quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Trinta Anos




Foram anos escassos de compreensão
e, foram dias de aprendizados e quedas;
hoje olho para trás e revejo-me nos espelhos
e recordo as rodas de ciranda e o riso infantil.

Foram anos de empenho nessa busca interminável
e, aprendo apenas que tenho um longo caminho,
que a cada vida, que a cada morte se explana;
são trinta anos de uma eterna sequencia de vidas.

Foram dias de luta e de lágrimas sem sal
e, o suor foi sangue derramado que se coagulou
nessa infinda senda de semeaduras e colheitas
onde a terra fértil se encontra na mente.

Trinta anos de magia entre risos e escárnio
mas, a vontade supera as adversidades
e em cadinho hermético repousa o pensamento
que se submete a essa eterna transmutação.

Dias e mais dias onde às vezes fugi do mundo
e, mergulhei no mais assustador de eu mesmo
enfrentando todas as minhas imperfeições
e sucumbindo muitas vezes nessa empreitada.

E o que acumulei de bom e de ruim
é uma bagagem ainda incompleta e pesada
que continuarei a lapidar e guardar na alma
pois, minha estadia por aqui é passageira e real.


Jonas Rogerio Sanches

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vertigens de um Poeta Arrebatado




São maestros os poetas regentes
das penas e dos amores platônicos
e, em vestes augustas guardam candura
e misturam-se a olência das flores.

São de estirpe alienígena os versos
e remetem-se a todas absorbâncias
de sensações e observações das cercanias
e, os seus olhos são de minuciosidades.

Queria ser poeta também e poder beber
dessa luz que embriaga os pensamentos
então seria a mais bela impressão
e os sentidos seriam ápices fleumáticos.

Poetas ascetas e de todos os gêneros
impondo e transpondo as realidades
e, o que era nulo já se tornou empírico
nessa ciranda de bonitezas esdrúxulas.

Queria ser um poeta e sobrevoar os sonhos
e cantar a liberdade em plenitude atemporal
mas, eu ainda cultivo rosas no parapeito da janela
e não posso partir nessa aventura sideral.

São somente poetas que brindam as dores
e se entregam aos auspiciosos devaneios;
me entregarei a poesia por inteiro
e minhas rosas eu levarei em um cesto de galáxias.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Turner - 1866

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Observando Todas as Letras




Vejo os próprios erros
vivo os próprios erros
e a cada dia um novo sorriso
e a cada noite um aprendizado.

Vejo as noites engolirem os dias
e vejo os dias renascendo do ventre da noite
e a cada estrela um novo sol
e a cada sol um novo despertar.

Vejo as páginas da vida se espalhando
e vou juntando, e vou morrendo e vivendo
em cada letra dessa poesia
em cada olhar de soslaio que me observa.

Vejo o amor se dissipando
e vejo discórdias inacabáveis
queria ver o oposto e a paz
mas, o mundo segue a deriva.

Vejo em seus olhos azuis a bondade
e vejo uma amizade inquebrantável
que cresce e floresce com os dias
e com as noites e suas flores noturnas.

Vejo muitas coisas que não queria ver
mas, tudo é um incessante aprendizado
que vai se entranhando no meu âmago
e se acumula na minha bagagem estelar.

Já não vejo muita coisa além das sombras
e não vejo mais além dos sonhos fragmentados
minha retina é purpurina e tão profunda
que se cansou de tanto olhar para si mesmo.

Então cobrirei os espelhos e adormecerei
e verei pelos campos astrais todas as maravilhas
e os meus olhos serão as visões da alma
e meu maior motivo é o querer ser feliz.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 28 de outubro de 2012

Os Cálices que Eu Provei Tinham Sabor de Amor




Então provei do cálice da sabedoria
e abriram-se infinitas hipóteses
e o sol brilhou como nunca vi
e a lua fez meus olhos mergulharem na noite.

E foi necessário continuar a busca
e foi prazeroso galgar os degraus
pois a cada nova revelação foi vida
e cada palavra compreendida foi amor.

Então provei do cálice da dúvida
e os caminhos foram estreitando-se
e o sol foi a sombra do eclipse
e a lua minguou e a noite foi de trevas.

E foi necessário continuar a busca
e foi uma nova provação a ser superada
e as novas revelações foram de mortes
mas, o amor que conheci fortaleceu-me.

Então provei o cálice dos iniciados
e os caminhos tornaram-se dourados
o sol e a lua derramaram seus mistérios
então reconheci minha tamanha ignorância.

