sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Estradas Molhadas




Sinto o frescor e a olência da chuva
precipitando e lavando meu rosto
num fim de novembro em dia ruidoso
e algumas lembranças em flores molhadas.

E sol que reflete no céu arco-íris
em gotas plausíveis e cores astrais
num rastro de estrelas das asas de Ísis
velando os mistérios dos seus ancestrais.

E logo o crepúsculo úmido e complacente
em nuances prismáticas contorcem a mente
e os sonhos sentidos, vividos e morridos
em fogo de cometas e catacumbas distantes.

E agora à noite e um manto negro encharcado
e as estrelas apagaram-se entre as nuvens
e o som é somente de um trovão que ruge
e a sensação é de mergulhar em si mesmo.

E adormeço lentamente contando gotas de cristal...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Observações Celestes e Cósmicas




Sonhos famigerados e sombrios
que entorpecem ao olhar o céu
tão infindo e imenso e inexplicável
engolindo os olhos do observador.

Tento conter-me nessas ilusões
mas a ânsia é mais e é além do querer
nessa roda cósmica sem explicação
onde não há final, só há imensidão.

E as estrelas são os reflexos dessa lida
que o poeta imerge com toda sua alma
tentando encontrar os porquês da vida
tentando compreender a senda percorrida.

E os pensamentos perdem-se e escoam
toda essa beleza apolínea nos vórtices do amanhã
e seus inexatos devaneios entre gritos ecoam
essa suprema vontade de se dissolver;

e se desintegrar entre átomos e fótons
que dançam essa contínua dança celestial
e vomitam supernovas e nebulosas intermináveis
repletas de cores singulares e mundos sem igual.

E é somente nas semelhanças
do macro e do micro (cosmo)
que estão ocultas todas as fórmulas
que desvelam todos os significados.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Hubble - Radiação no interior da Constelação de Carina

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Minha Poesia e um Peito que Sangra




Não tente olhar meus olhos lacrimosos
pois minhas mortes são eternidades
e não tente compreender meus sonhos
pois o meu amor é grande e rompe eras.

Não tente olhar as minhas letras
pois foram buriladas com fogos-fátuos
e minha pena é da terra do pássaro do sol
que derrama paixões no meu coração partido.

Não tente compreender meus quereres
pois eles podem se tornar suas quimeras
então apenas contemple os significados
desse sentimento que tenho na minh’alma.

Não tente me agradar ou agradecer
eu não quero nada além do seu afago
e sei que isso vai além do que vou ter
então guardarei minhas lástimas aos anjos.

Não tente festejar os meus dias
pois eles são frios e podem machucar
e neles moram poesias tristes
que jorram desse meu peito sangrento.

Se ainda eu pudesse sobreviver
para morar no seu templo coração
eu seria feliz e não mais prantearia
mas, sei que mesmo perto você está distante.

E somente no dia da minha partida
tudo fará mais uma vez sentido
pois, então serão revelados todos meus poemas
e neles você lerá o que eu sinto por você.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Minhas Consternações




Vou viajar durante os sonhos
queria ir e não mais voltar,
venham buscar-me santos guias
para esse mundo eu abandonar.

Vou viajar para as estrelas
e se eu puder fico por lá,
meu peito rasga em tristeza
e os devaneios fazem-me vagar.

Vou internar-me em introspecto
e com meus eus me resolver,
se os meus fados são solidões
então a eternidade não quero ver.

Calar-me-ei durante os dias
em reticências e desalentos
pois, meu coração morre em feridas
e minhas alegrias vão-se com o vento.

Sina obtusa de uma languidez
que não tem fim e tanto machuca
nessa vida onde felicidade não tem vez
nessa angústia que é resoluta.

Quem sabe viverei um novo amanhecer
ou quem sabe minhas dores esmoreçam,
somente penso que meu amor por você
cause felicidades e jamais se desfaleça.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Muse by Puimun

Pingo de Chuva




E pinga o pingo da chuva,
goteja e pinga a tarde toda
na minha florida soleira
e refresca a vida inteira
essa casa de madeira
essa vida sorrateira
qu’eu vivo muito vivo
só carrego o que preciso
uma caneta e um sorriso.

E pinga o pingo da chuva
goteja e pinga a tarde inteira
no seu ritmo molhado
vai cantando um encharcado
e lavando um passarinho
que feliz rodeia o ninho
e trina em prior maestria
esse agradável dia
ditando a cor da poesia.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 24 de novembro de 2012

Vamos Acordar?




