segunda-feira, 30 de junho de 2014

Depois que Cessarem as Tempestades



Enquanto a vida não passar
eu vou ficar contando o tempo
absorvendo os desalentos
ou apenas vivendo para te amar.

E depois que o sol anoitecer
vou mergulhar na escuridão
e tentar remendar o coração
que outrora foi cacos pelo chão.

E depois que o rio chegar ao mar
vou mergulhar no eu profundo
para encontrar no submundo
outra carcaça de uma ilusão.

E depois que passarem as poesias
então passarão todas as horas
que estive eu longe de ti
e o meu verso será tua alegria.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 29 de junho de 2014

De Quando Eu Lhe Espero com uma Poesia



Eu fico a sós a lhe esperar com poesia
que canta em versos esse amor latente,
que conta que você é minha alegria,
sol da manhã, você é a luz do meu dia.

Eu fico a sós a lhe esperar com essas flores
que eu colhi em jardins vastos siderais
onde eu plantei a flor do amor e além do mais
eu plantei lá a semente dessa paixão.

Eu fico a sós a lhe esperar nas madrugadas
e você chega bela como se fosse a lua,
ouço seus passos a caminhar pela calçada,
sinto seu cheiro a perfumar a minha rua.

Eu fico a sós e pra você eu guardo o beijo
que é o beijo mágico, tão trágico de amor;
eu guardo o beijo junto do meu desejo
de ter você para curar a minha dor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Almas Silenciosas



Um silêncio obsequioso
amainando os pensamentos
e a alma clama luz
e o corpo ficou para trás.

Belos são os sonhos reais,
indubitavelmente belos;
meus sonhos movem-me além
de todas as barreiras inadequadas.

Um silêncio extraordinário
se antepôs ao grito derradeiro
e a alma então se libertou
dos grilhões insanos terrenos.

Belas são as flores,
inconclusivamente belas;
plantei flores em um jardim de sonhos
e as cores que desabrocharam
tinham sabor de insurreição.

Um silêncio mental e poético
transpôs os recônditos sem fim
das almas brandas e eternas
que na noite olham por mim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Soneto a Esperar a Poesia



Enquanto eu fico a esperar a poesia
observo no horizonte o raiar do dia
e as palavras que jorram são de amor
amenizando o mais profundo da dor.

Enquanto eu fico a esperar a poesia
eu observo os pássaros em cantoria
e a palavra que surge é multicor
revigorando a minha alma de esplendor.

Enquanto eu fico a esperar em solidão
escuto o timbre ao bater do coração
tão rubro e calmo nessa sensação,

dessa espera eis que brota um soneto
retratando a paz desse momento;
um mergulho no algoz do pensamento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 25 de junho de 2014

De um Cálice de Cores Astrais



Enquanto a matilha passa
conversando em línguas estranhas
eu me derreto ao sol
com meu caderno de anotações

e meus olhos secos
se alimentam de cores astrais
enquanto na fresta do mundo
transeuntes caminham solitários

e mesmo que os olhares se cruzam
eu continuo lendo um Baudelaire
em frente a uma tela de Dali
de onde pululam formas decadentes

de animais estuporados de calor
e na próxima visão
eu enxergo um novo som
que Gilmour compôs alucinado

degustando um cálice de estrelas
e alguns tônicos siderais
que eu bebi outrora em um ritual
junto aos índios bruxos de Sonora.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 24 de junho de 2014

Das Estradas por Onde Eu Fui Poesia



Nas estradas que trilhei poesias
algumas pétalas de recordações
desabrocharam em flores da vida
titubeando as vozes dos corações

que retumbantes curaram feridas,
que trêmulos partiram-se ao chão,
que amantes acenderam aos céus,
que apaixonados foram além da ilusão.

Nas estradas que trilhei alguns versos
algumas pétalas de cores tão raras
desabrocharam em flores da morte,
foram aguadas por um rio de lágrimas

que escorreram em dor de saudade,
que foram as vozes de olhos marejados,
que foram vezes no espelho a idade
que foi passando e deixando anos idos.

