terça-feira, 23 de abril de 2013

Da Palavra à Foz da Poesia

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É a palavra dita muda
na poesia envolvente,
onisciente e perspicaz
elevando o momento
até o final do tempo
e ultrapassando o nunca mais.

É a palavra descrita
na poesia desdita,
silenciosa e relativa
transcendendo a vida
ao mortífero algoz
aonde há o tempo do depois.

É a palavra nua sussurrada
na poesia malograda,
entremeio ao tudo e o nada
por onde existe o equilíbrio
por onde morre o distúrbio
por onde o tempo é taciturno.

É a palavra gritada livre
na poesia que revive,
os sentimentos e as emoções
que sobrevive aos corações
tão nulos em risos do absurdo
por onde o tempo corrói o mundo.

É a palavra da ascensão
na poesia que inexiste,
além do alegre e do triste
por entre os véus do submundo
aonde dorme um moribundo
e sonha o tempo ao relento.

É a palavra que ainda lembro
na poesia desconvexa,
desconcebida e desconexa
de onde a letra do introspecto
reflete a luz interior
enquanto o tempo faz amor.

É a palavra que encerra
em poesia a luz da guerra,
do amor ao ódio e a paz da terra
que carcomida e precária
concebe as mãos incendiárias
e a alma do tempo a crepitar.

E a palavra agora fala
e a poesia então se cala,
se contorce e resvala
na face rubra da hecatombe
por onde a morte se esconde
esperando a vida atemporal.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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