segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Degustando um Copo de Tristeza



Sou só tristeza nesse vil momento,
sou sem amor, sem sentimentos,
sou o que restou da última poesia
sou a luz da meia noite e a treva do meio dia.

Entrego as ondas esses devaneios
para que levem a dor ao alto mar
também me levem para não mais voltar,
fico à deriva nesses pensamentos.

Sento a montanha e miro esse vazio
entrego a alma aos consentimentos
de um Deus distante e vago como o vento
que sei que existe mas eu nunca vi.

E nos desvelos sem revelações
emplaco uma guerra tão interior
quanto as entranhas de um inferno vasto
por onde andei e também senti asco.

Sou só tristeza nesse vil momento
e o que me resta é verso à companhia
muito distante já houve alegria
mas agora e mais um final cheio de prantos;

um copo de lágrimas e uma rima pobre
das rosas espinhos no corpo do homem.


Jonas R. Sanches

Fora das Exigências



Tantas exigências inadequadas
e o profundo do eu sofre às mágoas
dos dias onde não há luz
e não há trevas;
somente a vontade bizarra
de rebentar como uma onda
nessa pedra dura do caminho
mas, há também a fé
e a mesma alimenta a tolerância
então surge a paciência;
então passo os dias a dialogar
com as flores,
com os pássaros,
com esse aterrador eu mesmo
que reflete no espelho.

Jonas R. Sanches

Fim da Noite



Queria algo novo
mas o passado me ludibriou
e só deixou carcaças
do tempo, esparramadas;
violências ósseas poéticas
espalhadas pela catacumbas
onde eu adormeci,
onde repousei vidas cafajésticas,
onde ocultei trabalhos bem feitos...
Mas morri, e integrei-me ao nada
e o tudo me acolheu
entre seus braços infindos
e foi onde me inspirei à poesia
doente, demente e feliz
dos dias cataclísmicos;
dos dias comuns hereditários;
do dia de amanhã
que saúda todos os Arcanjos.

Jonas R. Sanches

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Das Noites e Eternidades



Às vezes noites tão longas
vagando entre um gole e outro
de poesia, de vinho, de morte
ou, de uma vida medíocre.

Às vezes uma noite interminável
sem eu mesmo e sem você,
apenas mais um copo de vinho
ou que seja uma garrafa de solidão.

Tantas as noites por onde ressuscitei
mas, foram tantas mortes que perdi
a conta, o caminho, o ônibus
que me levaria até uma outra dimensão.

Mas a noite faz parte da poesia
e mesmo que seja tão triste, tão fria;
é uma busca por consolação,
por um amanhecer menos temerário.

Às vezes a noite tão longa, longe de mim
correndo de botequim em botequim
procurando um cálice dos seus beijos
mas, o que encontro é um peito vazio.

Às vezes a noite e a poesia distantes de mim
e as letras se embaralham entre estrelas
enevoadas pelo trago suculento e fatal;
e acordo sem saber se eu já sobrevivi.

Às vezes a última noite ou a eternidade
jorrando pelas gretas de uma sensação
passageira, derradeira, crua e mortal
que degusto no último gole de um final.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Jovens Rios de Prantos Envelhecidos



Tão jovens os pensamentos
nascidos junto as poesias
e há tantos paradoxos surgindo
e há dores e também risos.

Todas as coisas, flores, sorrisos;
todas as sortes lançadas nos dados,
na roda da vida, do mago, da lida
diante a verdade quase imperceptível.

Tão jovens as dúvidas que vem surgindo
nos dias simplórios dessa existência
onde a alma foge do mundo em demência,
onde a luz do espírito é a inteligência.

Todos os pássaros, cães e borboletas
fazendo algazarra na minha janela
e, nos olhos distantes lembranças dela
que deixou marcas profundas em mim.

Tão jovens os desejos que surgem
devastando o poeta em sua solidão
que é mais que saudade, é o seu coração
titubeante, colhendo prantos envelhecidos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Soneto em Proliferação



Escrevo em versos a proliferação
dos pensamentos rumo a eternidade,
vou sem pudor, sem comiseração,
vou cavalgando minha irrealidade.

