quarta-feira, 31 de julho de 2013

Minha Santidade já Faleceu nas Poesias



Minha santidade é longe de sua fé
pois, ouço os gritos desesperados de mim
em um corpo, carapaça dos distúrbios
longe das equações mais complexas.

Minha santidade é a voz carrancuda do pecado
gritando o esmero dos versos contidos
e perto da morte eu rio na cara do inferno
e perto da vida eu sofro caótico no inverno.

Sou dores de maquiavélicos feitiços,
sou o vício da noite esquálida, sandices
dos medos, dos desejos mais profundos
e nas coisas simples eu adormeço.

Sou quase o derradeiro sentimento
mas, eu ainda rego as flores do mal
no jardins escassos e babilônicos,
nos gritos que clamam catatônicos.

Minha santidade ao dizer já é pecado
e as custas do inverso os meus retalhos
costurados nas linhas negras do capeta
enquanto eu choro pelas muralhas do planeta.

Minha santidade é só resquício de mim
pois, morro e vivo dilacerado e enfim;
e as misérias de Deus correm na surdina
enquanto as cordas enforcam os inocentes.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Amor sem Plenitude



Do beijo um amor inexistente
vivido de ilusão e plenitude
guardando os rastros dentro do ataúde
no ás um tanto quanto complacente.

Do beijo o gosto seu é permanente
e a alcova tão perfumada é amiúde,
olhares vivos de concretude
que embalam sonhos na minha mente.

Do beijo um gosto assim de solidão
e a voz certeira é foz de nostalgia
arrebatando a luz dessa alegria

e o sentimento faz-se rarefeito
na gesticulação parca ao leito;
que fere a ferro e fogo o coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto de um Amor Fatal



Do galho o ar da graça arvorecido
no dia em que ventava sustenido
e os céus róseos. assim tão mágico
prenunciavam amor tão trágico.

Do olhar vestígios amanhecidos
e meus sussurros já entorpecidos
pedem socorro em versos e poesias
riscando a folha do livro dos dias.

Se é fatal amarei subitamente
despedaçando os limites algozes,
calando assim essas nocivas vozes

que viravolteiam pela minha mente;
e nas linhas do soneto o emblema
de uma paixão que é quase dilema.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 30 de julho de 2013

Rastro de Cometa



O querer encerrar a noite
mas,
ainda haverá chuva de estrelas
e meus cotovelos estão coçando,
não posso coçá-los
mas,
ainda assim deixarei esses últimos versos
polidos na estante
em molduras ou partituras,
mas ainda assim
olharei a última gota de céu
represada nas pupilas de um mamute.

O querer encerrar a noite
mas,
ainda haverá chuva de estrelas
e quem sabe em um rastro de cometa
eu rasgue o último horizonte.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: NASA

Distúrbios de uma Tarde Envelhecida



Entardecendo o sol do meu crepúsculo
desse ponto de fuga a tela viva
pintada com pincéis de margaridas
nas cores que procedem da penumbra.

Anoitecendo a lua em seus gemidos
entre estrelas, luzes e alaridos,
gritos do arrebol morrendo colorido
deixando sua promessa ao outro dia

que então ressurgirá pleno de auroras
beijando o chão do leste e seus feitiços
e os guardiões celestes não eram mitos,
guardaram seus fetiches em uma rosa.

Entardecendo o sol às primaveras
que mata a noite ao beijo do inverno
que é tão gelado, assassinado no inferno,
onde outonos nascem cadavéricos.

Anoitecendo a alma em seu sussurro
entre outras almas livres d’outro mundo,
como cena campeira um bucolismo
rangendo a porta aberta de lirismo;

que é eu transcrito em verso às mariposas,
talvez deixado escrito a luz de vela,
esboço rabiscado em aquarela
de onde a tarde fez-se inspiração.

Entardecendo em letras ou solitário
sentado a contemplar minha velhice
a se esvair nos bosques centenários
ventando um farfalhar de vidas tristes.

E a noite entardecida é o que resta
quase descrita em pena sem arestas
que escolhe a alcova fria aos seus excessos,
acolhendo nos sonhos tempos inversos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto do Beijo da Vida na Morte



És vida plena, sorriso e primazia,
daquele acorde o beijo sustenido
e no espelho um gesto, um alarido;
e na pupila o amor então luzia.