Vamos acordar para olhar o sofrimento
desse mundo inóspito rico de lamentos?
Vamos denegrir nessa concupiscência
vendo essa lascívia sem incontinência?

Vamos acordar para ficar calados
vendo o sofrimento em folhas de jornais
que faz seu sucesso com a desgraça alheia
ganhando dinheiro até não poder mais?

Acorde pra vida e deixe de ganância
seja um pouco mais, retorne a sua infância
desperte o mago em si e volte a ser criança
estenda a mão ao mundo em ato de esperança.

Seja mais você e deixe de temores
não fique calado diante os horrores
que assolam o mundo em guerras e fome
por míseros caprichos de alguns poucos homens.

Acorde para a vida e ame um pouco mais
não vire o seu rosto àqueles que precisam
para poder deitar de noite se sentindo em paz
para poder olhar no espelho sem se envergonhar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: stop time by vimark

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A Última Visão Profética




Olhando pelas janelas do tempo
vi a luz que jorrava no mundo
e adentrava os corações fecundos
modificando as almas, os homens e o sol.

E foi aquele o último arrebol
e, foi a partida dessa dimensão
foi um ápice da evolução
foram espíritos em ascensão.

E das frestas festas siderais
dançaram estrelas em baile celeste
em comemorações ao novo despertar
em função de um esclarecer o amar.

Olhando pelas janelas do tempo
vi toda a maldade se dissolver
vi uma nova terra nascer
e foi repleta de galardões de paz.

E foi a última visão que profetizei
agora outros degraus eu galgarei
em direção aos auspícios dos céus
em alusão de homem-menestrel.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Ninfa dos Jardins das Quimeras




Flor-mulher de rosas cálidas
encanta os jardins eternos
e me dirija seu olhar pálido
com suas cores noturnas

e, em suas folhas espinhos
que sangram os que te tocam
e derramam a bebida carmim
por entre os lençóis e os véus;

que ocultam seus desejos
que profanam suas pétalas
e que incendeiam os amores
que você furtou dos céus.

Flor-mulher tão cristalina
que enfeitiça e atiça sonhos
como brasas de forjas antigas
como os vestígios de um cometa,

venha beber meu coração
e, venha plantar sementes de paz
para que eu adormeça em seu leito
de estrelas e galáxias e supra-mundos

e, na cadência da canção celeste
venha ninar todos os despertos
venha parir em asas de colibris
em sua cama de quimeras e olores.

Tu que é a ninfa abominada
que rega com lágrimas e dor
esses jardins de quimeras
e, apascenta meu querer;

não se abandone nas catacumbas
pois, seu veneno é doce
e embriaga os vórtices da paixão
e, sua mágica é inóspita e cruel;

então cante todos os feitiços
e blasfeme contra os homens
e, petrifique os olhares cegos
que te desejam sem pudor.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Nu Sentado de Giovanni Boldini

Coração Renascido das Chispas do Amanhã




É a fênix que vem das cinzas
da minha solidão e queima
todo esse combustível nato
em um rol de estrelas e sóis.

É a solidão da fênix e do poeta
e as margaridas estão murchas
e o girassol é como o fogo
crepitando e ressurgindo na alma.

É o poeta bebendo sangue e chamas
nessa pitoresca festa na floresta
de sonhos e mortes e feitiços antigos
e, no ressurgir da aurora é a vida novamente;

e é mais um dia e os fogareiros se apagam
mas as danças frenéticas sibilam entre vultos
e as pitonisas rodopiam por sobre o camafeu
cinzento como aquele último firmamento.

É um frenesi entre elementais fulgurantes
que compartilham fogo e terra e água
e do ar dos pulmões meu sopro fortalece
e revive todos os silfos que haviam partido;

mas, eu tenho o caduceu e as palavras,
então foram dançarinas de chispas e éter
e, eu renasci do coração do pássaro renascido
e, aguardei o mar beber os últimos raios do sol.

E o lume noturno veio dos madrigais doirados
e eu sequestrei a fênix e voei pelas frestas do tempo
e iluminei os recônditos da noite gelada e eterna
para olvidar os cânticos e seguir o rastro do amanhã.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: phoenix tattoo commission by yuumei

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sentimentos Prolixos




Sentimentos prolixos viravolteiam no peito
e nada é perfeito nessa demora fatigante
e, já não sei mais qual é a cor dos sonhos
somente fico a sentir essa dúvida avassaladora.

Sentimentos inconstantes que apregoam
e ecoam nas retumbâncias da mente sã
e, minha companhia são flores e solidão
e uma dor contínua que dilacera o ser.

