quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Limbo Cotidiano



Desgastes naturais
e minhas pernas cansam
de galgar degraus
e não chegar

e não há parada
somente solas de sapatos
rústicos demais
e não há asas

somente Ícaro no funeral
de cera
de choro
de lugar nenhum

ou de todas as esquinas,
e há murmúrios
e há crítica
mas, sem sequelas

e sem chapéu ao sol
e sem guarda-chuvas
mas, contínuos trovões
nascidos dos relampejos

ou do ventre do céu
que pariu historias
e pariu outro céu
sem estrelas

sem pássaros
sem paraísos...
Já não há infernos
nem há mais o purgatório

somente um sorriso
no limbo cotidiano;
e almas desgastadas
de sofrerem tão sós.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Andanças e Danças nas Cantigas das Estrelas




Vai poeta na noite se vislumbrar
compondo cantigas de roda
até mais um dia raiar e trazer o sol alegria
na tez corada da face do amor.

Vai poeta e encante as estrelas do mar
num barco sozinho no espaço
que distante navega sem portos
em mundos de vivos e mortos.

Vai poeta e cante sua vida em sepulcro
na terra que já foi distante
e agora foi antes além até da mesmice
que é renascer e viver todas as promessas.

Vai poeta e escale a montanha da vida
e as flores mais belas colha para sua querida
e os olores mais raros guarde em frascos herméticos
e carregue-os em alforjes sutis de conhecimento.

Vai poeta e adormeça em crateras da lua
ou apena declame na rua
ou na alcova onde ela está nua
entre os sonhos secretos de uma poesia.

Vai incansável poeta e derrame seu sangue
no bico da pena entrelinhas às letras serenas
de uma fórmula mágica de um livro perdido
onde grafaram poesias rupestres sem sensações.

Vai poeta e retorça as arestas do tempo
e nas curvas atemporais pare e reflita
sobre quão vago é cada olhar espacial
que lançaste sobre os cadernos dos julgamentos.

Vai poeta que contigo irei mais que depressa
e juntos nas plêiades retesaremos nossas ideias
tornando-as vociferantes como mil gritos
ou apenas nos escondendo por detrás dos mitos.

Vai poeta e nas suas andanças cante serestas
e dance no baile estelar suas cantigas de ninar
pois, estarei contemplando lunetas aos firmamentos
esperando vislumbrar o nascer da sua estrela.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Foi Como Ventania essa Nostalgia




Deixei o vento ir distante
e carregar as folhas e as letras
com olências de pétalas e relvas
e as saudades ficaram nas raízes.

E o tempo ao relento cansou de passar,
e a falta de abelhas nas flores do amor
ficaram sepultadas junto aos romancistas
e nas trovas legados de impossíveis paixões.

Deixei que as águas lavassem meu rosto
e as mazelas se desfizeram nos regatos
regados a sangue e os peixes eram flechas
mortíferas esperando a guerra do último verão.

E o tempo correu cascatas e ao mar
dos conflitos, tão só navegou a deriva
e as vidas passaram depressa qual ósculo tardio
que meus olhos não viram quando você partiu.

Deixasse que fosse a cavalos alados
e o som dos relinches cantariam a sua morte
mas, se foi e tão viva olhou para trás e sorriu
um sorriso discreto que acolhi no âmago de mim.

E o tempo que a muito voo como sopro, voltou
trazendo nostalgias vadias que assolam entre trevas
mas, se desfazem nas rezas noturnas quase tão soturnas
e um grito ecoa sozinho na encruzilhada do amanhecer.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Van Gogh

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

De Todas às Vezes




Entre as vezes que amei
muitas vozes das minhas dores
sucumbiram aos seus anseios
ou a todos os anseios dos amores meus.

Entre as vezes que calei
minhas vozes foram amores
e das dores apenas sensações
e da vida uma bagagem metamórfica.

Entre as vezes que escrevi
minhas letras foram de amor as letras
e às donzelas da minha rua
que foram meus amores infantis.

