sábado, 30 de junho de 2012

O Homem da Chuva




Lá vai o homem da chuva
Lavando as recordações
Correndo em guarda-volumes
Lá vai ele com seu grito
Incrustando perolas em um arrebol

Lá vai o homem da chuva
Acompanhando nuvens de absinto
Embriagando os guarda-sóis
Lá vai ele como enxurrada
Desviando dos obstáculos

Vai e vem trazendo arco-íris
Trazendo lavouras de histórias
Todas férteis e verdejantes
Como aquele vendaval
Lá vai o homem carregando girassóis

Carrega chuvas e temporais
De amores e de flores... Nina os escaravelhos
E na boca da noite guizos de trovões
Lá vai ele relampejando vidas
Ele vai e vem como garoa

Nas noites de luar sertanejo ele é vapor
Lá vai o homem da chuva... Derramando nuvens
Levando embora os secos pastos do amanhã
E seu sangue nasce em seiva brilhante
Também em cisternas de poesias e de estrelas

Lá vai ele...
Ele é o homem da chuva
Vozes de mil furacões
E adormecido em tormentas
Carregou ao cimo do mundo a família de Noé

Lá vai ele! Nas corredeiras de um pensamento meu...
Ele é o homem da chuva...


Jonas Rogerio Sanches

Eu Já Fui Poeta




Eu já fui tempos antigos
Hoje em ruínas o passado
E o pretérito já é imperfeito
Agora sou ponteiros de relógio

Eu já fui vãs profecias
Hoje a pitonisa já não é mais virgem
E nas folhas de chá o rei viu a morte
Agora sou à sombra de sol devasso

Eu já fui o escrivão dos pergaminhos
Hoje são palavras soltas nos ventos
Deterioradas pelos anos dos desertos
Agora sou a própria história escrita em sangue

Eu já fui os primórdios desse infinito
Hoje o finito retém a mente limitada
Presa em grilhões terrestres
Agora sou a chave das dimensões de minha consciência

Eu já fui poema, hoje às vezes sou poeta,
deitado em planetas imaginários, sem luas;
pintando telas em nuvens de cetim,
por onde se esconderam as torres de Merlin.

Eu já fui poeta...  Hoje são somente letras distorcidas


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uma Espera Insensata




Espero o sopro cataclísmico
E o baforar do ventre da terra
Uma alusão utópica de um renascer
De um iluminar propício ao amor comum

E nessa espera eu me aconchego em estrelas
E sobrevoo os auspiciosos cimos da via láctea
E me visto com esse colar diáfano e brioso
Transportando-me pelos devaneios alienígenas

Mas os dias são todos diferentes em cada realidade
E existe uma pessoalidade em cada sonho
Uma única semente que brotou diferente em cada ser
Dando a cada um seu próprio relacionamento temporal

Mas eu continuo em minha espera interminável
Vejo luzes quando adormeço em meu berço estelar
E os sinais tornam-se herméticos aos meus olhares
Somente sinto-me ser invadido por uma paz contida

E em minhas visões e profecias registradas nos tempos
Vejo e sinto agora o frescor daquele sopro aguardado
Que chega dividindo o céu em dois firmamentos
E o sol derrama seres que varrem toda essa discórdia

Enquanto os cavalos devoradores de mundos sussurram
E galopam entre as almas que ascendem à verdade
Em carruagens voadoras o regresso dos Reis Cósmicos
E uma trombeta calou em um eco de arrebatamentos

Espero sentado em minhas alucinações
Agarrado sóbrio em rastro de um velho mundo
E adormeço novamente em meus próprios sonhos
Para recordar e acordar em uma aurora resplandecente


Jonas Rogerio Sanches


Inverno Galáctico




Vem o frio e falta seu abraço
Inverno em minh’alma, galáctico
Coração em descompasso
E a chuva molha meus sonhos
Fica um gotejar constante de ilusões

Vem o frio e à poesia em saudade
Nas noites mal dormidas da cidade
E um ego cala em meio ao peito ensandecido
E a chuva continua desnuda e bailarina
Sobram anseios e desejos de te amar

Vem o frio, mas meu sangue ferve
Borbulha meteoritos e ritos funestos
Calado em encruzilhada com meus protetores
E a chuva apaga as velas cor de mel
Deixando um olor acre na atmosfera