Sentimentos que não posso conter
e, que não quero conter; só quero sentir
você! Mas, são intempéries e nada é casual
e o prosseguir pode ser além de nefasto.

Queria poder tocar-te mais uma vez
mas, somos tão distantes que pranteio
esse meu vazio tão comum aos dias
e, as noites são de uma tortura incomum.

Queria poder voar e te apertar entre os braços
mas, olho teus olhos e há uma lacuna entre nós
e te vejo tão perto e tão longe, que quase morro
mas, estarei sempre buscando essa união.

E na estrela cadente eu vou esculpir meus desejos...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Relendo os Símbolos Antigos




Vejo nos símbolos mágicos
muitas histórias escondidas
e uma falange de escritas
sobre a morte e sobre a vida.

Então mergulho em introspecto
entre vocábulos antigos e estelares
que se perderam por entre os dias
e ocultaram todas as vias.

Paro e reflito o brasão da estrela
e no pergaminho fujo do mundo
vislumbro caracteres insanos ao vulgo
e me deparo com homens-universo.

Desvelo e velo a mágica nos versos
de uma vertente anterior aos anos
de uma escola de grandes mestres
que em letras rústicas fizeram planos.

E entre selos sagrados e pantáculos
eu cirzo linhas dos meus caminhos
em analogias vastas e hereditárias
bebidas em cálices de puro vinho.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Vozes Doridas



Para eu falar de solidão
verbalizar meu coração
nessa minha ânsia de sentir
tanta saudade do que não vi;

terei que usar de mil palavras
que em verdade não dizem nada
somente um choro em mim contido
e um querer já contorcido.

Para eu falar dessa minha dor
terei que resignar o amor
que transpõe eras e morre em guerras
que bombardeia meus pensamentos;

deixando em chamas todos vernáculos
que eu propus em poesias
e abandonei num tabernáculo
por vários anos ou por um dia.

Então o certo será calar
deixar fluir toda sensação
deixar padecer devaneios sãos
para galgar minha insanidade;

pois sei que ela é minha verdade
diluída em óleos aromatizantes
causando olências inebriantes
espalhando aos ares minha insensatez.

E ficarei aqui sentado observando
todos os espelhos voarem nas nuvens
até que o seu reflexo surja flamejante
e se funda ao meu no sol rei fulgurante.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Minhas Querências




Quero gritar o meu amor ao mundo
também a dor que aflige o submundo
gritar a fome que avassala o homem
e a bala de prata que mata o lobisomem.

Quero beber no cálice do infinito
também morrer todos os dias frios
gritar a sede que resseca a terra
e penalizar com a morte os crimes de guerra.

Quero calar, mas sei que não consigo
também impor a paz aos inimigos
gritar a cura desse mundo infame
e ceifar as vozes desse inútil ditame.

Quero voar por entre os aviões
também planar por entre mil balões
gritar dos ares muitas boas novas
e fazer chover um temporal de rosas.

Quero cavar todas as profundezas
também bater nas portas do inferno
gritar ao fogo a minha voz de inverno
e na foz do limbo desagrilhoar as almas.

Quero escrever tudo em poesia
também riscar o céu de analogias
gritar aos ventos todos os lamentos
e libertar a humanidade de todos tormentos.

E nas aflições apocalípticas eu calarei.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Entardecer em Querência - MT por Homero Sergio

Silogismos Reumáticos




Em letras tão poéticas espalhadas
nas linhas lidas no Bhagavad-Gita
e os axiomas tão crus de paradoxos
ceifando os vírus meningocócicos.

Em versos belos gravados nos vimes
de varas longínquas em guerras sujas
entre as carroças de cem equinos
em naves sádicas osteoporóticas.

Em céus sanguíneos nuvens da morte
entre as estrelas serpenteantes
um uivo atônito dos meus complexos
vejo distúrbios nos meus reflexos.

Em cada estrofe insanidades
de um perplexo olhar senil
resignando as barbaridades
que fluem soltas pelo funil.

É minha fleuma de silogismos
extinta de todos os eufemismos
que surge em retóricas tão repulsivas
que surge em venenos de artemísias.

E a incompreensão é uma lacuna
que engole os sensos reumáticos
que afligem todas minhas articulações
e me causam um desanimo pungente.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 18 de novembro de 2012

Desejos Apaixonados




O meu querer é de tocar-te
e com um beijo embriagar-te
de todas as seivas das paixões
e unificar nossos corações.

