quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mundo Novo nos Desvarios



Agora já é um mundo novo
pelo menos dentro da mente
com ruas todas de ladrilhos
e trens que andam sem trilhos

e a imaginação é alimento
de qual me farto às escuras
ou por entre as brumas
das cordilheiras da sensação.

Agora já é um mundo novo
que criei pelo amanhecer
vendo a letra nascer e crescer
e plantando uma roça de cores

para colorir os rastros estranhos
que eu deixei como fossem luz,
como fossem a trilha que conduz
aos auspícios da eternidade.

Agora já é um mundo novo
e no mar um gigante navio
então o mundo velho partiu
carregando todas as tristezas

e o que ficou foi só a beleza
paralela entre as poesias
que são a resposta certa que varia
de verso em verso com exatidão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Corbis

Versos Ambíguos



Da alma lágrimas secas
tão salgadas como o mar
que em ondas fere a praia
nesse vai e vem de amar.

Meus olhos olham distantes
e o que vejo é uma ventania
e, o que vejo é uma poesia
e, o que escrevo é lúcido.

Meus sonhos voam distantes
e o que busco é fantasia
e, o que busco é além do dia
e, o que busco é felicidade;

mas vejo passar a idade
e inda me desconheço,
não sei se é dor que mereço,
não sei se é festa de recordação.

Só sei que o poema brota
da noite e do coração
que gelado desfaz-se de si
retornando e querendo partir.

Só sei que meus versos conotam
o que sinto, o que sei e não sei;
versos parcos versados ao rei
de um reino sem luz nem castelo;

e o ambíguo relento é singelo
e, o amor bate como martelo
desfacelando o reinado de paz
que era outrora e já não é mais.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 29 de abril de 2014

Almas Negras de um Purgatório Irreal



Almas negras viravolteiam
em turbilhões os pensamentos
que vagam a esmo pela noite
procurando algum recanto sombrio.

E nas esquinas alguns esquifes
guardam ossadas do além,
guardam histórias de outrem,
guardam cinzas mumificadas.

Almas caminham penadas
pelo frio de outra estação
que não é inverno nem verão;
que não é nas nuvens nem no chão.

E nos becos gritos sinistros
assustam pelas frestas das paredes,
assistem a morte de camarote
e, n’outro lado o lado de lá.

Almas negras distorcidas
em infernos gelados dos espelhos
que refletem convexos e desconexos
os pecados de um poeta insalubre.

E nas portas de um umbral qualquer
um recado curto de absolvição
mas, há um certo grau de expiação
necessário para expurgar o coração.

Almas que vagam sem lucidez
entre versos um tanto quanto meus
mas, há uma certa insensatez
na estrofe que guarda meus segredos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Eu Não Falarei



Eu não falarei da morte
que ceifou minhas alegrias,
que anoiteceu meu dia,
que arruinou a minha sorte.

Eu não falarei das flores
que brotaram sempre-vivas,
que perfumaram as açucenas,
que coloriram os miosótis.

Eu não falarei das pessoas
que caminharam tão atoa,
que labutam em serventia,
pois sofro de misantropia.

Eu não falarei dos pássaros
que cantam na minha janela,
que tem penas verdes e amarelas,
que enfeitam cedo a pitangueira.

Eu não falarei dos amores
que arrebatam o coração,
que fazem pulsar a sensação,
que fazem sofrer desilusão.

Eu não falarei dos versos
que rimam sempre dispersos,
falando de morte e de flor,
de pessoas, pássaros e amor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Edvard Munch

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dos Terrores e das Quimeras da Noite Negra da Alma



Terrores que sondam a noite gelada
e a espada sombria vigia assustada
ao som de uma poesia vazia e azulada
como os olhos de um deus desconhecido.

Sons raros e bizarros das bocas da noite
e a fome de sonhos devora os famintos
que vagam com a morte funesta e o açoite
que estrala e resvala a beira do precipício.

São versos inusitados e aterrorizantes
versados em longínquos pensamentos
por um poeta da mesma estirpe de Dante
ou apenas são sussurros levados ao vento.

São versos terríveis que assolam os filhos
que em berços de ouro e em sono tranquilo
transformam os sonhos em reais pesadelos
e as quimeras da vida são ossos dos medos.