És morte plena, prantos e sussurros
e o harpejo agora soa em mi menor,
no leito entrelaçados nesse suor;
sonhando viscerais versos esturros.

És morte, és vida, instantes siderais;
jardins tolhidos, luzes universais,
e o passo é árduo no longo caminho

que entende as vias trilhadas sozinho
além de tudo que concerne a razão;
somente deixar viver essa paixão.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto das Juras Inexistentes



Retesado como o arco esse verso
e a flecha que perfura o coração
fere tal qual estrofe sem coesão
então tudo provém do meu anverso.

E a linha que averíguo é retilínea
qual horizonte distante e opaco
desse soneto de um dia tão parco
onde o olhar percorre a tez velutínea.

Se fosse noite e eu entre seus braços
a minha face nua se iluminaria
ao me entregar aos seus abraços,

nosso amor feito torpor então seria;
rabiscos velhos cheios de rasuras
e, minha poesia seria suas juras.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Manhã sem Poesia



Hoje eu acordei sem poesia,
sem sol, sem lua, sem noite, sem dia,
somente algum vestígio de sonho
com seu olhar ainda tão distante.

E as calêndulas do jardim
estavam sorrindo p’ra mim,
mas meu sentimento é saudade
dos ventos gelados do norte.

Hoje eu acordei bem cedo
e a recordação de um beijo
não houve, somente o desejo
de poder te olhar passar pela calçada.

E as quaresmeiras sem flores
eram toda tristeza de outrora
e meu sentimento é nostalgia
dos ventos, dos olores da maresia.

Amanhã que sabe acordarei de verdade
e do sol algum sussurro seu
que ecoando pela noite adormeceu
nos meu braços entre o abraço que alvoreceu.

E os jasmins ainda tão augustos
são o que me restam de pureza
e fazem-me lembrar sua beleza
quando o luar de agosto prateia sua face.

Hoje acordei sem poesia
mas, no alforje alguma alegria
e nas recordações suas palavras doces
enquanto os ventos frios racham meus lábios.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Soneto de um Vislumbre no Espelho



Laborioso esse penar, escasso;
e o cerne vivo não padece
ao grito mudo que estremece
no eco surdo desse mundo crasso.

Voluptuoso o seu olhar, desfaço;
e fujo os becos dessa encenação
rasgando flores no meu coração
e a inspiração constante eu caço.

Agora muda-se rima em destreza,
muda-se o passo, amor e fortaleza;
então o riso agora uma ribalta

e a voz é grito em uma nota alta
quando no espelho senti sua falta;
deixei assim partir minha natureza.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: lost in the world by vhm alex

Soneto Espasmódico de um Jardim de Estrelas



Nas grutas correções subterrâneas,
nas carcaças injeções subcutâneas,
nas paredes do museu um introspecto
no livro raro, ilegível dialeto.

Nesse soneto um reflexo do mundo
já carcomido, usuras do submundo
versificadas em rima atemporal
subjugadas pelas penumbras do mal.

Ventos tão pobres espalhando poesia,
chuvas torrentes carregando as letras
e nas planícies vestígios de mim;

e a lembrança é dança limpa, maresia,
como no céu um rabisco de cometas
germinando estrelas no meu jardim.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto das Linhas Tortas do Meu Universo



No tom das cores dissimulação
desse arco-íris dos meus pensamentos
e pelos ventos do meu coração
são palpitantes os consentimentos.

No voo os pássaros e a libertação
planando alados pelos firmamentos
em nuvens soltas pela imensidão
e o canto é a nota dos meus sentimentos.

Paradisíaco forjado a ferro e fogo
fortalecido para a ilusão do jogo
que é vida e morte em sua encenação

que é morte e vida em sua encarnação;
e ainda os versos espalham-se dispersos
pelas linhas tortas do meu universo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 27 de julho de 2013

Soneto Vespertino



Sublime o sol que então se vai,
deixa a cor do arrebol e se esvai
lá pelas bandas por detrás do morro,
por onde a noite já grita socorro.

Sublime a estrela no céu a despontar
seus raios fulgentes no espelho do mar;
e o olhar vai por detrás da cordilheira
onde a morte se oculta derradeira.