O meu querer é de beijar-te
e em seu gosto deliciar-me
e misturar as nossas olências
pelos lençóis sem indulgências;

e num roçar dos corpos úmidos
fazer tremer, fazer amor
se desfazer num só clamor
de uma libido estonteante.

O meu querer são seus afagos
entre abraços desatinados
queimando em fogo apaixonado
em um amar desenfreado;

que faz corar todas as peles
em um sentir de corpo a corpo
entre olhares tão absortos
de um no outro nesse conforto.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Fluxos da Saudade




São cânticos de amor
que ecoam em solidão
e é dorida a sensação
desse vazio platônico;

que até me deixa atônito
e rasga o peito em poesia
pela luz da noite em ditoso dia
e, então me recolho e  me calo.

São carências de sua ternura
qu’em minh’alma perdura
e é intrincado o meu sentir,
chegando a ser lapónio;

em festa no pandemônio
que desce a alma aflita
em busca de um salutar
em busca de se curar.

São complexos dos reflexos
dos espelhos assim distantes
daquele amor de antes
que afagava-me aos montes;

mas chega a ser melancólico
e deixa meu ser abúlico
no meu jardim hemicíclico
que adentra em ares eólicos.

E a cada dia eu tento me conter
mas, é um flagelo que agride o ser,
esse estar distante de você
esse sentir que é um esmorecer.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 17 de novembro de 2012

Homem-Decadência




Tanta decadência
guerra e demência
e sanidade insana
dos que bebem fogo.

Malogrados déspotas
e não há afagos
é só a truculência
de bombas atrozes.

E já não há penitencia
só vejo clemência
já extinta e posposta
e clamores de indulgência.

Tanta eversão corrompe
as mentes malsãs
e é esse combate
que sustenta o asco.

Explosões de dissenção
e o sangue borbulha
no asfalto e nas vitrines
enquanto morrem todos.

E nos mercados de moscas
ossos derretidos e fumegantes
alimentam o raquitismo
e bebericam olhares moribundos;

e é o cataclísmico vivo
e é o principio do princípio
e é o final do final
onde homens-traças corroem sua própria espécie.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Dias de Escuridão




E naquela manhã onde o sol se foi
eu me prostrei  a luz da vela eterna
e tranquei minha alcova para a treva
e calei minha voz e orei e vigiei e pranteei.

E do leste cavaleiros trouxeram a morte
e houve gemidos e ranger de dentes
e o céu em sangue escureceu as visões
e calei minha voz e orei e vigiei e pranteei.

E do oeste a peste varreu todos os males
e houve gritos angustiantes e tenebrosos
e a escuridão prevaleceu por toda a galáxia
e calei minha voz e orei e vigiei e pranteei.

E do sul veio um vento e um silêncio nunca ouvido
e não houve misericórdia e o medo consumiu
e os filhos clamaram pelos pais que choravam
e calei minha voz e orei e vigiei e pranteei.

E do norte miríades de estrelas rasgaram firmamentos
e o fogo consumiu todas as imundícies e cessou
e faltou água e os mortos se alimentaram dos mortos
e calei minha voz e orei e vigiei e pranteei.

E o que foi dito se fez em verdade acontecimento
e foram os dias de renovação e resignação
e em toda a esfera terrena não se ouviu lamentações
e eu agradeci e continuei e orei e vigiei e sequei meu pranto.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Serpenteando e Observando os Colares do Roseiral




Serpenteantes os devaneios matinais
umedecidos nesse orvalho santificado
que lava as folhas dos meus roseirais
que eu recolho em lençóis para meu processo;

é já não existe em mim o regresso
pois, eu sou somente um pleno caminhar
que em passos libertos de ufanias
busca o reencontro com o sublime.

Serpenteantes as ficções devaneias
agora desorvalhadas em momento periélio
que seca as folhas e as carapaças pungentes
tão antigas e cáusticas que fossilizaram-se.

E eu continuo nessas observâncias aguçadas
procurando nos recônditos das psicodelias
uma cor ainda desconhecida que pinte
e refresque os tumores benignos dessa escrita;

tão bendita, tão desdita, tão maldita
e, antes que nela você reflita os dissabores
tente achar em si o primórdio dos amores
que é a chave-mestra de todas as convicções.


Jonas Rogerio Sanches

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Não tente beber meus sonhos




Uma nova inspiração
e um novo trago no cigarro
e um café e um minuto a menos
mas, não queira me censurar
não tente me agradar, por favor
pois, não sei retribuir, só sei poesia.

