domingo, 30 de junho de 2013

Consequentemente



Da noite me despeço
com gosto de recesso
da estrela que se foi
e partiu meu coração.

Ao dia eu me apresento
com gosto renovado
do sol insuperável
que crepitou na minh’alma.

Do mundo um grito mudo
pedindo incoerências
e há nuvens abstratas
a vagarem na minha mente.

Da flor a sede infinita
com gosto de amanita
que mistura minhas cores
que eleva os sabores;

do beijo e do desejo
que dilui a moça nua
da face oculta da lua
e ainda há alguns ruídos.

Do pássaro um trinar
que acorda todo o porto
onde ancorei meu corpo
em olhar quase morto

ou, um vislumbre torto
nos passos da menina
que inflama e desatina
milhões de corações.

Da mente a poesia
trilhada em avarias
da minha insensatez;
do amor que a gente fez.

E o que resta é a aresta
do tempo carcomido
engolindo minhas memórias
e carregando todos os versos ao léu.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Park Harrison

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Poesia Fulminante



Fulminante como um raio é a palavra
as vezes tão bendita, outrora tão maldita
mas, é como um trovão no pensamento
quando ouço somente um grito de lamento;
e o olhar, consentimento, é o intento.

Seja o algoz dessa agonia a luz do dia
que desfaz-se a noite amada em alegria
onde encontro estrelas em paz no infinito
que refletem o amor que nesse mundo é mito
pois, a avareza consome a carne desgraçada.

Fulminante a paz que invade e irradia
a luz serena que dissolve toda tristeza
que transpassa o homem, pois, essa é sua natureza
de querer queixar-se, de destruir-se, de apiedar-se;
mas nesse momento entendo que a dó é a maior fraqueza.

Seja o algoz dessa agonia a luz do dia
que na aurora estremece em cores híbridas
que resplandecem toda perfeição divinal
e irradiam suas energias no infinito
pois, é aonde que o existir está escrito.

Fulminante a voz que sussurra amena a poesia
e que é a entrega de uma alma aos sentimentos
mesmo que seja passageiro esse momento
por onde posso desaguar nos rios da vida;
pois assim encontro os remédios para as feridas.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

Versos Enternecidos de um Amor Eterno



Nas vestes alvas desse dia
concreto o meu olhar ao seu
e a paz que assim resplandecia
em ambos então enterneceu.

E o sol assistiu tudo sorrindo
e os pássaros em cantorias
no céu um arco-íris lindo
nas letras mil alegorias.

Repleto é o amor sem iras
tão belo quanto o rio que corre
e as chamas a crepitarem nas piras
onde os corações puros se consomem.

E o mar viu todo o encantamento
e bruniu suas ondas tão tranquilo
dançando a música do vento
e os grãos da areia engolindo.

Paixões que enfeitam poesias
por tempos que são incontáveis
nos versos da penas precisas
que contam vidas tão inenarráveis.

Tudo diante o olhar da natureza
que em cores, flores e elementais
misturava-se com sua beleza
que incomparável e divina se faz.

Nas vestes alvas desse dia
a noite surgiu em penumbra
trazendo luzes dançarinas
de estrelas em distâncias profundas.

E o nosso amor continuou
por vidas entre outras vidas
e o Cósmico abençoou
nossas almas nuas purpurinas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quando Faço de Você Minha Poesia



Quando o sol amanhece em poesia
lembro do seu olhar radiante
a fitar despreocupada o horizonte,
então eu me apaixono novamente.

Quando a flor amanhece em poesia
lembro do seu olor refrescante
a perfumar por onde passa em maresia,
então eu me embriago em alegria.

Quando os pássaros amanhecem em poesia
lembro das suas doces palavras cantadas
a sussurrar o seu amor ao meu ouvido,
então a saudade ao peito faz abrigo.

Quando a ventania amanhece em poesia
lembro dos seus cabelos esvoaçados
a espalharem-se pelos céus da minha vida,
então meu sentimento se ilumina.

Quando a lua anoitece em poesia
lembro da sua misteriosa magia
a conjurar feitiços de paz e de refúgios,
então entre as estrelas me extasio.