Nas estradas que trilhei meus poemas
eu colhi amores, terrores e paixões,
eu vislumbrei imagens e sensações;
e retratei em uma pintura poética.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Carícias



Carícias em seus cabelos chocolate
transpassam os sentimentos escarlates
que brotam, que tocam o meu querer
que é poder ser um junto a você.

Caricias feitas em palavras e poesias
por um poeta incauto naquele dia
que o cupido chegou como melodia
e fez nascer no coração a sua alegria.

Carícias em seus cabelos chocolate
e um beijo doce do tempo e da distância
que causa saudade e uma certa ânsia
de enlaçar-me em você e ver acontecer.

Carícias insanas e profanas, delícias;
em versos gostosos, sutis e apaixonados
que brotam naturalmente, sem malícia;
em dois seres que querem estar lado a lado.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 22 de junho de 2014

Soneto de Duas Linhas Paralelas de Pensamentos



De um mundo engraçado e desgraçado
um rastro sarcástico do passado
ou, um futuro indefinido em penumbra,
ou um riso no presente que deslumbra.

De um mundo de rasuras tão impuras
um rastro fundo e insano de loucuras
mas, sem loucura eu não teria poesia,
sem poesia não haveria minha alegria.

De um mundo insensato, fio de soneto
de onde a letra escorre branda e incessante
preenchendo a linhas paralelas do sol;

horizonte indefinido de arrebol
onde a vida se torna interessante
dentro de um copo raso de cianeto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Despertar na Madrugada



De repente a madrugada desperta
para um novo verso um tanto confuso
de um sonho louco um tanto conciso
com a estrela flamejante que é certa

e, que guia a minha alma inócua e incerta
por caminho enveredado e obtuso
deixando lá atrás aquilo em desuso,
afrouxando a vida incisa que aperta.

De repente a madrugada explode
e então esse soneto em verso eclode
derramando a letra nua que sustenta

e alimenta o pensamento puro e límpido
e, a luz que dele irradia me alimenta;
e, o olhar de luz poética é puro e ávido.


Jonas R. Sanches
Imagem: Arte Maçônica retratando Sirius, a Estrela Flamejante, como o destino da viagem do maçom. 

sábado, 21 de junho de 2014

Soneto de um Coração em Meditação



E foram tantas as coisas vividas,
e foram tantos tropeços nas vidas
que aprendi a cair e logo levantar
sem me ferir e nunca pestanejar.

E foram tantos segredos contidos,
e foram tantos os ombros amigos
que conheci o meu lado de humano
e assim tracei um novo poético plano.

E foi de uma lembrança este soneto
e o verso que rima é meu introspecto
que nasce em uma fugaz meditação;

momento profundo ouvindo o coração
com sua voz macia que grita no peito
quando o corpo se desprende do leito.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Encontro com a Poesia



Eu então encontro-me com o amanhecer
e uma saudade inóspita toma conta do ser,
saudade de olhar você, por entre a fresta do tempo;
saudade de te conhecer, apenas um beijo ao relento.

Eu então encontro-me com a madrugada
e o coração trêmulo sente uma paixão,
sente que ao longe um outro alguém me olha,
sente que a poesia grita por essa sensação.

Eu encontro-me com aquela menina
e os pensamentos vagam em imaginações,
será realidade o que há nesses corações?
Será que a vida seguirá por novos caminhos?

Eu encontro-me com meu eu complexo
e os devaneios redemoinham a esmo,
na minha cabeça sequelas das emoções
que tomaram conta sem mais indagações.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Analogias e Contrações



No voo do colibri ou do pirilampo
belezas díspares estrangeiras
bailando em leve ar os seus encantos
cada um a revoar da sua maneira.

Na pétala de rosa ou de crisântemo
as cores incessantes e derradeiras
colorindo os meus jardins de lisiantos
cada uma a perfumar em sua essência.

No canto do pintassilgo ou do sabiá
as notas insistem em novas escalas
que o maestro nefasto reflete ao anotar
para compor a nova sinfonia passarinheira.