Dentre todas as vezes que morri
muitas delas foram de amor
e do meu coração foram os cacos vividos
agora espalhados e ocultos dentro de mim;

ou talvez na terra do jardim que abandonei
quando parti em busca de novos amores
ou quando plantei novos jardins na cordilheira
e, como meu sentir as flores morreram de frio.

Entre as estrofes eu descrevi
e tão somente reescrevi amores idos
e junto a eles pedaços roubados de mim
que naufragaram nesse mar de lágrimas que naveguei.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: in the trunk by ligreego

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vagas do Tempo




Um vago momento
de silêncio
ouvindo vozes do coração
que ama e se recolhe

que sofre e não escolhe
sofrer;
mas, os dias se vão
e as noites também se vão

como chuva passageira
e o que fica são sensações
e recordações
de um tempo bom

onde éramos felizes
e a maior preocupação
era o beijo de bom dia
e aquele abraço acolhedor

que nos trazia paz;
mas o vento carregou
o tempo,
e o que ficou

foi saudade,
foi vazio,
foi um verso de amor
que marcou a minha vida.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Cigano




Escorro no tempo entre os dedos
e o socorro é nas letras em vertentes
que assolam e deságuam palavras
e, em rios escassos pesco os minutos idos.

Recorro ao tempo perdido e encontro o presente
distante aos olhos que olham à frente, um mago;
ou se prendem ao querer do passado censurado
como a cera da vela que encerra minha magia.

E no instante derradeiro desfaz-se em fumaça
e embaça as visões nevoentas de pupilas mastigadas
e meus desembaraços rompem-se e não há laços
com a ignorância, e eu permito-me caminhar;

pois eu sou cigano e a poesia me carrega
de porto em porto e de verso em verso
e minha casa tem telhado de estrelas
e minhas botas tem pequenas asas nos calcanhares.

Escorro com o tempo entre os dedos de Deus
e na deturpada simbiose eu sou tronco e orquídea,
e a planta carnívora almoçou todos os colibris
que pestanejaram e ocultaram o sêmen das rosas.

Caminharei por entre tumbas nessa campa iluminada
e minha caravana será repleta de dromedários magros,
espalharei nos desertos dilemas incertos do sol
e não haverá oásis para o descanso, somente silêncio.

Sou cigano e meu caminho não terá fim
e meus pés já cansados sapateiam nas nuvens...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Poeta




Da alma a observação
do nada e do tudo
e a espada é a pena
e o olhar certeiro
vem de toda a insubserviência
e de um respirar calmo
de um poeta solitário.

Da alma toda a tristeza
e toda a alegria
discretas e tolerantes
nascidas e vividas no mesmo lugar;
olhares tão vagos ele lança
e descreve e à destreza
nas mãos cálidas do poeta.

Da alma o fundo do último grito
tão marcante e só,
vindo do limbo das entranhas das vivências
de vidas que ceifaram vidas
e mortes que beberam mortes;
e do lado de lá das trincheiras
entre as árvores o poeta assiste essa desolação.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: O Poeta de Reinaldo Mendes

Chuva Mansa em Corredeiras Tépidas




E lá fora a chuva mansa amansa meus sentidos
e aqui dentro do peito é como um leito de rio
que corre e recolhe histórias ouvidas nas margens
dos dias ou apenas grãos de areia coloridos refletindo
um olhar, quem sabe o meu olhar mergulhado em devaneios
ou somente um reflexo de narcisos envelhecidos esquecidos
que ousaram um dia se amar e admirar a própria luz.


Jonas Rogerio Sanches

Vá Embora Malograda Solidão




Ditames de uma solidão opaca
e rasgaduras em um peito  cansado
de tanto sofrer de amor; de dor
e, a fé que era tamanha agora é pouca.

São mares de sensibilidade que deságuam
de dois olhos chorosos e castanhos
que miram o horizonte esperando você
mas, agora é tarde e o sol já foi deitar.

Catarses diluindo meus sonhos antigos
agora longínquos e desabitados
de esperanças desfeitas pela realidade
e, o que me resta é uma réstia de vontade.