E a poesia é pura determinação,
é querer chegar além da inverdade
brunindo afoito em busca da inspiração
que chega a ser até sagacidade.

Poeta, asceta, às vezes erudito
na luz imaginária de algum mito
que fez do coração céu incendiário

e faz da gente o algoz do refratário;
tão circunflexo como a voz que gira
em minha mente e depois se retira.


Jonas R. Sanches
Imagem: Vitor Santos

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dos Dias Obscuros



Foram dias obscuros
aqueles dias solitários
exilado ao campanário
olhando além da espessa bruma;

e lá além vislumbro a escuna
aproximando-se do porto
e meu espírito absorto
querendo a libertação

desses grilhões duros terrenos
servidos em copos de veneno,
servido em versos a inspiração
dos cacos d’algum coração

que foi partido pelo tempo
banhado em fel e sofrimento
mas deixo aqui pobre lamento
grafado em nua poesia;

e a alma aguarda um novo dia
um novo horizonte, novo porvir;
mas quase eu quero desistir
de toda busca inebriante

para voltar a ser como antes
e ter no olhar a criancice
e acreditar nessas crendices
que meus olhos já não suportam mais.

Foram dias obscuros
mas a luz assim transpareceu
e o corpo inerte então morreu
e voei livre por novas paragens

a cantar novas poesias
e espalhar pétalas de mim
e renascer em luz enfim,
para adormecer em seus abraços.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Versos Pelas Frestas da Solidão



Me escondo as frestas da solidão
e já não me vejo pelos espelhos
é só um vazio titubeante
que incomoda meus devaneios

livres;
e já não sou mais outra sensatez
apenas um brilho já apagado
no fim da noite

e no peito remoem as dores
então eu corro louco pelo nada
sou um cachorro louco à madrugada
e do destino a flor à meia-luz

entregue;
me escondo as frestas da solidão
e já não sou da lua o mais sincero
somente um grito desse desespero

mas do que resta eu não mais espero.
Me escondo do espelho e adormeço só
já não vale a pena tanto sofrimento
somente vale o verso dessa estupidez.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Dos Jardins da Minha Mente



Das coisas que fogem do real
a semente brotada alucinada
mas, fogem também à minha alçada
e deixam apenas vento e poesia.

Das coisas que fogem aos pensamentos
a semente brotada na mente
funda o bastante, enraizada;
e a árvore nascida em folhas e versos.

Das coisas banidas e inascidas
a letra fosca refletida no universo
e um olhar diáfano a elucidar
aqueles livros que não pude ler.

Das rimas e das inspirações esquecidas
essa poesia a tanto enclausurada,
encasulada querendo a metamorfose;
e das cores os tons mais sutis.

Das coisas que fogem do real
a semente do eu irreal e inacabado
querendo brotar e esticar os galhos;
querendo florir dentro das primaveras;

mas ainda é tempo de adormecer
e esperar a próxima estação
ou apenas morrer e esperar a luz;
ou apenas morrer e cair na luz do esquecimento.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

De Um Álibi Qualquer



Um escárnio sutil
e os passos seguem
e eu tenho álibis;
eu não decepei as borboletas
só roubei algumas de suas cores
e colori devaneios
tão insanos quanto eu
pela madrugada alienígena
contando estrelas entre galáxias,
contando anedotas para os cães
que uivam demências ao luar
e eu tenho álibis;
eu não fugi do meteoro
só roubei o fogo do céu
e incendiei todas as Babilônias
numa manhã de dezembro
d’onde recordo a música dos ventos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Nebulosa da Borboleta

Memórias de uma Tarde Fria



Tantas promessas desfeitas
e os passos são retroativos
na lida do homem partido
perdido entre suas querências.

Tantos os sonhos adormecidos
e a mente nula estagnada
parada e sentada na estrada
da vida diante dos olhos.

