quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cópias das Cópias das Cópias




Está faltando inventabilidade
só cópias das cópias das cópias
igualizadas e repletas de clichê,
tudo baseado na modificabilidade,

e toda a coragem move a engrenagem...
mas está faltando habilidade na verdade
e o tempo trouxe a terceira idade
e o mundo é pura irritabilidade

pois, está faltando inventabilidade
e eu só vejo cópias das cópias das cópias
e só vejo pregos nas ripas do telhado
e já não há telhas, são as cópias do céu

e as igrejas são cópias das igrejas
e o que se vê é o autoritário
num mundo libertário e sanguinário
onde as guerras copiam as guerras

e copiam as mortes nas trincheiras
quanta besteira e quanta hipocrisia
enquanto devíamos viver em paz
enquanto devíamos ter mais criatividade

e nas esquinas do infinito cópias de mim.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Feto - Artur D"Araújo

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Labirinto do Fim da Picada




No labirinto da eternidade
de cada segundo sem fim
onde sou apenas mitocôndrias
nessa infinita dança celular.

No labirinto da eternidade
eu busco uma nova reação
onde eu me despeço de tudo
para viver no nada sem nenhum.

No labirinto dos caminhos tortos
eu mergulho absorto enfim
o inferno não tem asas de aço
e meus ferimentos são imortais.

Caminhos e encruzilhadas dispersas
vem como uma nova remessa ditosa
e espalham sangue e mais sangue
nos veios da terra de ninguém mais.

Labirintos distintos da procriação
revelados e exumados nesse funeral
onde não há mais mortos nem vivos
somente há sementes da alucinação.

Labirintos de um fauno órfão e demente
que escreve nas paredes com giz de cera
refazendo as histórias dos folclores da vida
e o poeta discreto caminha até o fim da picada.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 26 de janeiro de 2013

Sonhos bem pra lá do arrebol




Da tarde que passa da chuva
do sol tão calado e a brisa do lado
que passa e repassa as quatro estações
num vago momento e o vento se vai.

Da tarde o resquício aturdido
do ócio banido da estrela maior
que brilha ausente nas nuvens
e a luz que reflete são olhos do meu amor.

Da tarde já tão esvaída e colhida
aos botões de uma noite presente
que é a rosa silente soturna e brilhosa
que é mágica e reflete um vaga-lume.

Da tarde desfeita no derreter do sol
enquanto me encanto à luz do arrebol
brilhante o bastante para divagar
nos sonhos pulsantes de cara para o mar.

E nas pedras agora a prata da lua
e as sereias a entoarem seus cantos de amor...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Arrebol (Afterglow) by #Ikki#

Cacos de Coração




Apenas um olhar
e depois partiu
em viagem sideral
em viagem alucinada
em viagem sem ida
sem volta
sem rumo
e, incendiou céus
e, incendiou terras
e, incendiou sentimentos
e amou
a e como amou
mas partiu
e apenas me olhou;
nenhuma palavra
nenhum aceno
nada de nada de nada,
mas quem partiu
realmente
aos cacos
espalhados
no chão
foi meu coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Dias Passageiros




Às vezes é como uma treva
meu crepúsculo e uma névoa
que encobre os fatos nocivos
e os mais sãos tateiam pregos.

Às vezes melancolias lânguidas
antes que a primeira estrela nua
desponte fulgurante ao manto
que é o que comove meu ser.

Ás vezes é o silêncio ou é a poesia
e chego a arfar aturdido com as cores
que assistem seus reflexos no meu olhar
e se fundem aos devaneios perpendiculares.

Mas depois de algum tempo eu volto
e desligo todas as lâmpadas da chuva
que se anuncia no horizonte tardio
pois, eu quero deitar nas constelações.

Às vezes é assim mesmo ou é diferente
de tudo aquilo que tentei dizer ou calei
nos dias tão passageiros que se vão
sem deixar nem um vestígio do amanhã.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Cena do filme O Discurso do Rei

Olhando as frestas da janela do tempo só para ver meu amor chegar...




Fico aqui a olhar as vagas do vento
esperando chegar a sucinta inspiração
e num momento áspero e imorrível
eu adormeço e sonho que sou poeta

e deixo a fúria das tempestades passar
para beber dos cálices de Dionísio
e poder recitar versos a Afrodite
para quem sabe ela se apaixonar.

