sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Passageiro Sem Destino




Sou passageiro estrangeiro universal
na nave mundo é o meu passeio ininterrupto
o meu roteiro é variado e setentrional
minha estação é uma aurora boreal.

Sou passageiro explorador dos sete céus
e miro o sol e as estrelas no horizonte
para fugir desse hemisfério conturbado
e reaver no amanhã o amor de ontem.

Sou passageiro viajante alucinado
pelos confins de nebulosas sou guiado
meus olhos velhos são de flores alienígenas
e minha alma herdou a força dos indígenas.

Sou passageiro nesse tresloucado tempo
roubando horas para as rosas germinarem
roubando a morte e saciando minha sede
nessa retórica poética em eterna viagem.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nostalgia de Primavera




Pois venha logo primavera
venha enfeitar minha janela
de flores, cores de mil fragrâncias
e borboletas de acrobacias.

Venha depressa com seus olores
traga também os beija-flores
insetos raros por sobre as folhas
uma variedade de escolhas.

Vem primavera toda ligeira
vem enfeitar as minhas roseiras
traga os jasmins e a flor de acácia
também os lírios e as orquidáceas.

Vem primavera, mas não demore
pois a saudade já é onusta
vem pintar de paz a minha busca
pois das estações és a mais robusta.

Vem primavera
trazendo sonhos e violetas...


Jonas Rogerio Sanches

As Feridas são Apenas Afagos Noturnos




Noites e noites de introspecção
onde o ego desnecessário se desfaz
dando lugar a sinceridade interior
que transparece e ilumina a mente.

Noites e noites de meditação
o corpo dormente e o sangue correndo
nos rios incessantes da existência
que carrega a embarcação da poesia.

Noites e noites sem sol nem lua
um distante piado e um grito na rua
mas, nada incomoda o espírito
que recolheu-se ao templo do coração.

Noites e noites onde conto as estrelas
e conto as experiências nos versos
meus sete corpos unidos em harmonia
e meu olhar já vê alem do mundo físico.

Noites e noites intermináveis
seguidas de revelações da luz
seguindo o caminho com obstinação
a passos leves para não acordar o mundo.

E a próxima curva da estrada é primorosa
mas os futuros obstáculos são desafiadores
e a pressa já abandonou os relógios inúteis
resta somente uma vontade crua e inabalável.

Noites e noites em busca de autoconhecimento e paz...


Jonas Rogerios Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Sopro Redolente dos Elementais




Lufadas de um sudoeste
refrescante sopro divino
vindos das curvas do amanhã
trazendo pétalas de nuvens
e transformando minha alcova.

Vindos do leste, imponentes
os suaves sussurros da relva
e a melodia mágica do guardião
que entoo ao espelho transparente
onde eu me deparo com o universo.

Galáxias de mim, transbordando,
alagando de estrelas os pensamentos
e o refúgio estará sempre vazio
não preciso fugir do próprio ser
me encaro e batalho sangrento e sem pudor.

Agora somente o minuano em despedida
lavando a aura e a alma augusta e rútila
misturando meus cabelos e os sonhos
de um porvir sem pesadelos e temores
onde poderei envelhecer junto a caneta.

Sinto ainda essa olência angelical e balsâmica
e vejo ao longe o aceno de despedida dos elementais...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Palco da Vida




Eu sou plateia desse espetáculo
e coadjuvante no teatro algoz
descerrando as cortinas imundas
nessa roda gigante, ferida e corcunda.

Eu sou ator nessa peça eterna
cego sob as luzes sempiternas
aplaudindo são e desgostoso
nesse palco da vida tão melindroso.

Resta-me sorrir e contemplar
modificando o meu interior
passo principal nesse caminhar
onde a busca é repleta de dor.

Sorvo os vinhos pálidos e ébrio eu atuo
nessa tela imensa de vida que construo
mas o final que ao certo já é incerto
aguarda calado a flecha do destino.

Fica no palco da vida somente lembranças
de uma poesia que resgatei rasgando a alma
e as virtudes colhidas nos jardins da esperança
onde os enredos não tem princípios nem finais.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Eu e a Poesia de um Sol Noturno no Purgatório



Alegoria da Igreja prostituída, por Doré,

Canto XXXII do Purgatório.



Sou eu e a noite
e os ventos assoviam
e as corujas me olham
e os lobos degustam luas.