Quando as constelações anoitecem em poesia
lembro do brilho alvo de sua tez
a se espalhar pelos lençóis feito cetim,
então te amo loucamente, como se fosse a primeira vez.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Enlevos Obtusos de um Verso



Me entrego singelo ao mundo profundo
além da ficção, e enlevo obtuso esse verso
que é quase o incerto oculto à luz da coesão;
então me desfaço, e às estrelas em observação.

Me entrego de corpo e de alma e de letras
além do pensamento, e enlevo obtuso esse verso
que é quase reverso e disperso e é proliferação
da lágrima surda escorrida de um vão no coração.

Me entrego ao caminho e sozinho busco solução
além da sensação, e enlevo obtuso esse verso
que é em forma o regresso à humildade;
então peço arrego a mão da sociedade.

Me entrego por inteiro ao certeiro amor
além do dissabor, e enlevo obtuso esse verso
que é paixão ao olhar azulado do mar;
então é a bruma confusa que me faz divagar.

Me entrego aos anseios tremendos de um beijo
além dos desejos, e enlevo obtuso esse verso
que é quase o gosto do mel nos seus lábios;
então me retiro ao asilo esquecido dos sábios.

Me entrego aos mistérios herméticos e místicos
além da mente do vulgo, e enlevo obtuso esse verso
que é translúcido ante o fogo mortífero do sol;
então o final é poético e desfaz-se à luz do arrebol.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Salvador Dali

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No Frio do Inverno o Calor do Amor



No inverno do coração acenderei a chama
que inflama à quem ama a poesia
e mesmo que minha luz seja tão fria
deixarei aceso um candelabro na esquina

de tempo, e quando passarem as horas
ficará um brilho dentro de cada minuto
onde reconhecerá o olhar do absoluto
que é o que move as ondas desse mar.

No inverno do coração acenderei uma paixão
que é pelas letras conduzidas à menina
que me fortalece com seu límpido carinho
e, mesmo que eu continue sozinho contemplarei

os seus gestos que afeiçoam os meus versos
quando da pena escapam as inspirações,
mas cá comigo, não perdurarei em aflições
quando faltar no amanhecer um beijo seu.

No inverno eterno dessa prosa universal
escancararei toda aversão que tenho ao mal
e ao bem que existe aos amigos que resistem
farei marchinhas natas sobre o vendaval

que é sempre a festa conduzida pela pureza,
que é quando a paz liberta a alma e a natureza
que inda existe e insiste em embelezar
todas as obras de um artista a divagar.

E quando chegar a noite cintilando de estrelas
olhe o infinito e reconheça minhas serestas
e, olvide os sons que harpejei a minha amada
que reverberaram pelos confins da madrugada.

No inverno que chega, eu te peço por favor,
que venha se aquecer nos meus braços
e venha sentir como um poema o meu abraço
e se aninhar junto de mim à eternidade.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 25 de junho de 2013

Por Detrás das Sombras



Da noite que esvai toda escura
enquanto no amor uma jura
e no espaço a estrela tão nua;
algum passo apressado entre a inspiração

que bate e rebate o anseio
e na mente entremeio um suspiro
e o olhar alquebrado, aturdido;
enquanto eu caminho sozinho, luz na escuridão.

Da noite o retrato calado
de um vulto alado e aliado da sombra
fazendo sua ronda em busca de alma qualquer;
e o passo depressa e o que resta qual ao medo

do enredo da vida sofrida no copo do pecador,
mas, se houver o calor do abraço
e do amor no entrelace das almas;
enquanto caminho sozinho, selado na dor.

Da noite o que espero amanhece
e arrefece sorrindo qual raio de sol
do olhar pela brisa do leve farfalhar;
e agora dois passos caminham tranquilos

contemplando o vazio e aquilo
que no decorrer da estrada nasce à madrugada
que esvai e carrega as mazelas das guerras;
batalhas, combates, de espíritos intelectuais.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: lift me up by machiavellicro

Quando a Alegria Partiu o que Restou foi a Tristeza



Por que invades o meu peito oh tristeza?
Nessa manhã que o sol não brilha radiante
e que no céu a cor pastel e a cor do chumbo
deixam a mente enevoada e quase plúmbea.