São tantos os versos contínuos
que choram, que riem, que vivem
na ponta de uma caneta,
nas vozes da minha cabeça;

e nas folhas papéis pergaminhos
antigos pincéis em papiros
gravando o poeta na história
em ares e em luz merencória.

Tantos os amores perdidos,
vividos por singular instante
em livros guardados na estante
que agora já é empoeirada;

e o surto vem de madrugada
e assusta pela inspiração,
soluços d’algum coração
que solitário em estrela devora

e a última estrofe degola
a esperança que um dia partiu
deixando apenas memória
de um beijo em um dia frio.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Depois do Amanhecer das Primaveras



O vento; e sonhos disformes
que aniquilam todas as sentenças
e o que restam são jardins
repletos de novas assimilações.

O fogo; e feitiços sombrios
que aniquilam todos os medos
e o que restam são desejos
que movem os passos do amanhã.

A água; e obstáculos circundados
pela destreza de sua natureza
e o que restam são bifurcações
que confundem a nova direção.

A terra; e castelos raros de areia
construídos nos topos do mundo
e o que restam são masmorras
que aprisionam espíritos covardes.

O éter; e são alquimistas e transmutações
refinando o petróleo das veias
e o que restam são carcaças inertes
que foram deixadas pelas almas em ascensão.

A poesia; e o poeta tão solitário
mergulhado em sua nostalgia
aguardando um novo dia,
aguardando a nova estação chegar.

E depois do amanhecer serão todas as novas primaveras...


Jonas R. Sanches

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Brisa



De uma brisa fresca
e um rock bem antigo
eis que surge mansa a poesia
toda recortada no entardecer.

De uma brisa sob os olhos
devaneios rubros das pupilas
que fitam as cores dos pensamentos
saltitantes como lebres esvoaçadas.

E o sol continua seu crepitar
interminável e, alinha os reflexos
por entre as frestas das sensações
que sinto, se intercalando pelos dias.

De uma brisa fresca um beijo do universo
brunindo modificações nas partituras
dessa música de notas e novidades
esquálidas, em uma flor de girassol.

Da brisa o verso anverso
quase incerto; verso avulso
delinquente, e toda gente bate palma
e toda gente bate a porta querendo entrar.


Jonas R. Sanches

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Simplismos Exóticos



Simplismos dislexos aneurais
e uma vertigem catatônica
da poesia em versos místicos,
da alegoria encravada no lírico.

Sintomas reais dessa loucura
e abstinências complexas
dos dicionários hebraicos,
dos vícios laicos diuturnos.

E ainda assim analiso profundamente
aquelas letras rasgadas no outdoor
que falam de sapatos e de joias raras
que meus desejos não querem nem saber.

E ainda assim continuo correndo na chuva
navegando nas enxurradas em barcos de papel
sem remos, apenas um cigarro molhado
que acendi quando deixei de fumar.

Simplismos e ruídos exóticos nas labaredas
de uma fogueira etérea transcendental
que acendi no vão das nuvens em uma tarde,
mas não me lembro se já era uma tarde de setembro.

E as primaveras vem e vão sem deixar vestígios...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Atroz



Conflitos ausentes de gritos
dos ritos mentais pessoais
d’onde augures surgiram mitos
que serviram para escravizar;

o homem algoz de si mesmo
escravo de todos os medos
pregados nos templos e igrejas
e nos diálogos de uma cerveja.

Conclaves ausentes na lida
das almas escravas feridas
por pecados e imposições
regados pelas mãos malsãs;

que sorrindo chicoteiam
a carne sofrida do homem
e os olhares nulos esperneiam
através de atos atrozes.

Sentidos ausentes sentidos
e ocultos nas mãos do poeta
que aflito na lenda do abrigo
se lança aos auspícios do asceta;

que fala e aviva no olhar
a fórmula da ressurreição
em prol da alma abraçar
o amor na pura afeição.