Sou eu e a noite
e um papiro calado
calafrios e uma pena
entre as inspirações.

Sou eu e a noite
e o sangue correndo
em rios caudalosos
e o futuro na teimancia.

Sou eu e a noite
entre múmias de faraós
e arcanos inexoráveis
e verdades incognoscíveis.

Sou eu e a noite
e a virgem prostituída
entre os cães do inferno
e minhas mãos tremem.

Agora já não sou
e as estrelas caem
acendendo os campos
e degolando os videntes.

Agora é somente à noite
e a carruagem não para
puxada pelos leões alados
e pelo homem-águia.

Agora sou eu e o amanhecer
ressuscitando as palavras
escritas por um vetusto
e gravadas na rocha submersa.

Agora é somente o sol crepitando
e o aço jorra das entranhas
forjando o cálice e a espada
forjando a alma inebriada de insensatez.

Sou eu e o sol
e Ícaro sob o solo
e ampulhetas mortas
e a poesia que chega ao final.


Jonas Rogerio Sanches

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Finais Inacabados




Eu vejo no fim do dia
o fim do mundo
e no final da estrada
minha visão é turva
me privando o amanhã.

Eu vejo sombras
e o final do túnel
em um mundo renascido
sem mais caminhos,
uma única porta que convida.

Eu vejo luzes morrerem
e vejo luzes nascerem
andorinhas vem e vão
e eu calo nesse final
velando o pobre mundo.

Eu vejo no fim do dia
o fim da caminhada
e o nascer da estrela
filha do crepúsculo,
e a penumbra mágica.

Eu já não tenho final
e meus olhos não veem
só sei sentir com a alma
meu corpo esta inerte
e a mente já é sem limites.

E o mundo acaba mais uma vez
e o sol da manhã é o novo dia
nesse vida e morte contínuo
onde só o amor é real
e é o que permanece eterno.


Jonas Rogerio Sanches

O Jardineiro Real e as Papoulas Imaginárias


Van Gogh - Field of Poppies


Eu não sei plantar sóis
mas sei regar as plantas
e sei ser feliz e amar
mesmo que seja egoísta esse amor.

Eu já não sei o próximo passo
deixarei ventos e tempestades
indicarem o caminho
e não temerei as quedas.

Eu não sei plantar galáxias
mas alimento sonhos
meu arado enferrujado
sulcou as terras do pensamento.

Eu já não sei o próximo passo
deixarei cascatas e oceanos
carregarem minhas velas
e contemplarei as ondas.

Eu não sei plantar tristezas
mas sacio a sede dos pássaros
com lágrimas e olhares
e no meu jardim há beija-flores.

Eu já não sei o próximo passo
deixarei a sinfonia cardíaca
pulsar vida no meu âmago
e seguirei por entre os opostos.

E a rainha cigana alucinada
plantou campos de papoulas
agora serei o jardineiro espacial
e os canteiros estão floridos novamente.


Jonas Rogerio Sanches

domingo, 26 de agosto de 2012

Anjos Caídos




Me deixe falar com o coração
e na poesia copiar de minh’alma
toda grandeza que se esconde e desconheço
mas sei que habita aqui dentro do peito.

Me deixe lançar as luzes do meu olhar
ante seus passos que trilham na escuridão,
estenda sua mão e vamos juntos nessa senda
se permitires te ajudar minha alegria será tremenda.

Mas se eu fraquejar faça por mim o que eu te fiz
não tenha medo de deixar sua luz brilhar
somos irmãos com o objetivo de amar;
então vamos caminhar lado a lado em cumplicidade.

E no estreito do caminho estaremos fortes
todos esses espinhos nos levarão as rosas,
então nossos sonhos serão nova realidade
e já não seremos anjos caídos nessa cidade.

Mas se quiser somente a minha prece
caminharei solitário e estenderei minhas asas
para amenizar esse sol que desnorteia
e refrescar os seus pés cansados pela vida.

Então voarei em minha jornada de retorno
e levarei todos os aprendizados e recordações...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Eu Acredito no Amor




E depois de muitos tombos
o Cósmico presenteou-me
então pude vislumbrar o amor
e comecei a perceber as mudanças em mim...