Vá-se embora com seus sentimentos por favor
e não aumente com seus melindres a minha dor
que é corrosiva e despedaça o meu querer,
que subitamente esquarteja o meu viver.

Queria ao menos conhecer o que é o amor
e revelá-lo em uma simplória poesia
que traga de volta a minha vida a alegria
que um dia foi-se sem ao menos despedir-se.

Queria ao menos reviver aquelas eras
onde corríamos eu e você sulcando a terra
com nossos pés fortes e descalços, nossas sementes;
queria ao menos relembrar o gosto do seu beijo.

Mas minhas memórias já envelhecidas, entristecidas,
ficaram gastas e translúcidas e transparentes,
e aquela gana daquele abraço que enternecia
morreu só, junto a minh’alma indiferente.

Por que invades a minha vida oh tristeza?
Será porque eu abandonei todos os sonhos
que povoavam meu eu menino inda risonho
naquelas rodas de cantiga às madrugadas.

Agora é o nada que encobre tudo que já vivi
e nos poemas melancólicos então renasci
tão marejado pelos prantos inofensivos
tentando a vida e entre seus braços buscando abrigo.

Por onde andas por esses dias oh alegria?
Será que me abandonou eternamente?
Tomara Deus que você retorne um dia
e traga de volta o velho sorriso a minha mente.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Procurando uma Poesia entre as Linhas da Vida



Deixe as letras todas adormecidas
para que a poesia desperte iluminada
e as paginas guardadas sejam do ventre
de um dicionário e seus significados.

Deixe todas as palavras dormirem
para que a paciência seja o fruto
da inspiração calculada, almejada;
deixe seus pés carregarem seus sonhos.

Deixe germinar a flor dos versos
em jardins d’onde brotam a vida
e se for preciso mergulhe na noite
e observe como as estrelas são perfeitas.

Deixe todos os dias amanhecerem
e beba desse orvalho que é pureza
enquanto as linhas são forjadas ao sol;
enquanto a aurora aguarda o beijo do arrebol.

Deixe fluir agora as vozes das cantigas
e ouça o som da música divinal da criação
recolha então junto aos olhares das meninas
os sentimentos que surgem no coração.

Então disponha da luz tristonha e enfadonha
do candelabro que luziu bruxuleante
a clarear na escrivaninha os pensamentos,
a clarear esse poema, que liberta dos tormentos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pensamentos Absorvidos



Me perdi nesse estranhismo
então a tarde se desfez
entre rifes de guitarras sórdidas
e um novo blues se compôs
para animar essa penumbra
onde não há luar
onde não há pesar
onde o sol não mais se pôs
e agora o que virá depois?

Estranhamente o seu olhar
amanhecido reprovou
as minhas vestes cor de mar
e a canção então tocou
os corações nessa penumbra
onde não há estrelas
onde não há cervejas
onde a vida quase se desfez
e agora a morte permanecerá?

Dessa estranheza a poesia
tão corrosiva a luz do dia
que feita aos versos indecentes
sem rimas e sem purpurina
somente a literatura insana
onde há conotações
onde há a novidade
onde há a verossimilhança se fez
e agora tudo será incompreensão!?


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Blog Folheto Nanquim

sábado, 22 de junho de 2013

Dentro do Tempo um Instante Perdido



Do instante brusco a queda prévia
tão calculada em tombo perfeito
e no levantar um sentir rarefeito
desse trejeito além da primavera.

Tão vulnerável como a flor singela
que é signo brando ao redor do caminho
trilhado insano sem uma estratégia
ou vislumbrado estático, sem conter as rédeas.

E após a idade uma nova idade
e é incessante a real tempestade
que transpõem a mente e a consciência
martirizando a alma sem pedir clemência.

Mas a verdade sã é plena e imutável
e o seu compreender é inenarrável
pois foge ao vulgo à luz do hermetismo
que ante aos olhos dispõem seu cinismo.

