quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A Última Poesia do Ano



Na última poesia eu não falarei do dia
e, mesmo sob o açoite não falarei da noite,
e não falarei o verso que é controverso
e, não cantarei a rima que é matéria-prima.

Na última poesia eu não falarei do pássaro
e, mesmo sob a chuva eu não falarei da bruma,
e não falarei em trovas sobre as rosas
e, não cantarei a aldravia sobre a lascívia.

Na última poesia eu não falarei do sol
e, mesmo que seja a lua eu não falarei do arrebol,
e não falarei do soneto em branco e preto
e, não farei cantigas sobre as vidas.

Na última poesia eu falarei da própria poesia
que constrói de verso em verso a minh'alegria,
que na rima imagina o olor da tangerina,
que na estrofe transfigura o que é precoce.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Casa de Poeta



Em casa de poeta
tem letras por todos os cantos,
algumas subindo às paredes
outras recitando encantos;

tem sentimentos guardados em gavetas,
devaneios que espreitam em gretas,
poesias por sob os tapetes,
poemas que dormem na rede.

Em casa de poeta
tem letras de outros planetas,
algumas coladas no teto,
outras singradas no leito;

tem sentimentos na geladeira,
devaneios em cima das telhas,
poesias florindo no jardim,
poemas em meio aos jasmins.

Em casa de poeta
tem rabiscos nos lençóis,
tem rascunhos nas entranhas,
tem mil luas, tem mil sóis.


Jonas R. Sanches
Imagem: Adi Barbosa

Maison de poète

Dans la maison du poète
a des lettres partout,
certains escaladant les murs ...
autres charmes récitant;

a des sentiments stockés dans les tiroirs,
rêveries qui se cachent dans les fissures,
poésie sous les tapis,
poèmes de couchage sur le réseau.

Dans la maison du poète
a des lettres d'autres planètes,
certains coincé dans le plafond,
singradas autres dans le lit;

a des sentiments dans le réfrigérateur,
rêveries sur les carreaux,
la poésie qui fleurit dans le jardin,
poèmes parmi les jasmin.

Dans la maison du poète
avoir gribouillis sur les feuilles,
a des projets dans les entrailles,
a mille lunes, a mille soleils.

Jonas R. Sanches
Photo: Adi Barbosa
Tradução; Mourad Madi

domingo, 28 de dezembro de 2014

A Espera da Morte



Quando o arvoredo arqueou suas ramagens ensombrando as gramíneas que circundavam seu imenso tronco, Hargos recostou-se as pedras que brotavam no tapete verde da estação, ficou a fitar ao longe a silhueta de uma caravana que cortava o poeirento estradão, era-lhe possível ouvir o relinchar dos cavalos que puxavam as diligências, o burburinho das vozes misturavam-se aos guinchos dos risos infantis; aquilo o remeteu às suas aventuras, suas viagens pelo mundo a fora em sua busca interminável pela suprema paz e realização, mas hoje, ali naquela sombra, finalmente compreendera que seu tesouro se encontrava dentro do seu coração.
Ali ficou até que o sol despediu-se no horizonte, sua alma sentia-se revigorada apesar de seu corpo decrepito estar cansado das sendas trilhadas até aquele momento; sentia-se incrivelmente feliz, a noite avançava e as estrelas agora eram sua companhia junto ao prateado disco lunar, notou que pousou em um galho sobre sua cabeça uma coruja, que ficou a observá-lo com seus dois olhos dourados e curiosos.
Da escuridão do horizonte noturno veio então a morte, cavalgava em um cavalo negro de crina flamejante, parou bem em frente a Hargos e estendeu-lhe a mão ossuda, o velho de alma jovem assentiu ao gesto e cavalgou junto à morte pela infinidade da eternidade; gozava agora sua plena liberdade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Basilia Czar

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Do Farfalhar Calado das Folhas



O farfalhar das folhas se calou
entre o gole que acalorou
a mente, consequentemente a gota
de chuva que caia molhava a roupa.

Roupa de pele que sela a amizade
em momentos de risos, insanidades;
no pranto aguçado, flor da iniquidade
que morre em gargalho na flor da idade.

O farfalhar das folhas se calou,
ficou a escutar o agudo do riso
que escracha no peito o arroxo do gozo
entre amigos em papos de amor carinhoso.

Roupa da mente, algoz pensamento
que corre e discorre olores ao vento
e o momento feliz é o prumo da chuva
quando algures amigos vestem como luva.