E foi necessário continuar a busca
e a cada novo renascimento uma surpresa
e reconheci que a vida e a morte eram analogias
e que com as armas do amor eu poderia evoluir.

Então provei o cálice de um novo tempo
e o gosto era de feitiços ritualísticos
e agora o sol brilhou no meu próprio intimo
e a lua tornou-se companheira no sanctum.

E a busca tornou-se prazerosa e sutil
e o silêncio se fez presente no cotidiano
a vida e a morte já não causam temor
e a minha senda tornou-se a filha do amor.

Então provei o cálice do puro amor
e o gosto era daqueles intransponíveis
e as palavras já eram desnecessárias
e o sol e a lua se completaram no céu.

E a busca tornou-se radiante e plena
e a cura do mundo tornou-se possível
a vida transpôs a morte e era a eternidade
de um processo contínuo de aprendizados.



Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Tarde de Outubro




É tarde de outubro
e já é tarde demais
e o sol se manifesta
e meu peito é trêmulo.

É tarde de outubro
e já vem o arrebol
presenteando com cores
e meu peito é crepuscular.

É tarde de outubro
e já é tardia a vida
aguardando a morte
e meu peito geme.

É tão tarde que nem sinto meus pés
ficarei todos os outubros na varanda
admirando o céu e os pássaros
esperando o próximo cometa passar.

É tarde e já escrevo há muito tempo
e já são páginas de outubros vermelhos
de horizontes rubros e longínquos
onde eu miro e sigo nessa lida sofrida.

É tarde de outubro e eu lamento
e já não enxergo nessa luz diáfana
e já não adormeço há muitos anos
somente sinto essa energia motriz pulsar em mim.

E o amanhã será novamente o presente
quando chegar ao final dos versos dessa tarde de outubro.


Jonas Rogerio Sanches

Inexorável




Pensei em ontem e no amanhã
mas, o agora é o que deixo resplandecer
seria porque é todo um paradoxo
de uma senda ainda muito pouco compreendida?

Sei que vou seguindo e vou falar do eterno;
vou falar daquele momento inacabável
que não é passado nem é futuro;
é somente um instante que não termina.

Inferno? Céu? Nada disso é coerente;
são artifício usados covardemente
para manter o rebanho vulgar na linha
e, isso é fora de toda a benevolência.

Religiões milenares e promiscuas
que matam e enterram sonhos em uma missa
e, não podem revelar os mistérios
pois, destituir-se-iam de seu poder.

Tenho medo às vezes do que eu mesmo penso
pois,já  foram queimados pela ideia de um mundo redondo;
imagine se eu dissesse que o amanhã é uma ilusão
e fosse execrado pela ingrata multidão.

Mas não, eu penso um pouco no que digo
sei dos riscos da liberdade e da palavra
sei da morte cruel imposta ao que sabem demais
e sei que seria dito insano e mais nada.

Pobre aquele que reflete em mim
pois, é um ser que teme a injustiça
e tem que calar diante a ingratidão
que evolui com a fome em todo lugar.

E mais, sou poeta de alma transparente
que escreve para si o que sente
e destemido voa por todas as evidências
que são os espelhos de todas as carências.

Queria poder nascer e também poder matar
essa grande fome, mas, não sei agir
nem sei mentir diante essa podridão
que esfola o justo sem comiseração.

Queria poder salvar meus filhos
mas, nem nasceram ainda e eu choro
pelos filhos despidos de todo futuro
pelos medos caindo por detrás dos muros.

Queria pode dormir em paz transcendente
mas, o que vejo e o que sinto é fremente
e as coisas estão fora de seus lugares
as famílias estão abandonando seus lares.

E, eu continuarei a trilha dos axiomas mágicos
escondidos em poemas quase sem sentido ao vulgo
que ainda tenta se equilibrar por sobre o lodo
mesmo sabendo que a queda é inevitável.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um Almoço com Rimbaud, Dante e Baudelaire




Um almoço frio e cru
entre Rimbaud e Baudelaire
e vasos velhos de papoulas
regurgitando ópios a Dante
em rio de lava sideral
onde nascem peixes-pedra
e as sereias derretem
nas cachoeiras solares
que clareiam os pensamentos de Circe
dormindo em uma favela
e passeando nos trens de fogo;
é agora a sobremesa recusada
e Rimbaud faz versos ao garçom
e os vermes rutilam aos olhares
pálidos e petrificados de Baudelaire
enquanto Dante toma café com gelatina.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: arte de Felipe Marques

Ah Como Eu Queria...