No sol radiante nascente, adjacente ou poente
a luz e as imagens refratadas nas pupilas do poeta
que vê nos reflexos dessas luzes novas ponderações
onde são ápices dos píncaros das imaginações.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Menino Verso



Dos pensamentos daquele menino nasciam novos universos, era ele o menino-verso, seu olhar era transverso e via tudo em seu inverso, em suas cores pinturas de dores, flores e amores, em seu tato um rastro de imaginação que nascia da sensação inadequada de quando alguém murmurava algo que feria seus ouvidos, era ele esse menino, menino-verso, às vezes do mundo desconexo, pois seu eu era complexo, amplexo, convexo com sintaxes de uma nave que o carregava daqui pra lá, de lá pra cá, sem saber onde pousar, menino esse que só queria cantar, menino-verso, menino que só queria versar, explorar novos mundos, velhos submundos, fantásticos supra mundos, era ele esse menino, menino-verso, ambíguo e simplista, sua imaginação se perdia em sua vista helenista, seu arrebol era um canto sideral que acalmava o animal que habitava em seu peito quando estava no leito de um rio de estrelas dos seus pensamentos, era ele transverso, imerso em seus versos, era ele um eu complexo, eu era ele e ele era eu, éramos o menino-verso.


Jonas R. Sanches
Imagem: Benjamin Lacombe

Inóspitas Retóricas de um Mar sem Poseidon



Poseidon afogado em mares fragilizados
e saxofones em solos de alguns martírios,
minha poeticidade vem nas manhãs de junho
e nas festas de Juno novas guerras vãs.

Cataclismos poéticos colhidos nas campas
e pelas casas dos poetas mortos, cruzes;
crucifixos pendem nos pescoços atrozes
de falsos deuses com seus olhos e algozes.

Um blues jazzístico ecoa pelos pensamentos,
alternativas visionárias de um calabouço vazio
por onde os sons dos gritos escorreram outrora
e agora é só essa recordação deveras sem nexo.

Camélias circundam jardins circuncidados
por outras religiões, não àquela das flores;
regiões inóspitas esquadrinhadas nas madrugadas
por onde minh’alma caminha sombria e só.

Poseidon ressuscitado e um estandarte azul
flamula em uma proa repleta de ninfas e sereias,
minha poeticidade vem nas manhãs de junho
e meus anseios pueris partiram com as ondas do mar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Soneto Insano e Concatenado



Poesias tentadas concomitantes
lisonjeadas por mestres obstantes
com comentários arrasadores
que deixam-me vivenciando fulgores.

Poesias anestésicas momentâneas
entre letras rasgadas simultâneas
que impactam almas em sequelas
e impõem caminhos secos de vielas.

Eu poeto um soneto ríspido ambíguo
com um pensamento casto e profícuo
reverberando a alma sisuda e amiúde

que derrama dores e amores rudes,
dores corrosivas convencionais
que gritam as vozes dos animais.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Versos Brancos



Nada como uma manhã de junho
com o sol esbelto a irradiar
seus raios e sensações ultravioletas
que colorem uma inspiração poética,

que mimetizam o gesto das flores
em uma fotossíntese matinal
e os pássaros esticam suas asas
que diferente das de Ícaro, sobrevivem,

sobrevoam os píncaros das alusões,
sobrepujam as vestes dos sacerdotes
que oram e abençoam aos domingos
mas, inda é uma terça-feira de inverno

e abriram-se as portas do Tártaro
então caminhei atento com caneta em riste
anotando sofrimentos e alguns sarcasmos
de almas inóspitas que adoram o lugar.

E o rock continua sobrevivendo
entre partituras e guitarras quadriculadas,
meus tímpanos sonoros diversificam
e acolhem e transpassam versos brancos.



Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de junho de 2014

De um Tempo Onde o Tempo não Parou de Passar



De tempos em tempos novos tempos,
nova poesia com a mesma velha frase
que se espirala em novas conclusões
como fosse outra volta de uma galáxia

distante, tão distante que é logo ali;
nos confins de um pensamento extenso
que borbulha e se derrama como leite
se espalhando em estrelas na Via-Láctea.