Fico aqui a olhar as frestas do tempo
esperando a hora perdida que não veio
e num relampejo a mente vislumbra o mar
e navego na imaginação como se fosse poeta

e deixo Sansão viver junto aos leões
e condeno a morte os pecados de Dalila
e em novas vestes sou o último juiz
que libertará as almas dos esquecidos.

Fico aqui a olhar os vazios do meu leito
esperando você lembrar o caminho
e retornar trazendo a cor dos seus olhos
para eu decifrá-los com destreza de poeta

que mira esse céu infindo na bruma do seu olhar
e as palavras serão como cantigas de amor
que te ninarão e acariciarão sua tez veludínea
somente para eu poder te copiar na próxima poesia.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Rastros de Mim




Num rastro de tinta vazado
do espelho de um olhar tolhido
e escondido em meio ao passado
que se foi mas deixou uma flor;

plantada no quadro da parede
entre os jardins dos temporais
que desabam e espalham cinzas
dos mortos que foram aportar;

no cais do outro lado da vida
onde não sei se há tantas feridas
espalhadas em aquarelas abissais
de um artista que não volta mais.

Num rastro de polens e borboletas
nas crisálidas dormentes do amor
que se foi em um tempo de premissas
e bebeu os futuros de probabilidades;

e matou sua sede dos doces beijos
e bebeu do mel amargo da saudade
que foi deixada jogada à calçada
onde sentávamos para olhar os pássaros

que esvoaçantes trinavam ternuras
e rodeavam os frondosos jequitibás
e depois adormeciam nos ninhos das telas
que um pintor deixou de terminar.

Num rastro de um amor incomparável
eu me deixo vagar sem rumo nem prumo
pois já não tenho pressa nem medo,
só tenho esse sentimento inquebrantável.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Solange Alves da Silva

Avistando a Paz Encontrei o Amor




Na colina avistei-a só
e compartilhei sensações
mas foram alheamentos
e minhas preces não a tocaram.

Na colina avistei seus olhos
e dividi um gostar incondicional
mas foi a indiferença
dos seus gestos que feriu-me.

Agora o ósculo sóbrio dissipou-se
e foram revoadas insensatas
das gotículas dela que partiram
e deixaram o sol em pedaços.

E se fossem todas as coisas você
ou todas as pessoas uma pessoa só;
organismos de amor e ódio
fundidos numa mór consciência;

e divididos em suas equações,
mas ela partiu e deixou saudade
e, ele também se foi do mundo
e o que restou foi essa busca;

por reencontrar ela que é a paz
que se mostra as vezes no peito
que busca por ele que é o amor
que se dividiu por universos pessoais.

Na colina avistei-a só
e gritei e seu nome ecoou
e a humanidade olvidou a paz
então sorrateiro o amor voltou.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Na Trilha dos Poetas Mortos




Lá vai o poeta pelas planícies
por entre os dragões de pedra,
ele mata as bestas do amanhã
com seu verbo sutil e suas letras.

Lá vai o poeta caminhando só
por entre os colossos de Frígia,
bebendo o sangue dos seus medos
no seu cálice roubado dos Deuses.

Lá vai o poeta voando pelas montanhas
por entre os cimos nevados do Himalaia,
pousando nas catacumbas esquecidas
para decifrar os pergaminhos de Noús.

Lá vai o poeta lapidando a insensatez
por entre todos os sãos sem misericórdia,
calado transpassa a espada no tempo
e mata as horas de um passado inexato.

Lá vai o poeta roubando versos das estrelas
por entre todos os anciãos galácticos,
e ele carrega no seu alforje folhas de ouro
onde burila caracteres de um alfabeto esquecido.

Lá vai o poeta caminhando com a morte
por entre as eternidades dos seus versos,
ele se despe da sua última vida vivida
e transmuta-se para poder viver além.

Lá vai o poeta com sua pena dourada
carregando a bagagem dos sentimentos
e ele caminha por entre todas as portas
até naufragar nas águas do mar sem fim.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Van Gogh - Campo de Trigo

À Luz das Obscuridades




Na noite obscuridades ocultas
se sobrepõem a luz da lua
e no firmamento o ócio das nuvens
vagueando junto aos mistérios.