O farfalhar das folhas se calou
e o riso cessou pela despedida;
anseio no seio do amigo, da amiga
e a poesia o momento ao relento guardou.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Lá Vem o Natal



O natal já vem chegando
e a criança está chorando
pois sua barriga está vazia,
pois sua existência é agonia.

O natal já vem chegando
e o idoso está solitário
suas alegrias estão no armário,
os familiares lhe abandonaram.

O natal já vem chegando
e as lágrimas estão rolando
dos olhos d’alguém no Brasil
adormecendo no meio fio.

O natal já vem chegando
e já não tem papai Noel,
tem gente morrendo em hospital
pela sua condição social.

O natal já vem chegando
trazendo fome, dor e tristeza
àqueles que já não tem
o alimento para pôr à mesa.


Jonas R. Sanches
Imagem: fotoengraçada.com

sábado, 20 de dezembro de 2014

A Dança Depois da Última Chuva



Depois da última chuva
bailaram infinidade de aleluias,
foi bailado de asas em decomposição
e, foi a composição da canção lunar.

Bailam os sonhos em vendavais,
bailam as mariposas em lamparinas
e, o bailado de estrelas não cessará
pois, há pirilampos brilhando no olhar.

Depois da última chuva
bailaram infinidade de borboletas,
foi bailado de cores dentro dos corações
e, foi a composição da canção dos planetas.

Bailam os sonhos e os devaneios,
bailam os besouros dos meus feitiços
e, o bailado de estrelas não cessará
pois, a dança gira incessante na carrapeta.

Depois da última chuva
bailaram vertigens de tempestades,
foi bailado de nuvens ao som de trovões
e, foi a composição da canção da eternidade.

Bailam os sonhos e o relampejar,
bailam as sombras d’alguma penumbra
e, o bailado de estrelas não cessará
pois, a dança da vida é de insanidade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Sequelas de Primavera



A primavera se vai com clamor
e deixa a pétala azul de uma flor
embebida em luz e nostalgia
por entre os dias perdendo sua cor.

A primavera se vai e o jardim
é o que fica, o que resta de mim
desorvalhando gramíneas de dor,
se despedindo em langor, beija-flor.

A primavera se vai e eu aqui
me remoendo em minhas sequelas,
não são só minhas, também são dela;
são profundas sequelas de primavera.

Morreram as cores e as flores pranteiam
lágrimas secas de pólen e mel,
ainda sim borboletas serpenteiam
para inspirar versos de menestrel.

São as sequelas d’outra primavera
de folhas secas, pétalas pisoteadas,
são as estações que travam a guerra
com suas armas pelas madrugadas.

Mas, a flor do cacto sobrevive ao sol
fazendo primaveras no verão;
mas, a flor do lácio sobrevive em mim
que garatuja poesias no chão mirrado do sertão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Soneto de uma Viola Amanhecida



Minha viola amanheceu cantando
um estribilho à luz da madrugada
enquanto pássaros iam revoando
no céu nascente de aurora dourada.

Minha viola em canção orvalhada
e o dedilhar à paz d’outro mundo
enquanto à flor tão desinteressada
em seu olhar vazado e furibundo.

Cantarolou ao dia à cantiga do tempo
e as vozes entrelaçaram-se ao vento
carregando a areia fina da ampulheta

para um além do além desconhecido,
para o além, depois deste planeta
só para ter sempre você comigo.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dos Pilares Místicos e Alquímicos dos Meus Alicerces



Apoio-me em pensamentos místicos,
deságuo em cataratas rústicas,
meu céu é de estrelas milenares,
minha voz é uma trombeta muda.

Apoio-me em verso pleno vívido
então minhas mãos deságuam letras
que jorram cachoeiras de rimas,
que dizem herméticas cantigas.

Apoio-me em minha bengala velha,
viajo por planícies siderais
por onde eu cultivo meus sonhos,
por onde canto encantos transcendentais.

Apoio-me entre pilares mágicos,
caminho por sendas de alta magia,
em Bohaz sou mistérios da noite
mas em Jakin sou plena luz do dia.

Apoio-me no consciente microcósmico,
me perco no inconsciente macrocósmico,
me lanço e enlaço os sete véus de Isis
para encontrar-me com a alma do Cósmico.