E o corpo celeste é dançarino
na corda que vai sobre o precipício
que desde o início já não tem idade

mas, guarda profundo a vivacidade
pois dela emana todo meu indício;
e a lembrança é um soneto vespertino.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Fort Vimieux - Joseph Mallord

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Soneto do Renascimento



E quando a vida se faz sombria
e a noite se deita plena na alma
o espírito aguarda o novo dia
e a mente prudente se desalma.

São passos rasos feito cova nova
e o corpo morto guarda-se no leito
enquanto o olhar o pensamento inova,
enquanto o coração geme no peito.

O renascer será sem sofrimento,
sem dor de amor, sem mais nenhum lamento;
e a flor da vida brota sem discórdia

no chão cansado da misericórdia;
então não haverá  pecado
e o espírito tornar-se-á alado.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ser Escritor em Dia de Escritor



Ser escritor um sonho de criança
que vou tentando rascunhando letras
nos pergaminhos de outro planeta
ou na mesinha no canto do mundo.

Ser escritor em dia de holocausto
gravando o sangue com minha caneta
desagradando e fazendo careta
rasgando verbos à face do capeta.

Ser escritor ou até talvez poeta
rimando expurgos em becos escuros
deixando um verso pichado no muro
que é limítrofe da minha prisão.

Ser escritor é encarar a dor
da solidão das noites genuínas
de bar em bar buscando a menina
que dos meus olhos foi sem avisar.

Ser escritor gritando os sentimentos
cantando mudo, engarrafando vento
para beber na ceia dos lamentos
com outros tantos no esquecimento.

Ser escritor de amor ou de agonia,
na madrugada assassinando o dia
pra ser julgado no tribunal do espaço,
dilacerado dentro do espelho opaco.

Ser escritor... Talvez eu seja um dia;
rimando as cousas dos meus pensamentos
que vagam vastos de alucinações
tentando avivar e alquebrar os corações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Catacumbas de Verão



Fria, tão fria a tarde viva,
escusa e nua e um coração
que pulsa, soluça, no acorde
que em alforje guardou a redenção.

E os dias, sigo pelos dias
nas tardes tão frias
que a alma quer livre vagar,
serpentear no gelado divagar.

E os dias, as noites tão frias
e o fogareiro e o feitiço
nos timbres da bateria,
açoite do mundo... Melodia.

Fria, tão fria a alma viva
no imenso do infinito
além do livre-arbítrio
galgando os degraus dos mitos.

Ah... E os dias...
Como são frios os dias solitários
a espera do harpejar da nota nula
que desmancha a densa bruma
que cega o caminhar.

Agora o que resta é voar
pelas catacumbas de verão,
pelo algoz dos dias,
e deixar viver a poesia
que é o que resta a contemplar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Soneto da Última Matilha



A deriva nesse mar de vazios
vejo esse horizonte trêmulo
e leio os livros raros de Rômulo
cavalgando a noite pleno de arrepios.

A deriva navegando a poesia
sem contar com a vida nem a morte,
esquecendo o azar, também a sorte;
versejando nu até raiar o dia.

Vou plantar jardim, semear a terra
viver sereno longe da guerra;
olhar a estrela em céu de brandura;

tecer um soneto em letra candura
consagrando esse grito final,
exorcizando as matilhas do mal.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto do Feitiço da Caravela



Ao longe o aceno triste inda se via
e no seu olhar mistério que desvela,
ao mar indo a caravela
e o mago assim se comovia.

Presságio ao cantar da cotovia
e, na sua magia a lua se revela
encantada na chama da vela
que como fantasma se movia.

Os feitiços então viraram planos
lançados pela mão progenitora
traçados limpos pela nova lida;

que é transparente livre aos enganos
e, ao tempo eterno a luz inovadora
que fez-se renascida em outra vida.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Salvador Dali - A Caravela

No Frio do Amanhecer Aquela Velha Fotografia



Do novo dia no bafo gelado do mundo
e meus pensamentos vagam a ti
distante com seu abraço quente e acolhedor;
no coração apenas alguma dor.

Do novo dia o velho frio da alma
que solitária busca o afago do sol
mas, meu sol está distante e você também;
no vago olhar miragens do seu sorriso.