Conciso entre livros afundo
em mergulho atroz sideral
assim me liberto do orgulho
e ressurjo diante do mal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Tempos Plenos de Versos



Plenos tempos vividos dispersos
recordados entre o beijo e a poesia
retratados translúcidos em versos
que trafegam entre a noite e o dia.

Plenos ventos ventados sozinhos
pelas frestas do tempo e do espaço
carregando olores doces de vinhos
que derramou-se dos olhos de Baco.

Plenos vales cobertos de flores
tão exóticas que afagam memórias
e disfarçam nos caules suas dores
que se fazem reais mais que as glórias.

Plenitudes versadas e aladas
revivendo sorrisos melindrosos
ou os choros pelas madrugadas
já passadas por louros trevosos.

Plenos versos vividos dispersos
reluzindo em vitrais de poesias
deduzidas por seres incertos;
tão incertos que ao certo é mestria.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sábado, 14 de setembro de 2013

A Flor dos Meus Devaneios



Queria a flor para você e a poesia
mas só me resta vislumbres de solidão
e uma dor tão lancinante ao coração
quando contemplo a penumbra do fim do dia.

Queria a flor e um abraço confortante
mas só me resta a nostalgia e o horizonte
vazado em cores que trazem recordações
daquele afago que já não tenho mais.

Queria a flor e aquele verso esquecido
que fiz as pressas, que compus apaixonado
mas só me resta o peito nu tão rechaçado
pelas lembranças que remoem pela cabeça.

Queria a flor mergulhada em fino vinho
tal qual remédio feito a mãos de curandeiro
para curar o sofrimento derradeiro
que me persegue pelas noites solitárias.

Queria a flor que foi ceifada na batalha
entre o poeta e a algoz insensatez,
queria tatear novamente a sua tez
e adormecer o sono eterno da navalha.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Fulminante



Tão fulminante como a morte
a vida passa intrinsecamente
e deixa a alma desorganizada
e meu coração bate... Bate...
Sem saber se é noite ou dia
às vezes se apertando em agonia
outras se apaixonando loucamente,
mas é assim, como poesia
que passa a vida fulminante
intrínseca como a morte,
e deixa meio turvo meu olhar
que captura reflexos das nuvens
e guarda-os em uma caixa de sapatos.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

No Ressoar da Meia-Noite à Meia Luz



Ecoam vozes antigas na minha mente
e o relógio canta meia-noite,
o que o coração ouve a mente consente
e a consciência é como um açoite.

Ecoam versos longínquos no universo
e a estrela explode supernova,
o que o infinito acolhe é quase inocente
e a consciência insana se recolhe.

Ecoam rifes de uma guitarra blueszística
e o espírito aceita a loucuras,
meus devaneios são incandescentes
e minha poesia é chão que perdura.

Ecoam vozes antigas na minha mente
e a meia-noite deixou inspiração,
o que foi inda será novamente
dentro das lembranças do coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Se Fossem Apenas Rabiscos



Se fossem apenas rabiscos
mas, existe a poesia e sentimentos
que brotam do âmago da alma
e refletem em cada verso o amor,
refletem a dor do meu espírito.

Se fossem apenas rabiscos
mas, existe toda uma concatenação
sobre o ontem, sobre o hoje
e, o amanhã quem sabe será
um sol mais vivo, com mais cores.

Se fossem apenas rabiscos
mas, existem lágrimas e tinta
que escorrem por entre as letras
deixando marcas profundas
como uma eterna recordação.

Se fossem apenas rabiscos
mas, sou eu e é você e ele,
todos nós entranhados no mundo
ou, na história da vida
que passa sem misericórdia.

Se fossem apenas rabiscos
mas, são estrofes doiradas
como o sangue real,
como o santo graal,
que busco em minha lida interminável.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sonhos do Ventre de um Soneto



De um sonho a pura ingênua lucidez
e um chão pisando azul da turmalina
e, ao longe a silhueta de uma menina
refletindo estrelas pela sua tez.

De um sonho águas cristalinas puras
e um vento repleto de pensamentos
e, ao longe vislumbres de alguns tormentos
que espalham trevas entre as canduras.