De ventos em ventos um cisco nos olhos
e a lágrima é um brilho muito salgado,
ondas dos mares de todas as sensações
que escorrem tal qual cascata de pensamentos

e se há um dia glacial ela se congela
junto com a solidificação do coração;
coração de asteroide sem direção
impactando versos viris e destrutivos.

De tempos em tempos a velha inovadora poesia
corroendo um outro tempo de outro lugar
por onde em becos e vielas vivo a divagar,
tentando encontrar novamente aquele olhar

do espelho; reflexos de relógios eternos,
civilizações secando em varais ao sol de março,
ao som do vento que carrega o tempo
e carrega todos os guardanapos com anotações.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

De um Poema em Viés



Poemas prosaicos estonteantes
de temas arcaicos exuberantes
falando de flores e hierofantes,
falando de vidas tão obstantes.

Poesias parnasianas elementares
de poetas amargurados salutares
que cantam tristezas e nostalgias,
que gritam metáforas e analogias.

Poemas de emblemas e contrapontos
compostos por versos já semiprontos
de um homem com a caneta de tinta preta,
de um homem que veio de outro planeta.

Poesias que versam dias intermináveis
de poetas em seus mergulhos inenarráveis
tão fundos que se afogam em corações,
profundos tais quais oceanos de ilusões.


Jonas R. Sanches
Imagem: Swampy

domingo, 15 de junho de 2014

Poético Sintético Genético



Poético, lírico, etílico;
genético, sintético, genérico,
ascético, assético, asséptico,
antibiótico, antidiabético, antiético.

Poético, fonético, frenético;
alfabético, léxico, analfabético,
estético, esquelético, epiléptico,
eclético, mimético, atômico.

Poético, magnético, aritmético;
cético, profético, patético,
hipotético, neurótico, paranoico,
assimétrico, geométrico, apologético.

Poético, psicodélico, energético;
iônico, daltônico, catatônico,
milimétrico, egocêntrico, intrínseco,
cataclísmico, apocalíptico, fim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Múmia Aymara

Versos aos Adeptos



No místico poetar resplandecente
minh’alma resumida entre agouros
que surgem em vislumbres incandescentes
de eras d’onde aprendi o segredo do ouro
que deveras outrora era chumbo pesado
que agora em sutil pensamento foi transmutado
e nas linhas que preencho a esmo com ternura
todo o aprendizado da magia em candura
que por tempos no subconsciente é o que perdura
fazendo das lidas sofridas a sapiência pura
e àqueles que compreenderem a voz do adepto
deixo aqui alquimia repleta do eco do incerto
que é aquela voz que move amores e montanhas
que é aquele grito poético vindo das entranhas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Círculo de Cabala aos Exús

sábado, 14 de junho de 2014

Estribilhos Avoados



Caminhei pelos ladrilhos
tão sereno pelos trilhos
na mente um ritornelo
e o último verso um estribilho.

Nos olhares alvos brilhos
misturalismos de cantarilhos
causando tudo que é belo
e o último verso um estribilho.

Nas palavras trocadilhos
e as canções dos andarilhos
relembrando Grande Otelo
e o último verso um estribilho.

Tantas sedes e um sarilho
trás a água nos cadilhos
e o poema que foi sincero
terminou com um estribilho.


Jonas R. Sanches
Imagem: A máquina de gorgear - Paul Klee

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Alma Alquímica



Meu olhar se perde no espaço
e a alma é centelha entre estrelas,
o corpo morre e renasce no templo
e o tempo é o remédio da poesia.

Meu olhar vaga por entre sonhos
e o espírito se recolhe ao Cósmico,
a cruz e a rosa são a eternidade
que a consciência recolhe consigo.

Meu olhar entre as colunas do vento
e os pés galgam os três degraus,
na câmara da morte a ressurreição
e as vestes então se tornam luzes.

Meu olhar de adepto busca verdades
e as revelações se dão em certa idade,
e o poeta iniciado se deleita na natureza
se fundindo às benesses e as belezas.