Uma nova manhã nublada
e aquela velha solidão, constante
junto à janela olhando o nada
mas, não queira me reprimir
não tente olhar os meus olhos
pois, eles estão vagando, distantes.

Um novo sentimento
e mais um cigarro que queimou
e no céu um rasgo de azul
mas, não tente me compreender
não tente morrer as minhas vidas
pois, minha eternidade é esmeralda;

e reluz os verdes das matas do norte
e, ela carrega há muito minhas ficções
para muito além das coerências do mundo
e, bebo cálices de uma insanidade saborosa
embriagando-me de alucinações necessárias
e, eu amo vagar pelos vazios da minha mente.

Uma nova sanidade, totalmente insensata
que recorta os quadros dos devaneios
mas, não tente me censurar, não tente;
deixe eu voar minha liberdade espacial
deixe eu morrer em minha tumba sideral
e, não tente beber meus sonhos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Libertando as Correntes




É um vazio estrambótico
no meu mundo poético
e, fico a olhar pela janela
para quem sabe me dissolver.

É um pensar de languidez
no meu mundo esporádico
e, fico a olhar os jardins
para quem sabe virar raiz.

É um pensar tão penoso
no meu mundo airoso
e, fico a olhar os pássaros
para quem sabe poder voar;

mas, não tenho asas
e meus devaneios pesam
e me agrilhoam no chão
mas, minh’alma plaina.

É um pensar alvorotado
no meu mundo imaginoso
e, fico a olhar as lacunas
para quem sabe virar bruma;

e, anuviar os desprazeres
e, neblinar as consternações
assim, me libertar dos grilhões
e espargir-me como fumaça em poesias.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Olhos Cor de Chuva




Bramidos e sussurros dos trovões
e, o aguaceiro vem poderoso;
a terra sorri e as plantas saúdam
essa abençoada tarde de novembro.

E você chegou e alegrou meu coração
trazendo boas novas, trazendo amor
e, em seus olhos eu vejo perfeição;
pois seu azul reluz em esplendor.

Olhos de anis e de esperança farta
onde aconchego meus devaneios
e, nos arredores eu sinto seu cheiro
que recordam as olências do mar.

Venha escutar a chuva em seu chilrear
e, reflita nas pupilas todos os sentires
que causa essa harmonia de almas iguais;
se achegue mais perto e não parta jamais.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Bodas Galácticas




E o dia será de eclipse
e a lua terá quatro fases
e os portais se amplificarão
e as almas desdobrarão o tempo.

E voarão ao vento final
e o olhar já intumescido
não verá o disco solar
que mostrará as trevas.

Mas, ainda é tempo
e, ainda há vida nos campos
e, ainda beberemos água
mas em sede próxima nossa boca secará.

E o dia será de eclipse
e nossas mentes transcenderão
e os guardiões falarão
e toda horda estremecerá.

E eu voarei com o último vento
e, com a última nuvem rósea
e, eu saciarei meus desvarios
enquanto o céu não ficar plúmbeo.

Então eu verei a primeira escuridão
e silenciarei a minh’alma e o coração
mas, quando vier a escuridão segunda
eu me guardarei a luz daquela vela santa.

E serão dias de conturbações
e o sol já não será eclipsado
pois, os astros se ocultarão
e somente ao terceiro dia renascerão.

E o que será visto não será dito
e o que for dito não será ouvido
e o que for ouvido será segredado
e as novas bodas galácticas se iniciarão.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Relíquias da Alma




Hoje publiquei meu 4º livro, "Relíquias da Alma" pelo Clube de Autores, adquira seu exemplar pelo link:

https://clubedeautores.com.br/book/137197--Reliquias_da_Alma

"Prefácio"