Há dois anos minha vida começava a tomar um rumo especial, depois de uma fase muito turbulenta o Cósmico vinha me presentear com o maior tesouro que um ser humano pode conhecer; “o Amor”, mas um Amor de verdade daqueles que nos modifica, que nos incentiva a nos tornar seres melhores.
Foi a exatamente dois anos que conheci Elsy Myrian Pantoja ou minha Menina Violeta que é uma maneira carinhosa que a trato, pela primeira e única vez na vida senti despertar um sentimento belo dentro de mim, no primeiro instante não sabia determinar o que era, mas depois de alguns dias comecei a perceber que era Amor.

E o Amor se fez presente
e meu ser iluminou-se
me senti realmente vivo
e meus sonhos renasceram...


Elsy Myrian foi e é fundamental na minha vida, no tempo em que vivemos juntos eu aprendi muitas coisas, aprendi a olhar para dentro de mim e também a olhar para as pessoas ao meu redor com outros olhos, com mais carinho para ser mais claro.
Lembro quando mostrei minha primeira poesia para outra pessoa e essa pessoa foi minha Menina Violeta que após me ler sugeriu que eu montasse um blog para começar a compartilhar os meus escritos, por muito tempo eu não publiquei nada sem antes pedir para ela revisar meus textos, e suas correções e elogios foram motivos de minha evolução e de eu adquirir a confiança necessária para continuar em meu caminho.

E do Amor belo e puro
surge o poeta apaixonado
que não se cansa de versar a sua musa
e que vê nos olhos dela sua alma gêmea...


Acredito que meu amor é infinito, pois mesmo já há algum tempo distante me sinto muito ligado a ela, a saudade se fez presente e só fortaleceu esse sentimento nobre e verdadeiro que nasceu em mim.
Elsy, eu deixo essas palavras que saem do mais profundo do meu ser, pois somente você foi capaz de me mostrar que aqui dentro desse peito bate um coração repleto de carinho e bondade, só você teve a capacidade e a paciência de cativar esse coração e só você possuí a chave dessa morada especial...
Eu Te Amo e continuarei te amando pela eternidade!


Não há distancia que consuma o amor,
quando se ama de verdade é transcendente,
o que se sente vai além das adversidades...



Jonas Rogerio Sanches

sábado, 25 de agosto de 2012

Gélida Saudade




Hoje o frio roubou as cores do dia
o céu rajado destituiu os tons
vejo todas às nuances vazarem nas chuvas
e o vento em rebento tem cor de solidão.

Hoje o frio multiplicou minha saudade
de cinza esboçou meus sentimentos
como eu queria seu raio de sol
em pleno afago aquecendo o coração.

Hoje o frio grita um inverno rigoroso
e nas manhãs a relva em brilho congelado
neblina que turva os meus sentidos matinais
frente à lareira me resta meditar e poetizar.

Então versejo em rispidez sã e congelante
vestindo as luvas que me deste no verão
anseio gélido que vigora em minhas lembranças
é o que me resta para transcender nossa distancia.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Eu vivo de sonhos reais




Eu tenho sonhos
e tenho asas de âmbar
meus olhos fulguram
em brasas de diamante
e veem todos os segredos.

Eu tenho sonhos
e tenho flechas mágicas
foram presentes de Krishna
e minhas mãos brilham
quando envolvem a pena.

Eu tenho sonhos
e galáxias em minha mente
meus ossos dourados
refletem minh’alma
em transformação.

Eu tenho sonhos
e tenho medos
que me trazem coragem
e me trazem bondade
para dividir com vocês.

Eu tenho sonhos
e tenho pesadelos
tenho um cálice carmim
e um punhal prateado
guardado em meu baú.

Eu tenho sonhos
que se espargem junto aos incensos
que perfumam meu caminho
e carregam minhas súplicas
até os ouvidos do Cósmico.

Eu tenho sonhos
mesmo acordado tenho sonhos
e tenho uma senda a seguir
que tornarão reais os sonhos
e me tornarão pleno e feliz.

Eu tenho sonhos
e os vivo intensamente
pois são a engrenagem
que movem a roda do meu viver,
sonhos tão reais que eu não vou adormecer...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: cena do filme "Asas do Desejo", de Wim Wenders

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Melodia Solitária


"Melodia Solitária"
Por Jesser Valzacchi
(1.20 X 1.26)


Fica o olhar no busto
e a solidão que rouba as forças
a musica já é um grande silencio
e a mente rende-se a introspecção.

Fica do violino somente o vulto
e no coração fragmentado
a saudade reina e dilacera
o reino e o desejo do artista.