No peito obscuridades ocultas
que se transmutam a cada dia
que se ofuscam à luz suprema
mas, ainda o sopro é dos mistérios.

No sol as obscuridades do fogo
e os anjos flamejantes magnetizam
todos os astros e planetas regidos
mas, ainda as órbitas são mistérios.

No olhar a obscuridade dos segredos
que eu guardo sob a luz bruxuleante
de um candelabro de sete braços
enquanto escrevo poesias de amor.

Obscuridades de um amor que sinto
e que guardo egoisticamente em mim
por medo de magoar, por medo de afastar
você, por medo de sucumbir aos mistérios.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Resquícios dos Vícios




Resquícios dos vícios
latentes na mente
e uma guerra pessoal
em superar o mal;

que bate a porta e fere
a fogo e pranto o ser
delimitado a viver
nessa esfera sombria.

E o crepúsculo eu beijo
com desejo de noites
a chegar e castigar
com o ardor da solidão;

que é companheira
e é sorrateira ao amor
causando ápices de dor
quando longe de ti.

Resquícios dos vícios
de amar desenfreado
ilimitado no sentir
que deságua em versos;

que as vezes reversos
dizem as tristezas algozes
sem matizes e sem vozes,
somente um sussuro a sós.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: lonely soul by ineedchemical

Liberdade das Imaginações de um Poeta Nu




Voos libertos de sentimentos
análogos aos sopros do vento
que não passa despercebido
e sim espalha folhas e zumbidos.

Caminhadas libertas de parábolas
em destrezas iguais as da água
que contorna seus obstáculos
molhando e matando a sede da terra.

Escaladas libertas das entranhas
impávidas e colossais como montanhas
que se movem durante a fé de alguém
que já não reza, que enfrenta o agora.

Sendas e sendas contadas e cantadas
nas páginas de um livro deteriorado,
nas cordas de um violão sem braço
ou no olhar implacável de um falcão.

Sendas e sendas de liberdade inacabada
nos versos de uma lenda desconhecida
ou no ventre que me exilou do mundo
ou nas asas que vestem meus insípidos poemas.

De amarras desatadas eu versifico o cosmo
e contemplo letra após letra a libertação
dos grilhões das realidades incolores da noite
ou das irrealidades da minha imaginação ilimitada.

E o poeta adormece nu nas crateras geladas da lua...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Sinfonia de Poimandres




Na viagem de acordes à flauta doce,
tão doce como o beijo das ninfas
que circundam meu ritual da natureza
que cantam as minha invocações elementais.

Na viagem tão cósmica e paradigmática
olvidei acordes celestiais e transcendentes
e o meu canto é um chamado mágico
de uma poesia feita aos guardiões do templo.

Cantarei a noite das duas luas sem fases
e na embocadura dos trompetes angelicais
eu gritarei ao sopro dos meus pulmões
e do norte virão os organistas das esferas.

Cante comigo silfos e salamandras
e espalhem a chama sagrada pelos céus
e carreguem os incensos até as estrelas
e carreguem meu espírito nas harmonias.

Na viagem acordes que despertam o ser
que habita no âmago de minh’alma
e no retorno uma sinfonia esdrúxula
regida pelos sonhos secretos de Poimandres.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Transições Inevitáveis

           

Sinta a mudança acontecer
e sinta o seu eu verdadeiro
que floresce e renasce
que necessita viver a mudança.

Sinta a nova vibração pulsar
e sinta o mundo se elevar
nesse movimento interdimensional
nessa energia regente e eterna.

Deixe fluir de si todo seu amor
e deixe a evolução te transmutar
seguindo o fluxo real e universal
seguindo esse novo sentir espiritual.

Deixe de lado todos os baixos sentimentos
que ainda cegam aqueles que não querem ver
deixe que o sol clareie os dias vindouros
deixe sua consciência transparecer.

São dias reais de mudanças reais
e são necessárias as mudanças em nós
para que sejam descerrados os véus
para seguirmos os desígnios dos céus.

São dias reais onde haverá temor
mas, não tema e se mantenha brando
pois tudo que se sucede se baseia em amor
de estirpe tão pura que extinguirá toda a dor.