Fiquei muito agradavelmente surpreso ao receber o gentil convite do Poeta Jonas Rogério Sanches para prefaciar este seu livro, Relíquias da Alma. Perscrutar a alma de um livro, a alma de um poema ou a alma de um poeta é tarefa laboriosa, complexa e delicada; contextualizar as relíquias dessa alma de forma sumarizada, é um ofício ainda mais minucioso, quiçá impossível.
Sob o prisma biológico, as pessoas são realmente fascinantes: células interagindo em perfeita harmonia a favor de uma existência cognitiva em constante evolução, onde sinapses e reações metabólicas promovem o pensar, influenciam o agir imaginativo e determinam o fazer racional. Quando essas pessoas nascem com dons e talentos artísticos aflorados, nelas se revela um outro prisma de admiração: o prisma artístico-criativo. Por esse segundo prisma, as pessoas se mostram ainda mais fascinantes. O poeta é assim; Jonas Rogério Sanches é assim. Quando os sentimentos e as emoções deflagram em Jonas o processo de transpiração artística, o que vemos como resultado é tão rico e belo que muitas vezes chegamos a pensar que o artista nem pertence a esse nosso mundo material, que às vezes ele estranha o seu próprio invólucro físico: é o enlevo causado pela poesia.
A poesia de Jonas que acontece aqui neste livro é bela, reluzente, fascinante. Em seus poemas, o fator da musicalidade está sempre presente pela menção de arranjos e acordes que nos proporcionam uma harmonia agradável, suave e equilibrada quando os lemos. Além da musicalidade, Jonas traz frequentemente à poesia imagens telúricas que grassam entre o real e o irreal, se comportando como alucinações psicodélicas de uma lucidez pujante. É também flagrante que sua lira produz metáforas em abundância. Não raro, o poeta povoa ricamente suas composições com figuras míticas que parecem se divertir entre os versos, num cenário lírico pleno de luzes e cores.
Os poemas de Jonas dispensam rótulos. Se são poemas ou metapoemas parnasianos, arcadistas, românticos ou modernos, para o leitor parecerão quase sempre versos conceituais, escritos com o cerne de sua alma inquieta, generosa e em constante erupção criativa. Trata-se de uma alma poética distinta que se forja na inconcretude dos seus pensamentos, que se lapida em sua avidez por desvelar sentimentos e açoitar os seus medos, companheiros de jornada de um poeta que renasce diariamente na plenitude daquilo que ele confessa como solidão efervescente.
Nesta coletânea de poemas, o Poeta Jonas Rogério Sanches se desnuda artisticamente e revela um eu-poético que grita pelo sol e pela lua, que conta estrelas e que se encanta com a amplitude do firmamento em sua busca de voar para dentro de si mesmo; assim, ele adormece enfeitiçado e acorda sob os aplausos dos raios refulgentes que emanam dos seus estros. Elementos siderais são referências recorrentes na poesia de Jonas, de onde jorram lavas de inspiração incandescente se transformam em pérolas, carinhosamente guardadas em seu alforje cósmico de valores e conceitos.
Ademais, Jonas tem uma incrível capacidade de se abstrair do cotidiano e perpetrar os meandros do seu próprio universo. Lá, ele vê cores invisíveis, ouve a retumbância do silêncio e toca a inconsistência do belo. Em seus versos criativos aqui apresentados, vemos que até mesmo as letras confabulam, constroem e desconstroem emoções, lapidando incansavelmente o êxtase e o enleio da poesia até obter a cristalinidade por ele almejada. São poemas que evocam a filosofia, o auto-conhecimento, a subjetividade do pleno, objetividade do vazio, o misticismo, a sabedoria, a fantasia e as tramas secretas que pontilham a cizânia entre os paradigmas do seu sentir em poésis.
Ler esta obra de Jonas Rogério Sanches foi para mim, acima de tudo, um imenso prazer: foi uma viagem aos mais férteis vales da sexta arte, um mergulho profundo em águas revoltas e translúcidas de pureza poética onde encontrei verdadeiras relíquias da alma de poeta extraordinário.


Jorge Montenegro
Brasília, 05 de Novembro de 2012.

domingo, 11 de novembro de 2012

Vou embora junto à nuvem para nunca mais voltar...




Passeando os olhos no passeio das nuvens
me desprendo de tudo e vou junto a elas;
vou até aonde o vento soprar minhas velas
e não pretendo aportar em porto desse mundo.

Hoje sou daqui e hoje sou de lá, bem mais pra lá,
sou das nuvens de algodão ou de lãs de carneiros;
aqueles dos sacrifícios fumegantes da montanha
ou das nuvens de fumaça espargidas nos incensários.

Passeando os olhos no passeio dos pensamentos
vou como nuvem solitária em infinito firmamento
ou, me carrego de gotas ávidas do meu pranto
que escorre todas as cataratas em rios aflitos.

Hoje sou meu presente refletido nos espelhos
entre desvelos e concatenações sobre eu mesmo
e, quem sabe sou todas as dúvidas antigas
que amanhecem se desfazendo com o orvalho.

Voarei para não mais pousar, até desfalecer
o Ícaro que transpôs os meus sonhos precípuos
e, roubarei planetas para meus inusitados colares
enquanto os deuses antigos estão adormecidos.