Venha frio e congele meus medos e lágrimas
Em manhãs de nevoeiro doe raios solares
E amenize as pétalas orvalhadas de sereno
Deixe-me beber todas as chuvas de estrelas
E leve-me com os ventos minuanos

Venha frio e leve-me ao meu destino
Leve-me aos polos lunares, em lua desconhecida
Onde eu possa semear novos verões
E compor uma tela em aquarela
Com todos os tons de poeira universal


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cantiga na Floresta dos Sibilos




Das cantigas sou a seresta dos tempos
Sou as lágrimas e sorrisos de um bardo
E entre os poetas mortos tive visões
Sempre vivos em meus sonhos e auroras

Das cantigas sou as lendas esquecidas
Sou o totem solitário em uma ilha submersa
Entre sereias cortejadas por Netuno
Eternas vivências entre os impossíveis

Das cantigas sou os descritos rituais
Sou o cálice de sangue da terra
Nos lábios de uma criança envelhecida
Sedenta de almas e pergaminhos gastos

Das cantigas sou o rodopiar das bailarinas
Sou os estalos na madeira perfumada a queimar
Na fogueira de sóis e universos infindáveis
Crepitando em tochas de estrelas e cometas

Das cantigas eu sou o poeta e trovador
Sou a pena e a tinta sempre negra dessa cruz
Que carrego e alimento todos os cupins famintos
E elevo-me por entre os galhos desse sabugueiro

E o amanhecer sublime encerra os festejos
Duendes e salamandras adormecem no seio do mundo
E me torno relva novamente... Embebida em orvalho
Aguardando as luzes confusas de um próximo arrebol


Jonas Rogerio Sanches

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Meu Amigo Cão




Vejo seu olhar cão
Amigo cão
Sem interesses
Somente um afago
Alimenta-te
Sustenta-te
E minha mão eu te disponho
Tome esse doce afago
Sirva-se do meu abraço
E minha face venha beijar

Vejo seu olhar cão
Amigo cão
Q’eu amo
Venha a mim para um passeio
Caminhe sempre ao meu lado
E me cuide
Q’eu te cuido
E te adoro
Companheiro
Nunca te abandonarei

Vejo seu olhar cão
Melhor amigo cão
Q’ eu sei que não se importa
Mesmo a vida sendo torta
Seu amor sempre terei
E o meu também terás
Pois tu tens meu coração
E minha dedicação
Tens carinho e liberdade
Eu te amo amigo cão


Jonas Rogerio Sanches

Empírico




Em superfície sublime de paz
Arrebatado em momento empírico
Entre luzes e vozes de amor
Resplandece no mundo o Pastor

Vem trazendo rebanho de Anjos
E coroas de estrelas nas mãos
Magnânimo vem reinar em seu trono
Ensinando a viver como irmãos

Reine a vida liberta da carne
Ressoou sobre o verbo da terra
Em relâmpagos dividiu-se luz e sombra
E a amizade predominou sobre a guerra

E as palavras de amor transmitidas
Pelos verbos dos filhos do Pai
Tornar-se-iam as regras de vida
Extinguindo as agruras vividas

O retorno de um Rei Celestial
Como dito em livros e profecias
Selando aqueles antigos escritos
Que descreveram os últimos dias


Jonas Rogerio Sanches

terça-feira, 26 de junho de 2012

Cortejo de Passarinho






Ouço um trinar tão comovente à goiabeira
E ao chão dois a dançar em viravoltas
Tentando conquistar a passarinha
Que mostras as vestes coloridas de ribalta

Corteje a dama em rastros e elegância
Em sua disputa ao espalhar de sua espécie
Estuda o outro entre cantares e tenores
A natureza entrecortada de amores

Esquenta o sol e o espetáculo é incessante
Como dois deuses imortais em suas batalhas
E lá nos galhos a cortejada exibe as plumas
Como uma donzela que ainda guarda sua candura

Lá vem o crepúsculo e surgirá o vencedor
Dois já exaustos demonstrando seu teor
Mas um somente saíra o premiado
E voarão livres pelos céus enamorados

Jonas Rogerio Sanches

Cidade Fantasma





Habito essa cidade fantasma de hipóteses
Onde os portões escancarados desconvidam
E as sombras de um mesmo obelisco se multiplicam
Desorientando os mapas cartográficos de Colombo

Durmo em chão batido... Quando durmo
Temo os lobos do amanhecer, de olhos atentos.
E os fantasmas nos edifícios olham-me de soslaio
Desconfiados que eu descerrasse as cortinas do sol

