atrás do mar.

Já fui dragão e cavaleiro,
eu já fui pássaro a revoar,
já fui o vento beijando a vela
da caravela a navegar.

Já fui os extratos da loucura,
eu já fui vestes de candura,
já fui a carta extraviada,
eu já fui o tudo e fui o nada.

Já fui o anel de casamento,
eu fui fogueira de São João,
já fui um refrescante vento
que resvalou em sua mão.

Já fui a vida renascente,
eu fui a morte que atordoa,
eu já fui pedra, bicho e gente,
eu fui a carranca da proa

que corta em mares revoltosos
as linhas de uma poesia,
eu já fui olhos tão chorosos,
eu fui o extremo de alegria.

Eu fui papel e fui caneta
a transcrever a vida em versos,
já fui estrela e até planeta
a viajar pelo universo.

Já fui a rosa e seu espinho,
eu fui um raro passarinho
que cancionava em sua janela,
eu fui um rastro de aquarela.

Mas hoje eu tento ser poeta
ou até quem sabe um erudito,
mas minha alma é de asceta
observando o que é bonito.

Mas hoje eu tento aquele verso,
verso de outrora, esquecido
entre rascunhos malogrados
dentro de um coração partido.


Jonas R. Sanches
Imagem: Sidney Hobart
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