E o despertar engolirá todas as eras em que vivi
e, a alma se completará em todos os prelúdios
e, não haverá dores nem mais condolências
somente partículas anímicas se fundindo ao Todo.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Esa - Nuvem de Magalhães

Déspota da Solidão




Vou numa poética esquecida
e, com versos franzinos eu entalho
portas de marfins e ébanos centenários
e, vou de buril em punho; triste e solitário.

E a verve das letras é pura analogia
d’uma facúndia toda garbosa e senil
e, marejo os olhos das donzelas; espalhando
como um déspota da solidão meus versos.

Então; são chibatadas de aventuras
em ripas largas que envolvem vocábulos
e gritos abafados dessa dor transparente
e sou apenas gente, poeta insano e fremente.

Que vai nessa mesma senda de grilhões
sem arranhões mas, carrego marcas fundas e
esparsas, nessa imensidão de lembranças
desde a infância ou até de alguma outra vida;

e as feridas são do passado que é remoto
e, que foi mais que até um terremoto morto
que sacudiu meu coração de espasmos
deixando eu pálido, deixando eu pasmo.

Então encerrei nas vértebras todos os dialetos
e, segui em reflexão... Segui mais quieto...
E foi nesse silêncio dos dias tão noturnos
qu’eu encontrei fartura e descansei minhas botas.

E na fotografia já velha me vi ainda criança e adormeci...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Lentilcia

sábado, 10 de novembro de 2012

Passageiro em Tardes de Bucolismo




Tardes passageiras e bucólicas
onde busco-me em retóricas
e o céu acompanha plúmbeo
ameaçando um chuviscar e brisas.

E minhas vozes dizem plantas
e, elas dizem poesias em nuances
e, em olências raras sorrisos doces
então é um momento que é eterno.

Do alto; anjos e águias assistem
e nem as nuvens resistem
e pintam um arco-íris no horizonte
e as folhas farfalham agradecendo.

E o equilíbrio é tremendo e revigorante
e, foi em um único infinito instante
e não foi depois e nem foi antes
das sete badaladas do sino do arrebol.

Tardes passageiras que levam sendas
e levam minhas tristezas para não voltarem
pois, eu só preciso de um sorriso, e mais
que isso é absurdo e não cabe na bagagem;

sou minha cara limpa e minha coragem
e meus sentimentos são somente poesias.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Apenas Resquícios




È o resquício de mim
desfalecido em pó da terra
desfazendo aquela guerra
interna que refletida
nos espelhos da minha vida
qu’em cânticos se encerra.

È o resquício da flor
desfalecida no pó do amor
regenerada de toda dor
que consome a luz d’alma
que se entrega com toda calma
aos caminhos e ao transpor.

È o resquício do sol
resignado pelo arrebol
num mergulho crepuscular
sem a certeza que vai voltar
ao novo dia pela manhã
sem a convicção de um amanhã.

È o resquício da poesia
se entranhando a luz do dia
ou se fazendo as madrugadas
nessa penumbra de dor calada
e a sensação é a solidão
que fragmenta meu coração.

È o resquício do mundo
que eu conheci em outras vidas
agora vejo crianças famintas
e um porvir de escuridão
onde a morte é semeada
onde minh’alma chora calada.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Observatório Chandra - resquícios da morte de uma estrela na Grande Nuvem de Magalhães

Suor e Sátiras




Dias oníricos
ou panturrílicos
colhendo espíritos
ou apenas sendo um.

Dias fatídicos
ou raquíticos
bebendo almas
ou apenas semeando.

Dias cataclísmicos
ou retilíneos
regurgitando pássaros
ou apenas voando mariposas.

Dias noturnos
diuturnos ou soturnos
eu não me importo com turnos
eu não uso coturnos.

Dias telúricos
ou apenas um dia comum
onde eu sou mais um
ou sou o diferencial.

Dias e dias e dias sem fim
e estrelas cadentes sem dentes
e flores de cores amiúdes
e um poeta torto intermitente.

E agora já é madrugada
e agora eu canto dormindo
e agora eu vou partir
e a poesia escorre de mim.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Metafóricos e Metatarsos




Tente escutar os gemidos do meu silêncio
é um som de cálices se partindo na alvorada
onde eu bebia de todas as vidas e mortes
e, aquele grito inaudível era como um zumbido.

Tente sentir a olência das flores na campa
elas tem cheiro de amor e de saudosismo
daqueles dias onde as noites prevaleceram
e, os colibris morreram de overdose de pólen.

Tente degustar o gosto daquelas letras rústicas
elas são doces e ácidas e amargas de tristezas
e sua salinidade são das lágrimas que desperdicei
e, o mar roubou todos os prantos e derramou marés.