Do novo dia retalhos de recordações
e em meio aos retalhos dos meus dias
o seu doce olor guardado no meu cachecol;
no canto do pássaro apenas o som da nostalgia.

Do novo dia o bafo gelado da alcova
tão vazia sem o seu sussurro
versando e iluminando todos os sonhos;
na última estrela a lembrança da noite que se foi.

Do novo dia o beijo gelado da morte
tão sucinta e fatal que arrebata
todos os nossos planos escritos no arrebol;
na palavra de despedida o que ficou foi uma lágrima.

Do novo dia os velhos tempos e a poesia
tão fria quanto a saudade que permanece
e já pelas noites o corpo não arrefece
mas, inda te sinto viva na velha fotografia.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Ecos das Estrelas



Do grito profundo e feroz das estrelas
fez-se a germinação do mundo;
potencias que então se baniam
aos confins do silêncio profundo

mas fundo ainda à vontade
da vida se manifestar
fazendo da treva e da luz
maneiras de se procriar;

jorraram colossos e mundos
longínquos além do avistar
portando sementes inda virgens
para o tempo eterno semear.

Do grito profundo e feroz das estrelas
um raro silêncio tal qual poesia
que invade e transpassa os mistérios da lida
restando aos meus olhos um vago contemplar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: CUB - Centro de Ufologia Brasileiro

terça-feira, 23 de julho de 2013

Recordações do Esquecimento



Das lembranças esquecimento
de um incauto ou arauto no porvir
trazendo palavras do rei louco
refazendo os sentimentos existirem.

Dos esquecimentos inda me lembro
das palavras apagadas na praia
pelas ondas de meu contento
que já não recordo e nem convém.

Ressurgimentos parcos dessas imagens
que diluíram-se nas águas-lágrimas
de olhos cegos, de peitos ofegantes,
já tão cansados de tantas lembranças.

E nos olhares que se cruzam, transeuntes;
infâncias e velhices se intercalam cálidas
ou, tão gélidas como o corpo inerte a tumba
que no tempo será as cinzas de outrora.

Falo bobagens, recordo paragens esquecidas;
gritos aliados, beijos alados já destituídos,
e envoltos em minha capa tão negra qual noite
relembro distante madrugadas de encruzilhadas.

Falo verdades, recordo caminhos das ruas;
grito coragem, feitiços que beijam a lua,
e envolto em minha capa tão negra qual olhar
esqueço-me do tempo onde a alma foi voraz.

Das lembranças esquecimentos
levados aos ventos, trancados nas vias
e a noite dos dias que é espessa padece
ao dia das noites onde a força alvorece.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Letras que Rangem



De um rasgo na malha do tempo
um minuto dos futuros ventos
por onde os Deuses vão assoprar
o bafo mortal de uma estrela quasar.

De um vulto entre o absoluto
e o nada que se antepara ao tudo
e do ventre desnudo do Todo
o laboratório genético da criação.

E a vontade é a semente tão fértil
que lançada e alçada no Cosmos
retorna em centelha de luz verdadeira
que comumente a vida é a procriação.

De um rasgo no ventre do mundo
surgem traços de algoz submundo
por onde a candeia tenta penetrar
mas, é espesso essa sombra assombrosa

e no caule da rosa a alma vai se machucar
e ferida no espinho da lida é resignação
que transpassa e desembaça essa escuridão
e agora são passos guiados à voz do coração.

E o poeta registra a aventura que perdura
no livro crepitante e errante das estrelas
e de sobremaneira é quase epopeia
mas, escrita durante eras, sem princípio nem final.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Despertar Cinzento



O dia que acorda cinzento
e da foz do meu pensamento
é vislumbre de algo futuro
é o amor que um dia eu conjuro;

mas se a alma visada consome
minhas forças e usa o acorde
que vibra e refaz toda história
num campo de magnólias.

O olhar que acorda cinzento
marejado ao beijo do vento
que bafora gelado na face
que devora em noites de furacão;

e na mente um feroz turbilhão
de palavras cansadas sisudas
torneadas pelas mão cascudas
de um poeta velho agricultor;

que verseja a alegria e o amor
e, verseja a discórdia e a dor
que dilacera seu interior
quando ela retorna nas recordações.