Vá embora solidão melindrosa
sentimento sem escrúpulos e malsãos
se arrastem pra fora do meu coração
que sofre calado essa velha nostalgia.

Vá embora sentimento angustiante
e me deixe aqui recordando os risos
que é do que eu preciso para melhorar
essa sofreguidão constante prestes a matar.

Vá embora, por favor, sorrateira solidão;
se extingue de mim, liberte o meu ser,
devolva a ânsia de querer vencer e viver
e, os meus quereres mais augustos reviver.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Infinitos Sonhos com Asas Angelicais




Acende na alma a chama que ascende
e sublima os pensamentos quase meus
e a inspiração que eu capturei nas nuvens
plana por horizontes infinitos sem paz.

Caio, mas me levanto e não há pranto
somente um nó na garganta acompanha
e fortalece o equilíbrio necessário
para continuar caminhando por sobre a lâmina.

Deixo a poesia carregar meus anseios
e já não me decepciono, pois você me alegra
e me acompanha repleta de sinceridade
sem necessidade de guardar palavras.

Verto sangue sobre as minhas páginas
e das lástimas eu componho versos
e minha jornada tão dura é aprendizado
então deixo as intempéries de lado e sigo.

Eu tenho asas, emprestei-as dos anjos;
então eu voarei por entre os cumes inóspitos
e espalharei pétalas durante o sobrevoo
mas, a rosa mais bela eu colherei para ti.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Das Línguas à Evolução




Das línguas faladas e grafadas
os sentimentos descritos sucintos
ou apenas um olhar carregado
de palavras não ditas, somente entendidas.

Das línguas do amor à poesia
transcrita e desdita ao amanhecer
ou à madrugada em atos ou fatos
de amantes que se sentem sem se descrever.

Das línguas histórias e estórias
dos tempos e as vozes dos ventos
carregam as eras nos prantos da guerra
ou gestos gritados de espada na mão.

E a dúvida esclarecida é nociva
as massas de línguas resumidas
contidas inteiras nas vias da evolução
constante e obstante nascidas do coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sentidos e Divagações




No sentir que amanhece na alma
um florir de magia e realização
então na última estrela um quasar
que pulsa intensamente sem lar.

No não sentir que anoitece o olhar
um desabrochar e um ritual ameno
que vem curar um inócuo veneno
que veio hereditário haver a humanidade

que não tem idade para se acabar
que não tem cometas para viajar
mas, tem pés descalços a pisar as brasas
que queimam os incensos da renovação.

No sentir da morte que vive eternamente
uma reflexão sobre a vida tão passageira
e uma poesia ditada breve a minha maneira
desfalecida algures numa roda cósmica

que mantém as rotas e trazem respostas
aos meus devaneios simples e compostos
e ao meu olhar que fita seu augusto rosto
longe a divagar os porquês dos reencontros.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Daniel Conway

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Literalmente Poético




No auge dessa feiura tão bela
do dia chuvoso e à noite gelada
da beira da estrada ou a galáxia
longínqua de universos pessoais.

E a pena que range de ideias
inócuas   ou aquele paradoxo irreal
que nasce em sonhos ou contemplações
do agora ou do antes ou do depois.

E o poema emblema e metáfora
que é alma espalhada que desfaz
os sentidos ou apenas transcende
aquilo que se sente diante da luz.

Que é o saber tão sabido escondido
entrelinhas, entre as vias das lidas
seguidas ou aquela agonia vivida
ou apenas contada pelo narrador.

Que faz de sua dor uma flor
que é vivaz e satisfaz quem olhar sua cor
e o espinho do caule é o furor
quando torna-se usuras análogas do amor.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google 

Distante de Mim




Dias tão calados que adormecem
e não há sussurros nem nuvens
somente um olhar nu pranteado
e um luar cru e prateado.

E das estrelas olhares contundentes
que enfeitiçam os sentidos latentes
dos musgos das florestas dos druidas
que encobrem a mágica dos agáricos.