Tente sentir a aspereza dessas planícies vagas
elas são ventres parindo novas montanhas
e seus vulcões subterrâneos vomitam seivas
e, todas as águias ainda não se procriaram nos cumes.

Tente entender minhas insanas metáforas
elas são o fruto de uma vida repleta de mistérios
e suas analogias são de dois sóis em colisão
e, se formou uma poesia esdrúxula de parábolas.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Noites de Sonhos Irreais e Sem Finais




Aquelas noites amargas
sem sonhos e sem sentido
provérbios paradoxais pairam
e a morte é pura enganação.

Aquelas noites sem sol
sem vidas e sem arrebol
mas, o acrônimo é insano
e o coração é uma judiação.

Noites vãs onde eu sorrio
e meu riso é escárnio
e eu zombo da carne
e a noite é insônia impune.

Noites onde o sono é vago
e a garganta seca gargalha
e as estrelas adoecem
e o poeta recorda seu fardo incomum.

E a noite continua sendo incompreensível...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dias que Engolem Dias




O dia passa levando os alvoroços
e a vida que continua solitária
refletida nesse crepúsculo vascular
e, é tão vazio o sentir; que faleço.

E minha morte é junto ao sol
que se vai e eu também vou
e, minha casa é de estrelas
e, minha noite é o vestígio sideral.

O dia já se foi e fiquei em transição
entre o umbral e a penumbra
e somente reviverei nos germens das auroras
que cerziram as novas vestes solares.

O dia passa levando o próprio dia
e a vida é o sol que se vai
e a morte é a noite que vem
e o amanhã é um talvez será.

Enquanto no berço espacial
Deus risca o breu com suas lágrimas
cadentes e reluzentes e etéreas e telúricas
e eu observo tudo no prisma do meu olhar.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sonhos Apocalípticos




Eu tive sonhos proféticos
e eram mais que poéticos
e eram sinais dialéticos
onde eu vislumbrei o final.

E era um céu de dois sóis
e eram eternos arrebóis
onde choviam estrelas
como uma grande cachoeira.

E os pássaros cantavam anjos
nas vielas realejos e banjos
nas igrejas eram mil harpas
e nos lagos sinfonias de carpas.

Eu contemplava sem poder fazer nada
e, nos olhares um cáustico desespero
que fulguravam as pessoas com medo
e, no cosmos um rugir de terremoto.

E os tempos passavam remotos
os relógios já eram ignotos
somente os gritos eram os sons
e um grande temor era a sensação.

Foram tempos de apocalipses
durante os três dias de eclipse
foi o caos precedendo a harmonia
foi o princípio dos novos dias.

Então toda horda celeste se prostrou
e uma voz inaudível se fez ouvir
e, todo o verbo divino se refez em paz
e minh’alma se transfigurou e partiu.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Zdzislaw Beksinski


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dos Amores aos Segredos da Vida




O amor cru como a flor mais bela
a desabrochar no peito palpitante
escampado e senil como pluma
que paira e paralisa o contemplar.

O amor deliberado e fatídico
determinando na vida o ritmo
das escolhas no seu mais intimo
sentimento... Mais que legítimo.

É amor de poeta que distorce realidades
e descansa os olhos nas velutíneas pétalas
que ele cuida sempre carinhosamente
para beijá-la longamente junto aos beija-flores.

É amor que transcende expectativas
demonstrando a essência e a luz da vida
que pulsa fremente e constante na alma
elevando as percepções ao mais doce ápice.

É o meu peito repleto e secreto,
hermeticamente guardando sóis
para iluminar o seu doce olhar
naquelas manhãs onde a noite prevalecerá;

e deixará marcas profundas nas entranhas do mundo...


Jonas Rogerio Sanches

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Alma Sã... Corpo Embriagado




Onde se esconde alma,
quando me embriago?
Serás que és covarde assim?
Sei que não és, és mais do que isso!

Cadê você alma minha?
Ocultou-se entre as estrelas?
Ou foi surrupiada junto ao último gole?
Sei que não, sei que me aguarda no âmago.

Sei que eu tenho seus defeitos
mas, todas suas qualidades alma;
então, sorria e chore minhas dores
e morra minha cataclísmica eternidade.

Cadê você alma embriagada de luz?
Resplandeça e reapareça no fim da noite
e, seja meu caráter e meu ser inteiro
pois, sou alma e sou corpo e sou coração.

E a poesia é o meu simples e cáustico dialeto.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem : Google

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