Ah como eu queria seu abraço
me desfazendo sem embaraço
e a poesia seria o roçar da nossa tez
cantando as estrelas até amanhecer.

Ah como eu queria o seu olhar
refletindo nos sonhos o mar
mas, é saudade o amanhecer
e a cama fica vazia sem você.

Ah como eu queria ser o sol do seu dia
e emanar todo meu calor num beijo
despertar em você todos os desejos
e voar te levando aos ápices do sentir.

Isso é amor misto em saudosismo
isso é o poeta que ama a vida e o sofrer
nessa distância que é longínqua
e é tão perto para eu estar com você.

Isso é o pecado consumidor de corações
crepitante e alvoroçado pelas auroras
e seu perfume ainda reside nas lembranças
daqueles dias distantes, daquele dia de ontem.

Ah como eu queria me embriagar do seu olhar...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Inteligência Interestelar




Na inteligência embrionária
eu busquei o alicerce de tudo
e, me encontrei comigo mesmo
e foi um instante paradoxal interestelar.

Vi estrelas nas minhas pupilas
e comparei-as aos olhos da noite
vi relâmpagos em sinapses neurais
e eram semelhantes a mão da morte.

No rosto ardil da natureza humana
vi os reflexos de todas as dúvidas
e travei embates sangrentos e viris
pela liberdade de eu poder me expressar.

E fui além e bebi as gotas do orvalho
que serenou pelas madrugadas insones
e seu gosto era o do suor do deuses
e seu efeito era de uma estéril amplidão.

Então eu pude olhar a sombra dos astros
que eclipsavam a verdade incompreendida
em axiomas tão complexos e irreais
que resolvi calar todos os meus ruídos.

E a escola da vida tem vagas intermináveis
e seu diploma é uma devastação dos dogmas
e suas provas são de dores e sofrimentos
e sua recompensa é o amor sobre o agora.

Então amei e discerni que a eternidade
não é um existir durante todos os tempos
mas, um momento presente e real
que durará agora por todo o meu sempre.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Hubble - Pilares de poeira da Nebulosa Carina

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Explosões e Embriões Telúricos e Oníricos




É a explosão da própria explosão
dos embriões e dos quase mortos
e dos átomos telúricos espaciais
que se alimentam dos vermes do amanhã.

E é a mesma casta na campa encardida,
todos já tão deteriorados que dissolveram-se
e, as estrelas nem luzem tanto assim
o céu é pesado de ascos plúmbeos.

Semente de gente que jorra nos ralos
e, a proliferação atômica é o veneno
e, eu andei chorando páginas de limo
na frente de um espelho trincado e escasso.

Na beira da via láctea um imenso cheio e vazio
de desconhecimento, e temor é o que não falta
e dor é o que não falta e o amor falta as vezes
e rechaçadas foram as efígies platônicas.

Eu deliro e conspiro contra os insetos mortos
e no subterrâneo os olhares carcomidos
são de todos os flagelos e de todos os dias
e, o versículo seguinte é de um cataclismo.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Amor e Estrelas e uma Saudade que Rasga os Céus




Estou cansado e pensativo
e, a lua reluz no quintal
entre o cálice e o punhal
e uma estrela que se apagou.

É mais um dia de ritual
e, a poesia é o sonho perdido
que sussurra no vácuo do peito
recostando a cabeça nos planetas.

Calmaria e um novo dia nascente
revogando o sol entre as chuvas
e um pássaro trouxe boas novas
na ultima palavra do recital.

E foi sensacional o olhar de lapela
e, meus olhos só buscam os dela
e, saudoso busca o reflexo do mar
sentindo os pretéritos a vagar.

Pense em mim amor da vida,
amor eterno e sempiterno
que me acolheu junto aos sorrisos
que me aguarda paciente e com flores.

Mas, eu caminho e tento chegar
e os dias não terminam nos finais
e o amor que eu sinto não tem fim
mas, tem muita saudade e sonhos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pobre Diabo Desnutrido




Epilepsias antigas e contorcidas
no rosto magro daquele defunto
antes mesmo de ser um presunto
morto-vivo vestido de peles.

E suas cantigas antigas repelem
com seu cheiro ocre que mata
com sua barba cheia de baratas
pobre cão que morreu mas ficou.

Isso é o que restou e deixou
os seus poros entupirem de cravos
sua cama era em um lavabo
seu sorriso era continental.

Nada mal, pra um diabo de mais de mil anos
contorcido pela aridez do inferno
onde faz uns sessenta graus no inverno
e o churrasco é o próprio coração.