E do último anoitecer nascerá uma nova aurora
e um firmamento augusto sorrirá aos filhos seus
então será um novo dia e o dito recomeço
se manifestará dentro do entendimento de cada um.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Stephanie Law - Tarot Major - The wheel of fortune

domingo, 20 de janeiro de 2013

E então foi Amor




Era um simples momento
e então foi um amor
que veio morar no peito
mas, morou em um só;

e fez sofrer desnecessário
e fez as lágrimas caírem
e foi uma eterna noite
e foi um dia sem final.

Porque amar é tão doído?
Porque o amor chega assim?
Não sei dizer, mas sei que sinto
a solidão real silenciosa chegar;

e ela vem junto as estrelas
e ela trás um grande vazio
mas, se meu amor é verdadeiro
eu nunca irei de ti desistir.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Jornada pelas Encruzilhadas do Além




Caminhei com os mortos
e fui saber da maldade covarde
me deparei com a fraqueza
de seres que querem riquezas.

Eu caminhei pelo mundo dos mortos
e a cada passo fui o gérmen da vida
que em comunhão foi o resto da lida
de um ser em busca da purificação.

Eu fui guiado pelos filhos do espírito
e o sétimo filho foi o filho do além
e a visita não viu nada mais que aquém
de que a cegueira de uma sabedoria em vão.

Eu fui com vestes de Exú disfarçado
e pelo Pai Cipriano eu fui guiado
nas minha costa Xangô foi guardando
e Omolu foi com fúria varrendo;

toda sujeira que foi espalhada
mas a justiça divina é minha guarda
e pelas mãos dos Arcanjos benditos
todas mazelas quebraram nos mitos.

Eu não desejo vingança aos fracos
que no engano fizeram truncadas
só fui em luz e coragem destinado
pra desfazer essa reza das bravas.

Eu peço a guarda de todos os Sete
e dos Ciganos eu peço a destreza
o Escorpião é minha natureza
e meu veneno é a misericórdia.

Agora calo e selo todo trabalho
e o inimigo eu deixo em frangalhos
pois onde passo eu faço direito
e as maldades retornam ao peito;

daqueles filhos que insistem na treva
mas suas almas padecem da reza
que Cipriano ensinou aos fortes
e para os fracos só sobrou a sorte;

mas essa sorte é a mão do destino
e as injúrias obedecem a lei do retorno
causa e efeito é o santo do transtorno
àqueles escravos da Magia-Ilusão.

Essas palavras que eu deixo gravadas
são de um trabalho feito na madrugada
onde eu desdobro os limites do tempo
e viajo a ordem dos pensamentos.

E minhas preces me livram do escuro
também libertam da dor a amizade
e eu agradeço com alma a resposta
de uma verdade que mostrada foi.

Agora olho meu eu estirado dormindo
e meus escritos não são eu que fiz
foram as vozes alheias transcritas
que eu transmiti para selar o amanhã.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 19 de janeiro de 2013

Era Quase Sete, Mas meu Relógio era Você




Semelhanças de estrelas e amor
que análogas são além de toda dor
mas, o que eu amo são as estrelas
fugidias nas noites de solidão;

que é quando estou sem sua presença
mas, é sem carências minha voz gritante
pelo seu afago distante, e é só um querer
que fere as querências do âmago do ser.

Fútil é viver sem se apaixonar
sem um sofrer natural de toda a vida
sem coragem de lamber a própria ferida
do coração e da alma, simples assim.

Sofrimento é viver sem um amor verdadeiro
nem que seja revelado no derradeiro
momento sem ti e sem eu mesmo sentindo
essa atração cósmica por seu coração;

mas não, não sei viver sem ti contente
pois és além de toda gente, que circunda
e ofusca as auras individuais, mas é assim
mesmo sem seu coração eu sigo assim, amando;

mesmo sem saber quando ou onde que terei
seu beijo e seu afago amante enamorado
sem cão, sem chão, sem perdão pelo silêncio
que eu aderi para não te magoar nem te afastar.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

A Ti Doo Minh’Alma




Fui canalha do calabouço
de agosto ao meu gosto
mas fui fuga intermitente
e a liberdade fez cócegas.

Fui a fuga pelo amor sincero
e a recompensa foi amizade
que hoje é saudade cruel
nessa distância irremediável.

