quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Jacaurélio e a Fantástica Fábrica de Borboletas

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Lá vinha ele pela estrada, despontando a madrugada, mas, hoje tinha um ar diferente, seu semblante estava contente, e sabe qual o motivo, Jacaurélio iria aventurar-se com seu amigo, que também era um barato, seu nome era Feldispato e era amigo das antigas, dos tempos das brilhantinas quando os dois dançavam rock nos bailes com as meninas.
Mas hoje é dia especial, pois haviam ganhado do Sr. Besouro um certo mapa do tesouro que mostrava onde ficava a Fábrica de Borboletas.
Encontraram-se os dois amigos embaixo da embaúba, lá também estavam a Zuleide Tartaruga e as crianças costumeiras, esperaram mais um pouco e chegou o Porco Roco dirigindo a Jardineira.
Agora a turma estava completa e a alegria era repleta nos rostos de todos eles, se achegaram no transporte e contando com a sorte, partiram para a aventura, o caminho era bem longo então eles partiram logo em direção a Pedra da Lua.
Seguiu então pela estrada a jardineira, seguiu depressa pelos vales, pelos campos... Acompanhavam-nos os passarinhos em cantoria enquanto a madrugada ia dando lugar ao dia. Já viam ao céu um sol a pino escaldante e no horizonte a silhueta da Pedra da Lua com sua fronte banhada por esbelta cachoeira e uma encosta branca e brilhosa de face nua.
Ali desceram e caminharam por um bocado, a passos largos em sua busca pelo fantástico, foi então que avistaram uma estrada oculta que se embrenhava por entre a mata cercada por murtas, seguiram nela como era indicado no mapa e repararam que alguém os olhavam por entre as folhas, eram os seres que ali viviam eternos em guarda, protegendo a fábrica dos curiosos desbravadores, mas Jacaurélio tinha a estima dos habitantes da floresta e logo foram recebidos com festa e para o portão da tão sonhada fábrica foram guiados por seres pequeninos, mitológicos e alados.
Quando avistaram ficaram todos maravilhados, bestificados com as luzes de mil arco-íris que surgiam dos lagos inertes que as flores banhavam e enfeitavam desde o nadir até o zênite.
Ficaram pasmos quando se abriu o portão, quando avistaram o muito além da imaginação, era tão belo, era singelo e formidável a natureza que se apresentou ainda intata, caminharam todos calados e extasiados pelo caminho que adentrava aquele segredo, por todos os lados tinham jardins de todas as cores  e uma abóboda que os cercavam transparente e imponente.
Todos calados olhavam atentos e minuciosos, por todo canto viam encantos harmoniosos então chegaram em um batel igual a um porto e ali ficaram ainda mais absortos; na frente deles um rio tão belo se apresentou, todas as cores dos arco-íris ali desaguavam e carregaram todos os visitantes em um barco à vela até os confins das águas de tonalidades amarelas, ali se juntavam no tronco frondoso de um charão muitas lagartas que seguiam em fila pelo chão e lá nas copas casulos belos cor de limão se transformavam em lindas borboletas pavão.
Foram seguindo sempre em silêncio dentro da barca então chegaram ao berço das borboletas monarcas que surgiam de lagartas laranja em metamorfose nas copas de uma imensa peroba rosa, um pouco adiante avistaram um alfeneiro gigante e entre suas folhas nasciam heliconius sara apseudes com suas asas bordadas de azul brilhante em forma de orelhas de elefante.
Seguiram todos em seu passeio lindo e fantástico e em todas as árvores o que viam era tão mágico, era de longe a visão mais bela do planeta, era a Fantástica Fábrica de Borboletas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

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