sábado, 31 de maio de 2014

Das Chispas das Estrelas e das Fogueiras



No fogo a canção das estrelas
que do céu espiavam a noite
tão escura em meio a fogueira
e a madeira nua a crepitar.

No fogo uma dança de chamas
que encantava a pupila que olhava
e o que via era além do infinito,
eram chispas brindando em frêmito.

Na noite o poema soturno
que no fogo da estrela inspirou
algum verso no inverno noturno
que no vinho se dissipou.

Na noite a fogueira reluzia
e os devaneios eram constelações
que no breu faziam companhia
na alegria de dois corações.

Nas estrelas um fogo distante
relembrando almas de salamandras
que fulgiam na chama o instante
onde a madrugada tornara-se branda.


Jonas R. Sanches

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Sentimentos Nucleares em Versos Apocalípticos



Olhares cinzentos,
sentimentos plúmbeos;
e o agora é por acaso
dentro de poesias fúnebres

que exalam taxidermias
entre olores pútridos
de cadáveres ainda nocivos
em caixões lacrados

de funerais de guerra
sem sentido algum;
e nas industrias bélicas,
sorrisos e insinuações

contra vidas jovens
que são desperdiçadas,
diluídas e massacradas
em um terreno hostil.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Memórias Póstumas da Flor da Vida



Guardei na memória aquela flor
de puro olor e magnificência,
de alvas pétalas de iridescência
que iluminaram o meu puro amor.

Guardei na alma aquela flor
que era de lótus ou o renascimento,
que era a paixão sagrada do tempo
onde o tempo foi de desprendimento.

Guardei na vida todo o sagrado
e a luz irradiou um sopro de sabedoria,
e a luz era diáfana, não era a luz do dia;
era o éter fluindo da eternidade.

Guardei na memória a luz da flor,
foram recordações do divino amor
que fluiu e manifestou o conhecimento
d’onde nasceu a poesia de um novo tempo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Bráz Cubas

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dança das Antíteses e dos Paradoxos



Eu vejo a dança da vida
e ouço a música do cosmos,
eu sinto a dor na ferida
e dilato a pupila dos olhos.

Eu vejo a vida que segue
e vivo a vida presente,
lembranças não me perseguem
e os sonhos são vivos na mente.

Eu vejo o verso da vida
e verso a vida querida,
eu ouço o verso reverso
que brota na poesia.

Eu vejo a luz desse dia
e brilho o sol em meu peito,
eu brilho a noite de estrelas
e amanheço entre trejeitos.

Eu danço a dança da vida
e a poesia é minha melodia,
eu danço à luz das estrelas
e canto essa poesia

mesmo que seja de dia
ou seja a noite dos tempos,
mesmo que falte a alegria
quando eu dormir ao relento.

Eu canto e danço a essa vida
pois minha alma é infinda,
eu componho minhas poesias
com letras maravilhindas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Nevoento



O nevoeiro encobriu o sentimento
e o frio no coração foi como vento
que varreu pra longe a dura sensação
que tapava os estribilhos da canção.

Nessa manhã de soneto inenarrável
ouço o melro com seu canto interminável,
nessa alvorada gelada eclodindo
melodias de mil pássaros sorrindo;

e o poeta versa certo inconclusivo
as belezas dessa aurora radiante
que o faz sentir mais livre do que vivo

quando deixa os devaneios no seu crivo,
quando olha no jardim um novo cravo;
e a luz que chega mansa é o bastante.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 27 de maio de 2014

Alma em Recolhimento



Às vezes minh’alma se recolhe
junto ao sol e o crepúsculo
e ficam sequelas do entardecer
com suas cores atrozes e lúcidas.

Às vezes não há o sentimento,
o que ficam são olhares e friezas
a contemplar um mundo doente
onde as feridas jazem incuráveis.

Às vezes me detenho na poesia
ríspida que desaba qual avalanche
que carrega as vidas, os sonhos;
me detenho em um cálice de vinho.

Às vezes calo-me e espero a germinação
dessas sementes que semeio ao caminho,
eu colho as flores com um toque de carinho
e ofereço-as aos percalços do infinito.