Poeta que grita à noite voraz e absurda
que repousa em estrelas lilases e surdas
ou apenas a insônia de um mundo perdido
que gira e que gira do tempo fugindo.

Terrores que sondam os versos da noite
e, a noite da alma é o verso da dor ocultista
que vibra regendo a música do cosmos
em notas que denotam em um poeta eremita.


Jonas R. Sanches
Imagem: Édipo y la Esfinge - Gustave Moreau

Das Faces das Poesias



As poesias às vezes são como ruas escuras
ou como vielas intermináveis na noite
mas, ainda assim são poesias com sentimentos
e o poeta que tanto adorna as letras sorri.

As poesias às vezes são como lumes
ou como flores que enfeitam as janelas
mas, podem conter espinhos em seus caules
e o poeta que as cria é cheio de mistérios.

Ah, poesias metafóricas ou analogias
e os significados são variáveis concomitantes
mas aos olhos de quem as lê são luzes
ou trevas que assolam os âmagos das almas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Joseph Vassier

sábado, 26 de abril de 2014

Prêmio Top Blog 2013



Na noite do dia 25 de abril de 2014 tive a alegria de receber o titulo Top 2 de Literatura no Prêmio Top Blog 2013!

Das Vitórias e das Derrotas



Nem todas as vitórias
são satisfatórias;
o ego consente à derrota
e a alma se recolhe calada.

Nem todos os gostares
são amores vívidos,
o espírito gosta daquilo que vê
mas, a dor corrói séculos.

Gosto de flores e de vitórias
mas, nas derrotas eu aprendo
d’onde eu vim, pra onde eu vou;
vou rumo ao infinito conciso.

Gosto da morte e das ressurreições,
gosto de uma cerveja gelada, sozinho;
num bar místico na Rua dos Paraísos
que faz esquina com a Apeninos.

Gosto da música que rola
pois, ela acalma minhas entranhas
tão estranhas como essa sensação
que é nova, que é fruto da alusão.


Jonas R. Sanches

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Mundo às Escuras



E as coisas continuam iguais,
eu vivo tentando beber um gole do céu
mas minha escada é um inferno
e minha taça de cristal já se partiu.

E as coisas não tem perspectiva,
eu vivo tentando voar pelos edifícios
mas com o sistema cortando minhas asas fica difícil,
as janelas estão cercadas de alçapões.

E as coisas no boteco vão de vento em popa,
só eu, deixo meu salário em doses
de um veneno que faz-nos esquecer
daquele buraco tal qual cupim roendo minhas costelas.

E as coisas vou descrevendo em poesia,
mas choro a dor desse torpor de ignorância
e vejo o mundo transbordando jactâncias
e, na esquina do infinito eu durmo ao relento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Paula Kuczynskiego

De um Sonho Qualquer



Nas recordações de Seiko ainda a lâmina de sua espada pingava sangue, as imagens em sua mente ainda vívidas lhe enchiam as narinas com o olor da morte.
Voltou a si e continuou pela estrada escura, no ar gelado de inverno um perfume adocicado das flores das cerejeiras e uma silhueta no horizonte distinguia o Monte Fuji, sua respiração era pesada e ofegante, mas, no seu espírito vigorava uma sensação agradável de satisfação; o duelo fora vencido e nos primeiros raios da aurora tornar-se-ia samurai.
Já avistava ao longe as bruxuleantes luzes que clareavam alguns pontos da aldeia, quando de repente sentiu uma flecha atravessar seu dorso, sem saber quem lhe havia atacado, caiu de joelhos na neve que cobria a estrada, olhou-a tingida de vermelho, teve um vislumbre de todo seu caminho e num instante antes da morte, acordou com o barulho do despertador ao lado de sua cama; já era sete horas da manhã.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Amor Mortal



Mortandade
de amor
incandescente e indecente
do a-mor-talidade
sem mentalidade,
mente realmente
mentalmente,
amor mental
débil-mental
iridescente e fosforescente
e real-mente
o amor com dor
de dente
de mente
que mente
constante-mente;
amor mortal
mental
mentalizado
anormal,
amor mental
mortal.


Jonas R. Sanches

De Quando o Tempo Parou de Passar



Morreram todos os deuses
e o homem é o órfão cristão
dentro do tempo verdadeiro
sem datas de imaginação.