Mesmo sendo como o sol
eu sou um simples poeta
que apaixonado sofre são
e desgasta-se no amor puro;

que mesmo tão puro e real
faz feridas no âmago diário
e o amanhã é uma esperança
de sentir seu gosto em mim.

Tento gravar gostos em poesia
mas seu gosto ainda desconheço
mas sua olência apaixonante gravei
nas células degustantes de eu mesmo.

Não posso citar seu nome, mas sabe
que eu te amo mesmo sem te revelar
pois sei que nossa amizade tem um valor
alem de todo amor que eu posso dar.

Só peço que meu carinho seja aceito
e tenha efeito coerente em seu pensar
pois se eu tiver lugar sobre seu leito
só sei que amarei além do esperar.

E a cada amanhecer eu serei sua alma
e sem provar nada aos expectadores te adorarei...

Jonas Rogerio Sanches

A Luz da Lua




O poeta que apaga essas luzes
e desnuda o seu corpo com amor
dizendo palavras e doçuras
dasfazendo-se de todo temor;

e a alcova agora perfumada
imbuída em palavras de ternura
fazendo tremer o seu corpo
nessa entrega as sensações puras.

O poeta que entrega sua alma
e se acalma entre brumas
beijando sua pele tão macia
entre mil arrepios até o raiar do dia

e a alcova agora é um magismo
de paixões tão frementes
de sorrisos e sussurros tão quentes
que formam a poesia indecente.

O poeta de letras douradas;
vidas versificadas na alta madrugada
tão brilhante e com a prata da lua
refletindo seu seio e sua alma nua;

despida de todo o pecado
nesse frenesi de feitiços
onde em fogo me atiço
onde germina a pureza de nós.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Voos Cardíacos




Eu e meu coração alado
voando pra te acompanhar
resquício do seu cheiro ainda
e a alma tende a te buscar.

E a fome dos meus sentimentos
é o que move minha direção
sincera e plena é minha vontade
e no seu semblante minha emoção;

que arrocha no peito pulsante
e nos olhos miragens de amanhã
regendo o passo que segue certeiro
numa firmeza da linha do pensar.

Eu e meu coração alado
nas nuvens da satisfação
cuidando essa semente fértil
pra gerar flor da nossa relação.

E as luzes que envolvem a aura
são brilhos da cumplicidade
que é certa e enfeita meus dias
com ramas de uma planta rara;

tão mágica que até purifica
e colore as nuances de meu céu
espalhando um brado de carinho
que te envolve quando eu penso em ti.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Canto Para Xangô




Meu lume e guerreiro foi Rei
d’um mito sagrado cantado em Oyo
e dos búzios foi pai do merindilogum
na justiça o machado e o dito dos Orixas.

A Ti rendo graças Xangô e peço sua benção
e peço que esclareça meu passos seguidos
na trilha da lida sofrida dessa alegria
que é quando a  mão do guerreiro vem me amparar.

Kawo Kabiyesi Xangô Obá Kossô!
Na casa da pedreira faz sua proteção
sentado afagando a  juba do seu leão
escrevendo no livro os motivos do seu perdão.

Kawo, o Kawo... Risca nas linhas com pena dourada
os deslizes do mundo nos olhos de Agodô
e  a justiça na terra é do Gino da Cobra Coral
é Xangô reluzindo na senda Umbanda Saravá.

Salve, salve meu Pai Xangô!
Salve, salve com seu oxé Pai Xangô!
Salve, salve meu Pai Xangô!
Salve, salve com seu oxé Pai Xangô!


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Antes dos Sonhos uma Reflexão




Da noite infinda o abraço em partilha
na ilha imensa do ser descoberto
que avança em progresso dos dias
e elimina do peito o trejeito funesto.

Da noite o abraço envolvente dos guias
na lida esguia que vence todos temores
e segue tão vivo a amar essa trilha
que repleta de pedras constrói castelos.

Da noite a viagem astral pelos campos
na visão tão bucólica dessa liberdade
que alimenta os sonhos e esvai-se os prantos
e nas contas das vidas se perde na idade.

Da noite a amizade que eu cuido sincero
e estendo minha mão num afago e carinho
entretido em missões se cumprindo eu espero
que a alegria da vitória seja o branco do linho;

que me veste singelo em roupas sem costuras
desse ritual velho que é novo a cada aurora
e nas invocações eu me apego nas juras
que são minhas promessas de um amanhã de brandura.