Ai não, eu conheço esse velho zureta
já o tive em minha camiseta
com caniço, trompete e ampulheta
e um grito de voz de trovão.

Esse tal tão temido coitado
esquecido pelo homem surrado
já faz tempo está desempregado
e seu pé sujo de meia anda ameaçado.

Pois a luz vem em rebento no mundo
e trás a paz do seu ventre profundo
e o careta capeta tristonho
já não assusta o homem nem nos sonhos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 20 de outubro de 2012

Cigarros e Cafés e Algo Mais




É só mais um café e um cigarro
e mais algumas páginas daquele livro
que vou publicar na velhice
e vai fazer sucesso depois que eu morrer;
mas e daí? Não vou gozar dele.

É só mais uma tarde quente e abafada
e mais algumas cervejas no boteco da esquina
que vou beber na minha juventude
tão decrépita e hostil que eu adoro;
mas e daí? Chego em casa e durmo.

É só mais uma música sem sentido algum
estourando nas paradas de insucesso
que eu tento ignorar no carro daquele mané
que acha que o mundo tem tímpanos de ferro;
mas e daí? Vou morrer ouvindo Pink Floyd.

É só mais uma rodinha de fofocas na esquina
fudendo com a vida de todo mundo
e se fazendo de santos e beatas sem pecados
e se achando os melhores do universo;
mas e daí? Prefiro ser surdo a ter que ouvi-los.

É só mais uma poesia gritada de insensatez
ou de sensatez mais que necessária
além de todas as reformas, da vida ou da agrária
e, as letras estão cansadas de todas as palavras;
mas e daí? Vou continuar registrando os pensamentos.

É só mais um sábado, sóbrio e monótono;
mas e daí? Acho que vou me embriagar ao anoitecer.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Solve et Coagula




O poeta se dissolve
e se refaz versificando
pelas rimas pernoitando
ele sempre se resolve
e, mergulha em si
nos espelhos do olhar
purificando seu amar.

Jonas Rogerio Sanches

Densidades e Sentimentos




É denso e psicodélico
mas, é muito real
e as imagens se contorcem
nesse mundo de visões mentais.

Mas é muito mais que isso
e, eu sinto solidão
sinto que já não estou aqui
e não sei pra onde posso ir.

É denso e é tenso
meus nervos de espasmos
meu coração doente
que luta por um afago.

Eu já nem sei mais sorrir
eu já nem sei mais chorar
só sei sentir calado
e as noites são uma imensidão vazia.

É denso esse nevoeiro
de tristes sensações
queria fazer brilhar o sol
mas, existem nuvens estáticas.

E eu não posso voar com elas
eu não posso mais voltar atrás
terei que seguir pelos sonhos;
somente queria ter você pra compartilhar.

Mas é denso e intenso
esse espaço que nos separa
tento estar aí mas já não estou em mim
estou no vazio querendo o seu olhar.

Eu queria estar contigo
eu queria estar comigo
estou só em poesias
e, quando a chuva cessar ficarei mais só...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Juntos Somos Mais Felizes




As pessoas querem estar juntas
e rompem todas as barreiras para isso,
o amor une pessoas e elas sorriem
e elas precisam do amor
e elas precisam das outras pessoas
pois, é bom ter uma companhia
é bom ter um grande amor
e um amigo para compartilhar
os momentos felizes e as dores
pois, somos seres coletivos
vivendo em um mesmo país
em um mesmo continente
em um mesmo mundo
em um mesmo universo
e, temos necessidade do outro
temos necessidade de estar juntos
para podermos ser um pouco mais nós mesmos
para podermos enxergar nossa individualidade
e, assim reconhecermos o que somos de verdade.

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Senda de Ilusões




Eram muitos os sonhos
e eram muito belos
agora são só flagelos
e um cansaço alienígena.

O fardo que era pesado
já é mais que as dores
e o caminho estreitou;
restam algumas lágrimas para eu beber.

Semeei muitas flores
agora são flores mortas
e a noite é de insônia
enquanto as estrelas cantam a sós.

Minhas cores estão transparecendo
meu olhar já é quase invisível
e os pássaros ficaram mudos
nesse transcorrer das eras.

Queria poder acordar dessa letargia
mas meu despertador já adormeceu
tantos deslizes em poucas vidas
e o preço da próxima morte é incalculável.

Eram muitos os sonhos
e eram tão reais que os perdi
entre aqueles devaneios insanos
agora é caminhar por entre esses espinhos.