Às vezes minha alma se recolhe
em uma escuridão interminável
mas, é quando vislumbro as estrelas
que pelas noites fazem-me divagar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Dos Filhos das Estrelas



Dentre as estrelas o berço da criação,
seres manipuladores da evolução
a anos-luz uma primeira conclusão
nascia a vida na energia em união;

nasceu o espírito do gérmen dessa explosão,
eram espectros inda dotados da ilusão
mas já havia a alma do Deus universal
que espalhou sua centelha de iluminação.

Dentre as estrelas laboratórios das espécies,
um lume extenso elaborando o DNA
que então seria a relativa inteligência,
dança caótica, o suprassumo da indulgência;

e o equilíbrio das energias então se fez
mas, caíram anjos, foram banidos pelo bem
por esquecerem e dissolverem seus sentimentos;
então viveram a adaptalidade dos tempos.

Dentre as estrelas então surgiu um novo mundo
que por milhares de anos foi desconhecido
mas, descoberto pelos novos deuses esse paraíso
d’onde jorrava o ouro puro e o bdélio;

nascera então com toda graça e interesse
um novo lar para esses deuses sem escrúpulos
foi quando o homem adquiriu sabedoria,
foi quando soou a nota primeva da melodia.

Dentre as estrelas existe um lar de escravidão
manipulado por falsos deuses e religião,
um lar pequeno tão fustigado pelas guerras,
esse é o meu lar, esse é o Planeta Terra.


Jonas R. Sanches

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Nostalgias Miseráveis



E foram dias nostálgicos
onde o coração fremiu
e os olhos marejaram
com a visão das ondas do mar.

E foram dias conturbados
onde a mente se dissipou
e os pensamentos viajaram
com ilusões de rever o amor.

Quantos os desejos inertes
que ficaram à mercê do tempo
que passou sem deixar um alento
e a paixão recolheu-se no peito.

Quantas as poesias chorosas
rabiscadas pelos meus dedos,
rebuscadas pelos meus segredos
que são frutos maduros dos medos.

E foram dias intermináveis
lacerados em dores inenarráveis
que o poeta não soube versar
pois, foram dias onde não pode amar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 25 de maio de 2014

Tempos de Poesia



Enquanto é tempo de poesia
a mente transparente brilha
em uma iridescência reflexiva
e na metáfora há o mistério.

Enquanto eu vivo a poesia
a mente mergulha profundamente
em um lago límpido de pensamentos
e nas analogias a vida e a morte.

Enquanto a natureza é poesia
o movimento é adequado e perpétuo
e as flores perfumam os versos
que fluem do equilíbrio universal.

Enquanto eu escrevo a poesia
a noite assiste com olhos de estrelas
todo essa órbita ininterrupta
que faz dos dias orbes de evolução.

Enquanto proliferar a poesia
no mundo inda haverá a alegria
mas, se os versos se extinguirem
minh’alma adormecerá em silêncio.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 24 de maio de 2014

Era uma vez um homem...



Era uma vez um homem simples, mas, seu olhar era sinistro quando caminhava solitário pelas gretas da noite.
Era uma vez um homem desconhecido, mas, seus passos eram ouvidos quando caminhava solitário pelos vãos das estrelas.
Era uma vez um homem inusitado, mas, seu sorriso era penetrante e contagiante quando sorria para a lua.
Era uma vez um homem, um simples homem solitário e inusitado, caminhante das estrelas, enamorado pela lua, mas, tinha por ofício a poesia.
Era uma vez um homem, um poeta, de semblante alucinado, arquitetando mundos inimagináveis, percorrendo penedos infinitamente longínquos, tecendo com a linha da vida um bordado de letras subliminares.
Era uma vez um homem que vivia dentro do espelho do meu quarto.
Era uma vez um homem e esse homem era eu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Rebuscado



