terça-feira, 12 de novembro de 2013

Paradoxo das Observações

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O meu vendaval já virou furacão
onde redemoinha o meu coração,
estilhaços pedintes dessa insensatez
nascidos na vertigem dessa embriagues.

O meu chuvisqueiro virou tempestade
que deságua ilícita pela minha idade,
enxurrada profunda dessa lucidez
carregando pra longe a insanidade.

O meu devaneio virou alucinação
que borbulha em cores na minha visão,
dicionário faminto de novas palavras
engolindo dos versos todas minhas lavras.

O meu gigantismo virou pequenez
que inocente insiste em minha estupidez,
poesias docentes, nocivas e resilientes
entalhadas em rimas já tão decadentes.

O meu sofrimento virou redenção
que revela o incesto da  imaginação,
reverbera os gritos dos meus vocábulos
que são filhos dos filhos dessa construção.

O que eu observo virou inspiração
que descreve ingênua minha condição,
de forma metafórica e paradoxal
descerrando as cortinas do bem e do mal.


Jonas R. Sanches
Imagem: Salvador Dali

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