Morreram todas as flores
e o homem é o álibi eterno
dessa ironia sem intenção
sem hora de ressurreição.

Morreram todos os deuses
e os filhos dos filhos dos filhos
nasceram sem pai, sem irmãos;
no leito suspeito da sensação.

Morreram todas as flores
e os homens escravos das dores
sucumbem diante os amores
num tempo que é só perdição.

Morreram todos os deuses
e os santos morreram sem pão
os homens famintos comeram
as horas da minha ilusão.

Morreram todas as flores,
morreram sem água, sem sol;
enquanto os homens viviam
na sombra de algum arrebol.

Morreram todos os deuses,
morreram todas as flores,
morreram todas as honras,
morreram todos os homens.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google 

Soneto da Dança Incessante da Vida



Notei a pedra que olhava para a flor
e a flor que cantava a voz singela,
notei a árvore em seus espasmos de dor
e a dor que cruel vigorava nela.

Notei o rio que corria em suma alegria
e a alegria que voava o passarinho,
notei o vento dançando à luz do dia
e o dia que tecia suas horas no linho.

Notei que a vida é ritmo incessante
e a morte obstante é passageira,
notei amor e movimente constante

regendo a natureza costumeira;
notei e anotei em plácido soneto
tudo como um miado do gineto.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 22 de abril de 2014

Soneto da Transubstanciação da Alma do Sol



Desígnios de um pensamento esdrúxulo
causando a velha flor dos cataclismos
e os versos metamorfoseiam lirismos
transmutando luz nos seus ramos de arbúsculo.

E a fera geme no seu receptáculo
onde um terremoto grita por sismos
e, a terra estremece com seu espetáculo
e, o homem padece entre seus espasmos.

Indubitavelmente um novo arrebol
de um  assassínio que engole a alma do sol
e, a alma do mundo em transubstanciação

renova os laços com o pai da criação;
e no pensamento cru o poeta insiste
e recria o mundo onde a dor inexiste.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Das Ilusões do Inferno às Vertigens do Céu



Nas ilusões de meu pensar poético
eu me entrelaço com as analogias
para enfrentar esse mundo eclético,
para descrevê-lo em suma primazia.

Deixo verter olhares substanciais
e preencho a mente com as fantasias
que jorram como fartos mananciais,
que elaboram-se em perfeita simetria.

Verbalizando as luzes dos pensamentos
descrevo em vozes puras da caneta
a vida, a morte e os seus elementos
todos dispostas em minha caderneta.

Então despendo-me às geografias
e escrevo os mapas do céu e do inferno,
transmuto as dores em augustas melodias
e lanço-as sem pudor às linhas do eterno.

Se sou poeta eu beberei da fonte
que jorra as águas do rio Aqueronte,
navegarei às portas desse purgatório
para em poesia deixar meu relatório.

Se sou poeta eu abraçarei vertigens
que jorram fartas no éter plausível,
que esculpem nódoas em minhas efígies;
que explicam as regras do incompreensível.


Jonas R. Sanches
Imagem: Octave Tassaert

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Profano



Nos inóspitos desertos do céu
espelhos que refletem infernos
engolindo as impurezas do fel
que assolam a garganta nos invernos.

E as religiões que prometem o mel
degeneram a essência do eterno
e fazem da casa do pai um mausoléu
denegrindo o teorema sempiterno.

Versos tingem de sangue às máculas
como fossem as vestes de dráculas
famintos por novas literaturas;

santo graal em bacantes impuras
e, o nada preenche mortífera existência
e, a alma intumescida clama por clemência.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Poesia



A vida
e a morte
duas faces
de um nascimento;
transubstanciação
das analogias
e a poesia
é o mundo
em movimento
metamorfoseando
as realidades
das sucessíveis
alquimias.

A vida
e a morte
suscetíveis,
e o poeta
ritma o verbo
inacessível
da criação;
pluriversificação
e comparação
na rima rica
ou pobre
das sucessíveis
alquimias.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Em Meus Lençóis



Ela ali deitada
toda jogada,
entrelaçada
em meus lençóis.

Ela toda minha,
sua pele macia,
seus beijos molhados
em meus lençóis.