Agora descanso os meus estágios
ferventes no cadinho da Alquimia,
minh’alma transmuta o chumbo em ouro;
então meus pecados agora são tesouros.


Jonas R. Sanches
Imagem: Dragão Alquimico de Ripley-Theatrum Chemicum Britannicum-1652

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Visões das Flores de Parnaso




Eu vi mil sóis no céu noturno e a poesia
foi firmamento negro de estrelas
que eram sóis em devaneios, pensamentos
que revoavam pela mente derradeira.

Eu vi mil sóis e também vi planetas
que circundavam o ventre do infinito,
eternidades incontáveis de cometas
que viajavam pelos confins transcritos.

Eu vi no verso nascer brilho e poema,
eu vi no céu um longo sonho alienígena,
eu vi no sol o mistério em seu emblema,
eu vi na senda a luz de um mito indígena.

Eu vi no verso o meu inverso inusitado,
eu vi na morte o outro lado da vida,
eu vi no Edén Adão pagando seu pecado,
eu vi em Eva os motivos dessa lida.

Eu vi tais coisas então calei em sobressalto
e meu vislumbre enlevou-me sob a rima,
eu vi no cântico os versos de um arauto
que declamou-se com su’alma à menina.

Eu vi mil sóis a faiscarem em teu olhar,
senti teu cheiro, era tal qual bruma do mar
e tua voz ressoava tal qual trombeta
a entoar a doce música d'outro planeta.

Eu vi anjos digladiarem-se com demônios
na eterna luta e amor do bem e o mal,
eu vi de tudo e recordei em poesias
as minhas vias d’algo que é sensacional.

Eu vi mil sóis, eram as flores de parnaso
a florescerem com pégaso em constelação,
eu vi a luz iridescente em meu ocaso
resplandescente em coisas do meu coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 13 de dezembro de 2014

Estranhezas



Des(construção) da p-a-l-a-v-r-a
ou a re(construção) da palavra,
às vezes a poesia é tão estranha
outras é simplesmente poesia;

minha alma é de poemas cotidianos,
meus dias são poemas observados,
as noites são as estrelas poetizadas
em versos lunares e outros cometas;
sou de poesias e algumas rimas solitárias,

estrofe de um verso só

ou, que seja de dois versos
para complementarem-se como yin e yang;

ou, o ternário
resumido em um terceto.
Pai, Filho e Espírito Santo.

E a natureza do quaternário
como a terra, a água, o fogo e o ar,
norte, sul, leste e oeste
indicando as direções de uma quadra;

às vezes a poesia é tão estranha,
às vezes os poetas são mais estranhos ainda,
caminhantes de vias intermináveis,
viajores de universos de sensações...

Às vezes a poesia é tão estranha.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Por Detrás da Chuva



Era o sol espiando por detrás da chuva
e as gotículas brilhavam arco-íris,
nuvens escorriam pelo firmamento
e as flores bocejavam umedecidas.

Agradabilíssima tarde de quase verão
vislumbrando o contentismo dos pássaros
esvoaçando em trinares argutos
e banhando-se na pocinha ao meio-fio.

O tilintar do gotejar na minha janela
ditou o ritmo e a rima do versejar
que marcha em passos de amolgadela
em direção à sensação crepuscular.

Era o poeta espiando por detrás da chuva
e a inspiração vestiu-se como uma luva
por linhas tortas os versos retos do coração
que titubeia e ricocheteia como trovão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Fantasmas Distorcidos



Ressuscitei os meus fantasmas,
eram assombrações dissolvidas
no tempo, sofrimentos passados;
agora a vida é um pouco mais
de alegrias, iluminura dos dias.

Meus fantasmas já não são mais
aterrorizantes, são coisas banais
pois, a vida é algo mais, é poesia;
vida de versos, rimas e alegorias,
minhas metáforas e euforias.

Meus fantasmas enterrei no deserto
do tempo, e o meu alento é o amor
que fortalece e não arrefece em dor,
tenho o lápis, o amor e a poesia;
tenho um jardim de lilases inspirações.

Ressuscitei os meus fantasmas,
eram sombras longínquas distorcidas,
quimeras em sonhos de outra vida
que reescreverei talvez num livro
para alimentar os sonhos da posteridade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Constelação de Carina

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Matando a Saudade dos Versos



E finalmente, eu frente a frente
à minha amada e iluminada poesia,
foram dias que passaram sem versos
mas, hoje novamente o recomeço.