Poeticamente poético,
paulatinamente composto,
versificações exclusivas
de um sensacionalismo rebuscado;

e há o parnasiano entrelinhas,
e há o iluminismo bruxuleante,
e há o arcadismo de Pã,
e há o romantismo dos apaixonados,

e há a mão do poeta
que distribui nas estrofes as almas
que vagueiam em seus pensamentos,
em seus delírios,

em suas hipóteses,
em suas alucinações
bizarras como o sorriso da morte
que ceifa sem parcimônia a plantação

de homens e ovelhas,
de azaleias e girassóis,
de sonhos e pesadelos,
mas, ainda intacto o coração

do universo, pulsa o último verso
que exemplifica o amor derradeiro,
que metamorfoseia os espíritos,
que deixa escapar na linha a sensação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Sós com a Noite



Caminho a sós com a noite,
caminho sem pressa, soturnamente;
meus passos fazem canções lunares
e escuto as harpas soarem nos pensamentos.

Caminho com minha solidão noturna,
ao longe o uivo sombrio de um lobisomem
e as colinas estremecem em silêncio;
eu escuto violinos estratificando a inspiração.

Caminho na escuridão com olhar diuturno,
minha respiração ofegante balbucia a poesia
que faz reverências as estrelas no céu
que em um movimento imóvel sorriem.

Caminho a sós com a noite,
caminho por uma estrada infinita
por onde vou vislumbrando vidas que vem e vão;
mas, as impressões deixadas no éter são eternas.

Solitária e nostalgicamente à noite
adentra meus poros e minhas aspirações
deixando um vestígio vívido de um poema
que escorrerá dos dedos pela folha do caderno.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Famigerados Versos Antigos



Famigedos versos antigos
d’onde sopra a inspiração
e, sobram Fernandos e Pessoas
enquanto as Clarices desabrocham no jardim,
enquanto Bandeiras flamulam sonetos,
enquanto Drummondes saem a divagar;
e naqueles poemas eu vi Bilacs
sorrindo entre páginas de Baudelaire.

Famigerados versos antigos,
versos que deixarei para a posteridade
pois, são versos, são vidas, são as sensações
que penetram da alma, os seus corações;
e no viés do tempo uma outra eternidade
onde vivem poetas ascetas antigos
que deixaram as cores pintadas num livro
que eu guardarei em meu leito de recordações.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Bagagens da Lida



Trago gravado na alma
todas as vivências adquiridas,
todas as estradas percorridas,
e nas rodoviárias dessa vida

algumas histórias inusitadas
de outros e outras que conheci;
mas, de tudo isso o que ficou
foram versos reais de labor,

foram recordações de um amor,
foram os fardos da minha dor
que carrego aos ombros cansados,
que tornou-me um ser iluminado,

que fez-me poeta pela eternidade
em busca de algumas verdades,
em busca da pura essência de mim
que é onde permeia a voz de Deus.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Imprecisão Poética



Sensação inóspita
na poesia sem sentido,
entre transgênicos
e outros excessos.

Linhasemseparação,
versoconstantementeverso;
rimas contrárias/sairártnoc
no poema sem nexo algum.

Sensação intumescida
no coração arrítmico
e a poesia sem ritmo
agora é proliferação.

Poesia menina sem rima,
sem riso conciso e preciso;
preciso de uma gargalhada
etodossorrindojuntos.

Anteversos apressados,
interiores esvaziados,
impressões digitais
de autores anônimos.

Esconjuros sintéticos eletrificados
ressoando entrelinhas, entretanto;
inda não foi o bastante e preciso
melhorar a polinização do meu jardim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Os Pássaros da Minha Alma



E se eu pensasse como um pássaro
então voaria até bem perto de você
e trinaria melodias por todo o dia
e dormiria pelos beirais da sua janela.

Se eu fosse como pássaro voaria até ela
e minhas cantigas mistas em penas de aquarela,
faria um ninho dentro do seu coração
então seria o espírito em realização.

E se eu pensasse como um pássaro
então migraria longe pela imensidão
fazendo cantos de poesias pela alvorada,
compondo novas vertigens na madrugada.

Se eu fosse como pássaro voaria até ela
mas, minhas asas são pensamentos de cetim
e ela está lá tão distante de mim;
então me apego às esperanças de um poema.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 20 de maio de 2014

Achados e Perdidos



Me acho e me perco num verso,
talvez seja um verso-labirinto
por onde não há saída, só poesia;
e nas metáforas um novo alento.