Meu olhar se perde no espaço
e a alma com o eterno cria laços
inquebrantáveis como a criação
que se refaz após a destruição.

Meu olhar vagante do infinito
e o espírito é o mercúrio e o sal,
e o poeta bebe do leite da virgem
que o Cósmico derrama das estrelas.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 11 de junho de 2014

De um Soneto Amanhecido sem Inspiração



Amanheço sem a tal inspiração
então eu busco na mente o recomeço
de uma vertigem algoz do coração
e num vislumbre então me reconheço.

Amanheço sem a comiseração
então eu olho para o sol e desvaneço
no peito brota uma nova sensação
de um teor lúgubre que desconheço.

Manhã de aurora plúmbea distorcida
por onde a vida nua então é conduzida;
transmutação de almas em firmamentos

por onde vão estrelas e trejeitos,
por onde vão os agouros dessa lida,
por onde nascem versos de sonetos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Anthology by Craig Parker

terça-feira, 10 de junho de 2014

Das Vidas que se Vão pelos Dias Intermináveis



Os dias passam depressa
e já não há promessas
de o sol na manhã ressurgir
mas eu o espero no amanhecer

e espero as flores e os colibris
que semeiam alegrias na janela
da alcova onde guardo os sentimentos
e o resto passa como o vento.

Os dias passam depressa
e eu já não tenho a mesma idade
sinto a essência esvair-se de mim
e minha casca está deteriorando

junto as pedras e as montanhas,
junto aos pássaros e a Macedônia,
junto as árvores e as caledônias,
junto ao universo em decomposição.

Os dias passam depressa
e o que ficam são recordações
amplificadas nos corações
que não se cansam das paixões,

que não se cansam das poesias
que ficaram gravadas nos dias,
que ficaram gravadas nos livros
que eu carregarei junto comigo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Versos Alternados no Espelho



E se eu versar a morte,
serei breve e melancólico
falarei da alma indômita
nos seus dias merencórios.

E se eu versar a vida,
serei mais que uma ferida
falarei da minha lida
nos meus dias simplórios.

E se eu versar a noite,
serei como a dor do açoite
falarei das almas livres
recolhendo seus espólios.

E se eu versar ao dia,
serei luz ensolarada
com alma desacabrunhada
que nasceu na madrugada.

Mas eu versarei a flor
que é donzela em meu jardim,
que se veste só para mim
em seu tom multicor.

Mas eu versarei amor
que é combustível de viver
com um pouco de prazer,
com um pouco de torpor.

Mas eu versarei ao céu
ou talvez ao mausoléu
onde eu guardei estrelas
dentro do meu chapéu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 8 de junho de 2014

Saudade de Ti



Palavras de saudade
de olhar a Terra lá da Lua
iluminando a tua rua

clareando teus sentimentos
e em um bafo
como o vento

beijar a tua face que resplandece
quando ouve falar da nostalgia
que faz-se triste

mas inda tão necessária
à senda vagarosa e arbitrária
dos corações que distantes arrefecem

doentes solitários de paixão
dementes desse amor em coesão
que mesmo longe se fortalece

e minha saudade inda continua
de olhar a Terra lá da Lua
vê-la iluminar tua pele nua

adormecida a sós entre os lençóis
saudade de olhar entre arrebóis
e imaginar você junto de mim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Menino da Lua

Soneto das Auroras Abissais



Nas auroras relativas despertar
com o som da natureza e o gorjear
de um pássaro algures multicor
com suas penas e um canto de esplendor.

Nos jardins de caledônias contemplar
as vozes do surreal a desabrochar
em pétalas colores e velutíneas,
beijo de beija-flores em gramíneas.

Aurora salutar de pensamentos
tão sós a desabar em abissínios
momentos a revoar com os ventos

sozinho a vislumbrar os pandemônios;
sozinho a divagar em cordilheira,
sozinho a poetar dessa maneira.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 7 de junho de 2014

Poesias e Teorias e Coerências e Algo Além do Mais



Começarei falando da inspiração
que é coisa transcendental da mente
que concatena o que vê e o que sente
e logo após é como fosse somente a poesia

elaborada por essa luz translúcida que guia
as minhas mãos, meus pensamentos,
e então como se fosse um vento o verso
descreve com clareza os algozes das sensações.