Ela me olhando
seu corpo pulsando
se entrelaçando
em meus lençóis.

Ela toda minha,
sua tez tão suada
cheia de libido
em meus lençóis.

Ela ali deitada
entre meus desejos
de afoga-la em meus beijos
em meus lençóis.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

domingo, 20 de abril de 2014

Cristo Ressuscitado



Despertei e vi Jesus Cristo ressuscitado
com seu amor sendo ao caminho espalhado
e seu olhar fulgia como gemas de ouro
e suas palavras luziam como um tesouro.

Olhou-me os olhos e penetrou a minha alma
com uma paz que nesse mundo extinguiu-se
em nobre gesto convidou-me ao seu reino
então marcou-me com uma letra de seu signo.

Cristo Jesus, Filho de Deus, Cristo Menino,
traz em sua mão um cetro que vai reluzindo
levando a luz aos recônditos mais trevosos,
resgatando os homens dos vales mais nodosos.

Cristo meu Pai que é Pai de misericórdia
veio limpar o mundo de suas balbúrdias,
veio trazer a boa nova aos pecadores,
veio amainar e amenizar todas as dores.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Dos Versos Tranquilamente Nefastos



Tranquilamente o sol nefasto
invade a noite e acolhe a mente
que se recolhe na dor que sente
e a estrela então no abismo se esvai.

Tranquilamente o sono nefasto
invade a noite e acolhe os sonhos
que se consomem em pesadelos
e a estrela então desaba em desvelo.

Tranquilamente o verso nefasto
invade a noite e acolhe os santos
martirizados em seus recantos
e a estrela então rebrilha com espanto.

Tranquilamente a poesia nefasta
invade a noite e acolhe a farsa
que o poeta na estrofe disfarça
e a estrela então se esconde na trapaça.

Tranquilamente a mente nefasta
invade os egos nus e transparentes
e a vida segue em ritmo indecente
e a estrela então explode e mata toda a gente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 19 de abril de 2014

Reggae e Poesia



Reggae e sol pela manhã
e as cores dissipam a dor
a brisa corrompe a alma
que vaga dentro de si.

Tão sagrado o meu amor
e as luzes são dos teus olhos,
olhos que miram os meus
enquanto vislumbro céus.

Reggae e sol pelos dias
e meus sonhos ampliam-se
e meus tímpanos acalmam
aquelas intempéries comuns.

Tão sagrado o som da guitarra
quando eleva os pensamentos,
quando enleva os devaneios
aos ápices de um sentimento.

Reggae e poesia concomitantes
nessas páginas inacabadas de mim
e no espelho a estranheza irreal
de olhos tão profundos como o sol.

Não vou mais chorar, vou gritar
e fazer ecos pelos desfiladeiros
por onde caminha meu espírito
tão incomum quanto esse final.


Jonas R. Sanches
Imagem: Raúl Martin

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Versos Pascoais



E mais uma vez o Cristo morreu
e o véu se partiu no templo do amor
e do céu que rugiu um tempo de dor
e a lança feriu àquele que surgiu.

E mais uma vez tempo da renovação
e o Cristo renasceu em sua ressurreição
e do céu cantos novos de divino louvor
então deu-se um tempo de paz e amor.

E mais uma vez toda a significação
que o Cristo deixou pelo seu sofrimento
mas, hoje Ele vive e não quer seu lamento
simplesmente Ele quer sua fé e contento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Josés e Marias



De Zé Ramalho coágulos de sol,
de Zé Geraldo uma nova construção,
do Zé da feira sol de segunda à sexta,
e do poeta sempre uma observação.

São todos os Zés juntos na poesia
que extravasam algures versos pelos tempos
e, no relógio algum retrato do momento
e, no caderno alguma velha melodia.

Zés e Joãos, Madalenas e Marias
todos cantando a labuta do dia a dia
enquanto isso um céu azul e o trovador
enfeitam o mundo dando cores ao amor.



Jonas R. Sanches
Imagem: Heng Sinith / Associated Press

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ritual de Abril



Altares fumegados na floresta
e os silfos revoando pelo ar,
melindres de gnomos nas montanhas,
ondinas fazem ondas pelo mar.