De um sonho a morte em um pesadelo
e um soneto após ressuscitado
entre outro sonho, entre algum desvelo

que de desejos foi entrecortado
tirando a alma dessa ancilose;
brotando versos pela celulose.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Heteronímico



São tantos eus na minha vida,
o que observa e o que desconfia
adentrando nessa heteronímia
que chega a ser perturbação.

São tantos eus, tantos espelhos,
que refletem meus eus complexos
entre algum eu já tão convexo
ou obtuso aos paradoxos.

São tantos eus e um eu ortônimo
que vigilante e estrambótico
liberta um eu um tanto robótico
dessa mesmice cotidiana.

São tantos eus que até me esqueço
onde eu deixei minhas poesias,
se era alta noite ou novo dia
então plantei renascimentos

jogando o eu-semente ao vento
para colher a fantasia
entre outras coisas e catarses
para lembrar do qu’eu era antes.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ilha Deserta



A ilha de um poeta é tão repleta
de obscuridades, de mentiras e verdades
irreconhecíveis talvez, loucuras,
e seus sentimentos são mais que as juras.

A ilha de um poeta e um feitiço
que explodiu na face do feiticeiro
rasgando a pele, rasgando os verbos
mas, tudo é superável talvez.

Uma ilha ou o oceano de possibilidades
que não tem idade, não teme a morte
e um assassínio sobrenatural na noite
tão bizarra que assolou meu ser.

A ilha de um poeta e suas bruxarias
que regurgitam os dias inacabáveis
e as madrugadas sem nenhum luxo
que rouba almas para um demônio.

Uma ilha deserta e o meu olhar
abstrato, exagerado, indulgente,
e descobrimos que alguns nos amam
outros nos odeiam, e o final é a poesia.


Jonas R. Sanches
Imagem: ultrad.com.br

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Reparando Inspirações



Reparo a poesia no amanhecer
e no anoitecer sua continuação
refletida no brilho estrelar

mergulhada nas águas do mar
e à reflexão pelos versos afoitos
de um bater de asas da borboleta

e dos pássaros multicores;
reparo a poesia nos amores
e na madrugada enluarada

prateando as copas naturais
das árvores, heranças de ancestrais
que povoam matas,

que inspiram sonhos
que versificados diariamente
completam meu coração.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pensamentos Fluentes



Penso, repenso, revejo os conceitos
e a poesia continua a fluir intata
entre candeias bruxuleantes na noite
que invade o dia que guarda mistérios.

Penso, invento, revelo os segredos
e os medos já não roubam-me a paz,
sigo sereno pela senda que escolhi
e piso brasas nas tardes de primavera.

Vivencio os momentos com intensidade
e proclamo com alma versos sobre a verdade,
que são anseios, que nascem pelos jardins
onde cultivo sementes de amor com labor.

Penso, repenso, revejo os momentos
e a poesia flui de maneiras misteriosas
na mente inconsciente, e fico ciente
que meus dias seguem sempre versificados.


Jonas R. Sanches
Imagem: street by mahmoudz

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Apenas Alguns Versos Frientos



Somente o frio embrutecido
rangendo o algoz do meu destino
que se perdeu entre as batalhas,
entre arvoredos que farfalham.

Somente a noite congelada
adentrando salões de sentimentos
já esvaídos de contentos,
apenas observando seus próprios eus.

Somente um verso enegrecido
perante as trevas d’algum momento
d’onde inspirou ressentimentos
e dores horrendas sem nenhum motivo.

Somente o frio leve insensato
rasgando a tez já castigada
plena nudez da madrugada,
libertação do embrionato.

Somente eu em mim sozinho
e algumas recordações cristalizadas
num devaneio entrecortado
pelo feroz punhal regente.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Menina que Avistei



Fiquei a olhá-la lá distante
e o coração a pique transbordou
elevando a mente a fantasias
e logo após então se apaixonou.

Anseios invadiram minha alma
e as cores sobrepondo a imensidão
da vasta campa roubando sentidos
e a última centelha então se foi.