Continuarei falando das coerências
que são a chave dessa hermética transpiração
enlevando autor e leitor além do chão,
além do cognoscível, bem pra lá da razão

que vez ou outra distrai àqueles humanos
que deixam de sonhar e vivem fazendo planos
cheios de egocentrismos pútridos banais
e as alegrias que são simples deixam para trás.

Agora falarei das almas das metáforas
que secam todas as sedes, enchem ânforas
com as águas límpidas dos corações reais
que lavam e purificam esse mundo atroz

e, além do mais, interpretam o irreal,
desgastam todas as intempéries dos maus
agouros e, refletem aqueles tesouros
que a literatura deixará à eternidade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Olhar Esquálido



O sol se pôs
mas vai voltar
atrás do mar

e o vendaval
varreu o céu
e já não mais

o coração
que então amou
e agora jaz

despedaçou
e só restou
esse negrume

e a lua nova
já tão chorosa
se despediu

e no horizonte
quase sumiu
e o que ficou

foi recordação
daquele amor
que hoje é dor

que é desamor
no verso pálido
já tão inválido

de olhar esquálido
mirando cálido
a imensidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: José Marafona

Soneto Após Algumas Garrafas de Vinhos Bons



Sentindo a morte rondando meus passos
eclipsei versos de desembaraços
e das fontes jorraram puro sangue
então nasceu um ser funesto e bilíngue.

Foram tempos duros e inadequados
corroendo almas sem nenhum suprimento
e devido a isso somente lamentos
derivados de homens quadrados.

O que resta sempre é nulo e poético
remanescente do meu eclético
quase descrito no obituário

remanescente da vida e o orvalho
que regou a tumba constantemente
foi o que fez eu renascer mui contente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Coisas do Coração



Meu coração entre outros
como um sol a contemplar
esse desejo um do outro
e eu somente a solitar

por esses dias cumpridos;
coração a esperar
um amor prometido
pronto a dilacerar

esse peito corroído
já morrendo a divagar;
tantos amores ferindo
a mente a imaginar

essa tal solidão
que faz desesperar
esse homem-poeta
moribundo a desabar

nas cascatas da morte
que carregam ao ceifar
essa pútrida vida
sem ao menos almejar

um futuro presente
que carrega o linguajar
dessa mente pungente
que insiste em viajar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Pensamento de um Poeta Enviesado



Um pensamento enviesado
pululou contente na mente
indulgente e concatenado
em um poema famigerado.

Um pensamento é como o vento
que vem varrendo extasiado
esse terreno vasto e fertilizado
de poemas novos e predicados.

Um pensamento surge repentino
enquanto o mundo em desatino
de transeuntes robotizados
seguem suas sendas alienados;

mas, o poeta enxerga bem além;
enxerga e sente as flores florindo,
enxerga e vê o mundo mais lindo
pois, seus olhos são imaginações

que tocam fundo nos corações
e deixa-os moles e despetrificados;
deixa-os como sonhos alados
que carregam as almas ao céu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Saudade de Casa



Gosto sempre dessa velha infância
pois, os adultos são só complicações,
sofrem e adoram as comiserações
que afligem suas almas sem inocência

e, quando olham as estrelas são angústias
que eu também não sem d’onde vem
mas, essa nostalgia entendo muito bem
pois, são reflexos de uma casa que habitei

e, de lá sinto uma saudade tão imensa
que me faz ser sempre essa criança
mesmo que a carne nua e crua envelheça
pois, meu trabalho aqui é de luz e de beleza

pois, quero viver aqui pelo menos o reflexo
de outras vidas, outros mundos onde vivi;
sou hoje dessa imensa terra pois mereci
mas, eu sei dentro de mim, que não sou daqui.