Mas entre uivos e uma vegetação rasteira
Eu armo arapucas com os espinhos da vida
Tentando capturar as cores que fugiram
E foram morar em uma aurora boreal

Tantos foram os deslizes sem diretrizes
Mas esse lar é muito frio nos dias de verão
Por isso que eu bebia o néctar dos deuses
E embriagava-me em poesias torpes

Mas a independência dos sentidos foi aclamada
E deixei as gardênias solitárias em meu quintal
Joguei minha velha carcaça aos lobos famintos
E mergulhei despido do peso dos pecados

No mar de areia das ampulhetas da criação...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fender




Vejo cores em distorções de uma fender
E os cabelos emaranhados em asteroides
Quanto blues encerra em meus sonhos
E uma frenética armadilha de acordes
O titubear de um garçom das pirâmides
Servindo vinho em cabeças de faraós
Ouça a musica amarelada das areias
São os tempos cantando mortes em ampulhetas
E o cinturão pregado no céu do caçador
Alucina em noites onde dorme o escorpião
E no final dos tempos minha guitarra
Sussurrando esse blues estrelado


Jonas Rogerio Sanches

Peregrino Ressuscitado




Nuit em suas vestes de estrelas
Vigiando meus passos
Angariando benesses ao coração
Alimentando meus sonhos

E é nessa festa de Deuses
Que busco reservar meu convite
Para na aurora ter com Geb
Raios solares em minha mente

Renovando a vida... Contínua
E regando a mel as flores do meu amor
Sabendo em verdade o que foi reservado
Nessa senda áspera cheia de galardões

No meu diário sou espelhos
Reflexos de mil firmamentos
E a chama da eternidade crepita
E desata os nós no meu âmago

Oh Cósmico, Noús e Arquiteto
Acorde o Hiram nesse seu filho
Pois o alicerce foi firmado
E é sólida a base do seu verbo

Oh homem de boa vontade
Ressuscite e lave minhas vestes
Pois curei as feridas nos meus pés
E novamente estou pronto para peregrinar


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 24 de junho de 2012

O Menino da Sandália Amarela




Chegara mais uma vez o Natal e Erpídio, só no mundo, olhava as pessoas em seu vai e vem por entre as vitrines, pelas vidraças dos restaurantes degustava com os olhos os suculentos pratos que nunca teve a oportunidade de provar, o frio era intenso nas ruas iluminadas de Paris e seus pés descalços estavam arroxeados pela ação cruel do clima hostil.
Imaginava e se perguntava onde estariam seus pais que nunca veio a conhecer, fora ele criado entre andarilhos que e o cuidaram desde que fora encontrado em uma moita enrolado em alguns trapos na beira de uma estrada secundária nos arredores da cidade.
Agora seu futuro sem perspectivas era na sua cabeça um turbilhão de sonhos fragmentados, onde ainda alimentava esperanças de um dia deixar de ser um mero ser invisível que trafegava de praça em praça buscando um recanto seguro para passar suas noites.
Em uma dessas noites estava Erpídio sentado em um banco num lugar bem solitário, onde visitava sempre, pois, sentia-se afagado pelos olores diversos de um vasto jardim em flores que o cercava, foi quando viu se aproximar um senhor bem vestido, com estatura elevada, sua barba bem aparada e já grisalha realçava o brilho negro do seu imponente olhar, reparou que o senhor carregava em suas mãos um belo par de sandálias amarelas e que nos seus lábios ostentava um sorriso um tanto quanto benevolente.
O senhor aproximou-se de Erpídio e disse-lhe com uma voz que continha um alto teor de bondade:
- Que faz um rapaz sozinho e com esse triste olhar uma hora dessas nesse lugar tão vazio?
Erpídio com uma voz cansada e um pouco trêmula respondeu:
-Sempre fui sozinho no mundo meu senhor e muitas de minhas noites passo aqui nesse lugar que gosto e tenho como especial, aqui não me sinto tão só, pois, tenho a companhia deste magnífico jardim colorido e perfumado.
Sentando-se ao lado do menino e lhe estendendo as sandálias que carregava nas mãos lhe perguntou em um tom afetuoso:
-Menino, você gostaria de poder realizar os seus maiores desejos?
De pronto veio a resposta:
-Senhor, tenho tantos sonhos em minha vida e gostaria muito de poder realizá-los, mas, a vida foi injusta comigo e minhas esperanças de um dia poder satisfazer minhas vontades estão se esgotando – e com lágrimas nos olhos completou- Veja senhor, nem um calçado para aquecer meus pés eu possuo, como poderei realizá-los?
Olhando nos olhos marejados do pobre Erpídio lhe perguntou:
-Gostaria de ganhar esse belo par de sandálias amarelas?
E Erpídio respondeu:
-Seria o primeiro presente que eu ganharia em minha sofrida vida, ficaria eternamente grato pelo presente.
-Então elas são suas– disse o homem - entregando o belo par de sandálias ao agora sorridente menino.
Erpídio que já estava com seus pés já em uma condição precária e quase congelados, enrolou-os com umas tiras de um pano aveludado que tirou de um de seus bolsos e calçou as sandálias, em seu peito sentiu uma sensação desconhecida até então, um misto de esperança com uma alegria nunca sentida antes.
Olhando com um sorriso grandioso nos lábios se dirigiu ao senhor:
-Muito obrigado meu senhor por me proporcionar pela primeira vez sentir-me alguém, pois, até esse momento vivia perambulando pelas ruas da cidade como se fosse invisível – e segurando firmemente a mão do homem lhe perguntou- Eu poderia saber quem é o senhor?
O homem com um sorriso misterioso lhe respondeu:
-Eu sou aquele a quem você pede em suas orações por uma vida melhor, eu sou seu pai... Eu sou aquele que os homens chamam de Deus!
E como um lampejo de luz desapareceu da frente do menino, que maravilhado pelo que viu, decidiu pregar a palavra do senhor por toda sua vida, e assim foi feito... E Erpídio com suas sandálias amarelas viajou o mundo exaltando e espalhando a palavra do Senhor...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Coração de Mago