No corpo a marca dos encantamentos
sulcadas pelo aço fino do punhal
na mente a transparência da beleza
que iluminando espanta todo mal.

Um pentagrama reflete o céu de estrelas
e o luar prateia chuvas de flores
os cânticos invocam a mãe Medéia
que foi nascida do ventre de Hélio.

No cálice um vinho de feitiços
que foi de um beijo das uvas de Baco,
na espada os símbolos dos meus mitos
entrecortam e desfazem os embaraços.

Agora meu ritual está completo
e os temores de outrora eu decepo
regozijando a alma às minhas crenças
que seguem-me do berço de nascença.


Jonas R. Sanches

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Morte dos Deuses



Enquanto morriam os Deuses do Olimpo
o poeta roubava uma pena de Ícaro
para com ela versar em letras sangrentas
toda idolatria que se autodestruía.

Enquanto tombavam os Deuses no Egito
o poeta roubava do sol o seu mito
e acordava com um grito o verso perfeito
que compôs junto à morte de Anúbis no leito.

Foram mortes dos Deuses por toda a história
e o poeta grafou em letras as memórias
de um Cristo sofrido, linchado e martirizado;
de um Krishna traído, invejado e flechado.

Nascerão Deuses e morrerão Deuses
mas o poeta imortal sobrepuja o tempo
adornando de estrelas a noite e o relento,
espalhando seus cânticos pelos quatro ventos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Quando Eu Quero a Poesia



Eu quero a vida entrelaçada
ao amor, a poesia e a alegria
pois, sem amor a vida é desgraçada
e sem poesia não encontro minha via.

Eu quero a chuva escorrendo
pelas nuvens e pela janela do meu quarto
pois, sem a chuva o jardim vai padecendo
e na janela não haverá mais pássaros.

Eu quero dias, quero noites, quero vida;
quero ela envolta em minhas flores,
quero seguir a minha vida, ir em frente
compondo no arco-íris novas cores.

Eu quero asas pra voar por entre os cimos
e com um grito causar sismos, terremotos;
quero o seu olhar no meu se refletindo
para levar-te aos sentimentos mais remotos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dos Novos Sentimentos



Sentindo um frio na barriga
e no olhar novos horizontes
na caneta uma nova poesia
e no peito um amor obstante.

Sensações, como é bom sentir;
e do novo sentir a esperança
de um alguém pra poder dividir
alguns sonhos, algumas danças.

E na espera a alegria contida
pode ser a mulher da minha vida
ou quem sabe somos almas afins
pra vivermos um amor sem fim.

E o que for eterno será poesia
entalhada com ferro na carne
e, se for real será uma melodia
que o espírito ao ouvir discerne.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Antes de Haver Poesia



Antes de haver amor
sempre há a poesia
que revira o coração
que transborda em alegria

e, depois a ansiedade
pelo encontro e o abraço
e se houver aquele beijo
então em brumas me desfaço.

Antes eu te desconhecia
mas, agora sonho contigo
entre meus braços, um afago;
e o seu sorriso junto ao meu.

Antes de haver poesia
era somente um sonho vazio
mas, hoje são letras vívidas;
são esboços de um mesmo eu

em uma tela plena de vida
esperando a observação
e, em meu peito a espera e o anseio
de quando eu segurar sua mão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Lauri Blank

domingo, 13 de abril de 2014

Das Tentativas do Coração



Semblante e mistério
desafios sutis
dessa dama do incerto,
dama feita pra mim.

Palavras ao vento
mas, sou Zéfiro algoz
e nos doces sussurros
degustei sua voz.

Sou tímido tal qual tu
oh violácea beleza
se quero estar nessa dança
serei a voz que te corteja.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 12 de abril de 2014

Da Vida e da Morte e da Eternidade dos Escritos



Dos escritos inascidos
uma poesia hipotética
que falaria em um grito
de sentidos Homéricos.

Mas os escritos nasceram
em uma poesia concreta
falando da própria poesia
que desvenda a luz do asceta.

E com o tempo os escritos morreram
mas, a poesia foi essência eternizada
deixando grafado nos confins do mundo
um pedaço da alma dos poetas.

Os escritos seguem como as almas,
germinam demorados qual sementes
que devagar vão crescendo e se formando
e depois de prontos lançam suas flores.