Mas o amanhã será um novo hoje
e o poeta recomeçará sua senda de ilusões...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lida de um Saudoso Sertanejo




Acordo intumescido e bocejo,
o café já na chaleira ferve
o campo verde me aguarda lá fora
eu arreio a minha mula e vou-me embora.

Rasgo o estradão de peito aberto
e os pensamentos iluminam com o sol
canta no peito o coração de passarinho
trinos estridentes alternando um bemol.

No bagageiro o meu alforje e a lembrança
de uma menina dos meu tempos de criança,
Mariazinha foi tão cedo dessa cruel terra
mais uma vítima das agruras da insana guerra.

E vou seguindo olhando as flores beira estrada
paro a beber um gole d’água em cachoeira
junto gravetos e lanço a eles a pederneira
para aquecer a minha boia em caldeirão.

Essa é minha sina, no dia a dia do meu sertão
buscando abrigo e luz de amigo, imensidão
de liberdade, longe de toda turbulenta cidade
eu sigo em paz semeando minha plantação.

E em letras magras eu canto os versos da jornada
resignando os pés cansados e deixando a mente voar
entre essas áridas terras já esquecidas, tantas feridas
que vou curando, sempre superando sem me queixar.

E à tardinha no meu retorno a casa de taipa
encontro o belo sabiá saudando o arrebol,
todos sorrindo ao meu encontro vem latindo
meus companheiros de fidelidade, amigos cães.

E na noitinha vem radiante a lua majestosa
prateando em saudosismo o acorde da viola
e, eu sertanejo só reconheço a ausência do amor
que distante lê meus pobres versos de dor.

É nostalgia desse canto nascido no sertão
e, o amanhã novamente seguirei a lida
pensamentos lacrimejando pela querida
flor violeta que aqueceu-me em seus braços.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Portal do Sertão

Esquisitices Esquizofrênicas




Vitrolas e constituições imperceptíveis
e, eu ouço muito blues todas as manhãs;
a música mexe com meus sentimentos
então vejo o mundo como uma bola imperfeita.

E vejo muitos escaravelhos nos sonhos
eles me causam alguma aversão e asco
mas, são somente sonhos e eu acordo
decidido a plantar campos de poesias floridas.

Junto meu arado então, e letras são sementes
de conquistas somente ou não; colho frutos
saborosos e rimados, lado a lado com o sol
e a chuva misturando-se as novas cores do arrebol.

O dia envelhece e uma nova perspectiva me acolhe
entre seus braços de relíquias ilusórias e amor
mas, não é um simples amor; é todo luz e sombra
e ele apazígua os corações dos lobos e das estrelas.

A noite é concebida do ventre de mais um entardecer
e é festivo o crepúsculo nascedouro e contemplativo;
eu tolhido e estupefato bebo cálices de cometas
que brotam todas as madrugadas no meu terreiro.

E agora eu preciso alimentar minhas alucinações
pois, se morrerem eu ficarei solitário e me curarei;
eu não quero me curar, minha tristeza é pura alegria
de poder compartilhar nem que seja uma simples poesia.

Eu ouço as vozes dessa esquisitice esquizofrênica
mas, são apenas conselhos nascidos no inconsciente
e eu sigo passo a passo a jornada do raciocínio irreal
e eu sigo os passos daquele que reside nos versos meus.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Malditas Pulgas




Malditas pulgas incontidas
nas orelhas dos meus cães
e são de um mesmo circo;
o circo terrorífico de Bornéu.

Malditas pulgas esbravejadas
pulando lentilhas no ano novo
e sugando o sangue da galinhas
em um açougue sujo tailandês.

Malditas pulgas dos cortiços
saltitantes e inconvenientes
deleitando-se em veias surradas
de um necrotério de Gotham City.

Malditas pulgas sorridentes
saindo de um frasco de pasta de dente
e subindo nas saias das dançarinas
de um cabaré em Bora-Bora.

Malditas pulgas picando elefantes
de um zoológico humano e ilógico
onde existem duas bicicletarias
na esquina de um café em Nagazaki.

Eu vou beber todos os fungicidas
e matar os vermes dos meus jardins
tão secos e coloridos e habitados
pelas borboletas exóticas do Paquistão.

E as malditas pulgas foram morrer 
nos coelhos do Afeganistão e do Vietnã...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Manhãs de Idiossincrasias




Todas as manhãs desidratadas
e flores ornamentais alienígenas
dobrando esquinas e esquifes
e os versos são uma casa de fantasias.

Todas as manhãs os passarinhos
e as borboletas abissais e purpurinas
pegaram o ônibus espacial da Carolina
e foram ter uma tour sem mais voltar.

