quinta-feira, 23 de maio de 2013

Trincheiras Queridas

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São como os ases de uma foda ilícita
entre os espinhos de uma terra esquálida
entrecortada por foices implícitas
na derrocada de uma paz fantástica.

São como espadas em limo enferrujadas
na carne flácida de uma guerra pobre
que enterra homens sujos sob homens
que não oravam pelo algoz de Ares.

E nas trincheiras sangue e murmúrios
suor na face dessa tez queimada
que pelas vidas nuas são cortadas
pelas navalhas de uma solidão.

São como estrelas mortas e explosivas
brunindo espaço na foz do esquecido
canto vibrante em vozes escondidas
pelas mortalhas vivazes do ente sombrio.

São como as trovas de um tempo vadio
cantadas tristes em lume e lascívia
de um violeiro de esqueleto magro
que escapa à lua em noites fugidias.

E nas trincheiras amores pitorescos
já tão decapitados pela mão carrasca
que engoliu vidas em gargalos esmos
e o que restou foi minha carapaça.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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