Da noite as estrelas chovendo suas luzes
e os Mestres dos raios em cores e matizes
entoam esse canto que é de augusta vibração
lapidando minh’alma e transmutando o coração.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Não Se Sinta Só




Não se sinta só
pois estou aqui
sinta-me no coração
quando eu partir;

pois ficarei aí
mesmo quando longe
e te trarei comigo
em meus sentimentos.

Não se sinta só
pois há anjos contigo
sinta-os no coração
quando eu partir;

pois ficarei aí
junto a eles
para te guardar
para afagar sua alma.

Não se sinta só
pois tenho amor a ti
sinta-o no meu olhar
quando eu te olhar;

e segure minha mão
quando quiser
pois estarei aqui
para secar seu pranto.

Não se sinta só
pois nunca te abandonarei
sinta-me no seu abraço
e deixe-me cuidar-te;

pois me importo
com eu sorriso
com sua alegria
com a sua vida.

Não se sinta só
pois estarei sempre com você...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Céus nos Mares de Flores




Um céu que é um mar suspendido
planando destemido pela vastidão
e os peixes são sonhos reais e alados
nadando nas nuvens trocando a estação.

Um mar que é um céu derretido
banhando as infindas encostas
e os pássaros são barcos a deriva
aportando em longínquas respostas.

Florestas de poses nos galhos frondosos
e os escaravelhos zunindo são as orações
de um povo invisível que canta nas matas
zelando e lapidando no fundo dos corações.

Regando a paisagem a chuva regente e miúda
que é a mãe dessa bruma repleta de imaginação
que enche as mentes abertas de luz em ribalta
e transmite em palavras e versos pura sensação.

Agora é noite e transpassa as estrelas vermelhas
dos olhos de um curupira que grita seu uivo caipira
e amedronta o condado e o bicho caçado é só alegria
e um riso mateiro e matreiro completa a melodia.


Jonas Rogerio Sanches
Imgem: OKEGAIA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Bebedor de Estrelas




Peregrino do espaço
bebendo estrelas do frasco
translúcido a embriagar
bebendo as estrelas do mar
e regurgitando a vida viva
de um olhar apaixonado
de um olhar já marejado
de tanto gostar de amar;

entretido no seu sorriso
admirando seu semblante
mas se não posso te tocar
mas se não posso te amar
já não voltarei ao mundo;
peregrino do espaço oriundo
bebendo estrelas do frasco
bebendo estrelas do mar;

no céu caçando cometas
viajando sem direção
tentando ser seu coração
me deparo com o meu
apaixonado a tremular
mas, não posso em ti tocar
só posso beber as estrelas do frasco
e vomitá-las nas águas do mar.

Peregrino do espaço
bebedor de luz de estrelas
fingidor de firmamentos
eu engano os sentimentos
mas sou somente um beijo
que não pude provar de ti
que não pude memorizar,
queria saber seu gosto...

E quem sabe deixaria de beber estrelas
e quem sabe deixaria de peregrinar
para somente em ti eu navegar
e nas estrelas dos seus olhos padecer
se não me olhar, se não me notar,
se não me querer, se não me amar,
então beberei minh’alma
naufragada nas ondas do mar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Viktor Oliva - O bebedor de Absinto

Tempos Atemporais




Eu sou de um tempo onde o tempo não contava
e fui em Ur a estrela da madrugada; noites geladas
e, fui tremor e fogo da morte na Babilônia
e na Antioquia fui medicinas hoje extirpadas.

Eu sou de um tempo onde o sol ainda não brilhava
e fui hebreu que padeceu nos cativeiros
fui ermitão assírio e o escrivão dos pergaminhos
e dos primórdios dessa eloquência fui o primeiro.

Eu sou de um tempo onde o tempo em si resiste
anterior a tudo aquilo que hoje existe
fui o pretérito das conjugações perdidas
fui gérmen velho degustando novas vidas.

Eu sou de um tempo onde a voz gritava ao vento
todas balbúrdias e execrações da anti-matéria
fui o livreiro e mago algoz lá da Caldéia
que em tardes mortas iluminava o céu de estrelas.

Já fui fulano, fui cicrano e até beltrano
e das encostas fui as ondas violentas
pelas idades já fui trinta e fui sessenta
mas no tempo atemporal escondi a face.