A rosa quase morta ao vaso é a companhia
e o quadro na parede desperta as lembranças,
a melancolia de mais um dia gelado e vazio
sem deixar a inspiração brunir o arco nas cordas.

E a noite atravessa todos os anseios e medos
e eleva aos cimos das estrelas as partituras,
o que resta é a foto na gaveta entreaberta
trazendo a tona as notas dessa melodia solitária.


Jonas Rogerio Sanches





Peculiar




Na luz bruxuleante o mago
e a pena embebida em sangue
e sentimentos gritantes
formidáveis ao poeta
em vestes de flores
em olores dos campos
em desígnios mágicos
dos fardos pouco amenos;
e as letras são púrpuras
refazendo o simbolismo
e as peculiaridades
retratam seu olhar castanho
profundo e enigmático.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Misturando as Coisas




Misturo Beatles e livros
e poesias e estrelas explodindo
raios fulgurantes na estante.
Misturo a vida, a morte e um sorriso.

Misturo Hendrix e café fresquinho
e um whisky e a madrugada
interminável e eterna chuva de sóis
regando as papoulas do meu jardim.

Misturo Janis e devaneios
e os beija-flores e as orquídeas
enquanto os leões dormem pelas savanas
e as guitarras contorcem as galáxias.

Misturo olhares e penumbras
e arrebóis e cataclismos
o apocalipse já é mais embaixo
enquanto os cometas se colidem.

Misturo jazz, blues e almas
nessa festa de cores e contrastes
onde eu converso com os espíritos
e eles me acariciam os cabelos e os versos.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Feitiço da Lua




Olho a lua,
uivando paradoxos
calando constelações
que não se encontram
o Caçador e o Escorpião.

Olho a lua,
e a luneta companheira
e as montanhas vivas
e uma velha estrela
em buraco-negro devorador.

Olho a lua,
mirando a rua
via ampla e láctea
dançando universos
esperando a próxima colisão.

Olho a lua,
e vejo a alma
minh’alma fundida
aos átomos e luzes
estraçalhando cometas.

Olho a lua,
e vejo a poesia
e vejo sonhos
vejo supernovas
em bailados cósmicos.

Olho a lua,
e é recíproco
é encanto e silêncio
e as nuvens escondem a timidez
dessa donzela merencória e prateada.

Olho a lua,
e a noite padece
e o dia renasce
e as flores desabrocham
e meus olhos adormecem.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Versos a Rembrandt


"Rembrandt e os Amigos"
Por Reinaldo Mendes
Óleo sobre tela - 120x180


Do berço em tintas de Leida
o jovem atinge o ápice e a fama
em cavaletes dos países baixos
em autorretratos e perfeições.

Rembrandt foi um grande entre os grandes
o chamaram assim pelos tempos dos tempos
da civilização foi um dos grandes profetas
deixando na história suas marcas repletas.

Mestre em contrastes e dramaticidade
demonstrou nos seus rostos a expressão
impactante da sinceridade, em verdade;
influenciado claramente por Lastman.

Mas o tempo foi a sua alma modificando
e nasceu amor pela monocromia de Caravaggio
retratou-se então em chiaroescuro
enfatizando seu encanto pelo dourado.

Na mesa Rembrandt e seus amigos
mergulhando nesse mimetismo,
eternizando e inspirando artistas
com suas obras belas que enfeitiçam.


Jonas Rogerio Sanches

Vazio Sombrio




São noites às vezes sombrias
onde o coração titubeia
e a solidão se faz presente
deixando meu sentir em frangalhos.

E os minutos parecem séculos
relógios que marcam meus passos
e contam cada ofegante respirar
deixando meus olhos distantes.

São noites tão frias e vazias
que nem sei se estou vivo
parece que o corpo adormece
e a consciência vaga a esmo.

Minhas querências frágeis
me consomem sem misericórdia
enquanto eu desbravo sonhos
e ultrapasso as barreiras do real.

E as noites continuam escuras
enquanto me reviro entre os lençóis
e me remoo em carências
nesse peregrinar constante.

Queria poder gritar entre os ecos
e estremecer todas as fundações
que sustentam o pálido mundo
e determinam o incerto amanhecer.

Mas o destino é regido pelas escolhas
e as vezes falhamos nas decisões
mas o arrependimento inexiste
e o verdadeiro prevalece intacto.