Minha voz que grita um silêncio incompreendido
Nesse caminho escolhido, estreito em espinhos
Senda calada, retida em mistérios incomunicáveis
Coração de um mago, triste e feliz, em desapegos

Meus sentidos que gritam entendimento
Nesse caminho determinado no berço
Jornada complexa dentre segredos vividos
Coração de um mago, convulsionado, vivo

Meus sussurros ouvidos pelos ecos
Nesse caminhar lento e contemplativo
Escaladas em Olimpos imaginários
Coração de um mago, repleto de luz

E a poesia mágica, as palavras dos feitiços
E as vontades alquebradas, voos em precipícios
E os perdões de eu mesmo, infringidos por mim
Coração de um mago, meu doce coração

Entre os cedros sagrados adormecerei
E as vias se manifestarão, selando a metamorfose
Eu calarei e sonharei os sonhos entre os véus
E nos abismos escuros deixarei de planar

Meus sonhos, vividos em realidades paralelas
Entre todas as encruzilhadas que surgiram
Carregando no peito um coração hermético
Coração de um mago, abocanhando almas nos espelhos

Meu coração resumindo os encantamentos do próprio existir


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Eterna Adormecida




Sonhos de saudade
Da princesa adormecida
Tantos anos sem idade
De feição esmorecida

Longe o príncipe em cavalgada
Em terras longínquas e encantadas
Enfrentou feras e bruxarias
Em busca de sua prometida

Colheu orvalhos amanhecidos
Para voar em pégasus por sobre o vale
Até a gruta da bruxa sereia
Para selar o seu destino

Se fosse o beijo de desencanto
Acordaria-a e secaria o pranto
Para um retorno triunfante
A sua terra agora distante

Mas seu desejo foi vão e incerto
E a noite eterna da sua duquesa
Nunca seria um novo dia
Vagando em rara catalepsia

Lendas antigas e adormecidas
Que povoam a mente dos esquecidos
Final feliz somente em folclores
E a princesa derradeira afogou-se nos tempos

Somente uma cantiga rústica embala os corações apaixonados
E a bruxa se fez rainha cortejada por Netuno
E mais uma fábula foi profanada
Em meus devaneios insanos poéticos

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

terça-feira, 19 de junho de 2012

Contemplações




Olhando para as miragens da minha mente
Vejo um oásis de terras férteis e produtivas
Então com minha pena sulco as sementes
E deixo brotar os sublimes sentires da vida

Em palavras de querências secretas
Em sensações indefiníveis ao verbo
No navegar manso de um versejar
Na colheita dos corações semeadores