Ah, como eu queria ser o mar
e elevar-me nas marés tão regulares
lavar as proas desse mundo embrionário
içar as velas dessa arca velha de Noé.

Mas sou tão cego e áspero às terças-feiras
que deixarei meu calendário no guarda-roupas
resignando seus pecados todos os dias
ou somente irei até a padaria para observar.

Tantas bobagens que suas arestas são cartilagens
e a poesia segue sem sentido e é comigo
que vai ter que se acertar, no céu ou no bar
pois, todas as manhãs são semelhantes.

Ah, como eu queria ter a barba de Matusalém
e as asas de uma libélula sem compromissos
mas, não é só isso... São delírios e assassínios
refletidos constantemente pelas televisões.

Todas as manhãs eu vejo isso e escrevo só
ao acordar, as vezes sonhos e devaneios
uns incompletos e outros inteiros e sãos
mas, a sanidade é uma falta de verdade.

Todas as manhãs é o meu retorno
e o seu transtorno, pura idiossincrasia
degustada aos nacos com molhos tártaros
em um restaurante hippie em Tehuacán.

Todas as manhãs é somente o sol em seu bocejo...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Jolande Gerritsen

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vide-Bula




Opioides causando analgesias
e uma cama vazia sem lençol
desgasta essas catarses
onde a dor refrigera o olhar.

Antidepressivos sucessivos inúteis
rasgam as madrugadas geladas
entre os icebergs dos delírios
impondo o deletério na alma.

Eu aqui salto na próxima ravina
sem paraquedas e sem asas
condolências aos patriarcas
são inúteis nessa rispidez.

Tantas pílulas tentando amenizar
o mundo, o fungo velho de ontem;
e suas propriedades psicotrópicas
causam visões de ametistas vivas.

Tantos narcóticos resignando a noite
e designando os becos das prateleiras
escondidas e temerosas as geladeiras
onde o inverno chegou sem avisar.

E o dia a dia é sempre pássaros e flores
cantando olências nas severas savanas
e nos madrigais serestas para aquela menina
perpetuam os versos da bula em contra indicações.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Aurora de Almas Iridescentes




Agrilhoados pelas madrugadas
e sem sucumbir aos temores
é o mago e são as crianças
que veem toda a magia iluminar
seus sonhos e seus olhos cristalinos.

Contente é aquele que ainda não nasceu
e, sabe que o fardo desse mundo pesa
chorará sete vidas e sete mortes
quando o dia das novas almas chegar
então se ouvirão trombetas e salmos.

Eu observo, já chorei e já sorri
e vi todas as estrelas nascerem
vi avôs, pais, filhos e netos morrerem
e o sol aquece todos os corações
no beijo daquela que ora por nós.

Subjugamos o superior às vezes
eu, você e aquela criança ainda inocente
mas, ela vê com os olhos de sua alma
e não precisa de resposta nenhuma
e precisará de todas as perguntas.

E na noite em que a escuridão beber o sol
eu me recolherei por três dias e três noites
e ouvirei os sinos da existência ecoarem
e minha chama crepitará calada e em paz
esperando a luz de uma nova aurora de amor.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Efeito Luminoso




Sob a luz pálida e lunar
vou prateando minhas gasturas
vou cavalgando com São Jorge
e baforando a saliva do dragão.

E ziguezagueio entre estrelas e ninares
vagando e bebendo o licor dos mares
e agora sou salgado e crustáceo
mas, os dias seguem o fluxo das marés.

Sob a luz bruxuleante dos seus olhos
eu enxergo as pegadas de Prometeu
e vejo gotas de esperança do seu sangue
respingadas nas penas da águia da eternidade.

E passeio pelos labirintos de metamorfoses
rutilando entre espasmos minhas luzes
e bebendo as cores das auroras e dos arrebóis
para me embriagar de todos os arco-íris.

Sob a luz diáfana do coração do mundo
eu cambaleio e o crepúsculo rouba minha visão
deixando meus passos a esmo e sem norte
deixando a vida a própria sorte e a própria morte.

Então sobrevoo meus próprios sonhos
e mergulho nesse fumegante vulcão ativo
onde me rejuvenesço e compartilho
de uma poesia que desentranhei da própria alma.

Sob a luz iridescente dos mestres eu adormeço
e o amanhã será de novo o próprio hoje renascido.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 14 de outubro de 2012

Aos Mestres com Carinho




Aos mestres educadores
deixo respeito e poesia
admiração e gratidão
pelas letras que tem contidas.