E é o começo do verbo à carne
e o cerne da lucidez intransponível,
indivisível tal qual a flor desabrochada
rompendo olor, inusitada à madrugada.

E é o começo, gênese, árvore frutificada
doando frutos e o poeta doando letras;
doando a rima à luz vigente crepuscular
que ilumina com cores raras a volta ao lar.

E finalmente, eu frente a frente
à minha amada e iluminada poesia,
raro momento de sentimento vasto
d’onde me arranjo em meu poema mágico.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Cantos Idílicos de Clangor



Enquanto o poeta adormeceu pelos idílios
a natureza despertou lírica e febril,
as árvores dançavam cores esmeraldinas
e, os peixes cantavam às profundezas do rio.

Paixão bucólica no verso simples e pastoril
serpenteante por entre os céus da poesia
que tem estrelas e firmamentos tão luzidios,
que voam pássaros de olhares desassombrados.

E o menino empunha a pena em bafejado
para discorrer em suas linhas o mar senil
depois coloca em uma garrafa o seu poema
para manda-lo por entre as ondas azuis anil.

Paixão bucólica na flor retórica tão multicor,
jardins suspensos por pensamentos tão arredios
e as borboletas cores discretas retém langor
enquanto os anjos entoam cantos, sons e clangor.


Jonas R. Sanches
Imagem: Joan Miro

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Desgasturas de Palavras



O meu vislumbre é desgastura de palavras,
são os meus verbos, minhas crias, minhas lavras;
os meus caminhos tortuosos são intensos
levam meus pés e minha mente aonde penso.

O meu devaneio é um cingir leve e profundo,
é prolixidez da polidez desse meu mundo
e, o mundo gira e viravolteia na carrapeta;
são voltas livres dentro dos livros desse planeta.

O meu sentimento é um momento liso e raso,
é a emoção da sensação, galardão do ocaso
que não desfaz tudo que nasce da minha sorte;
pois essa dança desde criança sorri à morte.

Os meus poemas são de emblemas desalinhados,
são metáforas líricas, analogias desse meu fado
que segue à risca o que escreveram pelas estrelas;
minha poesia qu’escapa à alma que é derradeira.


Jonas R. Sanches
Imagem: George Grie

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Os Pássaros na Procela




Teceu ao céu curvilíneo voo,
trinou um doce canto com clangor,
e o plúmbeo firmamento gritou procela,
e o viço que soprou plácido entornou;

os prados sorriram ao amparo verdejante
e a flor então brotou à gentilidade,
correu das nuvens águas entre trovões,
coriscos de iluminura no acantoamento

e a mãe natureza pelejou fertilidade.
Teceu ao céu em voo o baço sabiá,
seu canto estridulou por entre as copas,
o rio tão corredio acalentou no mar

por onde avezou-se entre as docas;
folgou então em ramo de azevinho
plumagem exuberante d’um uirapuru,
a alva garça se iluminou em probo brilho,

arrostou com a negrura do urubu.
Depois da borrasca já consumida
foi que teceu ao céu às andorinhas,
foi chuva na relva esbelta de aleluias;

foi então à plena voz à poesia
tão sacra ao lápis e ao pensamento
que a vastidão cortou sepulcro ao dia
cingindo de estrelas esse rebento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Açucena



Me deleito em teu olor imarcescível,
oh açucena; tuas cores ternas ostentam
a beleza calmosa e velutínea do jardim,
oh açucena! Musa fausta e alentosa

se derrame com tuas pétalas em mim;
e na tênue e purpúrea tez perca o pejo
e, se derrame tenra em caule arqueado
qu’eu me derramo em ti qual beija-flor.

Me deleito ao sorver do teu mel,
oh açucena; tua doçura faz o peito fremir,
perco o leme e o lume no acerbo da escuma
e me perco em ti como a alma na bruma.

Oh açucena! Me inquieta estar longe de ti,
na distância meu pranto é canto arguto,
no teu pólen meu ser é xucro e aragano
mas, sem ti torno-me soturno e gaudério.

Oh açucena! Deixe-me morrer no cerrado;
em teu colo macio e orvalhado,
oh açucena; deixe-me morrer de amor
beijando com ardor teu seio de campônia.


Jonas R. Sanches

domingo, 30 de novembro de 2014

Soneto do Verso Melancólico



Do verso melancólico à elegia
que se transmuta à flor da perfeição
de um jardim isento de demagogia,
somente a busca d’alguma sensação.