Dias comuns tão mágicos que se vão
com a dança das marés até o espaço
e desatam os laços que privam a liberdade
dos corações que clamam amores reais.

E dos cometas que carregam os segredos
que escondem todas as forças desse medo
que sinto quando penso em revelar
meus sentimentos platônicos de amor.

Dias que passam e levam meus devaneios
e trazem sonhos que já não ouso concretizar
pois falta o beijo que é meu maior desejo
quando te olho, quando te toco, quando me apraz.

E dos eclipses que ocultam as luzes do meu olhar
ficam vestígios dos meus deslizes pelas paixões
que tatuaram vidas vividas em recordações
e o que restou ficou guardado para você.

Dias que passam tão consequentes que nem percebo
quando o crepúsculo se anuncia na luz noturna
e o nevoeiro do meu olhar encobre a bruma
que esconde o poder e a intensidade do meu querer.

E desses versos tão eloquentes sinceridades
que vazam no peito desse poeta puras verdades
de um amor tão doce e meigo, quase impossível
mas ao meu ver se houver pureza será plausível.

E quando te miro distante do meu olhar
meu eu se encolhe e esconde suas turbulências
pois eu te preciso diariamente nessa existência
e se eu não te tenho no peito aflora dura carência.

Dias floridos de luzes escassas serpenteantes
onde minhas letras formam versos exorbitantes.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Olhar Daquela Flor




Eu avistei no olhar da flor
a dor do espinho encravado
e a pétala de vida tão sofrida
que voo ao vento sem piedade.

Eu avistei no olhar da flor a sua idade
tão castigada pelos seus fardos coloridos
e o inseto ao caule foi o seu amigo
que em doçura foi seu polinizador.

Jardins tão vastos entre cores e alabastros
e a rosa a sós pleiteia amarguras
e o pólen que sobrevive e se desfaz
nas crisálidas despertas voadoras.

Eu avistei no olhar da flor
o semblante algoz daquela menina
que partiu, e o que ficou foi nostalgia
e o meu coração se partiu em mil pedaços.

Eu avistei aquela flor de olhar distante
e seu olor foi de saudade torturante,
na minha mente somente imagens idas
que restaram tão passageiras dessa vida.

Eu avistei o olhar da flor à madrugada
e o que vi foi saudosismo pela amada
então parti e não mais vivi a poesia
e definhei minha carcaça a luz do dia.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Ricardo Cruz

Sublimes Sonhos de Amor




Distante mas tão constante
a olvidar seu poema de amor
e ainda que pragmático
alimenta minhas ilusões.

Quero um amor que seja amor
e que eu possa abraçar e adormecer
por entre os sonhos verdadeiros
e na cumplicidade ser acolhido.

Distante de mim e longe do mundo
minh’alma clama pela libertação
e grita o coração muito além da paixão
e é o amor real que faz a evolução e a revolução.

Meus olhos turvos e destemidos
que miram infinitos quereres e veem
que nos seus olhos brilham as chamas
que flamejam e hipnotizam os anjos.

Colherei todas as rosas vermelhas
e tecerei vestes deslumbrantes
e nos lençóis da sua mágica alcova
entrelaçado a você irei amanhecer.

E no meu despertar quem sabe
terá sido verdadeiro meu delírio
então poderei padecer nos jardins
e meu espírito descansará em paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Aos Orixás




Na calada da alma luzidia vêm meus Orixás
e um abraço de Ogum defendendo do mal,
Oxalá vem depressa para abençoar
as manhãs e as noites dos filhos do amor
e das matas as vozes de Oxossi a cantar
na cadência a clemência da sua altivez
e nos rios carregando todas as quizumbas
Mãe Oxum vem lavando as intuições,
vem cantar Iemanjá, com sua voz de mar
vem como ondas quebrar as demandas
e entregue os pecados nas mãos de Xangô
que é a justiça na terra e nos céus da pedreira,
vem ó Grande Mãe da humanidade, salubá Nanã
e proteja do mal e da treva todos Ibejis
que protegem todas as criancinhas do mundo;
vem meus Pais de Aruanda, vem comigo cantar
vamos entoar juntos nossas vozes e trazer a paz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Árvore