Do instante augusto a perseverança
tão fatigada de nova esperança
e há vestígios da mão do pecado
e há metáforas em cada verso escrito;

que são como gritos inaudíveis e parcos
clamando às cegas alguma liberdade
que foge as regras dessa realidade
onde leões e cordeiros transitam sem se reconhecer.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Canto das Flores Solitárias de um Jardim Sideral



São tantas flores esquecidas nesse jardim
por onde a vida insistiu em germinar;
brotar insólitas sementes para crescer
nos sentimentos resolutos de um amar.

São mais estrelas nesses jardins tão siderais;
semeaduras de potestades e algo mais
que vai além do que convém ao entendimento
do sacramento levado ao vento e a luz da paz.

Acometido e quase aturdido nos devaneios
que leva adiante até o mais distante dos anseio
d’onde surgem tão miseráveis inspirações
que tocam fundo o submundo dos corações.

São versos ternos paridos livres e entardecidos
de uma mente inconsequente fantasiosa
d’onde deságuam sonhos e às vezes alguns rugidos;
que desferem seus  golpes contra os espinhos daquela rosa

tão solitária na alcova altiva e imaginária
por onde elevam-se todas fumaças dos incensários
levando aos céus as preces de um olhar refratário
que reflete em suas cores extintas o ás do existir.

E a alma liberta canta alguns versos à lua clara
para conter as lágrimas que escorrem pálidas de um jasmim
entristecido nos firmamentos azuis dos querubins;
esperando um beijo de misericórdia de uma borboleta rara.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Mesmo Qu’eu Morra Terei Continuação



Mesmo qu’eu desconheça o puro amor,
conheço a flor que desabrocha em poesia
e faz raiar no coração a luz suprema
que no estandarte da minha batalha é o emblema.

Mesmo qu’eu use as amarras do infinito,
conheço a flor da liberdade nesse frêmito
que vibra ao peito nesse trejeito inusitado
e torna os devaneios todos em algo alado.

Mesmo qu’eu morra eu ficarei a eternidade
guardado em livros e os meus segredos escancarados
pelas vielas soturnamente dissimulados
e, os pensamentos à insensatez assim moldados.

Mesmo qu’eu veja a sua beleza eu não te toco
mas deixo os olhos falarem rimas apaixonadas
quando te miro num desatino ludibriado
pelos avessos desse começo já terminado.

Mesmo qu’eu faça trovas, sonetos ou um recado
deixado a porta da sua alcova tão perfumada
eu seguirei sozinho, enfim, poetizado;
por essas sendas, pelas parlendas, nesse legado.

Mesmo qu’eu toque a sua alma com minhas rimas,
alhures deixo olores finos em cada linha
dessa minha vida morta e vivida, continuada;
dessa imagética que me inspira às madrugadas.

Mesmo qu’eu seja estrela em brilho já sideral
procuro sempre um caminhar longe do mal
e, nas vivendas proclamo a paz dos meus juízos
já tão monásticos, eclesiásticos, que revisito.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Do Amanhecer a Pureza de um Amor Sublime



Amanhecida a flor da vida
nesse jardim auspicioso
e um redolente sopro novo
a refrescar a face crua

a me olhar como alma nua
observando as batalhas
a ferro e fogo nessa mortalha
que invade e transmuda o ser.

Amanhecida a ignota poesia
e, entrelinhas o meu segredo
que oculta todos os medo
de encarar a face do sol

que transparece no arrebol
e, na aurora o pensamento
observado em cru momento
e, disposto em letras das estrelas.

Amanhecido o doce orvalho
d’onde cessa a sede de uma pétala
em suas cores tão repletas
da mãos divinas arquitetônicas

e a natureza em toda a pompa
então revela nata sabedoria
e se desfaz na noite fria
de um pesadelo já despertado.

Amanhecido então os versos meus
tão puros que serão os seus anseios
e os meus desejos a se misturarem
no beijo azul de um firmamento

e, a sensação vem contemplar
em sua tez augusta e velutínea
d’onde desabrocham todas as rimas
d’onde germinam as semente do amor.

