quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Flores e Bocas Sedentas de Sóis

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Flores e insumos de guerras
misturam-se sedentas de sangue
e, o mesmo sol dos inocentes
secou a boca de todas as bocas

e, as solidões solidificaram-se
e, os corações petrificaram-se
diante essa agonia que corrói mundos;
flores marcam túmulos e esquinas,

guerras marcam vidas e encarnações,
a poesia marca o limiar da realidade
por onde o poeta semeia devaneios
e caminha por estradas inverossímeis,

poetas cantadores e catadores de estrelas
não abandonem as luas do pôr do sol,
não abandonem as paixões imaculadas,
não deixem a música dos tempos terminar,

apenas cantem, cantem vozes de algodão
e, quando brotarem novas feridas
bebam do bálsamo que escorre das loucuras,
matem a sede da boca de todas as bocas.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

Um comentário:

  1. Maravilhoso!!!Um poema tocante...Tomara conseguisse tocar os corações dos que fazem as guerrilhas, tomara tocasse o coração dos que sentem prazer em ver crianças mortas decorando as ruas como fossem pedras, calçando as estradas asfaltando a terra com sangue de inocentes...Tomara o homem virasse poeta e fosse apanhar as estrelas...Boa noite Jonas...Lindíssimo seu poema....Bjos

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