Frondoso à frente enfrento a fronte
de quem sabe um qualquer ou
apenas um visconde ou um conde
que já não sabe onde falecer
e as árvores ainda novas crescem
e minhas folhas sombreiam as filhas
e as sementes dos frutos eu derramarei
e serei renascimento e quem sabe
nos próximos sonhos serei frondoso,
e quem sabe a frente enfrente a fronte
de um novo pensador que engole a dor
e enquanto estende seus galhos
um pássaro do paraíso vem morar
na última copa das minhas sensações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Finais Insensatos




Seria uma noite
e o desejo seria
noites de amor
e o ventre universal
eu engravidaria
e amanhã seria
pai de galáxias.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: ESA

Anfibológico


Tão mortífero
e tão sensível
na madrugada
que reflete o nada
e reflete tudo
no meu olhar
nos espelhos
e nas luas ambíguas;
anfibológicas respostas
e vazios intermitentes,
são devaneios
colidindo vidas
e ceifando mortes
da luz que é minha consorte
e do refrigério na alma
tão calma
e tão cataclísmica
nessa viagem rítmica
que é somente a dança
de uma criança tardia.


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Rústico




Ouço a música
tão rústica
de um roçar do ossos
e de um certo ócio

sem prognóstico;
semente germinando
é o cantar da vida
quase linda

do som da flauta
na nota que falta
para anoitecer,
para amanhecer

ou então o endiecer
na palavra inexistente
e o verbo suplente
em voz de gente

e na cor do transparente;
e é sem melodramas
as guitarras ardidas
e os tímpanos avulsos

olvidam coisa nenhuma
mas, os gritos e gemidos
calaram as velhas donzelas.

Ouço a música
e existem ecos
reflexos dos ossos,
mortos e calabouços,

cadafalsos e cadáveres
numa cena de guerra
numa cova na terra
ou em um campanário;

e ouço os sinos
a missa vai começar...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Semeadura das Flores de Sangue


Guardados os dias passageiros
e as viagens se iniciam a esmo
cortando estradas e encruzilhadas
que se apresentam no amanhecer.

Lógicas tão repletas e ilógicas
que eu não aproveito as horas
e os minutos são vendidos nos leilões
e o lance maior é de uma eternidade.

É o caos propriamente dito e instalado
entrelinhas de um poema quase poético
mas falta uma alma avulsa e sem pecados,
tão longínqua as minhas possibilidades.

Detrás da porta existe outra porta
e a tranca é de sete chaves, Sete Tumbas;
e as vestes são de Tranca-Ruas e Exus
e a oferenda veio do âmago de mim.

Derramo as estrelas em explosões
e é tão acústico que cantam anjos
e é lírico como as letras de Davi
que em sua harpa afagava o rei temeroso.

Vou colher sóis pelas manhãs de outono
e espalharei sobre as ladeiras o meu sangue
tão doce que será um banquete de beija-flores
e as semeaduras serão flores do meu coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Muito Obrigado, mas Eu não Quero Nada




Não quero nada, mas obrigado
pela palavra que não foi dita
e o meu silêncio tão necessário
continuou o meu trabalho.

Não quero nada, mas obrigado
pelo carinho que não me deu
guarde pra si pois tenho o meu
que é solitário e é centenário.

Não quero nada, mas obrigado
por me roubar e me matar
minha vida eterna e sempiterna
que é viva sempre e iluminada;

e que incomoda na encruzilhada
quando meu sono sempre ausente
se faz presente tão descontente
nesse momento que eu não queria

raiar no dia que se procede
mas seca a boca mas não é sede
e o que eu quero não é mais nada
só obrigado por ter calado na madrugada.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mistérios entre as Colheitas




São todas as sementes e a semântica
de cada passo dado arrastando o arado
e sulcando a terra e preparando a lida
para plantar canteiros de esperança
e sonhos que germinam galáxias desconhecidas.