Eu sou de um tempo que ao relento ainda não foi
fui borboleta, águias, harpias e o trovador
agora eu sou a eternidade tão vazia e distorcida
e, sou a pena do poeta; sou os estigmas da  vida.

Eu sou de um tempo onde o próprio tempo esquece
sou feito o éter que transcende e não arrefece
sou dessa luz que cega o vulgo e mata a fera
sou o princípio e o final da nossa terra.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Salvador Dali - The Ship

domingo, 13 de janeiro de 2013

Silêncios do Passado




Silêncio da chuva na alma
e as nuvens caladas derramam
as flores que encantam pétalas
de gotas pequenas e purpurinas.

Silêncio na alma e a chuva
insiste em continuar a chorar
e minhas mãos escrevem
os dias, as horas e os anos.

Silêncio na alcova do espírito
e eu ouço seu grito calado
e as mentes deturpam os sentidos
enquanto olho o seu olhar.

Agora são cantos silentes
e as vozes que entoam as vozes
são ventos urgindo o amanhã
de um coração sôfrego e só.

Entoa seu canto-oração
e embala minha vida vazia
nos rastros de vidas vividas
que guardo em minhas memórias;

de glórias sutis desusadas
que pesam no fado da lida
e amores tão frios usurpados
que inflamam a dor das feridas.

Silêncio da chuva das horas
que passam e voam no tempo
querendo vivências extremas
de amores e mortes infindas;

que voltam e vão com a história
e calam as recordações vivas
que insistem em reviver os passados
que necessitam devorar lágrimas.

É o silêncio da chuva que inspira
e molha a lápide velha que intriga
meus sonhos um dia sonhados
que se foram como seres alados;

e deixaram sequelas profundas
e deixaram escritos antigos
nas escrivaninhas que um dia usei
para registrar minhas encarnações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Time Flies by janussyndicate

Quase de Manhã




Do tudo o nada
e a chuva é mansa,
gotículas transparentes
e insípidas e inodoras.

Do amanhecer um sol
escondido nas nuvens,
maçantes e plúmbeas
e nevoentas e suspensas.

Do jardim o desabrochar
e o orvalho é doce
quando colhido em lençóis
por onde me entrelacei.

Raros pássaros em seresta
e trinares passageiros
o sino convoca a procissão,
a manhã é de domingo.

Um semblante vazio
e o poeta volta ao sono
na cama vazia saudade
no coração sentimentos reais.

E as coisas às vezes escapam
e se perdem nos ventos úmidos
que varrem todos os males
e agora é necessário a travessia.

É pena que esteja tão cansado
mas, na aurora o renascimento
das forças guardadas à noite
e um novo aprendizado foi transmitido.

Agora sou apenas uma emoção
de coração titubeante e voador,
assim eu navego sentimentos
e tenho tesouros sem preço material.

E na flor amanhecida recordo seu perfume...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 12 de janeiro de 2013

Vozes de Aruanda




Escuto ao longe tambores a rufar
e o som vai e volta com o vento
ao redor de minha cama há velas
e elementais dançam freneticamente.

Escuto as vozes das chamas ardentes
elas sussurram e gritam melodias
e a mente esvazia-se de pensamentos
e os elementais sobrevoam o fogo.

Escuto agora os conselhos de Aruanda
e as palavras são instruções da missão
que ei de cumprir como prometido
e os elementais festejam o despertar.

Escuto agora somente o silêncio
e não há mais ecos nem rugidos
e não há mais corpo só o espírito
e os elementais regozijam-se.

E novamente o vento trouxe os tambores
e do ventre do mundo soou um belo canto
e marcharam todos os Exús e trouxeram paz
enquanto os elementais regiam a natureza.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Meu Sorriso Esdrúxulo




Seria o esquecimento, a morte
em vida, pleno ser desmembrado,
de consciência espalhada ao vento?
Somente uma lágrima talvez.

E a tristeza de mãos dadas
com essa alegria passageira
e companheira nas passadas
cansadas de um trovador.

Seriam somente estrelas nesse céu?
Mais do que isso, o infinito
de uma mente inconsciente
vestida de nuvens no arrebol.

Desgastado peito sôfrego
desbastado e desafortunado,
seu mísero poema latente
é o reflexo das pegadas vazias.