Do verso melancólico a cor da lágrima
que se transmuta em brilho de alegria
na face de uma alma cândida libérrima
que esvoaça firmamento de alegoria.

Do verso melancólico o soneto
retumbante em emoção transcrita
que flamula em avidez que grita

com a voz de um estridular perfeito
sem limite, resplandecendo  trejeito
dessa lida que a morte não limita.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Sublime Crepúsculo



Sublime o meu crepúsculo
com teor de aurora atemporal
tão vívida como o ardor da eternidade,
tão poética como a infinita idade
de sonhos extáticos, extraordinários;
de sonhos entre versos, entrelinhas.

Meus alvitres, meu alforje de palavras
delineando o limiar dos devaneios
que são fragmentos de diamantes  d’outrora
por onde os rios corriam caudalosos
carregando nas águas todas as tristezas,
lavando a alma, força formidável da natureza.

Pitoresca a divina tela do sol
inspirando filósofos, eruditos, poetas;
pigmentos audaciosos do arrebol
por onde migraram as aves da liberdade,
de nadires e zênites, de vizires intransponíveis
onde eu guardei as riquezas do meu querer.

Sublime o meu crepúsculo,
sucinta a sensação,
o beijo é doce quando tem amor;
nossos beijos são açucarados
pois, nosso amor é real, tão real
que o transcrevo límpido em poesias.


Jonas R. Sanches
Imagem: Paul Nicklen/National Geographic

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Universo em Súplicas e Devaneios



Pluridiversificação poética
e é a verve anímica eclética
transparecida na calada noturna;
resplandecida nua na voz diuturna.

O poeta floresceu à luz diáfana
embelezando a pétala de Bhaskara;
nos jardins versificações matemáticas
germinam entre orvalhos e ponderações.

Transcendentalização angélica
e é a verve da visão psicodélica
multicolorida na hora crepuscular;
enternecida na busca do explanar.

O poeta se decompôs junto ao corpo,
eternizou-se somente após ser morto;
embriagou-se de uma inlucidez plasmática
e sua translucidez foi d’alma emblemática.

Transubstanciação apoteótica
e é a verve de sensações aristotélicas;
nas linhas todo sentimento é vislumbre
que nas interpretações vãs sucumbem.

O poeta ressuscitou em uma estrofe,
transfigurou-se em enlevação e caos;
o universo resumiu-se no verso final
onde microcosmo e macrocosmo foram um.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Na Força da Letra



Na letra ocultei o vento
e a árvore e o pássaro azul,
na letra algures o momento
e o rebento violento do coração.

Na letra a célula e o planeta
e o macro e o micro e o cosmo,
na letra o hermético elemento
e o tormento dissolvido em lágrimas.

Na letra o princípio e o final
e o meio entremeio às flores,
na letra o iniciático punhal
e os segredos velados do bem e do mal.

Na letra púrpura um verso magenta
e a cor escarlate é o sangue da rima,
na letra é o poeta e sua matéria prima
e a essência de tudo se funde no nada.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Dança do Gotejar Noturno e o Céu Molhado do Nosso Amor



No céu noturno um negror melancólico
e a chuva que respinga é o som vazio,
nostalgia reverbera em céu sem estrela
enquanto a lua é a luz prateada em obducto.

No céu noturno a lembrança d’outra vida
e a chuva que respinga é fonte, insensatez;
e a tijuca que ribomba em som de trovão
traz de volta a alma escassa, assombração.

No céu noturno o plúmbeo firmamento
e a chuva que respinga é minh’oração,
poesia titubeia no parapeito da janela
intercalando o verbo do amor e a sensação.

No céu noturno o relampejo e o corisco
e a chuva reflete um brilho desofuscado,
o verso segue o gotejar crasso intermitente
volitando em adejar límpido da minha mente.

No céu noturno o véu soturno apaixonado
e a chuva é a veste que umedece nosso amor,
o gotejar é a música dos corações apaixonados;
corações embriagados nessa dança de nós dois.


Jonas R. Sanches
Imagem: Zachary Johnson

domingo, 23 de novembro de 2014

Dança da Morte



Era a morte que bailava sob a noite
como a donzela ceifadora inefável,
trazia a foice e as lembranças de um olhar
em seu cavalo de fogo eterno a cavalgar.