São bulbos enterrados com esmero e espera
cultivando paciência e tolerância necessárias
e há água em abundância mas, a sede insaciável
é pelo saber ininterrupto que circunda tudo
e o presente colhe frutos da sua época.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: The Old Farm - www.wallpaperweb.org

Poesia Cinza




Poesia que nasce cinzenta
de um entardecer plúmbeo
quase melancólico e senil
de sensações quase homogêneas.

Um arrebol umedecido e nevoento
entre sibilos rústicos do vento
levando e trazendo meus lamentos
enquanto observo pássaros migrarem.

Fosse o crepúsculo hoje colorido
mas, há chuva e as águas das lágrimas
invadem o horizonte dos meus olhos
que fitam um vazio frente aos espelhos.

Logo a noite cairá e haverá penumbra
e entre os últimos resquícios dessa precipitação
raios e trovões cantarão potestades
e do coração da estrela nascerá a esperança.

Eu me entregarei às hostes angelicais
e deixarei na vela a chama da paixão
para quem sabe a alma partir e não voltar
para colher as flores de um amor escasso.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

In Vino Veritas




Evoluções metamórficas
e as verdades imutáveis
continuam intactas e reais
ainda que inaceitável ao vulgo
que prefere ser surdo
ser cego e estapafúrdio
mas, existem profetas
e existe a vontade maior
que move razões inteligentes
que sobrepujam toda a gente
que vive alienada as massas
e entrelinhas entre trapaças
preferem as ilusões e mentiras
que escassas de filosofias
eclipsam a luz da vida que é mistério.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Eu já não sei dizer




Não sei falar sobre o amor
mas sei sentir seu coração
que pulsa vivo e intrigante
me alimentando de ilusão.

Não sei falar sobre as dores
mas sei sentir o seu olhar
que de tão lindo é cor do mar
me banhando em ondas passageiras.

Não sei falar sobre a amizade
mas sei sentir a sua intensidade
que é plena e arrebatadora
me esclarecendo ante as escolhas.

Não sei falar sobre a paixão
mas sei sentir o seu carinho
preenchendo o ser que é solidão
me completando como interação.

Só sei falar sobre a poesia
sentida e despedaçada nas estrofes
que eu remendo e grudo as peças
para em uma prima obra te versejar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cantos dos Ventos




Canções dos ventos e tempestades
em lamentos e farfalhar
carregando olências
de lugar para lugar.

Canções que esculpem rotas
entre os espíritos arbóreos
como afluentes regem notas
do mais complexo ao simplório.

Essa é a orquestra que resta
e que transborda vozes naturais
assoviando em bambuzais
e escorrendo pela fresta;

que é a porta da aventura
onde não há a amargura
só há pinheiros e acicadócias
vigiando os filhos das acácias.

Canções dos ventos e tempestades
cantando os sopros de Iansã
relampejando nosso amanhã
para abrandar o nosso fardo;

que é até pesado e merecido
mas se tenho os Orixás comigo
você também os tem contigo
e nossas vias seguirão naturalmente.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Recordações Apócrifas do Nosso Amor




E no firmamento cortinas descerradas
e algures as estrelas olham cintilantes
e os anjos condizem com os sonhos
e é remoto o tempo que eu renasci;

mas ainda recordo histórias de cometas
e de barcas que rasgaram mares de piratas
e nas grutas onde me ocultei dos demônios
deixei vestígios das noites que nós se amamos.

E no seu olhar dionisíaco de mistérios e belezas
tão mortíferas que as quimeras sucumbem
ao seu encanto e aos seus cantos paradisíacos
que foram minha prisão e o veneno ao coração;

mas não lamento pois nosso amor riscou as eras
e atravessou tempos de guerras e sobreviveu,
ainda ontem recordei incontáveis vidas nossas
e nos versos metafóricos lancei minha proposta.