Os escritos são tal qual pássaros
que trabalham o ninho ao seu ovo
e depois de muitos dias a chocar
chegam ao mundo em penugens cor de ouro.

Ah se eu não pudesse escrever
seria um túnel sem sua luz no fim
e o fim então seria o meu fim
e a minha alegria seria algo desconhecido.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Soneto Intransponível de um Coração



Um soneto que retrata o mundo cão
dos vestígios do pensamento malsão
que vangloria-se com voz de sua morte,
que nos tempos idos foi sua consorte.

Versos, melindres e concatenações,
espasmos cadavéricos nas canções
cantadas de formas ininteligíveis
ouvidas por meus séculos intangíveis.

Nos medos alguns segredos guardados,
nos cimos do mundo anjos alados
que assistem pasmos essa devastação

que assola meu intransponível coração,
coração que tornou-se inanimado
entre outras revelações do passado.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Poesia Equalizada



Equalizando os pensamentos com o som
que voa livre nessa música dos tempos
que conta histórias de pura imaginação
e às espalha pelo mundo aos quatro ventos.

Minha vitrola é tão antiga quanto eu
mas faz ranger as dobras do seu esqueleto
quando ela grita as composições de Zeus
quando ela ruge pelas noites, pelos becos.

Equalizando minha guitarra com o céu
componho notas que são salmos violentos
e conto a lenda das vitórias de Perseus
e conto a vida com detalhes e contentos.

Minha vitrola canta rocks centenários
quando eu remexo aqueles discos no armário,
tem Led Zeppelin, tem Floyd e The Who;
e tem vertigens que relembram alguns beijos.

Equalizando minhas canções às poesias
eu chego a versos eloquentes espaciais
depois eu jogo-os em raras melodias
para então eu encontrar uma nova paz.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dos Rituais Melancólicos da Vida



De repente o mundo se vai
com sonhos fúteis e mágoas
e no risco incerto no caderno
algum verso vazio de amor.

Nas noites como essa noite
somente uma languidez profunda
estereótipos da minha alma
e alguns predicados e condecorações.

Mas, sem mais eu sigo meu rumo
e a vida é escola útil preferida;
dos sonhos eu fujo dos pesadelos
que se fazem reais quando me consomem.

Já fui feliz e não sabia, àquele dia
que eu vivi entre sorrisos melancólicos
mas, hoje no peito o coração é terremoto
e minhas colunas são Jakin e Bohas.

Já fui magia em outros tempos
mas, hoje à noite é densa, é cemitério
onde guardo-me às tumbas, outras vidas
e as alegorias dos feitiços são inquebrantáveis.

Nos baseados que queimei furtivamente
vi germinar a semente como fosse pedra rara;
hoje reflito e do peito solto um grito
que ressuscita meus mitos e acorda a madrugada.

E de repente todo mundo se esvai
e nas pálpebras o sono cai;
então me achego nessa alcova perfumada
e no incenso que acendo minha alma vai alada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Formidáveis Adequações



Formidáveis adequações,
didáticas proliferando
em cadernos antagônicos
e no espaço um vácuo mortal.

Pés formigantes incomodam
meus passos inchados
e, a mente é revoadas
de folhas secas, de vidas secas.

Nascentes antológicas vertem
uma água nova e há chuvas
que brotam de nuvens soterradas
no sopé da montanha de um coração.

Formidáveis adequações,
poesias nocivas e venenosas
nascidas no ferrão do escorpião
e no ascendente da morte.

Insetos pegajosos incomodam
meu cadáver em decomposição
e, a mente redemoinha sideral
carregando os infernos de Dante.

Nascentes duradouras fluem
em rios doirados de veias da terra;
eu colhi uvas e compus o vinho
em garrafas e odres de poesias.

Formidáveis adequações,
cálices se confundem embriagados
de letras extremamente paradisíacas
enquanto o poeta dorme profundamente.

Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

Do Gosto Amargo do Destino



Gritos contidos nas evocações
de quimeras antigas, feitiços
arredios, e a morte mora na floresta
de eucaliptos e brotoejas coloridas.

Olhares vítreos da noite pasma
e as estrelas são os olhos de Lúcifer
que inveja do poeta a perfeição
que ele dispõe em ventre de criação.