Dançou no baile da infinidade sua canção
e nos acordes levou o velho por sua mão,
e no compasso levou o jovem e o coração,
levou o pai, levou a mãe, levou o irmão.

Dança da morte, essa consorte libertação
e o corpo denso desfez-se pútrido no chão
e, a lágrima brotou em sal, regou a flor
que germinou em um amplo jardim sem cor.

Dança da morte, baile funesto, olhar sem brilho;
e o homem que padeceu engendrou saudade
e, a morte partiu sorrindo, no limbo a idade
do beijo seco, do ósculo amargo da eternidade.


Jonas R. Sanches
Imagem: Gustave Moreau

sábado, 22 de novembro de 2014

Flor de Mandacaru



No abraço feriu-me em teus espinhos
mas, na candura de tua flor noturna
enlevou-me aos sonhos místicos
viajei então pelos teus sertões infinitos siderais.

Flor cândida de brancura leitosa
que floresceu às estrelas intensamente;
foi flor poética, vertigem da mente,
flor de mandacaru perfumando o horizonte.

No abraço feriu-me em teus espinhos
mas, não era rosa rubra, não foi por querer;
feriu-me e devaneou junto a mim
pelas noites de luar prateado enluarado.

Flor dos sonhos, brugmânsia do sertão;
sertão infindável de olores perfumantes,
cacto verde-amarelo cor do meu olhar
tão brasileiro, poeta em devaneio aureolar.

No abraço feriu-me em teus espinhos
mas, do sangue eis que brotou inspiração,
broto lhano que medra nesse sertão;
alucinação, sonho de flor de mandacaru.


Jonas R. Sanches

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Quando o Dia Acorda em Poesia



Adoro quando acordo em poesia
e as pálpebras pesadas de versos
miram semicerradas e de soslaio
os pensamentos que escapam de mim

e viravolteiam pela alcova colorida
poetizando o devaneio matutino
que nasce ao canto sabiático na janela,
que nasce do amor que tenho por ela.

Adoro quando acordo versejando
e no jardim beija-flores estridulando
e, as flores com abelhas pitorescas
enfeitam o amanhecer com suas belezas

e o sentimento é pureza e bucolismo
que então desperta a emoção e o lirismo
então no verso o amor derrama alegria;
verso tranquilo iluminando o meu dia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pensamentos Heliotrópicos



Transição anímica hominal,
transmutação poética alquímica,
evolução sintática pragmática
em momentos destros rítmicos.

A poesia então é simples poesia
transubstanciada em doiro verso
paradoxal; antítese cerebral
entre minha fuligem neural.

A poesia é sempre a poesia
e há emaranhados espasmódicos
entrelaçando os versos módicos
e o pensamento é o vento plural.

Poesias transistoradas ou valvuladas
reverberantes em recitais uivantes;
alcateias lúdicas de lobisomens,
assembleias rústicas de retirantes.

Retiro a flor do caule e planto-a no verso
e, a estrofe parecer-lhe-á o meu jardim;
aos olhos do mundo simples arranjos azuis
aos meus as cores floríferas dos heliotrópios.

Transição arcádica substancial,
transmutação lírica pseudo-floral,
transubstanciação supra espacial
do poema, da poesia, do devaneio.

E há na esquina das sereias
 pensamentos heliotrópicos...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Iridescente



Deixo a noite adornar-me de estrelas
cadentes, caio do céu e sou cometa
fulgurante, iridescente, meu brilho
ofusca o seu olhar, sou sol radiante,
meu semblante é meu afiado punhal,
me desfaço do que é mal, não vale a pena
desgastar-me, morro e ressuscito
em cada verso meu, minha cova é profunda
mas meu túmulo tem rumores e flores,
minha senda é pedregosa, mas...
Tenho o amor ao meu lado e isso é suficiente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Cometa Halle Bopp

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Das Poesias Ritualísticas



Do meu turíbulo incandescente
eis a mágica doce d’alguns olores,
parecem lágrimas, algures flores
e o meu incenso é elemental.

Da estrela cósmica flamejante
eis a mágica vasta do meu punhal,
sangrando os sonho, singrando a carne
e o meu despertar é um ritual.

Do leste o sol magnificente
e a mágica agora é a de outrora,
meu ar de sílfides, voando silfos
e o meu elemento agora é o ar.

Do oeste o sol deitando horizonte
e a mágica é a luz misturada em cores,
chuva de ondinas, dança das ninfas
e em rios e lagos vou me banhar.