Agora é a dor que amanhece
e na sua olência se arrefece
então me conforto em seu carinho
e, meus devaneios se perdem na distância que nos separa

e assim meu coração dispara
e para, e jaz como outrora;
então no peito ele se demora
aguardando novamente te tocar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 18 de junho de 2013

Nas Criptas da Solidão



E desde o homem até o homem
e, a consciência expandida
e, a vida se fez vida
nessa interminável lida.

E desde o tempo fora do tempo
adquirido aos confins do infinito
que não se aumenta ao diminuto
nesse minuto imprescindível de ser.

E desde o homem então consciente
e a alma contínua universal
que sobrepõem-se ao bem e ao mal
e germina a luz da evolução.

Sereno o sol do coração
do parto ao grau de extrema unção
e, no indeterminável inconsciente
uma vitória nos degraus galgados.

E desde o vento cósmico que me fez
e, que se desfez ao renascimento
perto do nada, longe do tempo;
e na mente fluente o conhecimento.

Sereno o sol que brilha a vida
além da morte adquirida
ante o olhar nu ao escrutínio
além do amor e seus domínios.

Desde o momento à poesia
além da noite, além do dia
a crepitar na eterna pira
que vai ao léu do pensamento.

Celeste o olhar desse momento
e, tudo apraz aos sentimentos
e, o poeta se lança algures
ou, outrora relembra o seu saber.

E nas páginas escritas solitário
um vislumbre do esclarecimento
da vida, da morte e do tempo
e o agora se refaz ao meu contento.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Afrodreams

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Última Batalha



É a batalha dos tempos que vou lutar
cavalgando em cavalos estrelados
empunhando a espada da iniciação
e o sangue lavará e purificará a terra;

e serão todas as hordas no embate
e morrerei entre todas as tumbas
para renascer de estandarte imortal
e um galardão de luz dentro do alforje.

É a batalha dos tempos que vou lutar
e nas entranhas o punhal revelará
todo mal que há de sucumbir aos gritos
e tocarão trombetas ao meu exército.

Pelos campos o aço brandirá feroz
e dez mil me acompanharão famintos
prontos a romper as barreiras e pudores
e cessarão os mil anos de escuridão.

É a batalha dos tempos que vou lutar
e libertarei os grilhões dos meus dragões
e meus cães roerão os ossos dos inimigos
enquanto trovadores fúnebres cantarão promessas.

Então o céu se rasgará em raios
e das nuvens enxofre avassalador;
então, nossas flâmulas colorirão as planícies
e assim a paz será restituída.

E já não haverá deuses cruéis,
e já não haverá pranto e lamento,
somente os olores da nova primavera
e as flores da morte espalhadas ao vento.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: A Batalha de Anghiari - Leonardo da Vinci

Almas Cansadas



Do brilho no olhar
da fera na guerra
ou do anjo ou arcanjo
vindouro a salvar
as almas perdidas,
penadas ou peladas,
sem canto nem porto
a deriva no mar
de luz que embriaga
e que ameniza a dor
do amor, do rancor,
e da ferida aberta
que incerta corroí
a carne cansada
de tanto pecar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 11 de junho de 2013

Do Silêncio do Amanhecer



Todo o silêncio dessa sequela e destruição
envolve a vida na despedida da sensação
e aquela busca quem sabe nobre e verdadeira
foi utopia que por noites e dias prevaleceu.

Agora o gosto desiludido de um solitário
entregue ao tempo entre as lacunas inanimadas
que interagem a mente sórdida à madrugada
e no rosto ainda um sonho inacabado.

Verão e amores, inverno e horrores tão irreais;
nada de novo, nada de velho e nada mais
somente a fronte gemendo ao vento enegrecido
que é como um sopro de um Deus convalescido.

Todo silêncio agora em grito de desaforo
rompendo a fera real e as regras desse decoro
que vem contido de olhar temível à minha meta
de desdobrar entre outras linhas a frase certa.

De que adianta toda abastança sem alma alguma
pois, se a vontade irrompe limpa dissolve a bruma
então os rumos dessa jornada se transparecem
então os olhares já tão distantes se desconhecem.

