terça-feira, 2 de outubro de 2012

De Tanto Olhar Adormeci

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Olhava os pássaros
de penas tenras
e meus pensamentos velutíneos
amaciavam cantos tudescos.

Olhava as flores
de pétalas aveludadas
e as borboletas deslizavam
em devaneios plácidos.

Olhava o vazio do mundo
e minha mente transbordava
e se ramificava trespassando
as raízes da árvore cabalística.

Olhava e já não via nada
minha retina borbulhava alucinações
mas as cores já eram mortes
e se misturavam em senil arco-íris.

Olhava e olhava e olhava
com a visão púrpura da alma
enxergava auras e corações,
universos inteiros se colidindo.

E o gérmen vital renascia
e estrênuo rasgava o ventre
e respirava o ar da liberdade
e metamorfoseava-se vilipendioso.

E eu olhava essa dança inenarrável
e já não sei o que eu via, se era a boca da noite
ou se era a boca do dia, faminta
engolindo os homens rotineiros e monótonos.

Olhava e adormeci com imagens extenuantes e pitorescas...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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