Se tu leres e entenderes todas as minhas alegações
terás o direito de beber o meu sangue e adormecer
junto a mim em meu leito galáctico e sideral
e então fundiremos nossas almas num sopro cósmico;

mas se não desvendares minhas estrofes apócrifas
serás lançada aos leões devoradores de amores
e nossas recordações se desvanecerão junto a chuva
que é tão torrencial nos jardins onde nos reconhecemos.

Devaneios oníricos tão líricos e quase imperceptíveis
de um sonho poético inacabado sem máculas e analogias
somente algumas lembranças dos olhos daquela menina
que no bosque dos precipícios torturou meus sentimentos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Algazarra do Amanhecer




Algazarra na janela
em mil vozes de passarinhos
anunciando o amanhecer
e a sensação é que vai ser lindo.

O sol desponta sem timidez
e a lua parte toda cansada
pois foi rainha na madrugada
agora é só luz e aquarela,

pintando as flores na janela
e são gerânios e são jasmins
são caledônias e quaresmeiras
e sabiás nas laranjeiras,

que saúdam os bem-te-vis
há também uvas e alguns caquis
e lírios esbeltos em vestes augustas
enfeitando as trilhas do meu amor.

É algazarra das borboletas
em novo dia ou novo planeta
onde o que reina é a natureza
em sua esplendorosa beleza.

E agora que amanheceu
eu me guardo ao céu de anil
e meus sonhos são as estrelas
e o meu desejo é adormecer com um beijo seu...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Iansã - Santa Mãe das Tempestades




Olá Oyá salve a Mãe Iansã
vem iluminar com seu relampejar
os meus passos em sua direção.
Salve minha Mãe e conceda-me sua benção.

Olá Oyá vem trazendo o furacão
pois é Deusa de Espadas de Fogo
e carrega em suas mãos as paixões.
Eparrei! Oyá. Eparrei! Bela Oyá.

O Mãe de olhar tão plúmbeo
vem trazer as mensagens de Oxalá
faz chover no peso dos pecados. Eparrei Oyá!
Faz acolhida ó Mãe de todos Eguns.

Eu vejo seus olhos em meio à tempestade
Eparrei! Ó Bela Oyá... Faz ventar no coração.
Risca o céu iluminando gritando vozes de trovão.
Eparrei! Oyá. Eparrei! Bela Oyá. Venha nos abençoar!


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Despertando os Sentidos Reais




Um acordar transparecido
de pensamentos intuitivos
e o despertar da alma presente
faz do coração força latente
e abraça o sol do dia a dia
e abraça a lua de pratas e lidas
para açambarcar as estrelas
num alforje de sábio caçador
e ao despedaçar a fútil dor
um mergulho profundo de amor.

Um acordar transcendental
que desvanece todo o mal
e o despertar da alma em luz
que é o etéreo que conduz
o coração ensandecido
agora translúcido eu elucido
observando o sol e a lua
e caminhando em vida crua
transcrita em versos que fluam
como os rios que trazem o amor.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Concatenando as Contemplações




Sigo em frente e na mente tão latente
eu agradeço pelas alegrias e inspirações
que trazem a tona a poesia ao coração
que labuta no peito pulsantemente.

Sigo e, além disso, eu sorrio e digo
todas minuciosidades que observo
na flor, na dor, no amor e na ternura
e ao meu redor toda essa natureza pura.

Não há soberba e sim plena humildade,
já não há morte e sim infinda eternidade
de uma senda que a muito é trilhada
deixando versos no final das madrugadas.

Não há temor e sim grande enternecimento
dos atos e palavras engendrados nos momentos
onde um mergulho em introspecto alivia
e todas as dúvidas e receios esvanecem com o dia.

Sigo em frente e o que é da gente está guardado
atrás da porta ou além da curva do que foi trilhado
e se a coragem falta busco em luzes de ribalta
iluminar a mente que consciente relê a pauta.

E nas últimas palavras olvidadas em silêncio
esclarecimentos sutis vindos dos mentores
e nas últimas cores de um entardecer imenso
engrandecimentos nobres vindo dos atores.