Me acho e encontro a inspiração
que ronda no éter da imaginação
e se materializa em transubstanciação
das almas que calmas vislumbrarão

as profundezas das estrofes,
as profundezas de um espírito
que verseja incessante à vida
que passa, dia pós outro a ensinar.

Me acho e me perco em devaneios
e minhas alucinações são siderais,
então vagueio entre estrelas e letras
que suspensas alumiam meu olhar.

Me acho em planetas que criei
entre histórias, folclores e parlendas;
mas, eu sei que não sou deste lugar
estou somente de passagem a divagar

por entre monstros e fantasmas,
por entre flores, amores e animais;
e nas lacunas do universo um vislumbre
daquilo que já foi, daquilo que inda será.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Versos Reversos de uma Obra



De um livro uma nova obra
de homenagens e emoções
em partituras e corações
que se juntaram para mim.

De um livro lições de vida
que carregarei comigo
em poesias e recordações
que na mente inda são vívidas.

Dos alunos superação
em versos e sensações
escritos por várias mãos
para tocar minha inspiração.

De mim, sinceros respeitos
e meus versos em agradecimento
pelo translúcido reconhecimento
do trabalho ávido das minhas mãos.


Jonas R. Sanches 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Eu com Meus Botões



Eu novamente comigo mesmo
nessa toada boa da reflexão
pois das vivências desses dias
muita coisa eu guardo na recordação.

Pessoas novas, novas histórias,
novos olhares e uma nova sensação
refletem toda uma revelação
que no cálice de vinho tornou-se inspiração.

Então entoo uma poesia-agradecimento
àquelas almas brandas que trouxeram-me emoção,
àqueles dois jovens que tiraram-me a razão
quando também entoaram a poesia na canção.

Eu novamente comigo mesmo
nessa caminhada, mente nas nuvens
e os pés no chão;
fazendo cantigas com o coração.


Jonas R. Sanches

Impressões da Pinacoteca



Aquele corpo inerte sem sentidos
era um rugido, era a expressão de um coração;
naquele gênio um vasto olhar inconclusivo
que torna inciso o ato da reprodução;
e na história um naco de impressionismo
que Rodin moldou com suas mãos.

Aquele lustre suspenso às mãos de Deus
foi pela arte momento de transição,
foi do universo reflexo da criação
e a poesia inspiraria aquelas mãos
que transbordava a alma do iluminismo,
que Brecheret fez ao amor de sua musa.

Aqueles quadros, aquelas almas em exposição
refletem fundo em nossas almas e corações;
aquelas formas, aquele silêncio da oração
refletem espíritos artísticos em ascensão;
aqueles olhos, aquele profundo sentimento
foi que me enlevou a esse mergulho de alento.


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Do Vazio e dos Silêncios Momentâneos



Tudo está tão calmo na rua dos kamikazes,
seus aviões já não deixam mais sequelas
e os esqueletos nas paredes estão calados,
cansaram de sorrir aos transeuntes desajustados.

Tudo está calado naquelas esquinas infernais,
os diabos se recolheram aos infernos momentâneos
e as quimeras foram morar na rua dos pesadelos,
cansaram de tantos sonhos sem sonhadores reais.

Tudo está tão vazio nos becos e madrugadas,
os boêmios desistiram daquele botequim
e os copos já tão sujos não querem engolir,
cansaram de terem que dormir pelas auroras.

Tudo está tão calmo em meu coração,
meus amores já partiram solitários
e as sensações outrora repletas de despudor
já não emanam aquela libido tão assassina.

Tudo está calado no âmago do espírito,
os meus fantasmas deixaram de ser assombrações
e aqueles medos que afligiam sucumbiram,
já não aterrorizam mais minhas alucinações.

Tudo está tão vazio nos meus pensamentos,
minhas poesias adormeceram no verão
e aquela velha e sucinta inspiração
abriu alas para uma nova e revigorante canção.