Quando as paixões trazem tempos cinzentos
há suicídios, prantos e tormentos
e, a poesia burilada no fogo
que crepita invisível no forno.

Da poesia cinzenta um tom plúmbeo
tão nevoento que cega os amantes
sofridos, carcomidos, mirando o horizonte
mas as contemplações são apenas tristezas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 20 de julho de 2013

Força de Vontade



Não me abato a esse cansaço
firmo a fé e toco o barco
vislumbrando a intensidade
de um olhar da cor do mundo;

e a senda entrego a alma
e a calma é feita necessária
senão a vida estraçalha
e desfaz-se embriagada;

mas seguindo essa toada
vejo a força que Ele supre
e a consciência não discute
simplesmente acolhe o sopro.

Não me encolho a morte antiga
verso em rumo a eternidade
com asas, vivacidade,
e a vontade move o mundo;

e a verdade é impecável
tão generosa assim intacta
em forma indissolúvel,
enquanto a carne é volúvel

e, adormece em seus pecados
mas a jornada é roda viva
e é do que o espírito precisa
na dança da evolução.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Das Gotas Daquela Menina uma Chuva de Amor



Gotejando na minha janela
vem ela sorrateira
apagando a poeira
dos dias áridos em terra estrangeira.

Vem doce, vem calma e serena
beijar o jardim da açucena,
respingar um luar poesia
que invade e engole o dia.

Chuvisco arisco julhino
trazendo recordações de menino
levado e sapeca com as letras
deixando pra trás o amor à caneta.

Vestígios úmidos alquebrados
no vaso ao fugaz parapeito
que são flores no leito;
ciprestes do meu caminhar.

E as gotas martelando o ritmo
que é cadenciado, é alado
como minh’alma tão plena e liberta
entrecortando o azul firmamento;

e o sopro do tempo é tão lento
e o vento silvando é canção
remetida aos auspícios do coração
que bate e rebate o algoz da paixão.

Gotejando na minha janela vem ela
de saia rodada e passos tranquilos,
menina da chuva de pele macia
que rasga o inverno e a melancolia

e frisa um olhar delinquente
que é quente e arrebata o querer
dos braços, dos beijos e abraços
na porta do quarto do amanhecer.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Melancolia em Branco e Preto



Do dia as cores em branco e preto
e é melancólico o meu sentimento,
tão abrupto quanto um grito do vento
que varre almas ao beijo da morte.

Já não ouço o canto do uirapuru
e não sinto olores das queridas flores,
esse bucolismo que é fruto dos amores
entre as paragens que um dia contemplei.

Na janela o sol reflete-se opaco,
reflete meu espírito averiguando o fato
que passa ante os olhos tristes marejados
que reclama a vida aos pés já calejados.

Poeto a tristeza algoz deste momento
que invade e rouba o contentamento
que outrora transbordava sem ressentimentos
e agora é o que devora todo o meu torpor.

São versos que desabam junto minha carcaça
que é transparente e ausente em carapaça
buscando a rima exata de todo o universo
partindo sem levar bagagem nem intento.

Das tardes terminadas em vulto branco e preto
sem cores na alvorada e na aurora eu estremeço
diante os pensamentos pesados como a cova
que guardará em outros tempos as pétalas das rosas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 16 de julho de 2013

Das Cores as Flores Ilusórias e Poesia



Das cores da flor noturna
reflexos de mil estrelas
luzindo em minha catacumba,
propagando a sua olência

que é doce qual paciência
suspensa em caules úmidos
pedindo sua clemência
sem medo ou qualquer decência.

Das cores paixões noturnas
dos beijos já insalubres,
das bocas línguas soturnas
e gritos de um perfume

azul como o miosótis
que entrelaçado as nuvens
floresce em amor perfeito
brotando em luz que ressurge.

Das cores flores das ruas
de caules esvoaçados
na alma inerte plantados
esperando absolvição

dos pecados que ao coração
são mais que qualquer flagelo,
são mortes do que é belo
aos olhos que veem além.

Das cores flor pitonisa
de opinião até concisa;
vidente virgem sagrada
profetizando as madrugadas

na morte que realiza
e o homem revitaliza
no ósculo da puritana
que entrega-se a nua cama.