E nas lacunas noturnas vejo o sol
revigorando minha teimosia
e resplandecendo a esperança
que alimenta meu caminhar ininterrupto.

E é somente o amor que me doa forças
 e me mantém focado na jornada...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dolorosa Realidade




Descerrei as cortinas do palco mundo
e me deparei com um teatro de angústias
onde a fome e a miséria consomem
as poucas esperanças do pobre homem.

Mortos-vivos caminhando sem rumo.
Tudo errado... Realidade fora de prumo.
Lágrimas sem sal... Corpos sem nutriente;
retrato cruel de um mundo doente.

Manipuladores dando as cartas calados,
e o trabalhador faminto... Desgraçado;
corpos surrados... Sonhos abandonados,
alimentando uma finada esperança.

Almas chorosas... Tristezas que beiram insanidade,
milhares de pessoas dormem nas ruas das cidades
em busca de uma chance... Viver com dignidade.
Eu quero uma cura pra esse mundo de enfermidades!

Mas tolo eu poeta... Com minhas vãs palavras,
triste poeta contemplando essa imundície
deixando gravado nas linhas o desgosto;
poesias caladas e escritas a contragosto.

E o vento varre as cinzas... E leva as preces.
Sentimentos de misericórdia... A quem merece.
E a devassidão esconde as verdades... Nuas e cruas;
mas o poeta descobre-as embaixo dos tapetes.

Desse palco imundo... Resquícios do submundo,
onde as lágrimas correm sem parada... Sem um lenço a enxugá-las.
E o poeta... Ah o poeta! Que grita calado
esses versos de um espírito magoado.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 19 de agosto de 2012

A Canção dos Tempos




A nossa canção foi escrita pelos anjos
em partituras decifradas pelos banjos
cifras de ouro reluzente e divino
com o relutante e belo soar dos sinos.

Coros de arcanjos entoavam a melodia
anunciando em suas harpas mais um dia
e com a chegada dos querubins em sinfonia
fez-se no céu a obra prima da alegria.

Quantos amores inspirados nessa cena
que emanavam os olores da açucena
muitos os pássaros que voavam agradecidos
também cantando e acompanhando os amigos.

Fez-se a canção mais bela entre os tempos
que é cantada ainda hoje pelos ventos.
Fez-se uma tela retratando tal beleza
com os pincéis e as nuances da natureza.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Trilhando a Senda dos Sonhos Profundos




Vou indo livre a trilhar a minha senda,
caminhante em busca eterna de alegrias
vou colhendo muitas flores entre espinhos
vou pela vida experiência adquirindo.

Vou sempre em frente com sorriso no meu rosto
guardo em meu peito lindos momentos e gostos
a minha bagagem vem vazia de desgostos
rasgando céus tão estrelados desse agosto.

Vou espalhando os meus verbos em poesias
varias serestas tão repletas de amor,
vou galopando meu cavalo de mil asas
vou pelo mundo amainando a minha dor.

E nas auroras eu vou gritando os horizontes
raiando sóis e alimentando meu esboço
que fiz em tela a óleo no entardecer de ontem
quando deixei a minha tristeza em calabouço.

Vou indo livre a trilhar a minha senda,
voo tão lindo em meu grifo cor de ouro
vou indo a esmo sem ter falta de coragem
nessas paragens tão infindas dos meus sonhos.

E a jornada está apenas começando...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sábado, 18 de agosto de 2012

Apocalipse Now




Guitarras cataclísmicas
remoendo e retorcendo
todas as sinapses neurais
e refletindo olhos metálicos
nesse gládio espelhado
e corroído pelos graves
de um contrabaixo afinado
em mãos que colidem
contra aparelhagens valvuladas
e arrepiam a plateia insana
que grita e sobrevive
aos bombardeios de  napalm
nas trincheiras do Vietnã.


Jonas Rogerio Sanches
This photo by Brian Howell is an analogy of the iconic Napalm Girl Vietnam photograph taken by Nick Ut.

Minha Velha Juventude




Minha velhice tão jovem e razoável
desconcertando os feitiços e magias,
e na esquina dos oceanos o vento
suave carrega sons e perfumes raros.

Minha velhice tão antiga e grisalha
que engoliu todas as cataratas
que abandonaram o cristalino dos olhos
de um tordo magro de penas desbotadas.

Minha velhice contemporânea e febril
contorcendo raízes de salgueiros e ipês,
ornamentando guirlandas na parede descascada
e cantando serenatas na janela do universo.