Jonas R. Sanches 
Imagem: Google

De Quando Tento um Soneto ou De Quando Esboço um Sorriso



Se eu tento este soneto verdadeiro
não será o último nem será o primeiro,
será apenas uma outra composição
que derramou-se deste meu coração

que bate ferozmente e derradeiro
como fosse acorde de cancioneiro
que faz do amor sua singela inspiração,
que desperta sua paixão pela canção.

Se eu tentar um soneto novamente
será das aliterações da mente
ou, de rimas caóticas compulsivas

inventando palavras abusivas
que corroem almas sujas miseráveis
às carregando a infernos tão amáveis.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

Quando a Natureza me Traz Saudade



E o coração acordou à natureza
que em seresta festejou minha janela
com sábias e melros, cores e aquarelas
que misturavam-se às flores do jardim.

Eu lembrei dela e ela lembrou de mim
pois, no meu sonho se encontramos novamente;
saudade dela e a nostalgia reina assim
como um martelo que atormenta a minha mente.

Manhã singela, tão simplória quanto eu
que num vislumbre faz da árvore poesia
que versa simples essa luz que compartilha
o sol nas brumas desse encanto, desse dia.

Manhã por onde eu lanço meus devaneios
e entremeio a essa dança minha lucidez
então como o vento meu pensamento viravolteio
e meu poema parece o livro da insensatez.


Jonas R. Sanches
Imagem: Netinho Maia

terça-feira, 13 de maio de 2014

Altares do Desamor



Senti o gosto do sangue
que escorria pelas gretas do universo,
era o sangue dos deuses
que morreram nas batalhas;

e foram fumegados altares
nos cumes das montanhas do inferno,
foram perfumes raros
tirados dos ossos de Afrodite;

e o amor dos homens cessou
nas guerras que ceifaram todos os filhos,
eram os filhos de Adão,
eram herdeiros de Adão Kadmon.

Senti o gosto do sangue
que escorria enfurecido pelo tempo,
era um tempo de demônios
que pariram seus filhos na terra;

e foram erigidos altares
e, foram oferecidos sacrifícios;
enquanto o amor se desintegrou
e as luzes dos mitos anoiteceram;

e na última poesia um frio invernal,
e as quimeras do poeta eram infernais;
mas, amanheceu e o sonho partiu;
mas, uma nova era surgiu com a primavera.


Jonas R. Sanches
Imagem: Gustavo Fernandes

domingo, 11 de maio de 2014

Veredas da Cruz e da Rosa



Pelas veredas que sigo
a via oculta fortalece;
meus santos não são de barro
e minha poesia é de verdade.

O céu noturno é testemunha
das minhas oferendas
e, há além disso um pouco mais
que deixo pelas encruzilhadas.

Pelas veredas que eu sigo
a via dolorosa de uma vida
que segue com seus percalços
e, a cura de tudo isso é de outro mundo.

O céu noturno é conselheiro
quando derrama as vozes das estrelas
e com minha cruz adormeço
no leito aconchegante da rosa sacra.


Jonas R. Sanches
Imagem: AMORC

Às Mães



O que seriam os filhos sem as mães?
O que seriam as mães sem os filhos?
Poeto então às sagradas progenitoras
que parem às dores e às alegrias;
únicas e insubstituíveis melodias
maternas, são como o lume dos dias,
mães que se magoam e se iludem
com filhos que lhe fazem afronta;
mães que se orgulham e riem
com filhos que lhe fazem poemas.
Sagradas mulheres que são uma só
que cuidam, que sofrem tão sós
quando os filhos se perdem pelas madrugadas;
mães, mulheres grandes e santificadas.


Jonas R. Sanches

sábado, 10 de maio de 2014

Das Melodias Contidas nos Sonetos



A melodia contida no soneto,
solidão em um cálice de cianeto;
a noite e a poesia bela iluminista
seguida às inspirações do flautista.

As cores em ardor de psicodelias,
amores que refletiram nostalgias;
a noite na nova poesia barroca
entre mulheres despindo suas roupas.