Das flores cor poetisa
em versos obituários
e o cedro que centenário
assiste a destruição

das folhas do meu caderno
levadas pelo inverno
rascunhados lá no inferno
deserto da minha ilusão.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto da Sua Partida



Lembro daquele olhar quando partiste
deixando a minha alma tão descontente
numa tristeza nua, fria eternamente
do coração que agrura então sentiste;

e a feição do poeta que agora é triste
e, faz vagar as letras em sua mente
enquanto a noite sóbria é o que consente
da inspiração do verso que insiste.

Lembro daquela imagem sem conter-me
da nostalgia que su’alma arrebatou,
e no limbo a dor do amor quis prender-me

mas o espírito afim me libertou,
foi quando a luz então veio socorrer-me
e a vida novamente continuou.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Quando a Morte Ceifa



Algumas vidas que passam
e as mortes ultrapassam
todos os sentimentos tidos
todos os carinhos idos

de um ente que parte calado
à sua senda para o outro lado
e o que ficou foi só nostalgia
e que levou foi lembrança de um dia

onde era fácil aquele abraço
agora tudo se demora em laços
já desfeitos e é um direito meu
poder chorar sobre o que aconteceu.

Lá vem a morte toda egoísta
tirar da gente o sorriso simplista
e o que ela deixa é uma tristeza algoz
e a recordação é o que sobrou de nós;

foi bela a estrada mas, chegou ao fim
e o que eu amava ela tirou de mim
a fazer seus caprichos de mãe ceifadora,
a fazer seu trabalho de mãos de carrasco,

e o que fica a seu respeito é asco
pois, rouba o beijo do último suspiro,
para alguns inferno e outros paraíso
mas, se houver, que haja orações.

Algumas vidas passam e se eternizam
como um breve olhar no sol que se vai
e retorna infante a manhã d’outrora
e renasce o hoje no leito universal.

E do poeta um aperto ao peito
estendido em lágrimas no derradeiro leito
que guardou olores puros de uma rosa
que guardou lembranças do ombro que se foi.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 15 de julho de 2013

De um Querer Inóspito um Sonho Utópico



Queria uma inspiração amanhecida
que carregasse os versos de letras
douradas e eternas e infinitas,
que fizessem a poesia interminável.

Queria as sobras de um livro novo
que caíram de suas páginas velhas
roídas as traças, rasgadas aos verbos
conjugados em vertigens e flagelos.

Queria um sol que alumiasse o coração
que nesse instante é uma penumbra
nevoenta como um olhar pranteado,
tão choroso pelos dias que falecem.

Mas, são só quereres e insanidades
escorrendo pelos poros de uma alma,
escolhidos a dedos calejados e feridos
pelas canetas e pelas cordas de um violão;

e na seresta cantada à noite solitária
um emblema metafórico de analogias
tão complexas e perplexas que morri,
tão convexas e desconexas que parti.

Queria a luz do entendimento no jantar
a luz de velas vermelhas, azuis e amarelas
ou talvez um fogareiro a iluminar
todas as coisas que não posso contemplar.

Queria a pena mais secreta do poeta
que indiferente versifica a foz da mente,
que inconsciente poetiza o invisível
além do plausível, rimas do indizível.

Queria a faca e o seu sangue no punhal
a repelir todo inóspito e brusco mal
que foge às pressas das palavras dos feitiços
que eu conjuro em dias ritualísticos.

Mas, são sonhos catalépticos utópicos
deixados pelos jardins de heliotrópios,
deixados nas lentes de um microscópio
por onde o olhar não pode vislumbrar

as entrelinhas dessa estrofe cósmica,
as bactérias dessa doença tão fatal;
mas, além dos montes eu guardei um arco-íris
e um alforje repleto de novas rimas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 14 de julho de 2013

Rascunhos Abandonados



Rascunhos de toda uma vida
em folhas de uma caderneta
guardada numa escrivaninha
e o tempo passa igual cometa

riscando e luzindo o espaço
entre estrelas de uma poesia
que fala de letras antigas,
que guarda os eternos laços

de amores entre duas almas
tão gêmeas e apaixonadas
por vidas diversificadas,
por frações de algum segundo

que passou em instante profundo,
que passou sem se quer a morte
notar toda sua gentileza
de beber relógios com sua destreza.

