quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Lembranças de Uma Alma Poeta

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Já vi homens e reinos sucumbirem
ao tempo e ao sangue dos deuses
já vi a alma de meu corpo arrebatada
à várias mortes e ao renascimento.

Já vi a fome corroendo dignidades
e assolando os donos das cidades
e vi exércitos comerem a carne alheia
para saciarem o apetite de seus covardes.

Já vi a vida tenra ceifada pela espada
e a palavra deixada escondida sobrevivente
passada a pena e banhada em lágrimas
gritada de boca em boca por eternidades.

Somente o espírito sobreviveu e releu
todas as vitórias e derrotas de parcos embates
e foi fadado pelos seus karmas adquiridos
a retornar e guerrear pelos dias sem fim;

e no front de batalhas sanguinárias
generais inspiravam e matavam poetas
mas, restaram as cantigas dentro dos sonhos
recitadas pelos anjos que acariciavam meu olhar.

Já vi todas as estrofes das histórias da humanidade
e aceitei o fardo de com letras dar continuidade
aos registros e mitos semeados pelas eras
e resgatar do invisível os versos incendiados na guerra.

E enquanto eu puder morrer e renascer
farei meu leito entre as estrelas e os sóis
e aquecerei os corações já congelados
com as serestas que eu canto aos arrebóis.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: William Blake - Pieta

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