Professores de batalhas
de lidas sofridas diárias
por esses campos de batalhas
dum país que engana a educação.

Mestres de grandes valores
alicerces de um povo precioso
fugitivos da ignorância; portentosos
de estirpe nobre e pontificada.

Deixo aqui a minha homenagem
do tipo bela e versificada
a todos os geniais preceptores
que com amor tem lecionado.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Vida e Morte de Todas as Lidas




É a vida e a morte da lida
é o amor pelas asas da fada
é o brilho nos olhos azuis
é o fardo que os passos conduz.

É a vida vivida e morrida
nos alforjes e nas partidas
nos mares e nos ninhos;
é a vida morrida e cansada de viver.

É da vida essa morte sorrindo
e é na morte que procuram mais vida
nessa lida descumprida e fugaz
que adormecida não viu as paixões.

Vivo vidas mais que morridas
e a flor dou àquela menina
as lágrimas bebo com sangue
desse ferimento jogado ao vento.

Quero viver e viver e viver
então, viverei e colherei planetas inteiros
e beberei todos as tristezas dos homens
somente para libertar das agruras meus irmãos.

E no sentimento profundo desse paradoxo
eu deixarei algumas pistas e um novo mapa
que será lido por todas as novas mortes
que será relido por todas as novas vidas...

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 13 de outubro de 2012

Dias Oníricos




Dias e dias versificados
espiados pela claraboia
contemplados e introspectos
relevantes e prosélitos.

Dias onde não existe a paz
e, não existe nada mais
que um sol devorador
cegando a visão do bardo.

Dias amanhecidos sem paladar
onde me reservo aos livros antigos
onde tento encontrar aquele eu menino
que deixei há muito tempo adormecido.

Dias tão longos que horas parecem eras
e, no âmago uma batalha ferrenha de eus;
queria um abraço de alguém, um afago
e um olhar dulcificante, para apaziguar-me.

Mas, essa é uma sina de delírios frívolos
que se esmaecem nas luzes derradeiras
de um arrebol senil e cambaleante
onde eu mergulho e me desintegro com as cores.

E a essência é o que deixei de mim,
e me misturei ao Éter para poder sorrir
mas, foi somente um instante onírico
e minha vontade se foi e me deixou aqui.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Dia de Contemplar Profecias




E foram lindas palavras
mas, não foi somente isso
correram as lágrimas
e muita coisa se cumpriu.

E foram para cada ouvinte
mas, foram especiais para mim
pois falavam das rosas
e a profecia fez sentido.

E foram tempos de espera
mas, o esclarecimento se fez
e o alimento foi compartilhado
saciando todas as almas presentes.

E foi tão sublime que transcendi
e pairei por entre os anjos que assistiam
e eles carregavam sorrisos divinos
e a Santíssima Vestida de Sol abençoou.

E dos seus dedos jorraram amor
mas, poucos foram os eleitos que perceberam
toda essa Santidade além do físico;
inconscientemente assistiram calados.

E rendi-me em graças profundas
e pedi graças pelos meus e pelos seus
insuficiente era minha fé, mas persisti
e meus olhos tocaram suas douradas vestes.

E foram minutos preciosos e singulares
mas, foi tempo suficiente para eu renascer
e todo aquele que foi curado calou-se;
e foi ouvido um cântico das esferas superiores.

Agora narro estupefato a ascensão
que se fez presente e consumada
e agradeço em uma humilde prece
todos os dias em que contemplei as estrelas.


Jonas Rogerio Sanches 
Imagem: Google

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

De Poeta pra Poeta




De Poeta pra Poeta
versos semicerrados
encharcados de labor
em poesias o amor.

Direto e repleto de rimas
ele recorre aos discos antigos
pois, por boas músicas tem sua estima
trazem lembranças de muitos amigos.

É, as poesias são as nossas filhas
algumas desgarradas e utópicas
outras tão formidáveis que voam
pela liberta e aberta mente do criador.


Jonas Rogerio Sanches

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Grito da Minha Utopia




Quão belo seria o mundo
se as guerras fossem com flores
se houvesse mais sorrisos que dores
se a poesia fosse a língua oficial.

Seria mais que a felicidade
se a humanidade amasse de verdade
se em vez gritos fossem sussurros
se não importasse qual fosse a idade.

Seria belo um mundo sem mais flagelos
onde os pássaros não fossem encarcerados
se cada ato fosse incondicionado
e se em vez de ódio houvesse perdão.