E no amanhecer a poesia deságua à foz da aurora
e já não importa os tons das cores e nem as rosas
que outrora ríspidas feriram-me em seus espinhos
que agora murchas me olham dos seus jardins escassos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Starlit Sky

segunda-feira, 10 de junho de 2013

No Ápice das Dores



Das dores corrosivas
sequelas dos anestésicos
em momentos insípidos
onde engulo as aflições.

Das dores tão pungentes
gritos nulos craseados
em meio a frases não ditas
bebendo a droga maldita

que dopa o algoz dos sentidos
insaciável como os desgostos
e no espelho já não há um rosto
só a sombra do meu eu vampiro.

Das dores cores mortíferas
e uma penumbra nos pensamentos
que viravolteiam ao vento
de um turbilhão de memórias.

Das dores flores e remédios
de efeitos quase destrutivos
ao corpo já destituído
da compaixão pelas vozes

que gritam no subconsciente
em tons agudos estridentes
palavras em versos de socorro;
então eu calo, então eu morro.

E na bula estava escrito
todas as contra indicações
como se fossem sanções
dessa guerra travada no introspecto.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Olores da Paixão



Amanhece o dia e a minha magia
é sentida no raio de sol que reflete
o gosto do recomeço onde desfaleço
o corpo na entrega a flor que reluzia.

Amanhece a alma e a vontade é simples
de viver feliz sem os embaraços
combinando os passos com o coração
que bate certeiro bombeando sua recordação.

Amanhece a prece e o agradecimento
e pela tempestade que degola a idade
e o tempo agora quase sem demora
é o tempo vivo de uma eternidade.

Amanhece o dia e para minha alegria
na alcova fria tu vem me aquecer
com café e um beijo, todo teu desejo
entregue no ensejo de sentir você.

Amanhece a vida e da noite fica
algumas lembranças vindas da infância
ou de uma outra vida ou outra dimensão
por onde deixei marcas em outro coração.

Amanhece em vestes nuas purpurinas
e a nova poesia nasce dessa inspiração
e o meu olhar no espelho te olha entremeio
suspirando o seu cheiro, olores da paixão.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 8 de junho de 2013

Do Ventre Poético



Do ventre do poeta
o embrião da poesia
em gestação do infinito
em formação à luz da vida;

e no amor versificado
às letras sua maternidade
dividida a paternidade
das rimas brutas eloquentes.

Do ventre agora o parto vasto
sentindo a dor e inspiração
nascidas em vítreo coração
corpuscular e insensato;

mas de loucura o poeta é nato
e seus caminhos são metafóricos
cheios de emblemas e anonimatos
dos sentimentos tão eufóricos.

Do ventre a trova e até soneto
falas simplórias que vem dos guetos;
dos ventos cantigas feitas folclores
vozes das matas, sangue dos homens

que trilham e brilham em suas sendas
que mais parecem parlendas
cheias de mistérios e fantasias
que encobrem noites e revelam dias.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Casca do Pão que o Diabo Amassou



Parafraseando inutilidades
agudas e felpudas
como o tapete voador inexistente
que roubou e sequelou sultões
que definharam como grãos nas ampulhetas
e prantearam;
e roeram todas as unhas;
de um defunto... Mumificado.

Parafraseando insalubridades
mortíferas e lucrativas
como um cargo político inventado
que roubou e sequelou sociedades
que definharam e calaram enfermidades
e prantearam;
e roeram a casca do pão que o capeta rejeitou;
de uma padaria d’onde sobreviveram todos os famintos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Súbito



Ah se fosse a voz quieta insana
dos desbravados e gargantas inúteis
e ficassem somente guitarras
nulas;
e a simbiose se deu ao homem
planta, algoz, metamorfose,
e o pranto é seiva
desmerecida ou desamortecida
pelos amores frívolos
de almas quase gêmeas
e à insatisfação;
nos olhares, nos lares, nos bares, nos mares, nos males;
que causados foram aos pedaços,
e aos pecados escassos e apodrecidos;
e da poesia...
Um alarido!?