Rascunhos de um amor pagão
tão vão e até platônico,
sofrível e áspero pela solidão
em chão de passos canônicos

dos pés descalços e cansados,
das asas desse sonho alado
que voa por entre os equinócios,
solstícios de um astro moribundo

vagando além do fim do mundo
levando aquela carta escrita
em versos àquela flor maldita
que desfolhou todo meu coração

depois de ter abandonado
na estrada a minh’alma nua,
ferindo a minha carne crua
com as rosas da sua loucura.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Vestígios de uma Inspiração



Vestígios da noite vazados dos sonhos
pelas frestas e arestas de um contemplar
de olhos castanhos que miram tranquilos
as sombras daquilo que não posso explicar.

Vestígios secretos da algoz madrugada
gravados no limbo de algum pesadelo
das mentes dormentes estarrecidas
que mesmo acordadas não despertam pra vida.

Resquícios nos versos de letras ambíguas
de estrofes longínquas da beira do mar
por onde asteroides de peixes extintos
resistem nos fósseis de um surto estrelar.

Viagens e aragens em terra de poeta
que semeia flagelos sem dó nem pudor
nas folhas prostradas nos galhos da vida
voando nos ares do outono do amor

ou, singelas primaveras em campos de guerras
ou, verões escaldantes de areias desérticas;
metafóricas escolhas, vertigens retóricas,
de rumores de cores plenas pictóricas.

Vestígios recentes de nuvens e brumas
de um novo poema e sua imagética
tão gasta de estirpe nociva e eclética
ou apenas dizendo flores exorbitantes.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Vestígios de Dali atávicos Despues de la lluvia - Botticelli

sábado, 13 de julho de 2013

Soneto Navegante dos Mares Assombrosos de Netuno



Navios fantasmas mercadores de almas
vindos flutuantes das ilhas da morte
concebendo meu futuro na palma
das mãos finas de um cigano consorte

ou, de um pirata de olhar em vivalma
desabrochando nas flores da sorte
ao som de um beijo do canto que acalma
das harpas brutas dos ventos do norte.

Histórias perdidas, tempo dos mares;
e o grito de Netuno é profundo
e, seus jardins são de pedunculares

e, seu tridente divino oriundo
ressurgindo em fantasmas regulares
e, assombrando a fragata  do mundo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Quando a Saudade Foi Embora



E agora a cor d’algum sorriso
e a nostalgia vai embora
quando meus olhos te olham
e veem chegar com toda paz.

E agora adormeço tranquilo
e a noite que era saudade
quando te viu sentiu vaidade
e pôs-se em estrelas a brilhar.

E agora sou eu e a luz da lua
se derramando em sua rua
enquanto passas iluminada
caminhando rumo a madrugada.

E o silêncio então passou
e o meu canto a ti foi noturno;
serestas do taciturno
elevando-se pelo espaço;

e a distância tornou-se laço
que entrelaçado em desembaraço
modificou-se junto as nossas almas
que unificaram-se a iluminar

picos, planícies, nuvens e mar
que carregou aquele recado
deixado a orla, despedaçado
por mãos de apaixonados.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Espasmos Esdrúxulos



Vacas mortas em pastos assustados
de capins antigos, de matos doirados
entre outros assuntos desconexos
entre um e outro poeta complexo
de guitarra e pena em punho
de cabelos ralos despenteados
sublimes no mês de outubro
entre nuvens em cavalo alado;
e asas de fuligens siderais
com alucinações reais e nada mais
ou nada menos que um poema esdrúxulo
sem lemas, dilemas, refluxo;
espasmos doentes dos músculos,
espasmos letais cerebrais,
em versos nocivos do crepúsculo
entre auroras sonoras de paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Soneto da Imortalidade da Poesia



Dançantes sentimentos nus lineares
viravolteando por entre nuas poesias
que nascem e crescem na voz dos ares
e vivenciam toda embriagues dos meus dias

que seguem ríspidos, passos sem lares;
e aos anciãos boas novas e suas alegrias
ou apenas presságios subliminares
reveladores de  portas dessas vias.

Há continuação dentro do coração
alienado a sensibilidade
e um grito velho de uma recordação;

devastando toda realidade
guardada dentro de uma alucinação;
estágios dessa imortalidade.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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