Minha velhice tão brusca nessa busca
de anos mais convidativos e festivos
onde os sorrisos são obrigatórios
e os caminhos são estreitos e felizes.

Minha velhice carcomida e corroída
pelos dialetos de um tempo esquecido
e pelas barbas brancas de um ancião
que cavalga sonhos em uma cadeira de balanço.

Minha velhice, tão eterna e inacabável;
bebendo juventudes e licores de vida
junto a todas as almas afins e amigas
nesse banquete requintado de sabedoria.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Yang Yi

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pétalas Amareladas




 Desse amor sol em pétalas
entre a rosa e o passarinho
que leva a ela um recadinho
escrito em flores do meu jardim.

Envio as pétalas de minha vida
em minhas cores de girassol
chorando em suspiros o arrebol
que mágico surge tão sublime.

Flores para ti Flor Violeta,
encantos meus ditos aos ventos
orando o amor em si distante
tão vivo hoje mais do que antes.

Aceite as rosas amareladas
que em sonho eu colho no meu planeta;
do jardineiro de amor que sou
cultivarei nossas sementes eternamente.

E guardarei os olores em receitas antigas
para perfumar todas as horas da sua vida.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ruínas de uma Memória Envelhecida




Minhas velas acesas em becos sombrios
distorcendo os vultos entre os flagelos
de um homem-pássaro em sua gaiola,
e o sol noturno foi sepultado em Tebas
enquanto as esposas do sultão sorriam
ao mercador de almas e aos dragões de Komodo.

Meu archote guiando escaravelhos pelos corredores
e iluminando os olhos da princesa das terras baixas
que solitária nos campos de flores e borboletas
cantava aos moinhos e caçava as lebres malhadas da lua,
e o período de descanso foi de uma medida interminável
e sua vontade foi pesada e vendida pelo último nômade.

Meu calabouço escuro bebe corações
e se embebe de seiva de samambaias
que crescem nas paredes úmidas das ruínas
esquecidas entre duas montanhas nos Andes,
e os velhos ossos e joias da civilização Muti
encantam nas praias frias do pacífico sul.

Meu caminho, meus cabelos alvoroçados
ventando solitário nas trilhas de Machu Pichu
em busca de uma escadaria para o céu
alimentando lhamas com moitas de estrelas
alimentando todos os algozes responsáveis
pelos sacrifícios no topo das pirâmides maias.

E do outro lado da moeda César sorriu
mas o que é meu não é de César nem de Orfeu,
mas meus fósforos foram vendidos a Nero
e a fogueira foi imensa e brilhante em Roma
enquanto eu lia pergaminhos envelhecidos
na biblioteca inigualável de Alexandria.

E no frontispício do templo de Apolo em Delfos
eu li a inscrição que ecoará por todas as eras;
nosce te ipsum...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

Um Jazz com Asas Iridescentes




Meu sobrevoo em jazz nupcial
colhedor de alfazemas espaciais
me levam aos cimos periódicos,
soluçantes as montanhas a me espiar.

Meu sobrevoo, sobretudo é poesia
é a mão que ceifa corações melancólicos
me elevando aos zênites de uma cordilheira,
exorbitantes cabras montanhesas a me observar.

Meu sobrevoo, sobressaído do mesmo jazz inicial
semeador de cataventos coloridos e pérolas
me guiando nas retas-curvas desse desfiladeiro,
um rio me olha passear por sobre as falésias.

Meu sobrevoo, sangrias e rituais esvoaçantes,
meu destino incerto e minhas asas gastas;
meu silencio que ecoa entre as paredes do templo
e um desconhecido me cuida em meus passos.

Meu sobrevoo entre as estrofes apocalípticas
nas epístolas de um jazz do fim dos tempos,
minhas asas iridescentes ao entardecer
me libertam dos olhares do mundo.

Meus sonhos e sobrancelhas se juntam
aos meus sobrevoos de reconhecimento
voos de águia-alma liberta dos grilhões,
agora eu sou o homem que olha pela luneta.

Eu vejo os sonhos distorcidos se acomodarem entre as estrelas...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

De Lugar Nenhum




Eu nasci em todo lugar
mas não sou de lugar nenhum,
sou de vidro, de palha e de vento
sou sorriso e resquícios do tempo...