E a peça da vida descerra as cortinas para eu te ver sorrir.

Jonas Rogerio Sanches

Ah se Você Soubesse




No despertar da rosa a desabrochar
eu sinto o olor mágico de um nascimento
e as folhas tão macias em nuances coloridas
me trazem lembranças do seu olhar.

Tateio os espinhos da vida e os da rosa
buscando aprender com as feridas
e quando me deparo com sua tez macia
eu beijo com desejo as pétalas no jardim.

Ah se você soubesse como eu amo as flores
e também amo esse seu jeito doce de ser
me abraçaria e se aninharia no meu carinho
e descobriria ao certo o que reflete meu olhar.

Ah se você soubesse como eu te adoro
as flores brancas corariam ao lhes contar
e eu viveria os sonhos que povoam meu sono
e eu viveria eternamente para te amar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Pé na Estrada da Vida Sofrida




Na jornada é o passo dado
com a humildade da fome
que corrói o artista nato
que ama o que faz, por isso faz,
e sobrevive as línguas
e sobrevive a escória
que exclui e corrompe
as imagens incompreendidas.

Na jornada o pé na estrada
e a dor do preconceito real
escondido em imagem social
que nada sabe, nada vive
só critica quem sobrevive
as custas dos seus pés, do seu suor
que atravessa toda culpa que há em nós;
artistas que elaboram seus caminhos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Resgatando os Erros da Lida




Minha dor é o labor do resgate
cavalgando nesse disparate
de insanos risos e provações
retorcendo o corpo em alucinações.

Minha dor é a trilha que fervilha
numa dívida de outras vidas
ou então uma voz tão gritante
na cabeça velha de um infante.

Minha dor é cruz e galardão
que carrego na estrada infinita
e nas noites vislumbres da lida
quando a fera interna a sós grita.

Minha dor é a flor do destino
nesse nascer e morrer contínuo
é o fruto maduro da renovação
dos pecados guardados no coração.

Minha dor é o labor do resgate
pelos crimes impunes da insensatez
se preciso de tempo renasço outra vez
e me dissolvo em coragem  a quitar o meu soldo.

Minha dor é a flor daninha do jardim
que cultivei no passado esquecido
mas agora eu espalho-a nas folhas do livro
que guardou minhas palavras e sensações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

A Espreita da Morte




É a morte espreitando na esquina
do tempo e o vento é o lamento
da chacina que assistida alucina
todas as almas que caminham.

É a morte espreitando na esquina
da vida que é frágil e eterna
e do outro lado da rua a lanterna
que é o guia na passagem antiga.

É a morte que espreita o presente
e é o presente que a vida oferece
quando o corpo tardio arrefece
e a barca nos leva a travessia do rio.

É a morte espreitando os meninos
e meninas que a vida transborda
e que os passos caminham na borda
desse precipício que leva ao início.

É a vida espreitando a morte consorte
que leva e releva os motivos precisos
de um viver de limites qu’eu não preciso
e conciso eu caminho para me libertar.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Leve Tal Qual Flor




Tal qual flor tão simples e leve
como nuvens e brumas pairando
e a fome que arrefece o gesto
de um sorriso extinto há tempos.

Tal qual peixe tão simples e leve
como vento que carrega a brisa
da fumaça que transpassa o céu
de uma boca com um novo sorriso.

Tal qual as levezas das insanidades
que se desfazem junto aos orvalhos
que bebo das pétalas do seu olhar
que olho vestindo um velho terno.

Tal qual a leveza de um beijo seu
que se desfaz no meu e sublima
todos os sentidos resumidos
numa fração de uma vida breve.

Tal qual a leveza das poesias
que planam pensamentos reais
tão irreais que consomem a fantasia
mas, meu folclore contém fábulas.

Leves são os passos meus nas madrugadas
e comigo passeiam todos os gatos pretos
e minha sorte é a mesma dos arrebóis
que trazem estrelas para me acompanhar.

E no amanhecer eu colherei a flor mais singela
para poder ver novamente seu sorriso...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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