Paixões e ódios em entrelaçamento
misturando-se aos gemidos do vento
e, a noite repleta de uma loucura

que entrecorta os olhares de candura;
pensamentos caóticos e nocivos
que deixei pelas páginas de um livro.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

Tecendo Novos Mundos



E com as letras vou tecendo mundos
parnasianos, livres ou de alucinações;
eu vou tecendo como fosse aranha
na árvore nova junto ao ribeirão.

E nesses mundos eu que escolho a lua
e as estrelas faço de brilho de purpurinas,
terão cometas passando de hora em hora
para enfeitar as noites das meninas.

E nesses mundos as ruas serão jardins
e todas as flores cantarão sinfonias
entre outras cousas terá o alecrim
que com olores será o rei do dia.

Serão meus mundos, mundos de paz,
por onde a morte passará distante,
terão meus mundos abóbodas de cristais
e suas moradas serão de diamante.

E nesses mundos uma só religião,
religião esta que será a poesia;
o ato sagrado será a pena nas mãos
e as orações serão em tons de melodias.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Das Analogias às Aliterações



No poema um duplo universo
de analogias, rimas e versos;
e as oposições em conversão
são as consonâncias da razão.

No poema a religião explícita
ou, implicitamente secreto
o pensamento da imaginação
que é vasto como o eterno.

No poema realidades poéticas
e, a poética é a mãe do mito
da vida e da morte de tudo;
do filósofo então desnudo.

No poema a raiz concomitante
e, a manifestação das aliterações
carregam a mente às metáforas,
carregam a alma às metonímias.

No poema o verso nu escancarado
e, o espírito versifica às dualidades
tanto em mentira como em verdade;
e o poeta é o sacerdote das letras.


Jonas R. Sanches
Imagem: William Blake

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Poeira das Estrelas



Eu vim do ventre de uma supernova,
eu sou, eu sei que sou, partícula de Deus;
sou como a planta que precisa do sol,
sou como a chama que precisa de ar,
sou a semente que germina na terra,
sou como a água que transborda do mar;
sou eu poeta que observa a criação,
sou ser humano com um templo coração,
sou só poeira, vinda de um vento estelar,
sou aprendiz onde o diploma é o amar.


Jonas R. Sanches
Imagem: NASA

terça-feira, 6 de maio de 2014

Versos Radioativos



São versos radioativos,
vestígios nucleares
como fossem pandemônios
dos horrores hominais.

São versos bombásticos
explodindo em céu atômico
como fosse apocalipse
devastando as esperanças.

E há a dança da morte
em bailes e funerais
tão nefastos como a guerra
que assola sem piedade.

E há rios de fogos-fátuos
desaguando em abismos
onde não há a poesia,
onde só há a escuridão.

E há o meu coração
tão cansado de sofrer
desgastado de morrer
fatigado de ressuscitar.

E há ainda versos cálidos
a queimar todas as almas
em um inferno que acalma
quem não sabe mais rezar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Poética Universalista



O poeta é o espírito
que versifica  o mundo
caótico e convulsionado
e sua música é solene.

O universo é o espirito
que versifica o logos
paradisíaco e cataclísmico
e sua música é a destruição.

Poetas e universos
convivendo em paralelos,
rompendo os elos
das músicas paranormais.

Poetas vibram notas,
universos vibram notas,
deuses assistem calados
esse mundo insurrecto.

Poetas microcósmicos,
universos macrocósmicos,
ambiguidades relativas;
farsa, agonia e ironia.

Poetas românticos,
universos tântricos,
versos e anomalias
e a música é realmente bela.

Dualidades poéticas,
dualidades universais,
unificação dos inversos
e nos versos metáforas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Continuação da Continuação



Despertei indiferente,
sussurrei alegorias,
refleti subitamente
e a noite se desfez em dia.

Poetei concomitante,
versejei à maresia,
mas não foi o bastante;
as ondas carregaram as letras.

Pranteei continuamente,
foram lágrimas metafóricas,
foram rios que verossímeis
carregaram as agonias.

Calculei todos meus dias,
dedilhei a flor do vento
já não havia mais tempo
de reaver minha alegria.