Mas não, eu não sou louco
só sou eu mesmo sonhando alto
sobrevoando todos os planaltos
em utopias ricas mas irreais.

Eu não, eu não sei mesmo a alegria
onde se esconde em nossos dias
aquele grito de liberdade
que morreu junto com meu sorriso.

Preciso, e preciso tanto gritar bem alto
fazer tremer mares, campos e asfalto
fazer ouvir a voz tão doce de Gaia
fazer meus sonhos saírem do papel.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

É nessa penumbra que Eu enxergo o reflexo da solidão...




E começo a sangrar no caminho
pelos atos e julgamentos... Alheios;
e a couraça transcendental é ríspida
e, tenho uma amizade que reluz.

Queria ser menos inconsequente
mas, eu sangro todos os dias
porque eu amo tudo isso;
amo tresloucadamente essa insanidade.

Porque sou esse mar de sentimentos reais
sou esse extinto bicho sem realidades e,
todos os meus anos foram negados no passado
e distribuíram meus bens aos profetas mortos.

E se a lua morresse sem seu par eu dormiria
em sua tumba gelada junto ao cadáver
somente para não a deixar sentir a solidão
que sinto nesse mundo de tanta bondade e maldição.

Mas sou somente essa poesia calada, sombria e noturna...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Isso foi escrito com alma e todo meu Amor...




Girassol eu sou, mas, dependo do amor da flor violeta que rege meus sonhos e alimenta minh’alma, ela é única e resplandece em meus sonhos; queria poder florir ao lado dessa flor que amo, mas, tenho espinhos para ferir-me antes da vitória...

Em poesia posso refletir
e posso falar de amor;
amor puro que envolve
que faz miséria com os sonhos.

E nesses sonhos sou astral
e viajo além das galáxias
pois, medo de seguir move estrelas
seguindo em sede de colisões nascedouras.

Sou todos os umbrais condelescentes
que fazem chorar o sangue dos pecados
e fazem cada um cair na cruel realidade
de viver calado, acuado e julgado.

E naquela noite que o céu ruiu
eu tentei despertar os antigos deuses
mas, o pecado está encravado na alma
e eu somente estou lendo as minhas existências.

Queria poder entender e explicar
toda essa coesão noturna e solitária
mas, sei que vim só e partirei devendo
aquilo que eu prometi na ânsia de reencarnar.

O amanhã já nem imagino
mas, terei que arcar com as consequências do que fiz...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Deuses e Diabos




Tantos são os deuses e os diabos
que abençoam e amaldiçoam
mas, o homem é o escolhedor dos passos
e eu na poesia sou mais que embaraço.

Tantos são os amores e os desafetos
que louvam e matam os corações
mas, há paixões que rasgam eras
e o homem que ama de verdade rouba sóis.

Eu aqui me resguardando da chuva ácida
que sulforosa corrói todos os guarda-chuvas
mas, os meus castelos não são de areia
eles são de sonhos petrificados em um grão-vizir.

E eles me olham ociosos pelas janelas do trem;
trem da vida, trem da morte, trem descarrilando
e eu aceno com minhas asas de topázio
e eu ofereço açucenas e begônias a menina órfã.

Tantos deuses e diabos eu conheci na estação
e eram comuns e tinham tristezas e alegrias
mas, o homem construiu céus e infernos
e ali adormeceram todos os momentos e vidas.

Eu olhava tudo pasmo desse precipício sem chão
e eles voaram para longe e abandonaram os homens
e, eu quero ir morar junto com os anciãos de Marrakesh
e, eu quero morrer uma vida de cada vez e deixar fluir.


Jonas Rogério Sanches
Imagem: Google

Causa e Efeito




Luzes e plenitudes
pulverizando as vicissitudes
irradiando nova juventude
iridescente nesse breu.

Ventos e trovoadas
transmutando a madrugada
que acontece no interior do ser
esperando um novo amanhecer.

E os sons são tremores de harmonias
onde repousam todas as escalas
e cada nota emanada é nova cor
e cada passo dado é um novo existir.

E os dias já são todos os anos
a eternidade é regente e fiel
enquanto estrelas nascem e morrem
a alma segue transitando as dimensões.

Eu queria dormir nessa cama cósmica
e beber no cálice do fogo do sol
beber da incompreensão para me libertar
desse fardo que se torna pesado a cada nova palavra.

Mas eu sou o escrivão dos pergaminhos
e todos os atos eu registrei sem alteração
e todas as páginas seguem a lei imutável
dessa ação causando reação... Dessa lei de causa e efeito.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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