Meu contento é momento calado
quando voo em minha manticora
e adormeço em camas de fogo
assistindo com medo seu rogo
e inventando um verso perplexo
sem nenhuma mentira ou reflexo
se espalhando em espelho convexo...

Eu nasci em todo lugar
mas continuo em lugar nenhum,
sou de orvalho, de malha e de cera
sou faísca em essencial pederneira
corroída em lástimas de fogueiras
e derretida junto a parafina do caos...

Eu já sou e nem sou tudo isso,
sou apenas o final dos rabiscos
marcantes e não mais obtusos;
contudo, sou o próprio eu
em busca da purificação do amanhã...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Bagagens da Alma




Toda uma busca retratada em poesias
que entrelinhas guardam muitos segredos
levando a mente muito além dos medos
e mergulhando em forja a alma bruta que possuo.

Todos os anseios retratados nos olhares
que me vigiam nos espelhos dessa alcova
me censurando e alimentando as esperanças
nessa batalha pelos meus sonhos de criança.

Todas as flores que torneiam meu caminho
possuem cores mas também possuem espinhos
mas nelas eu deposito meus mistérios
e levarei todas comigo ao cemitério.

Todas as vidas revividas pelas eras
deixaram marcas e karmas inevitáveis
colhi desertos e oceanos, também fui guerras,
seguindo os ciclos evolucionários intermináveis.

E minha bagagem é uma mala repleta de luz
onde eu carrego todos os aprendizados conquistados
e carrego também um amor intenso e inquebrantável
que o Cósmico me permitiu reencontrar.

Um amor eterno nesse jardim de violetas e girassóis...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Morte de um Dia sem Final




Agora que o dia padece na noite
eu sinto medo, e sinto o tremor das cordas
de uma garganta áspera, cansada e poética
cochichando aos lobos órfãos e à lua pálida.

Agora que beijo a estrela, luz primeva crepuscular
onde se esconde o vulto temeroso de um curiango
que trina aos sonhos meus, e aos sonhos do mundo
que ainda não adormeceu nesse purgatório de emoções.

Agora que a noite é alta os clarinetes calam
e a orquestra passa pela praça dos assombros,
surdos-bumbos marcam passos na enxurrada
e os transeuntes cálidos correm nas suas rotinas.

Agora, somente agora quero pulsar meu ser
e como uma supernova expandir em explosões
parindo novas hipóteses e dilacerando prótons,
e elétrons, e nêutrons dentro de um ventre atômico.

Agora que o dia padece eu observo os ratos e os gatos
e me desfaço em uma brisa atemporal inexistente,
desoriento todas as birutas nos campos de marte
e alço voo guiado pelo magnetismo do seu amor.

Agora que o dia padece e o sol nu adormece
eu deito em minha alcova e conto os trincos pelas paredes
esperando um uivo ou um momento de vazio intenso
onde posso me encontrar a sós com meus anseios.

Enquanto uma coruja muito suspeita e curiosa
 fica a me espiar pelas frestas da veneziana ocre e enferrujada...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: NASA

Sob o Olhar Encantado do Basilisco




A poesia jorrada do vórtice alienígena
petrificada pelo olhar sinistro do basilisco
que encantou o poeta e as florestas dos sibilos
e bebeu todos os odres de vinho sagrado do rei.

Versos cegos como a justiça terrena
que faz da caneta seu emblema
e, entre todos os brasões... Os signos do sol
flamejantes entre os velhos monges entorpecidos.

É mais um grito abafado por entre as frestas,
por entre os portais incógnitos da consciência
que separam as dimensões dos meus sentidos,
todos afiados e eloquentes na aurora das galáxias.

É a poesia que gira e pleiteia meus direitos de nascença
espalhados no leito pelo suntuoso e flébil vento
que varre as tristezas e leva meus secretos sussurros
até os ouvidos de lápis-lazúli do pássaro hercúleo do tempo.

São meus versos estridentes que carrego entre os dentes
junto a faca de dois gumes e um virgem punhal de diamante...
São meus versos embebidos no cálice dos mágicos antigos
que consagraram com incensos o frontispício do templo.

E o último arcano foi passado de boca em boca
nos corredores sombrios das profundezas de Gizé;
deixando o fardo do discípulo puro de coração
com o sufocante peso de todos os mundos e estrelas.

Agora seus olhos e sua pena lhe foram roubados
e seu coração trancafiado com a chave dos grandes mistérios...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: El regio basilisco by Verreaux
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