Retomei o olor das rosas,
enfrasquei nas melodias,
eram notas desditosas
que nas rimas se partiam.

Renasci então poeta,
ressurgi como um asceta,
eu andei de bicicleta,
eu fui até o fim do dia.

Adormeci em berço esplêndido,
eu sonhei com outra vida,
vislumbrei o que é eterno
então curei minhas feridas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 4 de maio de 2014

Sofismas de um Poeta



Momentos subjacentes estereotipados
relembram algures algumas alegrias
e a esmo então segue a vida desajustada
tão estranha quanto as minhas poesias.

Dias idos, dias vindos, dias pálidos;
tantos dias vivi na gangorra, inanimado
mas, os altos e baixos são flores de aprendizado
e agora só vivo as noites e os literatos.

Concordo e discordo no espelho de eu mesmo,
recordo de ti na mancha do batom vermelho,
recordo do mar em ápices de nostalgia
e nos olores da alma vestígios de maresia.

Poemas, lirismos, poetas e trovadorismo;
escorrem das lágrimas todos em desatino,
escolhem a forma do homem entre os sofismas
e eu, escolho entre as letras um jeito só meu.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 3 de maio de 2014

E do Verbo a Poesia se fez Carne



E do verbo a poesia se fez carne
então o poeta versificou-se
e nas linhas da vida a nova estrofe
com rimas de cores intensificadas.

E do verbo a vida se fez morte
então o poeta adormeceu mil anos
e nas linhas um vazio de silêncio
sem rimas, apenas a introspecção.

E do verbo a ressurreição se fez vida
então o poeta despertou junto ao sol
e as linhas agora estão repletas novamente
de rimas e de metáforas e de verossimilhanças.

E do verbo o sonho se fez realidade
então o poeta voou pelos cimos do céu
e as linhas eram as linhas do horizonte
e as rimas eram palavras do coração.

E do verbo a poesia se fez inverno
então o poeta desceu ao nadir do inferno
e nas linhas sofrimento e ranger de dentes
e as rimas eram cânticos de lamentações.

E do verbo a poesia se fez outono
então o poeta derramou suas folhas
e nas linhas um gélido calafrio anímico
e as rimas esperaram uma nova estação.

E do verbo a poesia se fez verão
então o poeta estendeu suas mãos
e nas linhas eram versos de solstício
e as rimas eram músicas de fulgor.

E do verbo a poesia se fez primavera
então o poeta contemplou seu jardim
e as linhas eram flores multicores
e as rimas então chegaram ao fim.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Da Poesia Rupestre Idiossincrática



De um verso idiossincrático
uma confissão metamórfica
de uma alma de passado drástico
que viveu vidas antropomórficas.

E da semelhança uma subvenção
de estirpe divina à evolução
do ser que do casulo se libertou
para experimentar a dor do coração.

E os dias passaram ininterruptos
e o espírito vislumbrou maneiras
e os devaneios foram analogias
e na ampulheta a noite no grão de areia.

Foi então que nasceu a rupestre poesia
desenhada na parede da caverna
descoberta pela antropogenesia
então rimada de maneira controversa.

E o homem rústico fez-se poeta
quando à noite assistiu a música do fogo
então rolaram os dados, começou o jogo;
e a vida seguiu seu curso como um rio.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Trabalho Honesto



O trabalhador continua
em sua dura labuta
mas a miséria da medo
e o salário desespero

mesmo que tenha zelo
em seu cargo necessário
o caminho refratário
sempre volta no começo.

Trabalha a terra e o alimento
chega à mesa do patrão
que se farta e se lambuza
sem fazer calos nas mãos

e a fome do empregado
é sempre deixada de lado
pois o circo está armado
em um país na contramão.

E lá em cima da muralha
tem político canalha
que corta igual navalha
a fatia desse pão

para servir em sua mesa
um banquete de beleza
que roubado com destreza
faz da fome uma ilusão.

E o trabalhador labuta
e suas lágrimas enxutas
chega em casa sem ter culpa
dessa vil desolação

que aflige a classe baixa
enquanto na boca do caixa
todos colarinhos brancos
sacam mais de um milhão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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