sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Jacaurélio e o Ouro do Velho Oeste

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A madrugada se despedia no horizonte, e lá vinha ele novamente, Jacaurélio já acenava lá de longe e a criançada reunida na embaúba, estava ali fizesse sol ou fizesse chuva e Jacaurélio sempre chegava contente com seu sorriso espesso de pluridente, para contar o seu causo diário, que tirou de junto à sua cartola no armário de pensamentos antigos e recordações que retumbavam dentro dos corações, de Jacaurélio e daqueles que o escutavam.
Foi se achegando e a criançada cumprimentando:
- Olá, bom dia, como estão? Já preparados? – E a criançada em um grito junto entoado:
- Estamos sim, esperando uma nova história. – E Jacaurélio sem enrolo, e sem demora, foi logo desbravando suas memórias e começou contar a nova narrativa:
- Ouçam crianças, essa é outra história da minha vida, essa eu vivi no velho oeste americano, junto comigo estava o Jacarlão I, o pioneiro da construção das ferrovias, que foi o ponto da história daqueles dias, dias sinistros onde a lei não vigorava, e tudo era resolvido no duelo, mas quem diria, no gatilho eu era belo, minha rapidez era de dez homens atirando juntos.
E Jacaurélio fez-se em pausa e foi lembrando para poder com mil detalhes ir contando e, a criançada olhavam todas curiosas e duvidosas, então ele continuou a prosa:
- Naqueles tempos ouve a corrida do ouro e Jacarlão encontrou o ouro de tolo que o levou rapidamente a ruína, mas eu como um bom trapaceiro, vendi a mina por um bom bocado de dinheiro, então foi quando começou nossa perseguida, pois o bando do Zé Coiote só queria era dar cabo as nossas valiosas vidas; mas, nós fugimos com destreza deles todos, até que então encontramos ouro de verdade, o que nos tirou da nossa calamidade e devolveu-nos até certo tanto de respeito.
Em seu olhar distante Jacaurélio divagava, até que veio uma pergunta desconfiada de Jacarlinho que era um bocado curioso:
- Como é que depois de terem encontrado ouro, vocês vivem hoje em um pântano lodoso? – E Jacaurélio que era esperto que é o diabo, foi respondendo e continuando a história, que vivamente ia surgindo na memória, tão viva que ele se sentia ainda lá.
- Achamos ouro, mas, junto dele vieram os inimigos que duelaram sem ter sucesso com meu gatilho, mas houve um dia em que nada deu mais certo; em uma aposta o meu filho Jacarlão, perdeu o nosso pedaço de chão e foi então que a sorte nos deu as costas, mas, no oeste tivemos muitas aventuras que contarei a vocês outro dia, pois hoje já se vai à luz do dia e eu vou junto dela para minha taboca.
E empunhando sua bengala foi partindo, com sua cartola e seu terno de linho, mas em sua mente reviravolteava muita lembrança daqueles tempos de fartura e de bonança que infelizmente já ficaram bem lá para trás.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

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