Do sul a imagem constelacionada
e a mágica é a faca em face o nadir,
dragões fulgentes, mães salamandras
e em fogo brando eu quero bramir.

Do norte a morte e a estrela guia
e a mágica é o céu límpido e zênite,
elfos, gnomos, ouro e duendes
e os meus pés galgam minha terra.

Da alma a aura sublime ressuscitada
cantam feitiços mágicos de proteção,
anjos e arcanjos entoam em revoada
a música eterna e sempiterna do coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Tranquila Loucura



Em minha tranquilidade enlouqueço
mas, minha insanidade é coerente
como o rio de águas transparentes
que corre às vezes veloz... Outras tranquilamente.

Em minha mente a loucura é a semente
e a poesia brota plenamente, em mim.
Pobre de mim, insano poeta eloquente
que já morreu, mas vive em letra carmim

de sangue; do sangue salgado da lágrima
e, a alma embebida na insistente loucura
se afaga a si, entremeio ao grito do arrebol;
ai de mim! Dissolvido em plenas cores loucas,

tresloucado dos píncaros dos vizires
insalubres, que protegem os risos do sol;
sol que fulgura anímico em meus sonhos
loucos... Loucos sonhos... Ai de mim! Calado...

Em minha insanidade o vislumbre real
do verso que afaga o sono em noites de umbral
por onde caminho com caneta e sorriso pálido;
ai de mim! Se eu morrer em um poema fatal...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Da Janela do Universo Meus Versos Extraviados



Debrucei-me sob o parapeito da janela do universo
contemplei um céu negro, profundo e controverso;
discorri sobre a criação engajada em algum verso
e o nexo transcendental foi a estrela de brilho inverso
longínqua em seu firmamento vasto e disperso.

Sorrateiro e diuturno ou noturno ali deixei-me
em vislumbres de visões em sensações deleitei-me;
discorri sobre o que vi e na poesia encontrei-me
mas, a vida estava ali e em meditação mergulhei-me
e no verso então vivi e a morte transmutou-me.

Poetei, versifiquei, ressuscitei e esmoreci,
na janela do universo discorri sobre o que vi
e, imerso em meu momento pelo verso ressurgi
com rimas extraviadas com o sol eu renasci
então junto aos pássaros, cantei e sobrevivi.


Jonas R. Sanches
Imagem: Burning Liquid

sábado, 15 de novembro de 2014

Sobre os Pássaros e Sobre os Poetas



Há pássaros que cantam para a noite,
há pássaros que cantam para o dia,
há pássaros que voam em meus pensamentos,
há pássaros que cantam minhas poesias;

e, as poesias reverberam pelos longos anos
e, os poetas cantam com os pássaros
e, as poesias voam com os pássaros
noturnos, soturnos, diuturnos, e o som

ecoa pelas estrofes de pássaros e poetas.
Há pássaros que migram em poemas,
há pássaros que internam-se nos ninhos,
há pássaros que roubam todas as cores

e as carregam pelos campos e sertões,
e as imprimem pelos vastos corações
que titubeiam ante o canto apaixonado,
que se estremecem ante o canto das orações.

Há pássaros e há poetas em devaneios
que se enlevam em píncaros transcendentais;
eu sou apenas um poeta em revoada,
eu sou um pássaro que o tempo deixou para trás.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

De um Sonho Poético



Sonho com a poesia
e acordo no meio do verso;
a noite atravessa transversa
e a lua entremeio as estrelas
entrevadas no olhar curioso
do curiango, da coruja, do corvo.

Sonho com o verso
e acordo no meio da poesia;
a noite transpassa no tempo
e o vento assovia o momento
que para e cala à calada da noite
do trovador, da paixão, do amor.

Sonho com um sonho dentro do sonho
e acordo sonhando desperto;
a noite é o aconchego dos teus braços
e o teu abraço é o afago notívago
que acolhe todos os meus devaneios
poéticos, ascéticos, filosóficos.

Sonho com a poesia e o verso
e acordo em céus de fantasia;
extravio algures alguns pensamentos
e o semblante é de olhar contemplativo
que vislumbra notórios oníricos
cataclísmicos, apoteóticos, apocalípticos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vezes e Vezes



Às vezes sou somente a poesia
outras sou vento, sou grito, sou mito;
às vezes sou somente a elegia
outras sou emoção, sentimento de alegria.