Entre o farfalhar dos pássaros, silêncio;
os corações cessaram de borbulhar
e nas erupções casuais de sangue fresco
todos os glóbulos são alienígenas.

Rios escorreram daquele olhar tristonho
e afogaram em enchentes todos os amores
que sequestraram friamente as paixões
e fizeram morrer àquelas alvas sensações.

Agora que a noite infringe torturas
a carne peca e não espera o perdão
mas, a alma se esgueira pelos becos
em busca de um corpo pronto à encarnação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Árvore de Poesias



Resolvi na noite plantar uma semente
na terra molhada dentro da minha mente
no amanhecer germinou nova poesia
com pétalas douradas como o nascer do dia.

Nessa árvore vistosa as folhas eram de algodão
as flores eram formosas como um coração
seu tronco de diamante refletia sentimentos
suas raízes profundas agarravam os pensamentos.

Resolvi fazer dela algumas mudas
para plantá-las em outras mentes
espalhando a poesia até os confins do universo,
algumas delas germinaram outras mataram os versos;

pois para brotar poesias tem que ser mente de poeta
que vislumbra à tira gosto todas belezas do planeta
e do olhar que ele recorda são cores de sensações
pois, o oficio do poeta transpassa todas as estações.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Noite sem Lua



Noite sem lua,
noite de chuva
minh’alma escura
não quer adormecer.

Noite que passa
e a vida transpassa
a morte me embaraça
e as estrelas se vão.

Noite sem lume
e a escuridão consome
toda minha alegria
e eu espero o dia.

Noite sem lua
e minh’alma crua
derrete na chuva
se esvai pelo mar;

querendo amar
mas você se foi
e se foi a poesia
e a tristeza voltou

como lâmina afiada
a degolar os pulsos
e o sangue é a chuva
de estrelas a brilhar.

Noite sem lua,
noite de chuva
minh’alma escura
não quer despertar.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 8 de abril de 2014

Sete Véus das Poesias



Sete reinos, sete espadas e um só rei,
muitas léguas, sete estradas eu trilhei,
sete grutas de ermitões eu encontrei,
sete livros feitos à mão eu vislumbrei.

Pelas sete encruzilhadas eu rezei,
sete linhas das minhas crenças invoquei,
pelos sete dias seguintes eu meditei,
pelas sete vidas seguintes eu viverei.

Sete gritos, sete sacrifícios e um punhal,
sete anjos batalharam contra o mal,
e os arcanjos eram mais sete combatentes,
sete trombetas ressoaram no sol poente.

Sete estrelas, sete cometas e um só céu,
sete fadas, sete donzelas de olhos de mel,
sete amores, sete terrores qu’eu sofri,
sete langores de sete mortes qu’eu vivi.

Sete poemas de sete estrofes eu escrevi,
sete feitiços nas entrelinhas estão ali,
sete metáforas de mil tormentos qu’eu reli,
sete eclipses de uma só lua qu’eu redigi.

Sete cavalos, sete leões e uma carruagem,
sete mistérios inacessíveis dessas paragens,
sete mulheres com sete filhos, uma linhagem,
sete barganhas com sete órfãos da criadagem.

Sete poetas, sete ascetas e a mão de Deus,
sete montanhas imaculadas dos Pirineus,
são sete sonhos com sete véus das poesias,
sete momentos inseparáveis de uma só via.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Quando Busquei Deus



Às vezes alguns questionamentos,
e onde estarão as respostas?
Disseram-me que estão em Deus,
mas, onde estará esse Deus?

Resolvi então sair em sua busca
e logo de cara encontrei seus vestígios
no jardim da frente da minha casa
onde vislumbrei uma flor e um beija-flor;

logo mais à frente, virando a esquina
estava ele novamente, na árvore viçosa
que jorrava e tombava em flores rosas
que estava povoada de abelhas a zunir.

Resolvi voltar e busca-lo dentro de mim
e foi então que encontrei-o na poesia,
naquela voz dentro da mente a observar
e a me ditar com letras-cores, versos;

que eu escutava e com minúcia anotava
em papeis de revoadas extravasantes
ou escrevia-os pelas paredes do quarto;
finalmente eu descobri que Deus esteve sempre aqui.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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