Olhando para essa vasta gama de ideias e ideais
Vejo belezas escondidas em tímidos sorrisos
Muitas vezes melancólicos e tristes sorrisos
Se escondendo em uma falta de expressão inata

Ou entre as árvores da floresta dos desconhecidos
Nos atos cotidianos ritualísticos da labuta cruel
Que priva às vezes das libertas aventuras mentais
Nos rosto daqueles batalhadores indômitos da vida

Olhando no espelho entrego-me as reflexões
De todas as divagações e aspirações contidas
Nessa imagem inversa de eu mesmo refletida
Mostrando minha alma despida de qualquer máscara


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Luz Fragmentada




Emancipo as possibilidades em palavras
E me desgarro dos grilhões do mundo material
Soberano de eu mesmo faço as escolhas
E voo em asas de todos os pensamentos

Sóbrio mergulho em uma luz fragmentada
Distorcida em prismas e caleidoscópios
E se formam arco-íris nas meninas dos meus olhos
Então sou partícula em movimento de ascensão

Sou aquele bosque de sagrados agáricos
Onde fui druida ou um simples lampejo de amor
Minh’alma já não adormece faz mil anos
Simplesmente vigia minhas vidas e mortes constantes

E os peregrinos continuam as suas jornadas
Enquanto eu escrevo as suas histórias
Sobrepondo as minhas vontades em cada linha
E desenhando um final quase feliz, um recomeço.


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

domingo, 17 de junho de 2012

Relógio Cuco




Pluriversos em universos
Somente os versos
Todos dispersos
E há amarras em planetas fúnebres

Empanturrado, dilacerado, entrecortado
Em Capadócias e Babilônias
Planto jardins desenterrados
Mil cores, mil flores, todas são begônias

Em universo tão controverso
Gritos de dor em Constantinopla
Ou mais um verso agora inverso
Deteriorando nesse reverso

E às voltas com ponteiros de relógio cuco
As estrofes repudiam o tempo das notas
Em trinares da meia-noite em uma sala de jantar
Em rugidos do meio-dia em um zoológico qualquer

São universos e pluriversos, não mais comuns,
todos inversos, dispersos em versos, reversos;
e no relógio um retrocesso, mais um planeta nasceu.

Então apaguei meus versos
Apaguei todas as luzes
E as estrelas
E os vaga-lumes
E dormi no escuro vácuo de meu quarto assustador

E o relógio cuco já deixou de trinar nas meias-noites
O que se ouve são somente as areias do tempo a divagar

Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cinco Pra'Seis




Pensamentos sintetizados em plurais
Descosidos em panelas de ideias fritas
Onde os redemoinhos colhem ventos
E as catacumbas já não servem mais

Pensamentos mortos nas hecatombes
Entre mil banguelas e um farfalhar agonizado
E eu não corri mais por entre os cordeiros
Pois meus ouvidos zumbiam como dois cata-ventos

Singulares olhares de um embrutecido capitão
Que em cerrado e sertão comestíveis
Degustava corações de cangaceiros
E os novos pensamentos clareavam Lampião

Velhos e novos pensamentos se aglutinando
Em viravoltas de um moinho entorpecido
D’onde tiro águas tão cansadas e a sede permanece
Em gargantas tão agonizantes que as plantas sussurram

Olhe essas cores infernais nesse letreiro que vende covas
Só mais um pensamento monopolizado empurrando caixões
E as vitrines foscas entre roupas degustadas as traças
Alimentam os olhares mercantilizados das moças de cetim

Pensamentos e pensamentos corrosivos
Uma soda caustica e um brinde mal engolido
Compro almas, compro canetas de várias propagandas
Mas meus pensamentos são suores das penas antigas

Pensamentos e mais alguns melindres de letras pálidas
E o garçom espera a gorjeia suja em um dinheiro imundo
Minhas vestes contêm furos de brasas de cigarro
E o cara no estacionamento quebrou a vidraça do mundo

No regresso somente um som bem anos cinquenta
Tipo um Bob Dylan com distúrbios emocionais
No portão meus cachorros uivam minha chegada
E o despertador antigo toca as cinco pra'seis

Mais um dia, outra poesia, cheia de coisas e letras
Meu travesseiro esta empanturrado de sonhos mal dormidos
E a janela emperrada não tem cortinas, são os solares raios gritantes
E o que ficou foi somente um tardio querer,
e a sobriedade guardada em pensamento...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google
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