Jonas R. Sanches
Imagem: Plêiades

Enquanto Eu for Poeta



Enquanto eu for poeta voarei
por entre os cimos infindáveis do além;
além do mais, além do menos eu já não sei,
só sei do que inda não sei ou saberei
daquelas coisas que já vivi ou viverei.

Enquanto eu for poeta à fantasia
por entre as cúpulas lustrosas do pensamento;
penso em você, penso calado, penso no vento
que abre as portas, às escancara para a ilusão,
de um caminho que sigo em passos do coração.

Enquanto eu for poeta caminharei
por chão de estrelas feitos à canetas esferográficas;
por céus notáveis de nuvens amáveis fantásticas
onde aportei o meu veleiro estranho voador,
onde deixei aquela angústia e encontrei amor.

Enquanto eu for poeta dividirei
vidas singelas pelas estrofes que são esdrúxulas,
seguirei sendas lendárias por entre as bússolas;
se eu vou ao norte, sul ou nordeste inda não sei;
só sei das coisas idas ou sei que inda não sei.


Jonas R. Sanches
Imagem: xxkiriku

terça-feira, 3 de junho de 2014

Das Sinfonias Silenciosas da Natureza



Ao escutar o silêncio da natureza
em seus sibilos poéticos de belezas
minha alma freme nua em espasmos
e então se cala e com a luz se intercala.

Silêncio eterno que é tão melódico
em melodias de introspectos senis
que são os cumes dessas harmonias
da poesias que refletem o que eu quis.

Ao escutar o silêncio da natureza
sinto o espírito em violência explodir
em supernovas em universos intermináveis;
em nova nota que da canção vem ressurgir.

Silêncio eterno que é a voz do sempiterno
falando às flores, cantando às pedras o som eterno
que rege a orquestra que por estrelas é aplaudida
na sinfonia elementar de uma vida.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Das Reflexões de um Amanhecer Gelado



Em contrapartida a alma se equilibra
no verso, na vida imbuída, sofrida;
e no contraponto um tanto torto
o olhar já morto, eterno vislumbre do sol.

Verbalizações revisitadas na noite
onde gritos aflitos querem a poesia
que desmistifica a alegria passageira
de forma pioneira ou derradeira.

Meus ossos rangem com o frio
mas, a mente é suficientemente clara
e dispara entre linhas de horizontes
longínquos, onde moram novas ideias.

Até parece sem sentido algum
mas, coerências e coesões entrelaçadas
submetem alhures a uma nova reflexão
dos espíritos atordoados pela evolução.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Estratificações de uma Alma em Silêncio Absurdo



Nesse sopro indelével da noite
meu espírito vaga distante
bem pra lá de qualquer horizonte
e a viajem é nó de explicação;

é viajem ou viagem, escolhas a esmo,
pois deveras guardar seu segredo
ou o medo abstrato insensato
que desliza do porta-retratos;

mas é nato do verso a esperança
que desvenda algures a lembrança
esquecida de outrora perdida
entre seus impropérios anexos

nessa carta de expurgos e nexos
desgastada por ventos silvestres
que retrata a morte nos agrestes
ou a fome infinita dos homens

que vagueiam sem bússola ou sonhos
nestes vastos jardins tão medonhos,
nessa busca por um sorriso irrisório
que despede-se no algoz do velório.

Nesse sopro incontido da foice
vejo a noite em vários transeuntes
que sem rumo são os mesmos de antes,
e na boca calada o silêncio e um cuspe.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 1 de junho de 2014

Sonho Irreal



Se fosse real aquele sonho
então acordarias ao meu lado
e nossos corpos nus entrelaçados
perfumariam minha alcova tão vazia.

Se fosse real aquele sonho
caminharíamos pelas vias siderais
de mão atadas sem olhar para trás
e o nossos beijos seriam de amor.

Se fosse real aquele sonho
nós estaríamos a sós com a poesia
e nossos olhares iluminariam
aquelas noites sem lua e sem estrelas.

Mas não foi real aquele sonho
e despertei em solidão amargurada
e o meu olhar no espelho desditoso
refletia longe o meu pesar airoso.


Jonas R. Sanches
Imagem: Yarek Godfrey
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