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Dias Metamórficos



Metamórficos dias passageiros
e as crisálidas rompem-se em vida
e há nos ouvidos melodias
das partituras dessas observações

que concatenadas refletem corações
tão alquebrados entregues às orações
pedindo arrego nessas vias tortuosas
que são melindres dos espinhos dessas rosas.

Então reflito todas as modificações
durante a vida, durante a morte e depois
do amanhecer em aurora pálida cristalizada
por onde há cores junto das lágrimas martirizadas

de um par de olhos que outrora risonho esmoreceu
então em tristezas frente ao espelho se abandonou
às noites insanas intermináveis sem menestrel
por onde toda aquela doçura antiga fez-se em fel.

Metamórficos dias passageiros
engolidores de tantos janeiros e fevereiros
que jazem nos tempos onde a alegria era real
agora é somente uma carapuça encobrindo o mal.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sombras Singelas Atemporais



Singelas sombras se esgueiravam dos olhares
entre as folhagens dos jardins auspiciosos
então o medo foi tornando-se coragem
e libertou a mente dos grilhões perniciosos.

Então o tempo se dobrou a refletir
algumas luzes e imagens passageiras
de um futuro que já passado não desistiu
das horas válidas na vivência verdadeira.

Singelas sobras que alimentaram os meus lobos
que dentro ao peito se dilaceravam ao vencedor
que foi aquele que se livrou dessa penumbra
para trilhar a senda de um incondicional amor.

Então o tempo passou levando outras sequelas,
karmas das guerras que em outras vidas batalhei
ceifando vidas por ideais nulos desconhecidos
que me trouxeram ao purgatório onde chorei.

Singelas obras espatifadas pelas lacunas
por entre as brumas dessas vielas desconhecidas
que nas paredes guardam histórias já moribundas
de algozes vozes que sussurravam das catacumbas.

Então o tempo foi de um tempo já libertado
e nas memórias com pouca glória foi usurpado
então a alma livre do tempo à eternidade
deixou seguir-se por suas trilhas sem ter idade.



Jonas Rogerio Sanches
Fotografia: Noel S. Oszvald
Captação Atemporal: Karine Santiago

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Do Entardecer ao Despontar das Cores Amanhecidas



Entardece e a penumbra se adentra
pela janela do quarto e da alma
junto ao vento gelado que tortura as flores
que despertam uma a uma em olências noturnas.

Entardece e o arrebol carrega a mente as lonjuras
de uma recordação quem sabe de outra vida
e agora a meia luz o poeta se arrisca as linhas
observando alguma estrela solitária a crepitar.

No horizonte agora alguns planetas despontam
parecem grãos de areia em meio a imensidão
e já é a noite parindo vultos sombrios enigmáticos
que assustam os desavisados que vagam sem notar.

É agora a pura noite entardecida e já quase amanhecida
que convida uma vermelhidão que vem do leste
iluminando as cores que nas sombras eram ocultas
refazendo a sina de uma vida sem nenhuma culpa.

Amanhece e junto ao sol que já desponta
lá no terreiro o galo encanta e também canta
no céu agora há as nuances despertadas
que escorreram firmamentos vazando da madrugada.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Miguel Costa

Vagante



Dou tempo ao tempo
e fico sem tempo de sobreviver
na esquina do inverno
por onde consterno querendo viver.

Dou asas as rosas
singelas em prosas
em cores e gostos prescritos
na bula de um jardim convicto.

Dou flores as damas
mas já não visito as suas camas
nem a grama dos canteiros do Éden
onde foram batizados os animais.

Dou corda ao enforcado
e fico ao seu lado
como um coveiro alado
com olhos de corvos famintos;

e é até sucinto o que sinto
olhando nos olhos da morte
que é pálida, que é sorte;
e um pio no escuro é o presságio.

Dou cinzas ao vento
dos ossos do tempo
queimados e vividos ao relento,
e eu gosto, e eu me lembro e relembro

da noite em fogueira infernal
e o frio era o vinho carnal
degustado em paladar frustrado
das bocas que falavam madrugadas.