Seria somente a tristeza passageira?
Ou eterna companheira?
Já não sei dizer o que seria
somente resquícios de uma poesia.

E na próxima aurora quem sabe um sorriso...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Salvador Dali -The Labyrinth

Chama Calma




Da chama calma da vela
espargiram raios luzentes
e penetraram no meu coração
e olhei aquela cena de fora do corpo
e olhei ao meu redor e notei seres
que emanavam uma energia agradável
que me envolvia e me desprendia do físico
e em minutos passaram horas
e o despertar já era amanhecido
então agradeci a vida e ao novo dia
e tomei as mãos a pena e escrevi.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Volúpias Discretas e Apaixonadas




Na volúpia de olvidar sua voz
de veludo e de olhar seu corpo
desnudo e belo como as cores
opacas de um amanhecer celeste
eu deliro e no ardor te miro
e te desejo mais que o alvorecer.

Na ternura do seu meigo olhar
de lápis-lazúli eu me perco
e em seu toque macio e quente
eu derreto e desfaço o pudor
que não faz parte do agora
e o tempo para pra você passar.

Menina qu’eu quero comigo
para o resto da vida contínua
e até a eternidade em verdade
poder planar nos seus cheiros
que invadem a alma que é calma
quando e somente estou contigo.

Então fique comigo mais uma vida
e eu te entregarei em penhor minha vida
que é tão curta e perene e lasciva
e, pela noite perdida te busca insensata
e te encontra nos sonhos pungentes
que perfuram minh’alma ao te encontrar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: allinone

Subterfúgios




Subterfúgios, e eu fujo
e rasgo o paraquedas
d’um morcego ou gárgula
e nos quartos secretos sussurros;
e amores discretos
que morrem com o tempo
ou vivem outras vidas
buscando reconciliação.

Subterfúgios, e eu morro
de medo de morrer de novo
e eu voo com morcegos
sou gárgula de pedra-pomes;
e nos quartos baratos, baratas
e um copo sujo na escrivaninha
junto ao bilhete de despedida
manchado com o meu sangue.

Subterfúgios, e eu renasço
e resgato o celeiro de paz
crepitante como meu olhar
de gárgula ou de morcego;
e no quarto que escrevo
uma vela queima silenciosa
levando meu rogo moribundo
para as nuvens de todos os pedidos.

Subsequente, meus devaneios
e o desembaraço se embaraça
nas asas do corvo apodrecido
que alimenta os vermes na estrada;
meu quarto é frio agora
o que aquece é meu coração
quando penso em ti e estremeço
quando reconheço que não te mereço.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Vertiginoso




Vertigens da noite sonhada entre sóis
de luas desgastadas no meio da estrada
e uma luz prateada e olhar de soslaio
clareada por raio que surge doirado;

e a mente que urgente grita despercebida
e retumba ecoando no campo o som do trovão
que estremece e esvai-se no azul firmamento
com som de trombetas levados ao vento.

Vertigens do espírito que busca o infinito
de um todo entalhado no cosmos guardando
sementes de vida e de luz insurgente
que germina na gente que segue trilhando;

o caminho sozinho da alma liberta e guiada
que evolui e transpõe todos os obstáculos
e desprende da terra em fera desagrilhoada
e se guarda às madrugadas em febril tabernáculo.

Vertigem que invade meu dia e transborda
na orla do mundo entre ondas e maresias
letras arredondadas a formar poesias
de versos complacentes semeando alegrias.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Burton Holmes

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Oferenda ao Sete Tumbas




Oh Grande Mestre das Sete Catacumbas
seja o conselheiro e meu fiel protetor
tu que transita entre as zonas umbralinas
aceite essa oferenda que vem do coração.

Seu Sete Tumbas que guarda a sabedoria
do antigo Egito e que a cabala ensina
a ti eu planto amor e semente de jurema
a ti eu rendo as graças ó grande do Catimbó.

Seu Sete Tumbas ou Rei Exú das Catacumbas
eu te agradeço em pleno grito e poesia
pois sei que Tu não faz promessas insensatas
e sempre liberta os filhos seus da agonia.

Salve salve ao Seu Sete Tumbas Exú da Calunga Pequena!
Salve salve ao Seu Sete Tumbas que guia as almas nas travessias!


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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