Às vezes não sou, não sei, não fui
outras renasci das cinzas do vulcão
e o verso é aquilo que ele é;
devaneio, cosmogenese, criação.

Às vezes sou a sombra do elemento
outras sou o elemento em transição,
às vezes sou somente o complemento
d’algum livro, livre à interiorização.

Às vezes sou o tempo que é depressa
outras sou a voz da lentidão;
às vezes, muitas vezes, infinitas
existência dissolvida em sensação.

Às vezes eu não sou nem sol nem lua,
sou alma pura, cor do cheiro da visão;
às vezes sou um poeta inexistente
que comumente engole os sonhos e a razão.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Soneto em Branco e Preto



D’algum verso que nasce um soneto
mesmo que seja algures branco e preto
ou eu prometo um verso colorido,
ou algum pássaro canoro e alarido.

D’algum verso que nasce outro poeta
mesmo que seja em berço de asceta
ou da promessa d’outra cor no verso,
ou o avesso d’um espelho transverso.

D’algum regresso d’outro filho pródigo
trazendo sonhos em um alforje índigo,
realizados pelo caminho áspero,

reconquistados pelo gesto austero;
e a recompensa é o gosto da alegria
que versifica a lírica d’outro dia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Vivaldi

Sobre um Pequeno Menino de Alma Gigante



Tem gente que nasce com alma gigante,
menino que traça as linhas da mente,
tem gente que vem com a faca nos dentes
trazendo nas mãos a receita da arte.

Menino sapeca de mente aguçada
desenhando gente, fluindo contente
caminhos de linhas, desenhos prudentes
um jovem prodígio de mãos abençoadas.

É anjo ou menino, é Ângelo, é Hector;
desenho fluindo, pensamento desperto
que jorra ideias, suas inspirações
que chegam colorindo todos os corações.

Tem gente que nasce com a alma e desenho
na ponta do lápis, no gesto de empenho,
e as portas da vida se abrem a ele,
e ele abre as portas infinitas da mente.

Tem gente que nasce com luz e coragem,
tem gente que é gente, gente de verdade;
tem gente que desenha a gente; engraçado,
tem alma que é grande, que não tem idade.


Jonas R. Sanches

Dedico esta poesia a um menino que já nasceu fazendo arte, e arte de verdade, um menino abençoado que trouxe para este mundo uma alma gigante dentro de si, esse menino é Hector Ângelo, um desenhista e escritor da cidade de Goiânia. O desenho que ilustra a poesia acima é um presente que eu e minha namorada Ely recebemos dele, obrigado Hector e que Deus continue abençoando suas mãos e sua vida!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Olhares Vítreos da Impressão dos Pássaros



O olhar vítreo curiangou pela noite,
buscou no firmamento uma estrela
que morreu a dez mil anos,
que deixou a esmo sua luz a cintilar.

O olhar vítreo condoreou livre,
buscou sibilos de uma velha sensação
que esmoreceu no verso pálido,
que deixou um arrepio a vaguear.

O olhar vítreo corujeou pelos tempos,
buscou no âmago novo conhecimento
que plurissignificou entendimento,
que deixou a dúvida n’outro lugar.

O olhar vítreo beijafloreou pelo jardim,
buscou abrigo nas pétalas de cetim
que guardavam o néctar de mim,
que deixavam as cores a multicolorir.

O olhar vítreo passareou no entardecer,
buscou o crepúsculo em telas divinas
que diversificavam todas as emoções,
que retratavam a natureza e sua perfeição.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Meus Cem Anos de Devaneios



Eu já não tenho mais cem anos,
eu adormeço em uma nuvem,
as borboletas fazem planos
de darem asas as vertigens.

Eu já não vivo dentro dos espelhos,
eu voo em céus de purpurina,
as águias morrem nas montanhas,
as almas planam como lamparinas.

Eu já não canto o canto apoteótico,
eu amanheço em sol de diamante,
os devaneios engolem barcos
que navegaram em outros sonhos.

Eu já não sou de letras destras,
eu pinto as noites de aquarela,
a lua vigia o amor das estrelas
que dançam dentro dos olhos dela.

Eu já não morro em uma prosa,
eu reverbero em uma poesia,
o mar tem ondas cor-de-rosa
que banham as flores da matilha.

Eu já não uso mais relógios,
eu derramo o cálice de vinho,
o candelabro é lume bruxuleante,
eu recomeço aquilo que foi antes.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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