Dou bom dia ao ancião transeunte
e seu olhar retribui
então eu retorno ao mundo
e o que encontro é um ser moribundo

cansado frente ao seu eu no espelho
e nas lágrimas olhos vermelhos
por onde escorrem versos,
por onde escorrem sonhos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 4 de junho de 2013

Veredas Ocultas da Alma que Caminha Eternidades



Enveredando-me por campos vejo uma porta
que pelos dias carregam as noites e infinitos
e no horizonte nuvens de sonhos no céu transbordante
se misturando em luas e sóis e meus sentimentos.

Enveredando-me por amores impossíveis e bucolismos
vejo nascer no âmago o fogo azul e o lirismo
que move a pena e que bebe a tinta amanhecida
nas folhas dispersas dos cadernos velhos da minha vida.

Raros momentos são os que ficam nos olhos guardados,
nos olhos da alma, pois a visão do corpo é luz refratária
nascida aos reflexos singelos complexos indeferidos
que pediam em um lápis de ponta afiada o seu abrigo.

A ideia oclusiva dos versos descritos são indiferentes
pois, ainda resta um bocado de caminhos a serem idos
pois, ainda existem um bocado de livros a serem lidos
e nas serestas a serem escritas versos polivalentes.

Enveredando-me pelas veias do sangue da terra
eu bebo da força do cosmos no leite da virgem
e derramo nas linhas meu olhar de sal e mercúrio
então, encerro hermeticamente meu espírito em mim.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um Olhar Pela Fresta do Universo



Olho pelas janelas do universo
e volto a infância nos versos
e minha mente escorre pelas cores
enquanto o olhar perde-se entre galáxias

de mim, de um planeta inóspito,
de um sol solitário e de estrelas
que entram pelo céu do quarto
e invadem minhas alucinações.

Olho pelas frestas do infinito
e o que vejo vai além do bonito
então transito entre as esferas
então meus olhos são diamantes

forjados nas entranhas siderais
ou nas entranhas de gigantes extintos
que habitavam livros na estante
empoeirada no canto da alcova.

Olho o cume e vejo o lume constelado
entre seres de tempos esvoaçados
entre anjos de semblantes iluminados
e é quando me percebo um ser alado.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Asas Negras



E na minha coroa haviam doze olhos
e minhas asas eram negras como a ônix
então sobrevoei e pousei no cume do mundo
então contemplei todas as estações.

E os meus braços alcançavam estrelas
então abracei constelações e calei,
em Órion o reflexo da imagem do caçador
e no ferrão do escorpião o veneno da minha dor.

No meu punhal encravei pérolas e esmeraldas
e encravei a morte no esquecido coração
e foi a mágica que ressurgiu em meus atos
então conclamei palavras novas ao amanhecer.

Não deixarei as lamúrias atormentarem os dias
e nas profundezas da noite o sorriso alquimista
regozijado entre cadinhos e virgens pitonisas
d’onde foram revelados futuros promissores.

E na minha coroa haviam doze olhos
e eles avistaram apocalipses e renascimentos
mas eu parti, voei com minhas negras asas
e fui ter com uma nova galáxia novas revelações.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 2 de junho de 2013

Das Coisas do Tempo



O tempo me roubou lembranças
num ato um quanto maquiavélico,
levou os retratos das insanidades
e na mente não ficou nem reflexos.

Foi a noite vivida e inexistente
na história da vida quase indiferente
e em um bocado de loucura um sorriso
de tristeza por uma incerteza como abrigo.

O tempo me roubou do próprio tempo
e do pretérito deixou uma breve lacuna
nas recordações um vazio imenso
e no olhar no espelho uma espessa bruma.

Foi a noite morrida em um segundo
e ressurgida com algoz mais que profundo
que foi colhido nos jardins do limbo
e espalhado como uma dor no mundo.

Vazio distante agora o meu pesar
e o próprio eu já não consegue a si próprio amar,
somente um auto flagelo interminável
durante uma batalha que é um vizir impenetrável.

A noite profana me roubou algumas lembranças
e o peso dos atos feriram almas e almas
mas, tudo é um ciclo insaciável de desejos
e o aprendizado necessita de experimentação.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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