Morri então solene embriagado
sem ter seu beijo que um dia quis
sem seu abraço em mim entrelaçado
e o seu olor então fugiu de mim.

Morri e renasci algumas vezes
mas dela não consegui apreço
não fundimos nunca nossos eus
fiquei então enfim em solidão.

Fiquei a olhá-la sem poder tocá-la
meu coração sofrível se dissipou
no éter que minh’alma circundava
então em tristeza a vida terminou.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Soneto dos Martírios



Suplício célere mortificado
de um homem-Deus animalizado
sanando a mente em vãs conjecturas
vandalizando as doces amarguras.

Martírio inspiratório organizado
de um anjo-Deus insano enclausurado
chorando as dores e suas desventuras
gritando ao céu canções sem partituras.

Estigmas surtindo efeitos maviosos,
ferimentos profundos harmoniosos
refletindo águas desse rio sangrento,

onde navega a nau do sofrimento
que dilacera a carne além da morte,
tornando o homem-alma assim mais forte.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Por Toda a Eternidade a Poesia



Por toda eternidade eu seguirei
caminhos paradoxais, anacrônicos,
equalizando os sonhos agudamente
para que ressoem meus timbres
por todas as vias de colisões,
pelas cavidades dos corações.

Por toda eternidade eu trilharei
caminhos obtusos, esotéricos,
versificando razoavelmente méritos
ou deixando pra lá toda coerência
talvez até ecoando em nova frequência
um grito estupidamente casual.

Por toda a eternidade eu deambularei,
entretanto meus corpos padecerão
entre uma etapa e outra dessa senda
que é caótica, que é tremenda, flanando;
mas nos jardins efígies em decomposição
e algumas rosas oloríferas e transparentes.

Por toda a eternidade a poesia
se espalhará e deixará feridas abertas
ou até talvez algum sentimento novo
que desconheci quando decidi partir,
que averiguei quando naveguei
pelos mares dos confins da sensação.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Escola da Família



Chame os amigos, queremos todos reunidos,
siga essa trilha, vem pra Escola da Família,
aqui tem farra, tem amizade e alegria,
deixa de marra e venha iluminar seu dia.

Já são dez anos compartilhando experiências,
então se achegue, venha pra cá tomar ciência
do que acontece em todas nossas reuniões,
do que fazemos para entreter os corações.

Aqui tem dança, tem futebol, companheirismo,
veja as crianças tão satisfeitas e sorrindo
e os professores que são a alma do negócio
doando o tempo, desde o solstício ao equinócio.

Aqui pintamos todos os setes em aquarela
também bordamos os sentimentos na lapela,
sorrimos juntos, cantamos, jogamos dama,
venham conosco, pois a diversão vos chama.

Chame os amigos, queremos todos reunidos,
siga essa trilha, vem pra Escola da Família,
aqui tem garra, dedicação e coração,
traga os amigos, avós e pais, traga os irmãos.


Jonas R. Sanches

Poesia em homenagem aos 10 anos do Programa Escola da Família.

domingo, 1 de setembro de 2013

Morro e Carrego Minhas Sementes em uma Cesta Espacial



Morro todos os dias,
e um pouco mais desse veneno
ingênuo; gosto ranço de viver,
de recorrer as dúvidas hereditárias.

Morro todos os versos,
continuo do além a rimar
crendices; rezas antigas de joelhos
dobrados pelas esquinas do amanhã.

Morro todas as vidas cotidianas
e vento ventos minuanos
gelados bafos que vem do leste
mas, no agreste a lida predispõe.

Na minha sala de jantar esquifes
tão vazios como meu olhar,
no espelho são côncavos meus devaneios;
convexas insanidades vivenciadas.

Na minha sala de jantar corações
tão vazios de amores doentios
e burburinhos inadequados no botequim
onde a noite devora sonhos sem piedade.

Morro todas as idades antigas,
então regurgito um bocado de vida
caótica como essa dança sideral,
cataclísmica como essa violência universal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google
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